Quais os Valores das Licenças de Mental Health Counselor (LMHC) em Nova York

É importante informar, primeiramente, que não temos um “Conselho” como os CRPs no Brasil. Aqui, as licenças são expedidas pela Secretaria de Educação e, cada estado, possui as suas regras (requerimentos) para a obtenção da licença.

No caso dos LMHCs, esta licença é válida apenas para o estado onde o terapeuta reside. Como moro e atuo em NY, é sobre estes valores que eu vou falar brevemente.

No Brasil, o Conselho Regional de Psicologia (CRP), que é o órgão que fornece a licença, cobra uma anuidade. Ou seja, todo ano, o profissional, caso queira utilizar o título de psicólogo, precisa pagar por essa anuidade. Cada estado cobra um valor e, se o profissional de psicologia não pagar esta anuidade, não pode usar o título de psicólogo.

Em Nova York, para aqueles profissionais que ainda não podem ter a licença (que eles chamam de “full license”), pode obter uma permissão para atuar. Neste caso, é como se fosse uma licença temporária e um supervisor precisa assinar e se responsabilizar por este profissional. O valor da licença, para este caso, é de $70. Ela é válida por 1 ano e pode ser renovada por mais dois.

Para quem vai obter a licença pela primeira vez (full license, sem supervisor para assinar), pagará o valor de $371 e esta licença vale por 3 anos.

Para a renovação da licença (a full license a qual eu me referi acima), o valor é de $241 e vale por 3 anos. A licença para psicanalista (sim, psicanalista precisa de licença para atuar em NY) possui os mesmos valores da licença de LMHC.

Já a licença de psicólogo custa:

TEMPORÁRIA: $70 (igual as demais profissões citadas acima)

PRIMEIRA LICENÇA: $294

RENOVAÇÃO: $229

Estes valores são para o ano de 2025. A lista completa de valores de licença para as mais diferentes profissões, encontra-se aqui: https://www.op.nysed.gov/sites/op/files/documents/opfeechart.pdf

Alguns colegas me mandaram os valores das anuidades de psicólogos no Brasil (lembrando que psicanalista no Brasil não precisa de licença e a profissão de LMHC não existe no Brasil). Os valores do Brasil tem desconto se pagar nos dois primeiros meses e o valor é escolhido, por assembléia, no ano anterior. Aqui segue alguns exemplos de valores:

São Paulo: R$598,62

Rondônia e Acre: R$585,39

Espirito Santo: R$624,31

Enquanto que aqui, pagamos a nossa licença a cada TRÊS ANOS, no Brasil, os pagamentos são anuais. Lembrando que não pode converter os valores em dólar, pois ganhamos em dólar 🙂

Se você ficou com alguma dúvida ou quer fazer algum comentário, sinta-se à vontade para usar a sessão de comentários no post.

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A Validação do Meu Diploma de Psicologia em Nova York

O processo de validação do meu diploma começou em 2012, quando uma amiga (que já havia validado o seu diploma aqui – só que na área de enfermagem) chegou um dia na minha casa com todos os formulários impressos e me disse: “HOJE VAMOS COMEÇAR O PROCESSO PARA PEGAR A SUA LICENÇA DE PSICÓLOGA AQUI”.

Primeiramente, havÍamos pesquisado a possibilidade de pegar a licença como psicóloga clínica, mas para isso, seria preciso um diploma de doutorado e 3 mil horas de atividade supervisionada. Eu só tinha o mestrado e as horas. Em quase todos os estados americanos, sem o doutorado não se consegue a licença de psicóloga, mas há opções de licenças para quem tem só o mestrado.

Então, a opção que me restou, de acordo com o meu background, foi a licença de Mental Health Counselor (LMHC). Na prática, eles fazem o mesmo que os psicólogos só que ganham menos 😦 Claro que eu sei que existem diferenças, mas…nem eu mesma, até hoje, sei muito bem quais são. E nem alguns colegas. É tanta licença que dá direito a fazer psicoterapia que a gente acaba se perdendo no assunto…rs

O primeiro passo é você entrar no site do Board of Education (a secretaria de educação) do estado onde você vive. Que fique claro que este processo não é apenas uma validação de credenciais (como faz o WES, por exemplo), mas é o processo para obtenção da licença que permitirá você atuar como terapeuta no estado onde você vive. Sem a licença, você está trabalhando ILEGALMENTE e sei que os boards daqui fiscalizam bastante isso.

Para saber os requerimentos de outros estados, coloque no google:

board psychology requirements (e escreva o nome do estado) OU

board mental health counselor (e escreva o nome do estado)

O link  com os requerimentos do board de NY para obter a licença é este:

http://www.op.nysed.gov/prof/mhp/mhclic.htm

Até para atuar usando o título de psicanalista em NY, é preciso uma licença obtida pelo mesmo board citado acima.

