Mães que Trabalham Fora São as que Mais Necessitam e as que Menos Recebem Suporte Social

O turno da noite ou qualquer outra escala atípica de trabalho apresenta muitos desafios para mães que trabalham fora. Além da dificuldade de manejar as horas de trabalho, há tarefas diárias e crises inesperadas que surgem foram do trabalho. Elas podem precisar de alguém para olhar o filho ou fornecer uma carona. Há visitas aos médicos e funções da escola das crianças. Conhecer pessoas que possam ajudar um pouquinho pode oferecer uma rede de segurança pessoal.

Agora, um estudo conduzido por Jessica Su, PhD, da University at Buffalo College of Arts and Sciences e Rachel Dunifon, PhD, da Cornell University, afirma que há ligações de escalas atípicas de trabalho para redes de segurança pessoal mais fraca, particularmente para afro-americanas, para aquelas que possuem menos educação formal e aquelas que persistentemente trabalham fora do esquema de 9 a.m.-5 p.m., de segunda a sexta. Contudo, há também evidência em alguns casos de que trocar de um padrão de escala para uma escala não-padronizada aumenta a rede de segurança.

Estes resultados mistos, publicados em 2016 na Journal of Marriage and Family, sugere que mães que trabalham fora, a maioria em necessidade de apoio social, são as que, na verdade, menos tem acesso a ele.

A pesquisa abre novos caminhos e é uma das primeiras de estudos quantitativos a usar métodos sólidos e uma amostra grande para examinar a relação entre as escalas de trabalho atípicas de mães e suporte social: “redes de suporte social são importantes “amortecedores” de ansiedade e de estresse. Elas dão as mães que trabalham fora a confiança de que a ajuda está lá quando é necessária. Redes de segurança oferecem paz de espírito”, afirma Su, uma das autoras do estudo: “você já é uma mãe trabalhando fora, equilibrando todas as complexidades da vida com a sua escala de trabalho e você não tem uma forte rede de segurança. Isso é detrimental”, ela diz. Ela fala também que a ligação entre escalas atípicas e fraco suporte social é consistente, independe do quanto esse suporte possa ser. Os achados sugerem que não é uma ausência de uma conexão com as pessoas que podem ser capazes de ajudar em uma área em particular, tal como cuidado com o filho, mas sim uma sensação geral de fraco suporte em muitos aspectos da vida da mãe: “por outro lado, nós não sabemos porque trocando para uma escala de trabalho não-padronizada aumentou a rede de segurança,” relatou Su. “O conjunto de dados não nos apresentam o porque alguém mudou para aquela escala de trabalho”.

Estresse com o trabalho, fadiga e uma vida doméstica precária podem servir para enfraquecer o apoio social, mas há algumas pessoas que usam uma escala de trabalho não-padronizada estrategicamente para ajudar de outras formas que as trabalhadores do tipo 9 às 5 não podem, de acordo com Su: “poderia ser uma questão de um cônjuge cuidando das tarefas domésticas diárias enquanto o outro está trabalhando fora”.

Su afirma que pesquisas adicionais são necessárias para explicar os divergentes achados. O atual estudo envolvendo 2,716 mulheres que deram a luz em grandes cidades, de 1998-2000, desenvolvido de questões levantadas pelas pesquisas anteriores conduzidas pelos pesquisadores sobre escalas atípicas de trabalho, pesquisa conduzida principalmente da perspectiva dos pais e filhos e outras relações interpessoais.

Estes resultados sugerem que pessoas trabalhando em escalas atípicas foram menos propensas a estarem envolvidas em suas comunidades; elas passaram menos tempo com seus cônjuges; tinham altos níveis de conflito em seus relacionamentos; e foram mais propensas a divorciarem-se. Isto, por sua vez, afetou as crianças no relacionamento e seu desenvolvimento: “nós começamos a pensar sobre o que já sabíamos sobre escalas atípicas de trabalho e relacionamentos interpessoais e nos perguntamos se estes efeitos poderiam espalhar para redes sociais mais amplas”, afirma Su. “O que nós estamos achando é que as mães mais provavelmente que trabalham em uma escala atípica são também as mães que mais provavelmente experienciam estas consequências negativas”.

