Os Bebês Sabem Acalmar os Adultos?

Adultos frequentemente formam opiniões rápidas sobre a personalidade das outras pessoas, especialmente quando se fala sobre os traços negativos. Se nós vemos alguém discutindo com um outro motorista por causa de uma vaga em um estacionamento, por exemplo, podemos presumir que a pessoa tende a ser confrontativa.

Duas novas pesquisas com centenas de bebês de 15 meses de idade – demonstram que bebês formam generalizações similares sobre os outros e fazem tentativas para acalmar/apaziguar adultos que eles consideram propensos a raiva.

A pesquisa, realizada por cientistas da University of Washington’s Institute for Learning & Brain Sciences (I-LABS), revela pela primeira vez que bebês de 15 meses de idade generalizam um comportamento raivoso adulto mesmo se o contexto social mudou: “nossa pesquisa sugere que bebês farão tudo o puderem para evitar ser o alvo da raiva”, disse a autora principal do estudo, Betty Repacholi, uma cientista da I-LABS. “Com essa pouca idade, eles já desenvolveram uma forma de manterem-se seguros. É uma resposta inteligente e  adaptativa”.

Em um dos estudos, publicado na edição de março de 2016 da revista científica Developmental Psychology, Repacholi e co-autores queriam ver como expor os bebês a raiva de um adulto desconhecido em direção a um outro adulto afetaria o comportamento dos bebês em uma nova situação. Os bebês presumem que os iniciais encontros negativos aconteceriam novamente?: “nossa pesquisa mostra que bebês estão prestando cuidadosa atenção às reações emocionais dos adultos”, disse o co-autor Andrew Meltzoff, co-director do I-LABS.

“Bebês fazem julgamentos de se um adulto é propenso a raiva. Eles classificam os adultos mais rapidamente do que nós pensamos”, adicionou Meltzoff, da Job and Gertrud Tamaki Endowed Chair na UW.

O experimento ocorreu assim: 270 bebês com 15 meses de idade, meninos e meninas, sentaram na perna de seus pais do outro lado da mesa de um pesquisador chamado de  “experimentador”.

O bebê via o experimentador demonstrando como brincar com uma série de brinquedos. Em cada ensaio, um segundo pesquisador, o “Emoter”, reagiu de uma forma neutra (“isso é lúdico”) ou de uma forma negativa, dizendo “isso é negativo!” em uma voz  sisuda quando o experimentador fez algo usando o brinquedo. A reação do Emoter foi a mesma para cada brinquedo. Então o bebê tinha a chance de brincar com o mesmo brinquedo.

Os pesquisadores mensuraram com que rapidez os bebês imitavam as ações do experimentador. Bebês que testemunharam a explosão de raiva foram menos propensos a brincar com o brinquedo ou para duplicar as ações dos adultos do que os bebês que viram uma reação neutra do Emoter.

A seguir, o experimentador apresentou ao bebê como brincar com um novo brinquedo. Desta vez, contudo, o anteriormente raivoso Emoter agora parecia estar neutro: “nós queríamos ver se os bebês tratariam a raiva que tinham visto antes como um evento único ou se a viam como sendo parte do caráter da pessoa”, Repacholi disse.

Quando dada a chance de brincar com um novo brinquedo, os bebês que conheciam a história de raiva do Emoter, evitaram brincar com o brinquedo, comparado com os bebês que estavam no grupo neutro: “é como se o bebê não acreditasse que o Emoter agora está calmo”, Repacholi afirmou. “Uma vez que os bebês tinham detectado que havia a propensão da pessoa para raiva, foi difícil desprezar essa informação. Eles estão escolhendo uma abordagem “mais vale prevenir do que remediar”, onde não arriscariam apesar da situação ter aparentemente mudado”.

Um segundo novo estudo de Repacholi, Meltzoff e equipe sugere que bebês são capazes de encontrar gestos de apaziguamento em situações envolvendo propensão a raiva em adultos. Os achados estão publicados na revista científica Infancy.

Usando uma similar situação experimental, um outro grupo de bebês — 72 bebês de 15 meses de idade, com um número uniforme de meninos e meninas — primeiro observou a reação de “raiva” ou “neutra” do Emoter para os brinquedos usados pelo experimentador. Então, a reviravolta: o experimentador trouxe novos brinquedos projetados para serem altamente desejáveis para os bebês, tal como um brinquedo com uma pequena bola que iluminava-se quando rodada.

Sentados no colo dos pais, os bebês brincavam brevemente com o brinquedo atraente antes do Emoter — que tinha uma expressão facial neutra e não estava apresentando nenhuma raiva até aquele momento — pedir para ser a vez dele.

O que os bebês fizeram? Aqueles que tinham previamente visto o Emoter ficar bravo prontamente abandonaram os brinquedos. Ou seja, 69% dos bebês no grupo “raiva” desistiram dos brinquedos comparados a 46% de bebês no grupo “neutro”: “eu fiquei tão surpreso de ver os bebês entregarem os brinquedos — era como se estivessem acalmando ou comprometendo-se com o adulto”, Repacholi afirmou. “Eles não quiseram arriscar de deixar o adulto, que tinha ficado zangado anteriormente, ficar bravo novamente. Eles não agiram desta forma com o outro adulto que não tinha mostrado raiva”.

