Estudo Mostra que o Poder da Expectativa Pode Restringir no Cérebro as Memórias Hiper-Emocionais

O rangido de um portão abrindo seguido pelo ataque de um cachorro pode perturbar de alguma forma as caminhadas em uma noite agradável. O som desse portão abrindo-se em caminhadas subsequentes eliciará uma resposta emocional e o poder desta resposta será diferente se o cachorro for um pastor alemão ou um poodle.

Através de repetidas experiências, a vizinhança, o portão e o cachorro, todos se tornarão parte do sistema de memória emocional do cérebro. O núcleo deste sistema – a amígdala – forja indeléveis ligações de experiência quando nós somos atacados ou ameaçados; mas graças ao poder da expectativa, a força destas memórias emocionais é proporcional ao dissabor da experiência: “formar uma memória emocional é apenas o aprender e calibrar nossas expectativas internas com repetidos estímulos externos do ambiente”, diz Joshua Johansen, que é líder da equipe do RIKEN Brain Science Institute. Um sinal elucidativo como um ataque de um cachorro deveria alarmar você – e sua amígdala – a primeira vez que ela acontece, mas ao longo do tempo, tanto a sua atividade cerebral quanto o seu comportamento moderará a reação ao ataque do cachorro uma vez que você aprendeu a prever quando e como ela acontece, por exemplo, em uma determinada rua, fora de uma determinada casa. Em um estudo publicado na Nature Neuroscience, Johansen e colaboradores descobriram um circuito neural que pode atenuar a força de memórias emocionais, limitando a hiperresponsividade da amígdala para estímulos esperados, porém desconfortáveis.

No experimento-chave, ratos foram treinados a aprender a associação entre um choque leve e um som precedente. Os choques inicialmente inesperados, fortemente ativaram a amígdala lateral que, por sua vez, levou a um comportamento assustador de congelamento em resposta ao som. Este comportamento de congelamento aumentou com intensidades mais altas de choque, mas uma vez que esta associação foi aprendida, a atividade relacionada ao choque nos neurônios da amígdala diminuiu. “A primeira experiência desconfortante dispara um sinal ‘instrutivo’, que é gradualmente desligado à medida que a amígdala aprende a usar o som para prever o choque”, explica Johansen.

É desconhecido como os circuitos neurais na amígdala geram tais ‘previsões’ para calibrar a formação de memória. Os autores traçaram a origem desta modulação para um agrupamento de axônios que deixa a amígdala e flui para a substância cinzenta periaquedutal (PAG), uma área chamada mesencéfalo, que processa a dor. Lá, os axônios são bem-posicionados para reduzir os sinais neurais relacionados a dor como choques antes deles alcançarem áreas mais altas do cérebro. Os autores hipotetizaram que este circuito gera sinais de ‘erro de previsão’ que indicam quanto uma expectativa difere do que na verdade acontece, que são então usadas pela amígdala e outras partes do cérebro para estabelecer a força da memória emocional e níveis de expectativa.

Se a sua idéia estava correta, então a inibição artificial da amígdala – o circuito PAG deveria interferir com normais erros de previsões e expectativas. De fato, quando eles desativam um circuito bem-treinado, os neurônios na amígdala lateral respondem como se os choques estivessem sendo experienciados pela primeira vez. Johansen adicionou: “ao interromper o circuito, nós privamos a amígdala de feedback, reconfiguramos seu nível de aprendizagem e a memória de choque se torna hiper-emocional, causando aos ratos que eles congelassem mais”.

Os autores concluíram que este circuito neural calibra a força da memória e ajuda o cérebro a formar memórias emocionais apropriadas: “nós acreditamos que a sinalização de erro de previsão em tais circuitos neurais do tipo feedback representam um principio geral para sistemas de aprendizagem do cérebro”, diz Johansen. “Como o feedback origina-se muito precocemente na rota da dor, o sistema nervoso pode transmitir a previsão de erro para muitas áreas do cérebro como a amígdala, onde é usada para ajustar as memórias.”

