Neurociência e Dôr Crônica

Abuso de prescrição de remédios opióides usados para tratar dor crônica tem alcançado proporções epidêmicas, tanto que a Casa Branca anunciou um novo esforço para combater o vício e prevenir as milhares de mortes relacionadas a overdose dessas medicações reportadas nos Estados Unidos todos os anos.

Mas uma pesquisa da equipe da University of Texas, em Arlington, tem trabalhado em uma solução alternativa: estimulação elétrica de uma estrutura cerebral profunda e central que bloqueia os sinais de dor no nível da coluna espinhal sem intervenção com medicação. O processo também engatilha a liberação de dopamina, que pode reduzir o sofrimento emocional associado com dor a longo prazo, os pesquisadores disseram: “este é o primeiro estudo a usar um aparelho elétrico sem fio para aliviar a dor, diretamente estimulando a área tegmental ventral do cérebro”, disse Yuan Bo Peng, professor de psicologia da UTA. “Embora esteja ainda sob teste de laboratório, este novo método fornece esperança que no futuro será capaz de aliviar dor crônica sem os efeitos colaterais das medicações”.

Peng e J.-C. Chiao, professor de engenharia elétrica, detalha as descobertas deles em um novo artigo cientifico publicado na revista cientifica Experimental Brain Research. O professor de engenharia elétrica, Xiaofei Yang, da Huazhong University of Science and Technology, em Wuhan, na China, também participou no estudo.

Perto de dois milhões de americanos abusaram ou foram dependentes de remédios opióides em 2014 e 165.000 morreram entre 1999 e 2014 de overdoses relacionadas a prescrições de opióides, de acordo com os centros de controle de doença.

Nos experimentos deles, Peng and Chiao usaram seu patenteado aparelho sem fio com design personalizado para demonstrar que a estimulação do área tegmental ventral reduziu a sensação de dor. Eles também confirmaram que esta simulação reduziu sinais de dor na medula espinhal, efetivamente bloqueando a percepção da dor.

Morteza Khaledi, reitor do College of Science da UTA, elogia os pesquisadores neste importante trabalho: “soluções para dor crônica estão na vanguarda de pesquisas médicas atuais”, Khaledi disse. “A pesquisa dos dr. Peng e Dr. Chiao é um trabalho de alto impacto focado na saúde e na condição humana”.

Chiao tem dor constante de hérnia discal e nervos comprimidos no pescoço dele e também testemunhou seu tio sofrer após quimioterapia para câncer de próstata. O tio dele usou um primeiro dispositivo implantável para estimular electricamente a medula espinhal dele e aliviar a dor. A tecnologia foi a melhor disponível, mas ele tinha que mudar manualmente as doses de estimulação a cada 15 minutos e sofreu sem muito sono antes dele falecer.

Estas experiências difíceis impulsionaram o comprometimento de Chiao e Peng a uma década para encontrar uma solução para dor crônica. O dr. Peng iniciou a idéia e trabalhou com Chiao, Yang e outros pesquisadores para desenvolver novas tecnologias, métodos e conhecimento através de várias disciplinas.

Outros participantes nesta pesquisa foram Ai-Ling Li, da Indiana University e Jiny Sibi, da University of Texas Medical Branch em Galveston: “Até este estudo, a área segmental ventral do cérebro foi estudada mais por seu papel-chave em reforço positivo, recompensa e abuso de drogas”, disse Peng. “Nós temos confirmação agora que a estimulação desta área do cérebro pode ser também uma ferramenta analgésica”.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Electrical stimulation of deep brain structures to ease chronic pain

A Relação entre Violência Doméstica e Tentativa de Suicídio

Violência doméstica é um tema que eu sempre gosto de trazer para o blog pois fui pesquisadora da área e acho que ainda há muito o que aprender sobre ela.

O texto a seguir foi uma tradução livre de um post publicado em inglês falando sobre uma pesquisa sobre violência doméstica e tentativas de suicídio:

Link found between witnessing domestic violence during childhood and attempted suicide

Vamos ao post!

Um novo estudo da University of Toronto (U of T) encontrou que a prevalência ao longo da vida de tentativas de suicídio entre adultos que tinham sido expostos a violência doméstica parental crônica durante a infância foi de 17,3% comparado a 2,3% entre aqueles sem esta adversidade na infância.

“Nós tinhamos esperado que a associação entre violência doméstica parental crônica e tentativas de suicídio mais tarde seria explicada por abuso físico ou sexual na infância ou por doença mental e abuso de substância. Contudo, mesmo quando nós levamos em conta estes fatores, aqueles indivíduos expostos a violência doméstica parental crônica ainda tinham mais do que 2x a probabilidade de ter tentado o suicídio”, reportaram as autoras principais do estudo, as professoras Esme Fuller-Thomson e Sandra Rotman da University of Toronto.

O estudo examinou uma amostra nacionalmente representativa de 22.559 residentes da comunidade canadense, usando dados da pesquisa de saúde e saúde mental da comunidade canadense, em 2012. Violência doméstica parental foi definida como “crônica” se ela tinha ocorrido mais de 10 vezes antes dos participantes da pesquisa terem completado 16 anos.

“Quando a violência doméstica é crônica em um lar, há um risco de desfecho negativo a longo prazo para a criança, mesmo quando as próprias crianças não são abusadas. Estes ambientes caóticos no lar lançam uma longa sombra. Assistentes sociais e profissionais de saúde devem continuar a trabalhar vigilantemente para prevenir violência doméstica e para apoiar sobreviventes deste abuso e seus filhos”, afirma Fuller-Thomson.

“Aqueles que tinham sido maltratados durante a infância estavam também mais propensos a ter tentado o suicídio, com 16,9% daqueles sexualmente abusados e 12,4% daqueles fisicamente abusados tendo feito pelo menos uma tentativa de suicídio”, reportou Reshma Dhrodia.

“Uma história de transtorno depressivo maior quadriplicou a probabilidade de tentativas de suicídio. Um histórico de transtornos ansiosos, abuso de substância e/ou dor crônica aproximadamente dobrou a probabilidade de tentativas de suicídio”, afirmou Stephanie Baird, co-autora e estudante de doutorado em serviço social da University of Toronto. “Estes quatro fatores representaram apenas 10% da associação entre tentativas de suicídio e violência doméstica parental, mas quase metade da associação entre tentativas de suicídio e abuso físico ou abuso sexual na infância. Isto sugere que profissionais trabalhando com sobreviventes de adversidades na infância deveriam considerar uma grande variedade de intervenções endereçando doença mental, abuso de substância e dor crônica”.

O artigo foi publicado online na revista científica Child: Care, Health and Development.

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