 

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O texto foi originalmente publicado em inglês na psypost:

Working mothers most in need of social support are less likely to receive it

Será Que os Pais Sabem Quando os Filhos Estão Mentindo?

Segundo uma pesquisa, a resposta é NÃO!!! 😉

Essa foi a tradução livre de um texto em inglês:

Study: Parents worse at telling if their own children are lying

Vamos ao post! 😉

Adultos não são bons para julgar quando crianças estão mentindo e pais fazem ainda pior ao dizer se seus próprios filhos estão mentindo do que eles fazem quando julgam os filhos das outras pessoas, de acordo com um estudo publicado no Journal of Experimental Child Psychology.

Uma abundância de pesquisas psicológicas tem mostrado que pessoas são detectores de mentira ineficientes, desempenhando quase arbitrariamente para dizer se alguém está mentindo na maioria das situações. Muitos pais esperam que uma exceção à regra seria detectar as mentiras ditas por seus próprios filhos. Crianças são mentirosos relativamente inexperientes e a longa experiência de seus pais deveria ensiná-los como dizer quando eles estão falando a verdade ou mentindo. Por outro lado, pais podem estar motivados a acreditar que as declarações de seus filhos, parcialmente, porque eles querem pensar que fizeram um bom trabalho de incutir honestidade neles.

Uma equipe de pesquisadores, liderada por Angela Evans, da Brock University, conduziu um experimento para determinar como os julgamentos dos pais em relação as mentiras dos filhos ocorrem em termos de acurácia dos outros. Uma amostra de 108 crianças entre as idades de 8 a 16 anos foram trazidas para o laboratório e foi dito a elas que estariam fazendo um teste. Foi também dito onde o gabarito estava e eles foram deixados sozinhos na sala. Levemente mais da metade das crianças espiaram as respostas do teste quando tiveram esta oportunidade.

Os pesquisadores perguntaram a todas as crianças se elas tinham espiado e fizeram um vídeo de suas respostas (50 negaram sinceramente terem espiado e 49  negaram falsamente terem espiado, enquanto que 9 das que admitiram honestamente espiar foram excluídas do estudo). Três grupos de adultos então taxaram os vídeos, julgando se eles achavam que as crianças estavam dizendo a verdade ou mentindo. Estes grupos incluíam 80 pais de crianças no estudo, 72 pais cujas crianças não estavam no estudo e 79 alunos de faculdade que não eram os pais. O primeiro grupo taxou apenas os vídeos de suas próprias crianças, enquanto o segundo e o terceiro grupo taxou 46 vídeos cada.

Nenhum dos grupos de adultos fizeram melhor do que o acaso para dizer se as crianças estavam mentindo ou dizendo a verdade. Contudo, pais fizeram julgamentos muito diferentes sobre seus próprios filhos do que pais julgando as crianças dos outros ou não-pais. Pais acreditaram em seus filhos em aproximadamente 92% do tempo, independentemente de se eles estavam dizendo a verdade ou mentindo, enquanto que não-pais e pais julgando as crianças dos outros julgaram mal aproximadamente igual tanto a verdade quanto as mentiras .

Os autores do estudo concluem que a proximidade de vínculo pai-filho não torna mais fácil julgar veracidade. Em vez disso, os pais parecem estar enviesados em favor da honestidade de seus próprios filhos. Pais podem querer manter estes achados em mente na próxima vez que eles pegarem seus filhos com a boca na botija.