Entender este circuito pode também ajudar a esclarecer o que pode dar errado quando o feedback está ausente: “o TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) é um medo aprendido que é formado sob numerosas exposições a experiências ruins, como idas múltiplas a combates”, diz Johansen. Tal intensa ativação repetida de circuitos de aprendizagem poderiam desorganizar os sinais normais de erros de previsão em alguns indivíduos e fazer com que experiências levemente aversivas se pareçam muitos mais pior do que elas na verdade são. Estudos de imagem cerebral humana em prever experiências desconfortantes indica que há um papel relacionado ao PAG e amígdala. Johansen especula que circuitos similares que estabelecem a intensidade da memória baseada em erros de previsão poderiam perturbar as expectativas em pessoas ansiosas, uma hipótese merecedora de estudos adicionais.

 

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

http://www.psypost.org/2016/11/study-finds-power-expectation-can-restrain-hyper-emotional-memories-brain-45931

Novos Achados Revelam o Pensamento Social do Bebê

Uma colaboração inovadora entre neurocientistas e psicólogos do desenvolvimento que investigaram como os cérebros de bebês processam as ações de outras pessoas, fornecem a primeira evidência que liga diretamente respostas neurais do sistema motor a explícito comportamento social em bebês. A pesquisa foi publicada em abril de 2016 na Psychological Science.

O estudo envolveu 36 bebês de 7 meses, que foram cada um testados enquanto vestiam um gorro que usava eletroencefaalografia (EEG) para medir atividade cerebral. Durante o experimento, cada bebê observou um ator reagir a um dos dois brinquedos. Imediatamente após, foi permitido ao bebê selecionar um dos mesmos brinquedos. Este procedimento foi repetido 12 vezes.

A atividade cerebral dos bebês previu como eles responderiam ao comportamento do ator. Quando os bebês recrutaram seu sistema motor enquanto observavam o ator agarrar um dos brinquedos, eles subsequentemente imitaram o ator. Quando eles não imitavam o ator, não havia um engajamento perceptível do sistema motor na atividade cerebral enquanto eles assistiram o ator: “nossa pesquisa fornece inicial evidência de que o recrutamento do sistema motor está eventualmente ligado ao comportamento interativo social dos bebês”, disse a autora Courtney Filippi, da University of Chicago. “Ela fornece evidência inicial de que recrutando o sistema motor durante a ação codificadora, isso prevê subsequente comportamento social interativo dos bebês”.

Os pesquisadores usaram EEG para medir um componente de atividade cerebral –dessincronização de atividade na banda de frequência mu – que tem sido ligado a atividade do córtex motor em adultos. Assim como nos adultos, os bebês apresentam esta resposta quando eles próprios agem e quando assistem a ação das outras pessoas, sugerindo que o sistema motor pode desempenhar um papel na percepção das ações dos outros. Até este atual estudo, contudo, esta possibilidade não tinha sido testada em bebês: “esta pesquisa nos diz que, no meio do primeiro ano do bebê, bebês estão começando a serem capazes de entender que pessoas agem intencionamente – que elas escolhem um brinquedo ao invés de outro porque querem aquele brinquedo”, disse Helen Tager-Flusberg, professora da Boston University, que esta familiarizada com o assunto, mas não está envolvida na pesquisa. “Este entendimento por parte de um bebê envolve não apenas ver a ação de outra pessoa, mas também envolve o próprio sistema motor do bebê, que é recrutado quando o(a) bebê escolhe o mesmo brinquedo”.

Fundamentalmente, os pesquisadores identificaram os processos neurais que contribuem para o comportamento social inteligente em bebês. E é a primeira evidência de que a ativação do sistema motor em bebês prediz a imitação de outras ações, assim como um evidente entendimento da meta dos outros: “essa é uma grande notícia: que bebês entendem o que estão observando, que há uma conexão direta entre observar os outros, entender o que os outros estão fazendo e aprender como agir”, disse a co-autora Amanda Woodward, da UChicago.

A metodologia da pesquisadora também abriu novas perspectivas: “esta é a primeira tentativa para combinar a avaliação do comportamento de bebês – neste caso, imitando as ações de uma outra pessoa – com mensuração de atividade cerebral em bebês”, Tager-Flusberg disse.