Um dado muito importante: você precisa de, no mínimo, o mestrado para que possa obter a licença, além de 3 mil horas de atividade supervisionada APÓS a GRADUAÇÃO. Lembrando que aqui, undergraduate é o que chamamos de graduação no Brasil e graduate é o que chamamos de pós-graduação no país. Estas horas precisam ser feitas no mestrado (preferencialmente).

Na época em que eu dei entrada nos meus papéis aqui, não era possível fazer nada online (e hoje em dia uma parte do processo é feita online).

Eu tive muita sorte, pois quando enviei os meus papéis, não precisei fazer tradução notarizada porque havia uma pessoa no board que lia português. Isso me poupou tempo e dinheiro. Infelizmente, hoje em dia, já não é mais assim.

Todos os documentos (diploma e histórico) precisam ser enviados diretamente de sua universidade (para evitar fraude). Além de enviarem os seus documentos, o candidato precisa preencher um formulário (está no link acima). No envelope (na época), deveria constar o formulário preenchido e assinado, o diploma e o histórico (ambos em português e inglês).

Para mim, a parte mais difícil foi ter que buscar o conteúdo programático da minha graduação, já que entrei com o processo aqui em 2012 e me formei em 1999.

No meu caso, eu não precisei de MAIS NADA para conseguir a validação. Contudo, é possível que o board solicite mais horas de atendimento e/ou que você faça algumas disciplinas aqui nos EUA.

Eu diria que o processo todo (incluindo a aprovação) demorou aproximadamente uns 5 meses. Veja bem: para a aprovação das minhas credenciais! 

Depois de todo este processo, eu já recebi minha licença? NÃO!!!!!!!!

Após este processo de validação, o board envia uma carta para o profissional dizendo que este está apto para fazer a prova da licença. Enquanto não passar na prova, o profissional não receberá a licença definitiva (full license).

Em posts futuros, vou falar sobre como é a prova, o limited permit (que é uma licença temporária), o curso que é preciso para quem atende crianças/adolescentes, entre outros assuntos ligados a esta área.

Aguardem!!!

PS: NÃO EXISTE OUTRA FORMA DE OBTER A LICENÇA SEM SER PELO BOARD. O QUE MUDA É QUE CADA ESTADO POSSUI O SEU BOARD.

PS 2: ESTA LICENÇA NÃO TE DÁ A PERMISSÃO DE TRABALHO. É PRECISO QUE VOCÊ BUSQUE UM EMPREGO QUE TE OFEREÇA UM VISTO DE TRABALHO (NO CASO DE VOCÊ NÃO TER PERMISSÃO PARA TRABALHAR AQUI).

Perguntas serão respondidas apenas aqui no blog. Por favor, não envie mensagem privada para o meu Facebook, pois não responderei por lá. Qualquer pergunta é importante e as respostas estarão concentradas em um único lugar para ajudar as demais pessoas.

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A Influência da Crença em Deus na Vida das Pessoas

Achei essa pesquisa muito interessante e decidi compartilhar com vocês estas informações 😉

Uma nova pesquisa mostra que a crença de um pessoa em Deus é reforçada quando ela pensar sobre “o que poderia ter sido” especialmente ao refletir sobre um importante evento de vida que poderia ter dado mal. Essencialmente, o estudo mostra como os fiéis podem perceber evidência para sua convicção religiosa via processos cognitivos deliberados e racionais. O estudo “But for the Grace of God: Counterfactuals Influence Religious Belief and Images of the Divine”, foi publicado na edição de abril de 2016 da revista Social Psychological and Personality Science.

Dr. Anneke Buffone, autora principal do estudo, começou a sua pesquisa no tema porque ela “tornou-se intrigada pela questão de como as pessoas percebem Deus como uma influência ativa e confiável em suas vidas diárias. Por que é que uma vasta maioria de americanos e muitas pessoas ao redor do mundo percebem uma influência divina ou espiritual em suas vidas e  são firmes fiéis em Deus, mesmo em nosso mundo moderno, onde muitos mistérios do passado tem sido cientificamente explicados?”.

Para examinar estas percepções, a equipe de pesquisadores focou-se no pensamento contrafactual. “Contrafactuais, imaginando como a vida seria diferente se um dado evento não tivesse ocorrido, pareceu como um bom candidato devido ao seu efeito de fazer conexões inferidas entre eventos mais significativos, surpreendentes e ‘destinados a ser”, Buffone diz. “Nós especificamente exploramos como os pensamentos contrafactuais descendentes, pensamentos sobre como nossa vida seria pior se um importante evento de vida não tivesse ocorrido, pode ser uma forma no qual fiéis percebem a evidência para um Deus que está agindo para o seu benefício”.

