Será que as Mídias Sociais estão Deixando as Pessoas Deprimidas?

Uma nova pesquisa mostra a associação entre mídia social e depressão. Provavelmente, você pode confirmar (baseada em sua experiência do dia-a-dia com as mídias sociais) se a resposta é sim ou não 😉

O texto abaixo foi originalmente escrito em inglês (http://www.psypost.org/2016/05/social-media-making-people-depressed-42482) e eu fiz a tradução livre dele.

Vamos ao texto 😉

Qualquer pessoa que usa regularmente as mídias sociais já terá tido a experiência de sentir inveja da diversão que os seus amigos todos parecem estar tendo. Isto pode especialmente ser o caso se você está sentando em casa em uma noite fria e úmida, sentindo-se entediado enquanto todo mundo está se divertindo ou desfrutando de glamurosas férias ao sol.

Mas é possível que estes sentimentos poderiam ser o começo de algo pior? Poderia o uso da mídia social na verdade torná-lo deprimido? Um recente estudo nos Estados Unidos, patrocinado pelo National Institute for Mental Health, identificou uma “forte e significante associação entre o uso de mídia e depressão em uma amostra de adultos jovens nos Estados Unidos”. O estudo encontrou que níveis de depressão aumentaram com a soma total de tempo gasto usando mídia social e número de visitas a sites de mídia social por semana.

Estudos anteriores haviam pintado um retrato mais confuso. Parece que o relacionamento entre mídia social, depressão  e bem-estar é complexo e provavelmente possa ser influenciado por uma série de fatores.

No seu melhor, a mídia social nos permite conectarmos e mantermos contato com amigos e pessoa que nós não vemos com muita frequência. Ela nos permite termos interações curtas com elas e isso mantêm os relacionamentos fluindo quando nós não temos muito tempo livre. No seu pior, a mídia social pode, pelo que parece, nos alimentar com sentimentos de inadequação.

Há provavelmente muitas razões complexas do porque o uso da mídia social pode estar associado com depressão. Por exemplo, é possível que pessoas que já estão deprimidas possam estar mais inclinadas a contar com a mídia social ao invés de interações frente-a-frente, assim, um maior uso de mídia social pode ser um sintoma ao invés de uma causa de depressão.

Nós todos temos uma necessidade básica de ser gostado e aceito pelos outros e a mídia social pode desempenhar um papel nesta vulnerabilidade. “Curtidas” são a moeda corrente da mídia social e pessoas que tem baixa auto-estima podem depositar um valor maior em buscar validação de seu uso de mídia social ao tentar atrair curtidas para os seus comentários como uma forma de aumentar a sua auto-estima. Desta maneira, mídia social pode ser vista como parte de um concurso de popularidade. Claro, “ganhando” o concurso de popularidade através da obtenção de mais curtidas é apenas um estímulo a curto-prazo para a disposição de ânimo. É uma maneira precária para estimular a auto-estima.

É da natureza humana nos compararmos com os outros. Algumas vezes, a comparação pode ser uma forma para nos inspirarmos para melhorar de alguma maneira, mas, mais frequente do que nunca – especialmente quando alguém está sentindo-se para baixo ou está propenso a depressão – as comparações se tornam negativas e desgastam a auto-estima. Um problema com a mídia social é que a imagem que as pessoas retratam de si mesmas tende a ser positiva, interessante e excitante. Vamos combinar que a maioria de nós preferiria muito mais postar uma foto de nós mesmos bonitos em uma noitada do que de pijama e/ou lavando louça. Se a pessoa está sentindo-se para baixo ou insatisfeita com a sua vida, então, ao invés de estar sendo um pouco de distração, o uso de mídia social pode dar a impressão de que todas as outras pessoas estão divertindo-se muito mais do que a gente.

Muitos pais tem dúvidas sobre o uso de mídia social por parte de seus filhos e mais de um dos pais já tiveram que consolar um adolescente choroso, perturbado por uma discussão online. Independente de nós gostarmos ou não, a mídia social está aqui para ficar e, para muitos jovens, deixar de usar a mídia social significaria perder acesso a sua rede de amigos. Para eles, não é uma opção viável.

No momento, nós não sabemos o bastante sobre como a forma que a mídia social é usada e seu impacto no humor e saúde mental a um prazo mais longo. Até que nós saibamos, talvez a melhor opção é reconhecer que a mídia social pode ser um instrumento valioso para manter contato com amigos e que nossas interações em mídia social não deveriam influenciar excessivamente nossa auto-estima. Também pode ser válido lembrar que, embora todas as outras pessoas possam parecer estar divertindo-se, as postagens são mais enviesadas para mostrar toda a diversão e coisas interessantes que as pessoas estão fazendo. Dessa maneira, elas estão apenas conservando os melhores momentos de suas vidas – não necessariamente estão se divertindo mais do que você.The Conversation

Mark Widdowson, Lecturer in Counselling and Psychotherapy, University of Salford

Este artigo foi originalmente publicado na The Conversation