Pressão sanguínea alta é mais comum entre indivíduos com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Mas uma pesquisa sugere que nem todos os sintomas de TEPT estão associados com um risco aumentado de hipertensão.
O estudo, que apareceu na revista cientifica Psychological Medicine, indica que sintomas relacionados a medo são o fator primário de elevado risco cardiovascular: “um corpo crescente de pesquisa indica que o TEPT está associado com aumentado risco de desenvolver uma gama de condições cardiovasculares, incluindo pressão alta. Contudo, nós não sabemos quais aspectos do TEPT estão conduzindo estas associações”, disse a autora do estudo, Jennifer A. Sumner, professora assistente de medicina comportamental, da Columbia University Medical Center.
“TEPT é um transtorno heterogêneo. De fato, há 636.120 formas para ter TEPT baseado nos critérios de DSM-5. TEPT pode ser amplamente pensado como tendo dimensões de medo (uma reposta alarme para perigo real ou percebido) e disforia (baixo afeto positivo e perda de interesse ou prazer) e nós estávamos interessados em examinar como estas dimensões de TEPT relacionado para desenvolver pressão alta, um importante e modificável fator de risco para doença cardiovascular”.
Os pesquisadores examinaram dados das Nurses’ Health Study II, um estudo longitudinal de 116.429 enfermeiras dos Estados Unidos que começaram em 1989. Eles focaram em 2.709 mulheres que tinham sido expostas a trauma e não tinham hipertensão e doença cardiovascular no momento do evento traumático. Ao longo do curso do estudo, 925 mulheres desenvolveram hipertensão.
“Em mulheres que tinham sido expostas a uma ampla gama de eventos traumáticos (por exemplo: repentina e inesperada morte de uma pessoa amada, contato sexual indesejada, agressão física, aborto espontâneo ou natimorto), nós encontramos que elevados sintomas de TEPT relacionados ao medo (e não sintomas de TEPT relacionados a disforia) estavam associados com um risco aumentado de desenvolver pressão alta”, Sumner explicou.
“Sintomas de TEPT relacionados a medo incluíram reportes de pensamentos intrusivos, evitação ativa de coisas que lembrem o trauma, hipervigilância e assustar-se de forma exagerado. Nossos achados sugere que sintomas de medo associados com TEPT pode ser um fator crítico de elevado risco cardiovascular em indivíduos expostos a trauma”.
O estudo foi controlado por fatores tais como sócio-demografico e história parental de hipertensão. Contudo, todas as pesquisas incluem algumas limitações — e o atual estudo não é exceção: “uma limitação deste estudo é que nós avaliamos exposição ao trauma e sintomas de TEPT, retrospectivamente. Além disso, nós contamos com diagnósticos auto-relatados de pressão sanguínea alta”, disse Sumner.
“Generalização de nossos achados pode também estar limitado à medida que o coorte de Nurses’ Health Study II é todo feminino, com mulheres predominantemente brancas e altamente qualificadas/instruídas. Assim, nossos achados precisam ser replicados em amostras mais diversificadas”.
Alguns indivíduos expostos ao trauma não preencheram os critérios para TEPT, mas ainda tem uma elevada resposta ao medo: “uma questão-chave para trabalho futuro é para examinar se intervir para reduzir manifestações pós-traumáticas de medo pode ter um impacto positivo em manter níveis saudáveis de pressão sanguínea”, Sumner adicionou.
O estudo, “Not all posttraumatic stress disorder symptoms are equal: fear, dysphoria, and risk of developing hypertension in trauma-exposed women“, foi autorado por Jennifer A. Sumner, Laura D. Kubzansky, Andrea L. Roberts, Qixuan Chen, Eric B. Rimm e Karestan C. Koene.
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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:
