O Cérebro Decide se a Situação é Emocionalmente Negativa ou Positiva

Pesquisadores da Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences, em Lípsia e a University of Haifa, em Israel, identificaram mecanismos neurais que nos ajudam a entender se uma situação social difícil e complexa é emocionalmente positiva ou negativa: “quando alguém ofende você sorrindo ao mesmo tempo, o cérebro deveria interpretar isso como um sorriso ou uma ofensa? O mecanismo que nós encontramos inclui duas áreas do cérebro que agem quase como um ‘controle remoto’ e que juntas, determinam qual o valor que deve-se atribuir a uma situação e de acordo com que outras áreas do cérebro deveriam estar “ligadas” e quais deveriam estar ‘desligadas’ “, explica a Dra. Hadas Okon-Singer, da University of Haifa, uma das principais autoras do estudo.

Nós todos estamos familiarizados com a expressão: “eu não se eu rio ou se choro”, referindo-se a uma situação que inclui ambos – elementos positivos e negativos. Mas como o cérebro, na verdade, entende o “se eu rio ou se choro”?. A Dra. Okon-Singer explica que estudos anteriores já haviam identificado os mecanismos pelo qual o cérebro determina se algo é positivo ou negativo. Contudo, a maioria dos estudos focou-se em situações dicotômicas – os participantes eram submetidos a um estímulo completamente positivo (um bebê sorrindo ou um casal de namorados) ou a um estímulo completamente negativo (um corpo morto). O presente estudo buscou examinar casos complexos envolvendo ambos os estímulos (positivos e negativos).

Em um novo estudo publicado em 2016 na revista cientifica Human Brain Mapping, um grupo de pesquisadores liderados pela Dra. Christiane Rohr, do Max Planck Institute (na Alemanha) e a Dra. Okon-Singer, do departamento de psicologia da University of Haifa buscaram localizar o mecanismo neural que “escolhe” se uma dada situação é positiva ou negativa e classifica situações diferentes que são emocionalmente confusas. Para simular a ausência de clareza emocional, os pesquisadores apresentaram aos participantes cenas de filmes conflitantes emocionalmente, tal como o filme: “Cães de Aluguel”, de Quentin Tarantino. Este filme inclui muitas situações complexas, tal como uma cena onde uma pessoa está torturando uma outra enquanto sorri, dança e fala com sua vítima de uma forma amigável.

Os participantes no estudo assistiram as cenas do filme enquanto estavam dentro de uma máquina de MRI, e mais tarde reportaram se tinham sentido que cada cena que haviam assistido incluiu um conflito. Para cada momento do filme, os participantes também pontuaram a extensão pelo qual sentiram que os elementos positivos eram dominantes, significando que a cena era agradável de assistir ou a medida que elementos negativos prevaleceram, significando que a cena foi desagradável de ver.

Como em estudos anteriores, os pesquisadores identificaram duas redes ativas – uma que opera quando nós percebemos a situação como positiva e uma outra que opera quando nós a percebemos como negativa. Pela primeira vez, contudo, foi identificado como o cérebro troca entre estas duas redes. O estudo encontrou que a transição entre atividades na rede positiva ou negativa é facilitada pelas duas áreas no cérebro – o sulco temporal  superior (STS) e o lobo parietal inferior (LPI). Estas áreas formam parte das redes negativa e positiva, mas também agiram quando os participantes sentiram que a cena do filme simbolizava um conflito emocional. O STS foi encontrado como estando associado com a interpretação de situações positivas, enquanto que o LPI está associado com a interpretação de situações negativas.

A Dra. Okon-Singer explica que estas duas áreas efetivamente funcionam como “controles remotos” que entram em ação quando o cérebro reconhece que há um conflito emocional. As duas áreas parecem “falar” uma com a outra e interpretam a situação para decidir se uma estará ligada e a outra desligada, assim determinando qual rede estará ativa: “o estudo sugere que estas áreas podem influenciar o valor – positivo ou negativo – que será dominante em um conflito emocional através do controle de outras áreas do cérebro”, ela adicionou.