O pdf do artigo da pesquisa está disponível aqui nesse link (gratuitamente): http://ac.els-cdn.com/S0022096516000461/1-s2.0-S0022096516000461-main.pdf?_tid=1d9bb264-2f37-11e6-b1e2-00000aab0f01&acdnat=1465582624_907c8327fc5e7c87934b24a9fb0fba24

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Mães Deprimidas Não Estão em Sincronia com Seus Filhos

Acredito que essa idéia de que mães deprimidas não estão em sincronia com seus filhos já faça parte do imaginário materno e, também, do conhecimento de profissionais da área. Contudo, é preciso sempre que pesquisas comprovem estes fenômenos que vemos em nosso dia-a-dia para que possamos afirmar que É SIM UM FATO e não apenas uma suposição ou uma experiência singular de alguém.

Este texto abaixo foi publicado em inglês (http://www.psypost.org/2016/05/depressed-moms-not-sync-children-42621) e eu fiz uma tradução livre dele.

Vamos ao texto 😉

Mães com uma história de depressão não estão fisiologicamente “em sincronia” com seus filhos, de acordo com um novo estudo da Binghamton University. Embora os pesquisadores  já tenham sabido por um tempo que a depressão está associada com problemas interpessoais com as outras pessoas, este é o primeiro estudo a examinar se isto é também evidente fisiologicamente.

“Quando as pessoas estão interagindo, algumas vezes você realmente sente que está em sincronia com alguém, que a interação está indo muito bem e que você está desfrutando da conversa. Nós estamos tentando descobrir, em nível corporal, em termos de sua fisiologia, como você vê esta sincronicidade em mães e seus filhos, e então como é que ela é impactada pela depressão?”, disse Brandon Gibb, professor de psicologia da Binghamton University e diretor do Mood Disorders Institute and Center for Affective Science.

Os pesquisadores da Binghamton mensuraram variabilidade da frequência cardíaca, uma medida fisiológica de engajamento social, em crianças na faixa etária de 7 a 11 anos e suas mães (44 com uma história de depressão, 50 sem história de depressão) enquanto elas se engajavam em discussões positivas e negativas. Na primeira discussão, pares de mãe-filho(a) planejaram juntos suas férias dos sonhos; na segunda discussão, os pares endereçaram um tópico recente de conflito entre eles (por exemplo, lição de casa, usar a TV ou o computador, ser pontual, problemas na escola, mentir, etc.). Enquanto mães sem histórico de depressão exibiram sincronia fisiológica (similar aumento ou diminuição na variabilidade da frequência cardíaca) assim como seus filhos durante a discussão negativa, mães deprimidas não estavam sincronizadas com seus filhos. Além disso, crianças e mães que estavam mais tristes durante a interação, estavam mais suscetíveis a estar fora de sincronia um com o outro. De acordo com os pesquisadores, estes resultados fornecem evidência preliminar de que interações de sincronicidade estão perturbadas (quebradas) em um nível fisiológico em famílias com uma história de depressão maternal e pode ser um potencial fator de risco para a transmissão intergeracional de depressão.

“Nós encontramos que mães que não tinham histórico de depressão estavam realmente correspondendo a fisiologia dos seus filhos no momento”, disse a estudante de pós-graduação e autora principal do estudo, Mary Woody. “Nós vimos mais correspondência momento a momento na discussão em que eles estavam falando sobre alguma coisa negativa acontecendo em sua vida. Nesta difícil discussão, nós estamos vendo este mecanismo fisiológico protetivo desabrochando. Ao passo que, com mães com um histórico de depressão e seus filhos, nós estamos vendo o oposto — eles, na verdade, não correspondendo. À medida que uma pessoa está engajando-se mais, a outra pessoa está afastando-se. Assim, eles estavam realmente perdendo um ao outro naquele momento e indo embora da discussão sentindo-se triste”.

O estudo, intitulado “Synchrony of physiological activity during mother-child interaction: moderation by maternal history of major depressive disorder”, foi publicado na revista científica Journal of Child Psychology and Psychiatry.