Exposição à Poluição no Pré-Natal Associada com Problemas Emocionais e de Impulsividade em Crianças

Tradução livre do texto publicado em inglês: http://www.psypost.org/2016/03/prenatal-exposure-air-pollution-linked-impulsivity-emotional-problems-children-41760

A exposição a poluentes comuns do ar durante a gravidez pode predispor crianças a problemas de controle dos pensamentos, emoções e comportamentos no futuro, de acordo com um novo estudo conduzido por pesquisadores da Columbia Center for Children’s Environmental Health da Columbia University’s Mailman School of Public Health e o New York State Psychiatric Institute.

O novo estudo é o primeiro deste tipo a examinar os efeitos de exposição nos primeiros anos de vida a um poluente atmosférico conhecido como PAH (polycyclic aromatic hydrocarbons, em português: hidrocarbonetos policíclicos aromáticos) em comportamentos de auto-regulação e competência social que incorpora avaliações diversas através da infância. Crianças com poucas habilidades de auto-regulação tem dificuldade de controlar pensamentos, emoções e impulsos disruptivos; pouca competência social limita a habilidade deles de se dar bem com os outros. O estudo foi publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry.

PAH estão onipresentes no ambiente de emissões de veículos motores, na queima de óleo e carvão para aquecedores de casas e geração de energia, na fumaça do cigarro e em outras fontes de combustão (mais informações sobre PAH e formas de limitar a exposição podem ser encontrados no website da CCCEH). Exposição pré-natal a PAH tem sido associada com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), sintomas de ansiedade, depressão e desatenção; e também transtornos comportamentais, que são entendidos como estando relacionados a déficits em auto-regulação.

A principal investigadora da pesquisa, Amy Margolis, Professora assistente de Psicologia Médica no departamento de Psiquiatria da Columbia University Medical Center e New York State Psychiatric Institute e colaboradores, analisaram amostras de sangue materno e resultados de testes das crianças de 462 pares de mãe-filho, um subgrupo de um estudo de coorte da CCEH na cidade de Nova York (NYC), da gestação até a primeira infância. Exposição maternal a PAH foi determinado pela presença de adutos de DNA-PAH na amostra de sangue das mães.

Crianças foram testadas com o Child Behavior Checklist (CBCL) para idades de 3 à 5, 7, 9 e 11. Os escores obtidos do CBCL foram usados para criar um escore composto para a Deficient Emotional Self-Regulation Scale (DESR) e escores mais altos no DESR indicaram capacidades reduzidas para auto-regulação. Os investigadores encontraram que crianças cujas mães tiveram maior exposição ao PAH na gestação tiveram escores significativamente piores no DESR  na faixa etária de 9 e 11 do que as crianças cujas mães tiveram menos exposição a PAH na gestação. Ao longo do tempo, crianças com baixa exposição seguiram um padrão de desenvolvimento normal e tiveram um melhor desenvolvimento na função auto-regulatória, mas as crianças com maior exposição não, enfatizando o efeito a longo-prazo de exposição nos primeiros anos de vida para PAH. Adicionalmente, pesquisadores encontraram que o escore do DESR teve um efeito mediador em testes de competência social, indicando que auto-regulação é um fator importante no desenvolvimento da competência social.

A evidência de que exposição pré-natal ao PAH conduz a efeitos a longo-prazo em capacidades auto-regulatórias durante segunda e terceira infância sugere que exposição ao PAH pode ser um fator importante de base e contribuinte  para a gênese de uma série de problemas de saúde mental na infância. Em termos de um mecanismo potencial, pesquisadores sugerem que exposição pré-natal a PAH pode causar danos em circuitos neuronais que controlam respostas motoras, atencionais e emocionais. Novos déficits em auto-regulação podem predispor crianças a se tornarem engajadas na adolescência em comportamentos de alto risco.

“Este estudo indica que exposição pré-natal a poluição do ar causa impacto no desenvolvimento da auto-regulação e como tal pode fundamentar o desenvolvimento de muitas psicopatologias infantis que derivam de déficits em auto-regulação, tais como Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Transtornos relacionados ao uso de substâncias e Transtornos Alimentares”, diz Margolis.