Depressão na Gravidez: Porque não Fazer Nada sobre Ela Pode Ser uma Má Idéia

Mulheres grávidas enfrentam uma série de escolhas. A maioria delas são bastante incontestáveis: não fume ou use drogas; evite peixe cru e ovos; descanse bastante. Mas um dilema que algumas mulheres grávidas encaram é menos intuitivo: se e como tratar suas mentes e corpos se elas estão deprimidas.

Muita atenção está focada na depressão pós-parto (ou seja, a ocorrência de depressão na mãe após o nascimento do bebê), que ocorre em aproximadamente uma a cada 8-10 mulheres. Mas embora a depressão durante os nove meses de gravidez ocorra frequentemente, ela tem recebido menos destaque.

Diagnosticar depressão na gravidez pode ser complicado, já que as mulheres podem inicialmente desconsiderar alguns dos sintomas, tais como mudanças no humor, apetite ou sono, tomando-os como normal ou a ser esperado. Mas aqui esta o que é crucial saber: identificar e tratar depressão durante a gravidez é particularmente importante a medida em que ela impacta não apenas a mãe, mas também o bebê.

Este conceito – que o humor maternal pode ser transmitido para os filhos – não é novo. Ele tem existido desde os dias de Hipócrates, e até Shakespeare compreendia ele. Nós agora sabemos que a depressão crônica na gravidez pode alterar níveis dos hormônios de estresse, desviando sangue (e com ele, oxigênio e nutrientes-chaves) do feto e suprimindo os sistemas imunes da mãe e do bebê, deixando ambos mais vulneráveis para infecção.

Então, o que pode fazer uma mulher grávida que acha que pode estar deprimida? O primeiro passo é tomar consciência dos sinais e sintomas. E que sentir-se triste ou para baixo pode não ser o primeiro ou o principal sintoma. Outros podem incluir a fadiga excessiva, perda de concentração ou interesse, mudança no apetite, muito ou pouco sono, sentimentos de inutilidade e pensamentos recorrentes de morte.

Note que um dia triste ou um dia estressante não faz um episódio depressivo. Mas se você tem experienciado vários dos sintomas citados acima, cronicamente, acima de um período de duas semanas ou mais, e eles não são o resultado de uma outra medicação que você está tomando, você poderia estar sofrendo de uma depressão clinica. Falar proativamente e abertamente para o profissional de saúde que cuida de seu caso, pode ajudar a distinguir os normais altos e baixos da gravidez de sintomas que necessitam atenção médica. E se o seu obstetra/ginecologista não é especialista em questões de saúde mental (que pode ser o caso), peça por um encaminhamento para ver alguém que seja. Ou, se você conhece alguém que tenha passado por uma experiência similar, peça uma opinião para ela: não há nada melhor do que uma recomendação boca-a-boca.

Se a depressão é identificada, tratar é importante para a mãe e para o bebê (lembre-se, é algo do tipo dois pelo preço de um). Como neurocientista e epidemiologista que estuda os efeitos a longo prazo de várias exposições no pré-natal, eu tenho visto que, embora as chances não sejam sempre fáceis, há uma série de opções efetivas para tratamento.

A primeira são as medicações antidepressivas. Várias estão no mercado, com a mais comum sendo a classe dos “inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRS)”, que inclui nomes familiares tais como Prozac, Zoloft, Paxil e Lexapro.

Estas medicações são, em geral, seguras para uso adulto, e muitas são aprovadas para uso em mulheres grávidas também. Contudo, como estas medicações atravessam para a placenta, os efeitos a longo-prazo no bebê, quando usadas na gravidez, não são inteiramente claros. Alguns estudos tem sugerido que aumentou os problemas cognitivos, de linguagem e emocionais entre crianças gestacionalmente expostas a medicações antidepressivas, mas não é claro o quanto destes efeitos são devidos as medicações versus a própria depressão subjacente.

Dada a incerteza, algumas mulheres grávidas podem querer serem tratadas, mas compreensivelmente, não serem medicadas. Para elas, há uma outra rota viável, e uma que uma série de mulheres grávidas fracassam para seriamente considerar: a psicoterapia. Muitos tratamentos psicoterápicos reduzem sintomas de depressão e ansiedade assim como seus parceiros – a medicação – mas sem os indesejáveis efeitos colaterais da medicação. Embora o termo psicoterapia esteja ocasionalmente sendo mal aplicado por algumas formas questionáveis de tratamento ou auto-ajuda, há uma série de terapias estruturadas tais como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Interpessoal (TI) que tem sido desenvolvidas por clínicos, são baseadas em sólidas evidências cientificas e tem sido adaptadas para tratar sintomas na gravidez.

Ensaios clínicos, incluindo aqui a Columbia University Medical Center, onde alguns destes tratamentos foram desenvolvidos, mostra que a psicoterapia pode ser um tratamento alternativo e efetivo para muitas mulheres grávidas. E para mulheres que já estão em uso de antidepressivos e que podem estar contemplando uma gravidez, mudar para a psicoterapia para o período de gravidez pode ser uma opção também.

