Religiosidade e sua Influência na Vida Sexual

Sentimentos de culpa sobre sexo, que estão frequentemente relacionados a convicções religiosas, estão relacionados a níveis mais baixos de satisfação sexual em pessoas solteiras, mas com maior satisfação sexual entre aqueles que são casados, de acordo com um estudo publicado pela revista científica Sexuality & Culture.

Religião tem uma relação complicada com sexualidade. De um lado, muitas tradições religiosas tem regras conservativas sobre sexo que pode fazer com que fiéis sintam-se culpados sobre suas atividades sexuais. Por outro lado, muitos grupos religiosos promovem a idéia de que sexo dentro de limites permitidos, entre casais casados, é uma obrigação sagrada. Estudos de religião e satisfação sexual reflete esta complexidade, encontrando resultados contraditórios.

Uma equipe de pesquisadores liderados por Jana Hackathorn, da Murray State University, buscou explicar estas contradições, examinando a relação entre religião e satisfação sexual de pessoas casadas e não-casadas separadamente. Uma amostra de 258 adultos recrutados na internet completaram uma pesquisa que avaliou dois aspectos de religiosidade, sentimentos de culpa em torno da sexualidade e satisfação com sua vida sexual atual. Sentimentos de culpa sexual que foram medidas incluíram coisas como atitudes em relação a masturbação, sexo antes do casamento e práticas sexuais “incomuns”.

Usando uma técnica estatística chamada análise de mediação, os pesquisadores avaliaram a relação entre religião e satisfação sexual, e se esta relação era explicada por suas correlações de ambos estes fatores com culpa sexual.

Entre indivíduos não-casados, houve uma forte relação mediadora. Religiosidade estava relacionada a  maior sentimentos de culpa sexual e culpa sexual estava, por sua vez, relacionada a satisfação sexual muito menor: “nossos achados indicam que a internalização da religião prediz negativamente satisfação sexual, tal que quanto mais os indivíduos não-casados internalizam seus ensinamentos religiosos, menos satisfeitos sexualmente eles estão”, Hackathorn e seus colaboradores escreveram em seu estudo.

Entre pessoas casadas, entretanto, este padrão foi bastante diferente. Embora a religiosidade estivesse fortemente relacionada a maior culpa sexual entre este grupo também, culpa sexual estava, na verdade, relacionada a, de alguma forma, melhor satisfação sexual: “curiosamente, todos os efeitos de mediação que estavam presentes para participantes não-casados desapareceram do modelo quando a análise foi conduzida com pessoas casadas”, os pesquisadores disseram.

Os autores do estudo concluíram que ter uma base religiosa tende a fazer com que as pessoas concebam seus próprios sentimentos e comportamentos sexuais diferentemente antes e após o casamento. Eles referem a isto como o “fenômeno da cama sagrada”. Atividades sexuais que são percebidas como pecaminosas fora do casamento são redefinidas como admissíveis e até positivas quando usadas/feitas por casais casados.

Desta forma, embora pessoas altamente religiosas que são casadas possam continuar a experienciar sentimento de culpa em relação ao sexo ideal, eles podem reavaliar seus sentimentos sobre suas próprias atividades sexuais pessoais, levando a uma melhor satisfação sexual. Se estes resultados estão corretos, pessoas religiosas ansiando por casar podem também serem capazes de ansiar por mais satisfação em sua vida sexual.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

The sacred bed phenomenon: How religiousness affects couples’ sexual satisfaction