Estudo Revela pela Primeira Vez que a Terapia Cognitivo-Comportamental Muda a Conexão Cerebral em Psicose

Um novo estudo do King’s College London e South London and Maudsley NHS Foundation Trust mostrou, pela primeira vez, que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) potencializa as conexões especificas no cérebro das pessoas com psicose e que estas conexões mais fortes estão associadas com redução a longo-prazo de sintomas e recuperação oito anos mais tarde.

TCC – um tipo especifico de terapia da conversa – envolve pessoas mudando a forma como pensam e respondem aos seus pensamentos e experiências. Para indivíduos experienciando sintomas psicóticos, comum em esquizofrenia e em uma série de outros transtornos psiquiátricos, a terapia envolve aprender a pensar diferentemente sobre experiências incomuns, tal como crenças angustiantes de que outras pessoas estão perseguindo-os. A TCC também envolve desenvolver estratégias para reduzir o sofrimento e aumentar o bem-estar.

Os achados, publicados na revista cientifica Translational Psychiatry, seguem o trabalho anterior dos mesmos pesquisadores que mostraram que, pessoas com psicose que receberam TCC exibiram conexões fortalecidas entre regiões-chave do cérebro envolvidas no processamento de ameaça.

Os novos resultados mostram pela primeira vez que estas mudanças continuam a ter um impacto anos mais tarde na recuperação a longo-prazo das pessoas.

No estudo original, os participantes submeteram-se a fMRI para avaliar a resposta cerebral a imagens de rostos expressando diferentes emoções, antes e após seis meses de TCC. Os participantes já estavam tomando medicação quando fizeram parte do estudo e então foram comparados a um grupo recebendo apenas medicação. O grupo recebendo apenas medicação não apresentou nenhum aumento em conectividade, sugerindo que os efeitos nas conexões do cérebro podem ser atribuídas a TCC.

Para o novo estudo, a saúde de 15 dos 22 participantes que receberam TCC foi monitorada por oito anos através de seus registros médicos. Eles também responderam a um questionário no final de cada período para avaliar o nível deles de recuperação e bem-estar.

Os resultados mostram que o aumento em conectividade entre várias regiões cerebrais – sobretudo a amígdala (o centro de ameaça do cérebro) e os lobos frontais (que estão envolvidos no processo de pensar e raciocinar) – estão associados com a recuperação de psicose a longo-prazo. Esta é a primeira vez que mudanças no cérebro associadas com TCC tinham sido apresentadas como estando associadas com recuperação a longo-prazo de pessoas com psicose.

O autor do estudo, Dr Liam Mason, do King’s College London, que é psicólogo clínico do Maudsley Hospital onde a pesquisa ocorreu, disse: “esta pesquisa desafia a noção de que a existência de diferenças físicas cerebrais em transtornos de saúde mental de alguma maneira, torna fatores psicológicos ou tratamentos menos importantes. Infelizmente, pesquisas anteriores mostraram que este ‘viés cerebral’ pode tornar os clínicos mais propensos a recomendarem medicação mas não terapias psicológicas. Isto é especialmente importante em psicose, onde apenas uma em cada dez pessoas que poderiam beneficiar-se de terapias psicológicas são oferecidas a elas”.

Os pesquisadores agora esperam para confirmar os resultados em uma amostra maior e para identificar as mudanças no cérebro que diferenciam pessoas que experienciam melhorias com TCC daquelas que não. Em última instância, os resultados poderiam levar a tratamentos melhores e mais adaptados para a psicose, ao permitir aos pesquisadores entender o que determina se as terapias psicológicas são efetivas.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

http://www.psypost.org/2017/01/study-reveals-first-time-cognitive-behavior-therapy-changes-brains-wiring-46943

Estudo Identifica Ligação entre Dor Crônica e Ausência de Sono

‘Eu não serei capaz de lidar com a minha dor se eu não dormir bemI’ – pesquisa da University of Warwick revela que a forma como os pacientes com dor crônica pensam sobre a dor e o dormir levam a insônia e ao manejamento precário da dor.

Pesquisadores do Laboratório de Sono e Dor no Departamento de Psicologia demonstrou que condições como dor nas costas, fibromialgia e artrite estão diretamente ligadas com pensamentos negativos sobre insônia e dor, e isto pode ser efetivamente manejado usando a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Esther Afolalu e colaboradores formularam uma escala pioneira para medir crenças sobre o sono e dor em pacientes com dor crônica, junto a qualidade de sono deles – a primeira escala deste tipo para combinar dor e sono e explorar o círculo vicioso entre dormir e problemas de dor.

A escala foi testada em quatro grupos de pacientes sofrendo de dor crônica e padrões de sono ruins, com o resultado mostrando que pessoas que acreditam que não serão capazes de dormir como resultado de sua dor estão mais propensas a sofrerem de insônia, assim causando piora da dor.