“Provavelmente o lugar mais difícil para se estudar a relação entre atividade cerebral e comportamento é com bebês, devido as limitações nos métodos que podem ser usados e o fato de que bebês são bebês”, Woodward notou. “Nossa metodologia representa um avanço e uma prova conceitual”.

“Nós temos trabalhado duro ao longo dos anos para desenvolver os métodos que permitam-nos registrar atividade cerebral em bebês enquanto estão engajados no mundo social”, disse o co-autor Nathan Fox, da University of Maryland, College Park. “A pesquisa reflete nossa capacidade de sincronizar cérebro e comportamento em bebês durante o primeiro ano de vida”.

Embora esta pesquisa não vá traduzir-se diretamente em novos tratamentos médicos ou terapias, ela poderia contribuir para avanços médicos mais adiante, ajudando a esclarecer como o cérebro humano funciona e desenvolve-se, Woodward adicionou: “uma razão para engajar-se em ciência fundamental é melhor entender o desenvolvimento do cérebro e mente. Aqui nós olhamos para o desenvolvimento da cognição social, comportamento social e o sistema motor, todas elas são cruciais para o desenvolvimento humano e são frequentemente afetadas por deficiências de desenvolvimento, incluindo autismo”.

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New findings reveal social thinking in the infant brain

Diferenças de Gênero na Atividade Cerebral Altera as Terapias Para a Dor

As células imunes residentes do cérebro de indivíduos do sexo feminino são mais ativas em regiões envolvidas no processamento da dor comparadas as pessoas do sexo masculino, de acordo com um estudo recente feito por pesquisadores da Georgia State University.

O estudo, publicado na Journal of Neuroscience, encontrou que quando a micróglia, as células imunes residentes do cérebro, estavam bloqueadas, a resposta de indivíduos do sexo feminino a medicação opióide para tratamento da dor melhorou e adequou-se aos níveis de alivio da dor normalmente vistos em pessoas do sexo masculino.

Mulheres sofrem de uma incidência maior de condições de dor inflamatórias e crônicas tais como a fibromialgia e a osteoartrite. Embora a morfina continue a ser uma das medicações primárias usadas para o tratamento de dor crônica ou severa, é frequentemente menos efetiva em pessoas do sexo feminino: “de fato, tanto os estudos clínicos quanto os pré-clínicos relatam que indivíduos do sexo feminino requerem quase o dobro de morfina comparado aos indivíduos do sexo masculino, para produzir comparável alívio para a dor”, disse Hillary Doyle, estudante de pós-graduação no Murphy Laboratory in the Neuroscience Institute of Georgia State. “Nossa equipe de pesquisadores examinou uma potencial explicação para este fenômeno, a diferença de gênero na micróglia, no cérebro”.

Em indivíduos saudáveis, a micróglia mapeia o cérebro, procurando por sinais de infecção ou agentes patogênicos. Na ausência de dor, a morfina interfere na função normal do corpo e é vista como um patógeno, ativando as células imunes inatas do cérebro e causando a liberação de substâncias químicas inflamatórias tal como as citocinas.

Para testar como esta diferença de gênero afeta a analgesia da morfina, Doyle deu a ratos do sexo masculino e feminino uma medicação que inibe a ativação da micróglia: “os resultados do estudo tem importantes implicações para o tratamento de dor e sugerem que a micróglia pode ser um importante alvo dos medicamentos para melhorar o alívio da dor através do opióide, em mulheres”, disse a Dra. Anne Murphy, co-autora no estudo e professora associada no Neuroscience Institute at Georgia State.

Os achados da equipe de pesquisadores de que as micróglias estão mais ativas em regiões do cérebro envolvidas no processamento da dor, pode contribuir para entender o porquê das taxas de incidência para várias síndromes de dor crônica serem significativamente mais altas em pessoas do sexo feminino do que do sexo masculino.

