Trapacear Reduz a Felicidade?

Trapacear para chegar na frente traz a probabilidade de reduzir o seu nível de felicidade. Isso é o que diz um novo estudo da University of California, através da professora de sociologia Jan E. Stets. O estudo, intitulado “Happiness and Identities”, foi publicado na revista cientifica Social Science Research.

No estudo, Stets examinou a felicidade em uma situação moralmente desafiante. Estudantes foram recrutados de classes de universitários de uma grande universidade para participarem em um experimento no qual indivíduos completaram uma tarefa sozinhos ou em um grupo de três. Foi dito a eles que fazendo bem a tarefa aumentaria as chances de ganhar dinheiro no final do estudo.

Dos 284 participantes, 93 trabalharam na atividade sozinhos e 191 trabalharam em grupos. Foi dito aos participantes que eles estavam competindo contra um outro indivíduo (se eles estavam completando a tarefa sozinhos) ou contra outros grupos (se eles estavam completando a tarefa em um grupo) – e que qualquer indivíduo ou grupo que pontuasse melhor na tarefa teria uma chance aumentada de ganhar dinheiro.

O estudo foi projetado para medir:

Identidade moral: como os entrevistados sentiram-se sobre si mesmos. Foram dados a eles 12 características com 2 pólos, tais como: honesto/desonesto, justo/injusto e atencioso/desinteressado.

Avaliações Contempladas: Como os indivíduos pensavam que os outros os veriam. Opções listadas incluíam palavras tais como simpático, inteligente, moral e confiável.

Felicidade: como os indivíduos sentiram-se antes e após a tarefa.

Trapaça: se ou não os indivíduos trapacearam e, se eles trapacearam, com que frequência fizeram isso.

Durante a tarefa, foi dado aos participantes a oportunidade de trapacear para chegar na frente. Alguns trapacearam enquanto outros não: “aqueles que não trapacearam ou acreditavam que trapacear era errado e isto os desencorajaram de trapacear, ou não sentiram-se compelidos para trapacear porque poderiam realizar a tarefa baseado em suas habilidades”, explicou Stets.

Aqueles que trapacearam e mais tarde pensaram que outras pessoas não os veria como eles viam a sua mesmos – como pessoas morais – foram mais propensos a reportar uma redução em felicidade: “o ato de trapacear aparentemente ativou pensamentos sobre como pessoas viram os participantes em comparação a como eles viam a si mesmos ao longo da dimensão moral”, disse Stets. “Apesar de como os indivíduos justificaram suas trapaças a si mesmos, quando eles consideraram a visão dos outros, os relatos de felicidade diminuíram quando eles pensaram que a visão dos outros seriam discrepante da sua própria visão de si”.

Adicionalmente, quanto mais frequentemente os participantes trapacearam durante o estudo, mais sua felicidade, pelo menos para aqueles trabalhando sozinhos. Quando os indivíduos trapacearam no setting de grupo, eles podem ter sentido-se justificados por se comportarem desonestamente porque eles viram suas ajudando como ajudando o seu grupo na competição; e, eles podem ter sentido que o seu trapacear poderia ser mantido escondido de outros membros do grupo.

Seja como for, pessoas podem não ter sentido que estavam agindo mal sendo emocionalmente inafetados pelo comportamento deles, Stets encontrou. Contudo, para aqueles que trabalharam sozinhos, o seu comportamento de trapacear pode ter relembrado-os de seus motivos egoístas, assim reduzindo a felicidade deles.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Cheating to get ahead reduces happiness

A Felicidade Depende de Fatores Internos ou Externos?

A resposta para esta pergunta está neste post 😉

O texto a seguir foi resultado de uma tradução livre do seguinte post:

Does happiness come from within or from external factors?

 

“Felicidade vem de dentro”.

Esta é uma idéia que tem estado por aí por bastante tempo, borbulhando desde o antigo estóico e filósofos budistas, mas sendo reforçada hoje pelos gurus modernos e a ciência moderna da psicologia positiva. Nós temos o poder para mudar nossas respostas mentais e emocionais para o mundo ao nosso redor e podemos, em essência, criar a nossa própria felicidade.

Isto é confortante e nos dias de hoje, é o pensamento popular. Embora reciclar nossas respostas emocionais possa ser extremamente desafiante, é frequentemente mais fácil do que mudar o mundo ao nosso redor e, no final das contas, nós dá um maior controle e responsabilidade sobre nosso próprio bem-estar.

Mas em um recente artigo científico publicado na International Journal of Wellbeing, Ahuvia e colaboradores identificaram alguns problemas com esta abordagem. Esta idéia nos encoraja a culpar o infortúnio no indivíduo, ao invés de identificar as situações que podem ser a raiz dela. Nós poderíamos nos tornamos muito conformados sobre o nosso destino na vida, ao invés de empenhar-se para corrigir as injustiças no mundo. Por último, há uma indústria de auto-ajuda de bilhões de dólares que parece prometer muito e dá menos do que o prometido sobre o poder da mente para alcançar praticamente qualquer coisa.

Uma abordagem alternativa seria focar nas condições exteriores. Nós podemos olhar para as formas que nossas empresas, escolas, organizações, governos, comunidades e sociedade são estabelecidas e como elas facilitam ou impedem o bem-estar humano. Poderia-se argumentar que estes fatores sociais são os maiores determinantes de nosso bem-estar, fornecendo a infra-estrutura para mais necessidades humanas serem satisfeitas.

Mas os pesquisadores apontam que caminhos externos para a felicidade tem seu próprio conjunto de problemas. Eles subestimam a capacidade da mente humana para transcender sua situação. Por uma variedade de razões tais como adaptação hedônica, paradoxo de escolha e comparação social, melhorias em condições sociais raramente parecem produzir os tipos de elevações subjectivas que nós esperamos.

Os pesquisadores sugerem que a verdadeira chave para entender felicidade é através de uma abordagem interacionista, que “foca-se na forma que felicidade emerge da interação de mente e mundo”. A felicidade repousa na intersecção do interno e externo. Isto requer que nós coloquemos de lado idéias simplistas de felicidade, a favor de um reconhecimento da complexidade e interdependência do bem-estar humano em uma variedade de fatores.

Os pesquisadores dão vários exemplos de temas interacionistas através de vários domínios da vida diária. Um exemplo é religião, que parece melhorar o bem-estar através de interações entre fatores internos tais como focar em valores e expressar emoções positivas e fatores externos, tais como engajamento social e envolvimento com a comunidade.

A idéia mais forte deste artigo é como esta abordagem interacionista pode influenciar a forma como nós pensamos sobre o bem-estar humano. Parece que não é apenas o ambiente e nem apenas a mente, mas ao invés disso, as formas com que a mente interage com o corpo, a forma como a mente interage com o ambiente e a forma como a mente interage com a comunidade. São nestas relações dinâmicas que a experiência subjetiva de vida realmente acontece.

Estes pesquisadores perguntam: “a felicidade é responsabilidade de quem?”. Ela não apoia-se unicamente no indivíduo e não emerge unicamente das condições de sociedade. Os pesquisadores sugerem co-responsabilidade como resposta: “a idéia é que a felicidade emerge como um esforço coletivo e cooperativo que requer tanto condições de vida favorável quanto esforço individual”.

Felicidade vem de dentro e de fora.

 

Este artigo escrito por  foi originalmente publicado no  PositivePsychologyNews.com.

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