Em seu primeiro estudo, 280 estudantes universitários escreveram uma redação no qual eles descreviam um importante evento de vida positivo ou negativo de seu passado. Foi dito para 1/3 dos participantes para pensarem sobre como a vida poderia ser melhor, a 1/3 foi pedido para imaginar como a vida poderia ser pior e para 1/3 dos participantes simplesmente descreverem o evento em maiores detalhes. Seguindo este exercício, os participantes responderam a uma série de questões relacionadas a sua valorizaçao de crenças religiosas incluindo fé, comportamento e o quanto eles sentiam a influência de Deus.

“Os resultados sugerem que o pensamento contrafactual leva os fiéis para a crença de que o evento não ocorreu por acaso e leva-os a pesquisar por uma fonte, neste caso Deus, e isto, por sua vez, leva a um aumento na fé religiosa”, afirma Buffone.

Os autores encontraram os efeitos serem mais fortes quando as pessoas pensavam sobre os eventos em uma direção contrafactual descendente, ou seja, quando eles pensavam como a vida seria pior se um evento não tivesse ocorrido.

A equipe de pesquisadores conduziu um estudo com um grupo de pessoas não-universitárias. 99 pessoas passaram por uma redação similar e um processo de questionário como no estudo anterior. Os resultados deste segundo, o estudo com os não-universitários foi consistente com aqueles do primeiro estudo.

Os autores reconheceram os limites do estudo, especialmente usando uma população americana. “Algumas importantes religiões não acreditam em uma divindade de jeito nenhum ou não acreditam em apenas uma divindade e não é claro se os efeitos do pensamento contrafactual em crença religiosa difeririam entre religiões monoteistas e politeístas assim como entre diferentes religiões de um modo mais geral”, Buffone salientou. “Além disso, indivíduos que acreditam que Deus frequentemente intervêm em assuntos humanos provavelmente serão mais afetados por reflexao contrafactual descendente do que fiéis que pensam que Deus raramente (ou nunca) interveem”.

“No final das contas, eu espero que esta pesquisa ajude fiéis e não-fiéis a entenderem os processos cognitivos envolvidos em convicção religiosa”, afirma Buffone. “A convicção religiosa não tem que ser baseada em aceitar cegamente dogmas ou escrituras, mas pode ser deduzida por processos racionais lógicos também. De um ponto de vista científico, este trabalho ajuda a explicar como a convicção pode prevalecer apesar de uma ausência de evidência física e concreta para alegações religiosas”.

 

O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Belief in God strengthened by imagining how life would be different

Dica de Leitura: “Uma Mente Inquieta”

Hoje, 30 de março, é o dia mundial do Transtorno Bipolar e, por isso, decidi publicar uma dica de leitura sobre o tema: o livro UMA MENTE INQUIETA, de Kay Redfield Jamison.

Conheci esse livro quando eu ainda estava na universidade e uma amiga me emprestou. Nessa época, eu já estava em contato com pacientes diagnosticados com Transtorno Bipolar e o livro me ajudou (e muito) a compreender a experiência pela qual eles passam.

A autora do livro, que ainda é viva, já possui outros livros publicados na área e, que eu ainda não tive oportunidade de ler (mas já estão na fila para leitura). Apesar do livro ser antigo – foi publicado em inglês, em 1995 – ainda é um livro que eu indico para os meus pacientes e seus familiares.

A Dra. Jamison é psicóloga e trabalha atualmente como professora de psiquiatria no Johns Hopkins University School of Medicine.

Por que eu acho que esse livro deveria ser a PRIMEIRA indicação para um paciente com Transtorno Bipolar? Porque a autora também é portadora do transtorno e ela conta no livro as dificuldades em lidar com as crises de depressão e as de mania.

Uma das técnicas usadas em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é a biblioterapia que nada mais é do que sugerir livros, filmes, músicas para o paciente/familiares e que estejam relacionados com o problema dele. Acredito que esta técnica deveria ser usada não só por quem trabalha com TCC mas por todos os profissionais que trabalham na área de saúde mental.

Este tipo de leitura leva o paciente a se identificar com a autora (e sua história) e a perceber que ele não está sozinho, que há várias outras pessoas no mundo que sofrem da mesma doença que ele e que continuam produtivas.

Alguns conteúdos do livro referente ao tratamento estão um pouco desatualizados, MAS, como eu disse, a parte mais importante continua lá e é atemporal: o sofrimento pelo qual estes pacientes passam, principalmente em relação a forma como as OUTRAS pessoas lidam com eles.

À propósito: o livro é facilmente encontrado nas livrarias do Brasil e, encontra-se disponível para compra na AMAZON. Também é possível pegá-lo emprestado nas bibliotecas de NY.

Espero que tenham gostado (se gostou, não esqueça de curtir ❤ ) e vejo vocês no próximo post!