Juntos, os estudos ilustram como os bebês:

    • – fazem julgamentos rápidos sobre as qualidades emocionais das pessoas
    • – podem ter emoções negativas dominando suas percepções do caráter de uma pessoa e,
    • – tendem a presumir que uma pessoa com um histórico de raiva ficará com raiva novamente mesmo se a situação tiver mudado.

“Nossos estudos mostram que os bebês estão bastante atentos a raiva das outras pessoas”, Repacholi afirmou. “Para os pais, é importante estarem cientes do quanto essa emoção é poderosa para os bebês”. Acrescentou Meltzoff: “os bebês são ‘detetives das emoções’. Eles observam e escutam nossas emoções, lembram como nós agimos no passado e usam isto para predizer como nós agiremos no futuro. Por quanto tempo estas primeiras impressões durarão é uma questão importante”.

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Better safe than sorry: Babies make quick judgments about adults’ anger

Estudo Mostra o Custo Emocional para Pais que Demonstram Felicidade Quando Não Estão Felizes

Pais que ESCONDEM seus sentimentos ensinam aos filhos que não são todos os tipos de sentimentos que podemos experimentar. E isto tem um custo emocional para ambos a longo prazo.

O texto a seguir foi resultado de uma tradução livre do seguinte post:

New study shows emotional cost for parents who put on a happy face for their children

Como os pais se sentem quando eles regulam as suas expressões emocionais de forma que não demonstre seus verdadeiros sentimentos?  Uma recente pesquisa sugere que as tentativas dos pais para suprimir emoções negativas e amplificar as positivas durante o cuidado com os filhos pode depreciar o seu bem-estar e laços de alta qualidade entre pai-filho. Os achados foram publicados na edição de março de 2016 da revista científica Personality and Social Psychology Bulletin.

Em dois estudos, um experimental e o outro um estudo de uma eperiência diária por um período de 10 dias, os cientistas examinaram como a supressão emocional negativa dos pais e a amplificação da emoção positiva podem modelar o bem-estar pessoal dos pais e de relacionamento. Nos estudos, os pais reportaram experienciar mais baixa autenticidade, bem-estar emocional, qualidade de relacionamento e capacidade de resposta às necessidades de seus filhos quando eles suprimiram emoções negativas e amplificaram emoções positivas quando oferecem cuidado aos seus filhos.

“Ao examinar a regulação de emoções positivas e negativas em conjunto, nossos resultados podem esclarecer os efeitos únicos de usar cada estratégia”, disse a autora principal do estudo, Dra. Bonnie Le, da University of Toronto.

No primeiro experimento com 162 pais que focaram-se em recordar de experiências passadas de cuidado antes de responder a uma série de questões, os pesquisadores encontraram vários custos emocionais para os pais.

“Para os pais comuns, os achados sugerem que quando eles tentaram esconder suas expressões de emoções negativas e superexpressão de suas emoções positivas com seus filhos, realmente teve um custo: fazendo assim, pode levar os pais a sentirem-se piores com eles mesmos”, disse a co-autora Dra. Emily Impett, da University of Toronto Mississauga.

Como um seguimento para determinar se a dificuldade da situação de cuidado da criança pode influenciar os resultados, os pesquisadores usaram um grupo menor (118) de pais que forneceram respostas livres para uma questão em aberto a respeito da experiência diária de cuidado no decorrer de dez dias. Embora maior desafio para cuidar tenha levado a mais exemplos de supressão dos sentimentos negativos e amplificação dos seus sentimentos positivos, o resultado completo foi similar.

“Pais experienciaram custos quando regularam suas emoções dessa forma porque eles sentiram-se menos autênticos ou verdadeiros consigo mesmos”, disse a Dra. Le. “É importante notar que amplificar as emoções positivas foi relativamente mais custoso para engajar-se nelas, indicando que controlar as emoções de maneiras que podem parecer benéficas no contexto de cuidado para crianças pode ter um custo”.

As autoras reconhecem que embora pais possam experienciar custos para engajarem-se nestas estratégias de regulação das emoções, será importante examinar se crianças podem realmente beneficiarem-se dos esforços de seus pais para esconder emoções potencialmente nocivo e super-expressar emoções positivas.

“Os achados esclareceram sobre uma condição sob o qual a parentalidade pode estar associada com mais dor do que prazer: quando pais expressam mais emoções positivas do que eles genuinamente sentem e mascaram as emoções negativas que eles realmente sentem quando cuidam de seus filhos. Pesquisas futuras deveriam identificar mais formas adaptativas para pais regularem as emoções que permita a eles se sentirem fiéis a si mesmos e contribuírem para as experiências mais alegres e mais adequadas de parentalidade”, resumiu a Dra. Impett.

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