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http://www.psypost.org/2017/03/sex-differences-brain-activity-alter-pain-therapies-47973

O Estilo Cognitivo do Sujeito está Relacionado com a Sua Orientação Política

Certos traços de personalidade conhecidos como estilos cognitivos estão parcialmente determinados por fatores genéticos, que podem explicar algumas similaridades herdadas em ideologia política, de acordo com um estudo realizado com gêmeos e publicado online na Political Psychology.

Estilos cognitivos são elementos de personalidade relacionados a como as pessoas processam as informações. As dimensões de estilo cognitivo que tem recebido a maior atenção de psicólogos são a necessidade por cognição, encontrar desafiante tarefas cognitivas intrinsecamente satisfatórias e desejáveis e a necessidade por fechamento cognitivo, encontrando situações ambíguas ou incertas desagradáveis e indesejáveis. Ambas as dimensões estão intimamente ligadas com a orientação política. Pessoas que pontuam mais alto em necessidade por cognição são mais propensas a serem politicamente liberais, enquanto aquelas cujo escore em necessidade para fechamento cognitivo é alto, tendem a ser politicamente conservadoras.

Orientação política tem sido encontrada como sendo influenciada por fatores genéticos, assim como pelo ambiente do indivíduo, mas não tem sido sabido se as diferenças em estilo cognitivo são também parcialmente determinadas geneticamente.

Uma equipe de pesquisadores liderados por Aleksander Ksiazkiewicz, da University of Illinois, usaram dados de um estudo com gêmeos para examinar os componentes genéticos dos estilos cognitivos e sua relação com orientação política. Em um estudo com gêmeos, uma dimensão de similaridades e diferenças foram comparadas entre pares de gêmeos monozigóticos, que compartilham 100% de seu código genético e gêmeos dizigóticos, que compartilham uma média de 50% de seu código genético. Traços nos quais gêmeos monozigóticos são mais similares um ao outro do que gêmeos dizigóticos tem um componente genético mais forte. Neste estudo, gêmeos foram avaliados para ambos os estilos cognitivos, assim como para uma variedade de atitudes políticas.

Ambas as dimensões de estilo cognitivo foram encontradas sendo significantemente herdadas geneticamente, com aproximadamente 40% de diferenças em dificuldade para cognição e 37% de diferenças em necessidade por fechamento cognitivo atribuída a genes versus ambiente. Também importante, as correlações entre estilos cognitivos e ideologia política foram quase inteiramente explicados por fatores genéticos, indicando que a relação entre cognição e política pode existir porque ambas são influenciadas por um compartilhado conjunto de causas genéticas  subjacentes.

Os autores do estudo concluíram que os estilos cognitivos são parcialmente passados geneticamente e que sua influência em ideologia política é amplamente explicada pela genética. Estes resultados adicionam força a questões sobre a medida em que similaridades familiares em orientação política são transmitidas geneticamente ao invés de instruídas de pais para filhos. Quando nós tentamos explicar a interface entre personalidade e política, este estudo sugere que os genes são uma importante parte da equação.

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The link between genes, cognitive styles and political orientation

Idiomas estão em Competição no Cérebro Bilíngue

Pessoas bilíngues usam e aprendem idiomas de forma que altera suas mentes e cérebros e isso tem consequências — muitas positivas, de acordo com Judith F. Kroll, cientista cognitiva da Penn State: “estudos recentes revelam as formas notáveis no qual o bilinguismo muda as redes cerebrais que possibilita a cognição especializada, apóia o desempenho do idioma fluente e facilita novas aprendizagens”, disse Kroll, professora de psicologia, linguistica e estudos de mulheres.

Pesquisadores têm mostrado que as estruturas e conexões cerebrais de pessoas bilíngues são diferentes daqueles que falam apenas um idioma. Entre outras coisas, as mudanças ajudam os bilíngues a falar na língua desejada — não para falarem erroneamente no idioma “errado”.

E assim como os humanos não são todos iguais, os bilíngues não são iguais e as mudanças em sua mente e cérebro diferem dependendo de como o indivíduo aprendeu o idioma, quais são os dois idiomas e o contexto no qual os idiomas são usados: “o que nós sabemos de pesquisas recentes é que para cada nível de processamento de linguagem – de palavras para gramática e para a fala — nós vemos a presença de interação e competição entre os idiomas”, disse Kroll. “Algumas vezes nós vemos estas interações em comportamento, mas algumas vezes nós os vemos apenas em dados cerebrais”.