E por fim, há sempre a opção de não fazer nada. É verdade que, algumas depressões são de vida-curta e irão embora por si só. Mas ignorar o que o seu corpo diz a você, é raramente uma boa idéia (nós ignoraríamos dores no peito, por exemplo, apenas esperando que elas desaparecessem?). Ademais, é impossível predizer antecipadamente por quanto tempo um episódio depressivo pode durar e a abordagem “vamos esperar para ver” põe em risco prolongado a exposição do bebê ao estresse maternal. Lembre-se, o estresse é ruim para o bebê também.

Certamente, estas não são escolhas simples. Riscos de tratamento tem de ser equilibrado entre os riscos de permanecer sem tratamento. Para algumas mulheres (por exemplo, aquelas com depressão severa, ou com outras complicações médicas ou psiquiátricas), a medicação pode ser necessária. Para outras, a psicoterapia pode ser a opção preferida. Mas mesmo quando ela é, a psicoterapia requer tempo, um bem que muitas mulheres grávidas simplesmente não tem. Custos podem desempenhar um papel também, embora muitos planos de saúde cubram um certo número de sessões psicoterápicas.

Embora estas opções possam soar insatisfatórias, elas simplesmente refletem a realidade subjacente de que não há uma abordagem única para depressão em mulheres grávidas. Mas há boas notícias: o que as opções oferecem para uma mulher gestante é a oportunidade de explorar – com ela mesma, sua família e amigos, e o seu médico – qual é a melhor percurso para ela. A única coisa imprudente que uma grávida que acha que pode estar deprimida pode fazer é não fazer nada. 

Observação: este artigo apresenta uma  visão geral de diferentes opções disponíveis para tratar de depressão durante a gravidez. Este artigo não deveria ser usado como um substituto do conselho de um médico.

The ConversationEscrito por Ardesheer Talati, professor assistente de Neurobiologia Clinica, Psiquiatria, da Columbia University Medical CenterEste artigo foi originalmente publicado no The Conversation

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

http://www.psypost.org/2016/12/depression-pregnancy-nothing-may-bad-idea-46437

Depressão Durante a Gravidez está Associada com Estrutura Cerebral Anormal em Crianças

Sintomas depressivos em mulheres durante e após a gravidez estão associados com espessura do córtex reduzida – a camada exterior do cérebro responsável por pensamento complexo e comportamento – em crianças em idade pré-escolar, de acordo com um novo estudo publicado no Biological Psychiatry. Os achados sugerem que o humor da mãe pode afetar o desenvolvimento do cérebro da criança em estágios críticos em vida: “mães geralmente querem fazer tudo o que podem para dar aos seus filhos a melhor chance possível de sucesso na vida. Elas frequentemente certificam-se de comer bem e tomar vitaminas especiais”, disse John Krystal, editor da Biological Psychiatry. “Este novo estudo agora sugere que uma outra coisa que elas podem fazer é ter a certeza de que sejam tratadas para a sua depressão”.

18% das mulheres experienciam depressão em algum momento durante a gravidez e ambas as depressões – perinatal e pós-parto – tem sido associadas com desfechos negativos em crianças. O novo estudo, liderado por Catherine Lebel, da University of Calgary, em Alberta, é o primeiro a reportar associações entre a depressão maternal e a estrutura anormal do cérebro em criança desta idade.

Os pesquisadores avaliaram 52 mulheres para sintomas depressivos durante cada trimestre da gravidez e alguns meses após a criança ter nascido. As mulheres variaram sobre a presença de sintomas: algumas com nenhum ou poucos sintomas e algumas preenchendo os critérios para depressão. Quando as crianças alcançaram aproximadamente 2.5 a 5 anos de idade, os pesquisadores usaram imagem por ressonância magnética para medir a estrutura cerebral delas.

Mulheres com sintomas depressivos mais altos tenderam a ter crianças com afinamento frontal e áreas temporais, regiões corticais implicadas em tarefas envolvendo inibição e controle da atenção. Os pesquisadores também encontraram uma associação entre sintomas depressivos e substância branca anormal na área frontal, os feixes de fibras conectando a região para outras áreas no cérebro.

Estas associações foram apenas encontradas quando sintomas ocorreram durante o segundo trimestre e pós-parto, sugerindo que estes períodos são particularmente críticos para o desenvolvimento cerebral da criança.

O afinamento cortical é um aspecto normal do desenvolvimento cerebral durante a primeira infância, então Lebel diz que os achados sugerem que o cérebro possa estar desenvolvendo-se prematuramente em crianças cujas mães experienciam mais sintomas depressivos.

Anormalidades em estrutura cerebral durante períodos críticos em desenvolvimento tem frequentemente estado associados com desfechos negativos, tais como dificuldade de aprendizagem e transtornos comportamentais. Adicionalmente, as anormalidades da estrutura cerebral identificadas no estudo refletem aquelas encontradas em crianças com depressão ou em alto risco para desenvolver o transtorno, sugerindo que estas alterações podem ser porque as crianças de mães com depressão perinatal são mais vulneráveis a depressão posteriormente.

Embora o mecanismo por trás da associação permaneça um mistério, os achados podem ter implicações para minimizar riscos de desenvolvimento cerebral atípico em crianças: “nossos achados destacam a importância de monitorar e apoiar a saúde mental em mães não apenas no período de pós-parto mas também durante a gravidez”, afirmou Lebel.

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Depression during pregnancy is associated with abnormal brain structure in children