Exposição a Mídia Social Durante a Pandemia do Coronavírus Está Ligada ao Aumento da Ansiedade

Exposição a informação sobre o COVID-19 através da mídia social está associada com o aumento dos sintomas de ansiedade, de acordo com um recente estudo chinês. O relatório foi publicado no PLOS One.

A rápida proliferação do novo vírus COVID-19 através da China, e sua rápida transmissão para muitos outros países foi sem precedente e inacreditável. Numerosos estudos reportaram que implicações da pandemia na saúde mental são reais e, por vezes severas, tanto entre trabalhadores da área médica quanto com o público.

Como os autores do estudo apontaram, pesquisas passadas fornecem forte evidência que a exposição à midia durante uma crise pública é parcialmente responsável pelo aumento de problemas de saúde mental. Devido a incerteza acerca do COVID-19 e o rápido desenvolvimento de notícias ao redor do globo, usuários de mídia social são bombardeados com informações em uma base quase constante. A Organização Mundial de Saúde chama isto uma ‘infodemia’ e enfatiza a importante tarefa de dissipar rumores e desinformação.

Este novo estudo queria examinar a relação entre exposição a mídia social durante a pandemia e questões de saúde mental. Pesquisadores focaram-se nos dois transtornos comuns: a ansiedade e a depressão.

Um total de 4.872 adultos de 31 diferente regiões da China completaram questionários entre 31 de janeiro a 2 de fevereiro de 2020. Os questionários avaliaram exposição a mídia social, perguntando aos participantes com que frequência eles tinham sido expostos a notícias relacionadas ao COVID-19 através da mídia social na última semana. O WHO-Five Well-Being Index foi usado para medir sentimento positivo em participantes, com um escore abaixo de 13 indicando depressão. Ansiedade também foi medida usando uma escala de transtorno de ansiedade generalizada.

Resultados mostraram que 82% dos entrevistados reportaram estar frequentemente  expostos a informação sobre a pandemia através da mídia social. Cerca da metade dos entrevistados (48%) preencheram critérios para depressão e quase 1/4 deles (23%) preencheram critérios para ansiedade. Aproximadamente 19% dos entrevistados preencheram critérios para ambos os transtornos. Os autores apontaram que estas taxas são muito maiores do que a da última amostra naconal, que mostra taxas de prevalência para depressão em torno de 7% e ansiedade em torno de 8%.

Exposição a mídia social estava associada com uma maior probabilidade para ansiedade assim como uma maior probabilidade para uma combinação de ansiedade e depressão. Não foi encontrada nenhuma relação entre exposição a mídia social e probabilidade para depressão por si só.

Diferenças regionais foram também nítidas. Apesar de mostrar taxas de exposição a mídia social similares a outras regiões, aquelas na provincia de Hubei tinham aumentadas taxas de ansiedade. Pesquisadores explicam que isto não é surpreendente, dado que a provincia de Hubei foi o epicentro do surto do coronavírus e a área com as medidas mais severas de lockdown existente. 

Os pesquisadores concluiram que seus achados oferecem  uma visão significativa para as sérias consequências de saúde mental em decorrência do COVID-19, demonstrando que a exposição a mídia social durante a pandemia está intensificando a ansiedade na  população chinesa. Eles sugeriram que um importante passo é endereçar a infodemia “monitorando e filtrando informações falsas e promovendo informação acurada”.

O estudo, “Mental health problems and social media exposure during COVID-19 outbreak”, foi de autoria de Junling Gao, Pinpin Zheng, Yingnan Jia, Hao Chen, Yimeng Mao, Suhong Chen, Yi Wang, Hua Fu, and Junming Dai.

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

https://www.psypost.org/2020/04/social-media-exposure-during-the-coronavirus-pandemic-is-linked-to-increased-anxiety-56633?

Trabalhar Durante a Pandemia do COVID-19 Pode Proteger Contra os Efeitos do Lockdown na Saúde Física e Mental dos Indivíduos

Um novo estudo na China encontrou que aqueles que trabalharam durante a pandemia apresentaram melhor saúde física e mental do que aqueles que pararam de trabalhar. O estudo foi than publicado na Psychiatry Research.

Perto do final de janeiro de 2020, o surto do COVID-19 fez com que o governo chinês fechasse a cidade inteira de Wuhan, afetando seus 12 milhões de residentes. Graduamente, outras cidades na província de Hubei tomaram medidas similares de lockdown. O impacto destas restrições na vida profissional e bem-estar dos residentes é desconhecido. Com este estudo recente, os pesquisadores esperavam fornecer insight para outros países experienciando variações de lockdown.

Uma pesquisa foi conduzida em praticamente um mês no lockdown de Wuhan e cidades ao redor, em 20 de fevereiro. Participantes foram 369 adultos de 64 juridições da China que foram afetadas pelo COVID-19, em diferentes graus. Para cada locação, foi dada um escore para a severidade da epidemia, calculando o número de casos de COVID-19 por 10.000 pessoas.

A saúde física e mental de casa sujeito foi avaliada com uma escala curta de 12 questões, a Kessler psychological distress scale e a Satisfaction With Life scale. Para examinar certos fatores que podem impactar saúde e bem-estar, foi perguntado aos participantes com que frequência eles exercitavam e se estavam ou não trabalhando durante o lockdown.

Os resultados revelaram tendências interesantes quanto a questão de trabalhar durante  a pandemia. Indivíduos que continuaram a trabalhar em casa apresentaram melhor saúde mental do que aqueles que pararam inteiramente de trabalhar. Aqueles que trabalharam no escritório durante a pandemia mostraram benefícios ainda maiores, apresentando melhor saúde tanto mental quanto física do que aqueles que pararam de trabalhar. Especificamente, aqueles trabalhando no escritório apresentaram níveis menores de sofrimento e maior satisfação de vida do que aqueles que não estavam trabalhando.

Resultados mostraram que a severidade da epidemia estava relacionada a uma satisfação de vida reduzida para pessoas que tinham questões médicas crônicas mas não para aquelas que não tiveram. Isto sugere que aquelas pessoas com problemas médicos subjacentes foram especialmente afetadas pela severidade da situação onde elas viviam.

Surpreendentemente, a severidade da epidemia estava também associada com diminuída satisfação de vida naqueles que exercitavam mais do que 2.5 horas por dia. Aqueles que exercitavam menos do que meia hora por dia, na verdade, mostraram maior satisfação de vida em áreas com os mais severos surtos, mais do que áreas menos afetadas. Os pesquisadores discutem estes inesperados achados, sugerindo: “talvez, estas pessoas podiam melhor justificar ou racionalizar seus estilos de vida inativos em cidades mais severamente afetadas … nós talvez tenhamos que prestar atenção a indivíduos ativos mais fisicamente, que podem estar mais frustrados pelas restrições devido a pandemia”.

Os autores advertem que, devido a forma como eles recrutaram os sujeitos, seus achados não são nacionalmente representativos. De qualquer modo, os achados oferecem valioso insight para os tipos de pessoas que são mais afetadas pela pandemia do COVID-19. Políticos e profissionais de saúde mental podem priorizar a dar ajuda para aqueles que pararam de trabalhar e aqueles que tem problemas crônicos de saúde. 

O estudo, “Unprecedented disruption of lives and work: Health, distress and life satisfaction of working adults in China one month into the COVID-19 outbreak”, foi autorado por Stephen X Zhang, Yifei Wang, Andreas Rauch e Feng Wei.

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

https://www.psypost.org/2020/04/working-during-covid-19-pandemic-may-protect-against-the-mental-and-physical-health-effects-of-lockdown-56541?