Kroll apresentou recentes achados sobre como bilíngues aprendem e usam o idioma em formas que mudam suas mentes e cérebros no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, que ocorreu em 13 de fevereiro de 2016.

Ambas línguas estão ativas o tempo todo em bilíngues, significando que os indivíduos não podem facilmente desligar um ou outro idioma e os idiomas estão em competição um com o outro. Por sua vez, isto leva os bilíngues a manipularem os dois idiomas, remodelando a conexão no cérebro que apóia cada um: “as consequências do bilinguismo não são limitadas à linguagem, mas refletem uma reorganização das conexões cerebrais que trazem implicações para as maneiras pela qual os bilingues negociam a competição cognitiva mais comumente”, disse Kroll.

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Languages are in competition with one another in bilingual brains

“Limpando” o Cérebro para Ficar Saudável

Uma pesquisa liderada pelo Achucarro Basque Center for Neuroscience, a University of the Basque Country (UPV/EHU) e a Ikerbasque Foundation revelou os mecanismos que mantêm o cérebro “limpo” durante doenças neurodegenerativas.

Quando os neurônios morrem, seus resíduos precisam ser rapidamente removidos para que o tecido cerebral circundante continue a funcionar de forma apropriada. A eliminação dos neurônios mortos, em um processo chamado fagocitose, é realizado pelas células altamente especializadas no cérebro, chamadas micróglia. Estas pequenas células possuem muitas ramificações que estão em constante movimento e estão especialmente equipadas para detectar e destruir qualquer elemento estranho, incluindo os neurônios mortos. Ou era isso o que se pensava até agora.

Este estudo, publicado em maio de 2016 na PLOS Biology, investigou, pela primeira vez, o processo de morte neuronal e fagocitose microglial no cérebro doente. Para isso, os cientistas coletaram amostras de cérebro de pacientes epilépticos do University Hospital of Cruces e de ratos epilépticos.

É conhecido que durante convulsões associadas a epilepsia, neurônios morrem. Contudo, contrário ao que acontece em um cérebro saudável, durante a epilepsia, a micróglia parece estar “cega” e incapaz de encontrar os neurônios mortos e destruí-los. Seu comportamento é anormal. Assim, os neurônios mortos não podem ser eliminados e acumulam-se, espalhando o dano para neurônios adjacentes e desencadeando uma resposta inflamatória que agrava a lesão cerebral.

Esta descoberta abre um novo caminho para explorar terapias que poderiam aliviar os efeitos de doenças cerebrais. Na verdade, o grupo de pesquisa que realizou estes estudos está atualmente desenvolvendo medicações, esperando aumentar este processo de limpeza – fagocitose – e ajudar no tratamento de epilepsia.

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The brain needs cleaning to stay healthy

O que as Alergias Sazonais Fazem com o seu Cérebro?

A alergia pode fazer mais do que dar a você um nariz entupido e irritação nos olhos. Alergias sazonais podem mudar o cérebro, diz um estudo publicado na Frontiers in Cellular Neuroscience.

Os cientistas encontraram que os cérebros de ratos expostos a alérgenos, na verdade, produziram mais neurônios do que os ratos do grupo controle. Eles fizeram isto usando um modelo de alergia ao pólen. A equipe de pesquisadores examinou o hipocampo, a parte do cérebro responsável por formar novas memórias e o local onde os neurônios continuaram a se formarem durante toda a vida. Durante uma reação alérgica, houve um aumento nos números de novos neurônios no hipocampo, levantando a questão: quais poderiam ser as consequências de alergias na memória? A formação e funcionamento de neurônios está associada as células imunes do cérebro, a micróglia.

Para a surpresa dos cientistas, eles encontraram que a mesma reação alérgica que estimula o sistema imune do corpo em alta velocidade, tem efeito oposto em células imunes permanentes do cérebro. A micróglia no cérebro foi desativada nos cérebros destes animais: “foi altamente inesperado ver a desativação da micróglia no hipocampo”, explicou Barbara Klein, uma das autoras do estudo: “Em parte, porque outros estudos já tinham mostrado o efeito reverso na micróglia depois de uma infecção bacteriana.