A Dra. Okon-Singer antecipa que a descoberta das áreas do cérebro que nos permite identificar situações e conflitos emocionais agora facilitará pesquisas futuras para examinar porque este mecanismo não funciona apropriadamente em algumas pessoas: “nós esperamos que, ao entender a base neural da interpretação de situações como positiva ou negativa, isso nos ajudará no futuro a compreender os sistemas neurais das populações que tem dificuldades emocionais. Isto nos permitirá desenvolver técnicas terapêuticas para fazer as interpretações entre estas populações mais positivas”, os pesquisadores concluíram.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

How the brain decides if a situation is emotionally negative or positive

Pacientes com Fadiga Crônica Suprimem as Emoções

Pacientes com síndrome da fadiga crônica reportam que são mais ansiosos e angustiados do que as pessoas que não tem a condição, e que são também mais suscetíveis a suprimir essas emoções. Além disso, quando sob estresse, eles mostram uma maior ativação do mecanismo biológico de “luta ou fuga”, que pode adicionar-se a fadiga deles, de acordo com uma nova pesquisa publicada pela American Psychological Association. “Nós esperamos que esta pesquisa vá contribuir para um maior entendimento das necessidades das pessoas com a síndrome da fadiga crônica, alguns dos quais podem tender a não comunicar sua experiência de sintomas ou estresse para outras pessoas”, disse a autora principal do estudo, Katharine Rimes, PhD, do King’s College London. “Outras pessoas podem estar alheias das dificuldades experienciadas pelos pacientes com a síndrome da fadiga crônica e, portanto, não oferecem o apoio apropriado”.

Participantes que sentiram que expressar suas emoções era socialmente inaceitável estavam mais propensos a suprimi-las. Este foi o caso tanto para pacientes com fadiga crônica quanto para pessoas saudáveis, de acordo com o estudo que foi publicado na revista científica Health Psychology.

Este estudo de 160 pessoas no Reino Unido apoiou-se em relatórios de observadores e dos próprios sujeitos do estudo, assim como em respostas fisiológicas que foram coletadas antes, durante ou após os participantes assistirem um vídeoclipe estressante. Metade dos participantes tinham sido diagnosticados com a síndrome da fadiga crônica enquanto o resto estava saudável.

Metade de cada grupo foi instruído para suprimir suas emoções e foi dito para a outra metade para expressar seus sentimentos como desejassem. Suas reações foram filmadas e classificadas por observadores independentes. Condutância da pele foi medida porque isto aumenta com uma maior transpiração, que é um sinal de ativação do sistema nervoso simpático no corpo do indivíduo. Isto é frequentemente conhecido como o sistema biológico de luta ou fuga usado para lidar com o estresse.

Independente da instrução que eles receberam, os participantes com a síndrome da fadiga crônica reportaram mais ansiedade e tristeza e suas respostas cutâneas indicaram que eles estavam mais angustiados do que os indivíduos saudáveis do grupo controle, ambos antes e após o filme. Contudo, aquelas emoções no grupo de fadiga crônica foram menos prováveis de serem capturadas pelos observadores independentes.

Maior ativação no sistema de luta ou fuga estava associado com um maior aumento na fadiga nas pessoas com a síndrome da fadiga crônica, mas não entre as pessoas saudáveis. “Pacientes com a síndrome da fadiga crônica frequentemente nos dizem que o estresse piora os seus sintomas, mas este estudo demonstra um possível mecanismo biológico subjacente a este efeito”, disse Rimes.

Os autores notam que este estudo foi conduzido com pacientes principalmente da raça branca que estavam frequentando uma clínica destinada para pacientes com fadiga crônica e que mais pesquisa é necessária para determinar se elevada supressão emocional também seria encontrada em pacientes com fadiga crônica em populações mais diversificadas.

Uma vez que este estudo foi conduzido entre pessoas que já tinham sido diagnosticadas com a síndrome da fadiga crônica, isto não indica uma ligação causal entre supressão emocional  e a síndrome, Rimes adicionou. “Estes achados podem nos ajudar a entender porque alguns pacientes com a síndrome da fadiga crônica não buscam suporte social nos momentos de estresse”, disse Rimes. Famílias  de “pacientes’ podem se beneficiar de informações sobre como melhor apoiar os pacientes que tendem a esconder as suas emoções”.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Chronic fatigue patients more likely to suppress emotions