Mães Deprimidas Não Estão em Sincronia com Seus Filhos

Acredito que essa idéia de que mães deprimidas não estão em sincronia com seus filhos já faça parte do imaginário materno e, também, do conhecimento de profissionais da área. Contudo, é preciso sempre que pesquisas comprovem estes fenômenos que vemos em nosso dia-a-dia para que possamos afirmar que É SIM UM FATO e não apenas uma suposição ou uma experiência singular de alguém.

Este texto abaixo foi publicado em inglês (http://www.psypost.org/2016/05/depressed-moms-not-sync-children-42621) e eu fiz uma tradução livre dele.

Vamos ao texto 😉

Mães com uma história de depressão não estão fisiologicamente “em sincronia” com seus filhos, de acordo com um novo estudo da Binghamton University. Embora os pesquisadores  já tenham sabido por um tempo que a depressão está associada com problemas interpessoais com as outras pessoas, este é o primeiro estudo a examinar se isto é também evidente fisiologicamente.

“Quando as pessoas estão interagindo, algumas vezes você realmente sente que está em sincronia com alguém, que a interação está indo muito bem e que você está desfrutando da conversa. Nós estamos tentando descobrir, em nível corporal, em termos de sua fisiologia, como você vê esta sincronicidade em mães e seus filhos, e então como é que ela é impactada pela depressão?”, disse Brandon Gibb, professor de psicologia da Binghamton University e diretor do Mood Disorders Institute and Center for Affective Science.

Os pesquisadores da Binghamton mensuraram variabilidade da frequência cardíaca, uma medida fisiológica de engajamento social, em crianças na faixa etária de 7 a 11 anos e suas mães (44 com uma história de depressão, 50 sem história de depressão) enquanto elas se engajavam em discussões positivas e negativas. Na primeira discussão, pares de mãe-filho(a) planejaram juntos suas férias dos sonhos; na segunda discussão, os pares endereçaram um tópico recente de conflito entre eles (por exemplo, lição de casa, usar a TV ou o computador, ser pontual, problemas na escola, mentir, etc.). Enquanto mães sem histórico de depressão exibiram sincronia fisiológica (similar aumento ou diminuição na variabilidade da frequência cardíaca) assim como seus filhos durante a discussão negativa, mães deprimidas não estavam sincronizadas com seus filhos. Além disso, crianças e mães que estavam mais tristes durante a interação, estavam mais suscetíveis a estar fora de sincronia um com o outro. De acordo com os pesquisadores, estes resultados fornecem evidência preliminar de que interações de sincronicidade estão perturbadas (quebradas) em um nível fisiológico em famílias com uma história de depressão maternal e pode ser um potencial fator de risco para a transmissão intergeracional de depressão.

“Nós encontramos que mães que não tinham histórico de depressão estavam realmente correspondendo a fisiologia dos seus filhos no momento”, disse a estudante de pós-graduação e autora principal do estudo, Mary Woody. “Nós vimos mais correspondência momento a momento na discussão em que eles estavam falando sobre alguma coisa negativa acontecendo em sua vida. Nesta difícil discussão, nós estamos vendo este mecanismo fisiológico protetivo desabrochando. Ao passo que, com mães com um histórico de depressão e seus filhos, nós estamos vendo o oposto — eles, na verdade, não correspondendo. À medida que uma pessoa está engajando-se mais, a outra pessoa está afastando-se. Assim, eles estavam realmente perdendo um ao outro naquele momento e indo embora da discussão sentindo-se triste”.

O estudo, intitulado “Synchrony of physiological activity during mother-child interaction: moderation by maternal history of major depressive disorder”, foi publicado na revista científica Journal of Child Psychology and Psychiatry.