Novas Descobertas sobre as Causas da Enxaqueca

Adoro quando leio posts sobre pesquisas na área de enxaqueca, pois acho esse um campo vastíssimo de pesquisa, já que, como o próprio artigo fala, a enxaqueca pode se manifestar diferentemente em diferentes pacientes 😉

O texto abaixo foi uma tradução livre de um post em inglês:

Large-scale genetic study provides new insight into the causes of migraine

Vamos ao post!

Os resultados do maior estudo genético em enxaqueca realizado até agora, foi publicado online na revista científica Nature Genetics em junho de 2016. O estudo foi baseado em amostras de DNA de 375.000 participantes europeus, americanos e australianos. Quase 60.000 deles sofrem de enxaqueca.

Os pesquisadores combinaram dados de 22 estudos de associação pangemônica incluindo novos dados de aproximadamente 35.000 indivíduos que sofrem de enxaqueca. Dos milhões de variantes genéticas analizadas, 38 regiões genômicas independentes mostraram estarem associadas com enxaqueca. Apenas dez destas regiões tinham sido implicadas antes em suscetibilidade a enxaqueca.

O estudo foi conduzido por membros da International Headache Genetics Consortium incluindo grupos de pesquisa sobre enxaqueca, da Austrália, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Islândia, os Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, o Reino Unido e os EUA.

“Nosso consórcio está dedicado a descobrir as causas genéticas da enxaqueca e, durante os últimos anos, nós temos sido capazes de identificar muitas variantes de risco. Até o momento, nesta última, em estudos de larga escala, dez de novos fatores de risco genéticos foram descobertos. Como todas estas variantes modificam o risco da doença apenas ligeiramente, o efeito poderia apenas ser visto quando esta grande quantidade de amostras tornaram-se disponíveis”, disse o professor Aarno Palotie, da International Headache Genetics Consortium.

“Nós não podemos simplesmente exagerar a importância da colaboração internacional quando estamos estudando a genética de doenças complexas e comuns”, continua Palotie, que trabalha como diretor de pesquisa do Institute for Molecular Medicine Finland (FIMM),  da University of Helsinki.

A enxaqueca é um transtorno debilitante que afeta aproximadamente 1 em cada 7 pessoas no mundo, mas seus mecanismos moleculares permanecem mal compreendidos, o que torna desafiante o desenvolvimento de novos tratamentos.

Quando os pesquisadores olharam mais de perto para as áreas genômicas apontadas no estudo, eles notaram que a maioria deles se sobrepuseram a genes conhecidos. Curiosamente, tanto quanto nove dos genes tinham estado previamente associados com alguma doença vascular e quatro mais são conhecidos por estarem envolvidos na regulação do tônus vascular, apoiando a importância de vasos sanguíneos em ataques de enxaqueca.

“Estes achados genéticos são o primeiro passo concreto para desenvolver tratamentos personalizados e baseados em evidência para esta doença bastante complexa. Nós médicos temos sabido por um longo tempo que pacientes com enxaqueca diferem um do outro e as medicações que funcionam para alguns pacientes são completamente ineficientes para outros”, disse o professor John-Anker Zwart, da Oslo University Hospital.

“No futuro, nós esperamos que esta informação possa ser utilizada para dividir os pacientes em diferentes grupos de susceptibilidade genética para ensaios clínicos com medicações, assim aumentando as chances de identificar os melhores tratamentos possíveis para cada subgrupo”, ele continua.

“Estes achados interessantes associando a enxaqueca com disfunção vascular foram gerados usando novas abordagens computacionais que utilizam e combinam dados de vários bancos de dados biológicos internacionais. Tais banco de dados são inestimáveis em situações como esta quando amostras de tecidos de pacientes não estão prontamente disponíveis, destacando a importância de compartilhamento de dados”, comentou o Dr. Benjamin Neale, do Broad Institute of MIT e Harvard.

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