“Nós sabemos que a resposta do sistema imune no corpo é diferente no caso de uma reação alérgica versus uma infecção bacteriana. O que isto nos diz é que o efeito no cérebro depende do tipo de reação imune no corpo”.

De acordo com um relatório da OMS, 10-30% da população mundial sofre de rinite alérgica, comumente chamada de alergia.

Reação alérgica também causa um aumento em neurogênese, o crescimento e desenvolvimento do tecido nervoso, que é conhecido como tendo um declínio com a idade. Em indivíduos propensos a alergias, o progresso do envelhecimento seria diferentemente do que aqueles que não são alérgicos?

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http://www.psypost.org/2016/08/seasonal-allergies-could-change-your-brain-44235

O Cérebro de Agressores Funciona Diferente dos Outros Criminosos

Um estudo pioneiro levou um grupo de pesquisadores da University of Granada, na Espanha, a comparar, pela primeira vez no mundo, o funcionamento cerebral de agressores (contra suas parceiras ou ex-parceiras) com o de outros criminosos quando eles foram expostos a imagens relacionadas a diferentes tipos de violência.

Esta pesquisa, cujos achados acabam de ser publicados na prestigiosa revista cientifica Social Cognitive and Affective Neuroscience, demonstra as diferenças em funcionamento cerebral de agressores em respostas a imagens relacionadas a violência por parte do parceiro (IPV). Este estudo é um dos únicos três estudos no mundo a analisarem o cérebro de agressores usando ressonância magnética funcional.

Especificamente, o estudo realizado pela UGR revelou que os agressores – em comparação a outros criminosos – mostrou uma maior ativação no córtex cingulado anterior e no córtex pré-frontal medial e uma reação menor no córtex pré-frontal superior em resposta a imagens de IPV quando comparado a imagens neutras.

Além disso, a comparação direta de imagens com diferentes conteúdos de violência também corroborou um perfil para especifico de funcionamento cerebral para agressores: houve envolvimento do córtex pré-frontal medial assim como uma forte participação do córtex cingulado posterior e o giro angular esquerdo em respostas a imagens de IPV.

Estes achados podem explicar algumas das alterações psicológicas que agressores descrevem quando encontram sua parceira romântica, tais como estratégias inadaptivas de coping, problemas com regulação de emoção como a manifestada por obsessões sobre sua parceira, humores tais como medo, raiva ou fúria, medo de abandono e súbita instabilidade afetiva na forma de ansiedade.

Miguel Pérez García, da University of Granada e principal coordenador desta pesquisa, tem estado pesquisando por anos o funcionamento cerebral e mental de agressores, assim como seus perfis de reincidência. Na sua opinião, “os resultados destes estudos poderiam ter importantes implicações para o melhor entendimento da violência contra as mulheres, assim como as variáveis que estão relacionadas a reincidência em agressores”.

Os estudos referidos constituem parte de uma ampla área de pesquisa neuropsicológica em IPV. Dentro desta área, a pesquisadora da UGR, Natalia Hidalgo Ruzzante, lidera um projeto em sequelas neuropsicológicas apresentadas em vitimas de IPV do sexo feminino.

“As mulheres que sofreram violência por parte de seu parceiro (ou ex-parceiro) sustentam uma multiplicidade de problemas físicos, psicológicos, neurológicos e cognitivos como consequência do abuso. Estes efeitos negativos podem ser causados pelo dano direto como uma consequência de pancadas na cabeça; mas também como dano indireto ao cérebro através de alterações cerebrais produzidas por sequelas psicológicas (mais notável estresse pós-traumático) e do efeito do cortisol em situações de estresse crônico”, Hidalgo explica.