Os resultados mostram que a escala foi vital para predizer o nível de insônia e dificuldades de dor dos pacientes. Com o sono melhor, os problemas de dor são significativamente reduzidos, especialmente após receber um curso de curta duração de TCC para ambos: dor e insônia.

O estudo ofereceu aos terapeutas os meios com que se pode identificar e monitorar pensamentos rígidos sobre o sono e dor que estão interferindo no sono, permitindo a aplicação da TCC efetivamente provada para insônia e pessoas com dor crônica.

Esther Afolalu explica: “Atuais tratamentos psicológicos para dor crônica tem principalmente focado-se no manejo da dor e com uma ênfase menor no sono, mas há um recente interesse em desenvolver terapias para resolver tanto o problema da dor quanto o problema do sono, simultaneamente. Esta escala fornece um instrumento clínico útil para avaliar e monitorar progresso de tratamento durante estas terapias”.

Dr. Nicole Tang, autora sênior do estudo, comenta: “pensamentos tem um impacto direto e/ou indireto em nossa emoção, comportamento e, até fisiologia. A forma como nós pensamos sobre o sono e sua interação com a dor pode influenciar a forma como nós lidamos com a dor e manejamos insônia. Baseado na experiência clínica, apesar de algumas destas crenças serem saudáveis e úteis, outras são rígidas e erradas. A nova escala, PBAS, foi desenvolvida para ajudar-nos a buscar aquelas crenças que tem um papel potencial na piora da insônia e experiência da dor”.

O artigo ‘Development of the Pain-Related Beliefs and Attitudes about Sleep (PBAS) Scale for the Assessment and Treatment of Insomnia Comorbid with Chronic Pain’  está publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine.

http://www.facebook.com/cristianepassarela

 

O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Study identifies link between chronic pain and lack of sleep

Aplicativos de Smartphone Podem Ajudar a Tratar Ansiedade e Depressão

Com esse mundo tecnológico trazendo novidades diariamente, por que não utilizá-las a nosso favor? Eu, como terapeuta, não vejo mal nenhum nesse app que está sendo testado. Muito pelo contrário, se for para ajudar meus pacientes, será muito bem-vindo! 😉

O post de hoje é uma tradução livre desse texto em inglês: http://www.psypost.org/2016/05/smartphone-app-help-treat-anxiety-depression-42841

Vamos ao texto 🙂

Em um projeto conjunto entre as universidades de Liverpool e de Manchester, pesquisadores examinaram o teste inicial de um aplicativo de smartphone desenhado para ajudar pessoas a manejar seus problemas.

O app ‘Catch It’ usa alguns dos princípios-chave das abordagens psicológicas para saúde mental e bem-estar, e especificamente Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). O app ajuda os usuários a melhor entender seus humores através do uso de um diário.

TCC é uma terapia que pode ajudar você a manejar os seus problemas, através da mudança da forma como você pensa e se comporta. É mais comumente usada para tratar ansiedade e depressão, mas pode ser útil para outros problemas de saúde física e mental.

O uso muito difundido de telefones móveis torna terapias efetivas tal como a TCC potencialmente acessível para um  grande número de pessoas.

O app ‘Catch It’ direciona os usuários para um processo referido como “Catch it, Check it, Change it”. O ‘Catch it’ tem como objetivo ajudar o usuário a identificar pensamentos e estilos de pensamento associados com uma mudança no humor ou uma determinada emoção.

O estudo, conduzido por pesquisadores da University of Liverpool’s Institute of Psychology, Health and Society (IPHS), a University of Liverpool’s Computer Services e a University of Manchester’s School of Psychological Science, foi publicado na revista científica British Journal of Psych Open.

Segundo o professor Peter Kinderman: “este tipo de terapia não pode remover os problemas, mas ela pode ajudar pessoas a lidar com eles de uma forma mais  positiva. Ela está baseada no conceito de que seus pensamentos, sentimentos, sensações físicas e ações estão interconectadas e que pensamentos e sentimentos negativos podem aprisionar você em um círculo vicioso. Nossa pesquisa examinou as taxas de absorção e uso deste app juntamente com a constância de respostas do usuário aos princípios da TCC e seu impacto em humor negativo e positivo relatados”.

Uma proporção relativamente modesta de pessoas escolheram baixar o app,e uma vez que usaram, o app tendeu a ser usado mais do que uma vez. Também, 84% do conteúdo gerado pelo usuário foi consistente com os conceitos básicos de TCC.

O professor Kinderman afirma: “Houve reduções estatisticamente significantes na intensidade do humor negativo e aumento na intensidade do humor positivo. Aplicativos de smartphone tem potenciais efeitos benéficos na saúde mental através da aplicação de princípios básicos da TCC. Mais pesquisas com ensaios clínicos controlados e randomizados deveriam ser conduzidos”.