A maioria das pesquisas existente foca-se nos transtornos físicos e psicológicos, e há muito poucos estudos que tem avaliado como o abuso pode afetar o cérebro de mulheres que sofreram violência por parte do parceiro. Contudo, o pesquisador da UGR indica que parece claro que estas alterações cognitivas ocasionam outras associadas dificuldades em funcionamento social e trabalho nas mulheres afetadas: “uma avaliação neuropsicológica adequate poderia delinear as possíveis alterações cognitivas, emocionais e comportamentais causadas por este dano cerebral. Atualmente, mulheres vítimas de violência não são rotineiramente avaliadas para o diagnostico de potencial deterioração neuropsicológica, e muito menos quando o único precursor está sendo uma vitima de abuso psicológico (e não físico)”, ela explica.

Atualmente, os esforços deste grupo de pesquisa da UGR está focado no desenvolvimento de baterias para avaliação cognitiva e programas específicos de reabilitação para sequelas neuropsicológicas em vitimas de violência do sexo feminino.

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The brain of male batterers functions differently than that of other criminals

O Cérebro Decide se a Situação é Emocionalmente Negativa ou Positiva

Pesquisadores da Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences, em Lípsia e a University of Haifa, em Israel, identificaram mecanismos neurais que nos ajudam a entender se uma situação social difícil e complexa é emocionalmente positiva ou negativa: “quando alguém ofende você sorrindo ao mesmo tempo, o cérebro deveria interpretar isso como um sorriso ou uma ofensa? O mecanismo que nós encontramos inclui duas áreas do cérebro que agem quase como um ‘controle remoto’ e que juntas, determinam qual o valor que deve-se atribuir a uma situação e de acordo com que outras áreas do cérebro deveriam estar “ligadas” e quais deveriam estar ‘desligadas’ “, explica a Dra. Hadas Okon-Singer, da University of Haifa, uma das principais autoras do estudo.

Nós todos estamos familiarizados com a expressão: “eu não se eu rio ou se choro”, referindo-se a uma situação que inclui ambos – elementos positivos e negativos. Mas como o cérebro, na verdade, entende o “se eu rio ou se choro”?. A Dra. Okon-Singer explica que estudos anteriores já haviam identificado os mecanismos pelo qual o cérebro determina se algo é positivo ou negativo. Contudo, a maioria dos estudos focou-se em situações dicotômicas – os participantes eram submetidos a um estímulo completamente positivo (um bebê sorrindo ou um casal de namorados) ou a um estímulo completamente negativo (um corpo morto). O presente estudo buscou examinar casos complexos envolvendo ambos os estímulos (positivos e negativos).

Em um novo estudo publicado em 2016 na revista cientifica Human Brain Mapping, um grupo de pesquisadores liderados pela Dra. Christiane Rohr, do Max Planck Institute (na Alemanha) e a Dra. Okon-Singer, do departamento de psicologia da University of Haifa buscaram localizar o mecanismo neural que “escolhe” se uma dada situação é positiva ou negativa e classifica situações diferentes que são emocionalmente confusas. Para simular a ausência de clareza emocional, os pesquisadores apresentaram aos participantes cenas de filmes conflitantes emocionalmente, tal como o filme: “Cães de Aluguel”, de Quentin Tarantino. Este filme inclui muitas situações complexas, tal como uma cena onde uma pessoa está torturando uma outra enquanto sorri, dança e fala com sua vítima de uma forma amigável.

Os participantes no estudo assistiram as cenas do filme enquanto estavam dentro de uma máquina de MRI, e mais tarde reportaram se tinham sentido que cada cena que haviam assistido incluiu um conflito. Para cada momento do filme, os participantes também pontuaram a extensão pelo qual sentiram que os elementos positivos eram dominantes, significando que a cena era agradável de assistir ou a medida que elementos negativos prevaleceram, significando que a cena foi desagradável de ver.

Como em estudos anteriores, os pesquisadores identificaram duas redes ativas – uma que opera quando nós percebemos a situação como positiva e uma outra que opera quando nós a percebemos como negativa. Pela primeira vez, contudo, foi identificado como o cérebro troca entre estas duas redes. O estudo encontrou que a transição entre atividades na rede positiva ou negativa é facilitada pelas duas áreas no cérebro – o sulco temporal  superior (STS) e o lobo parietal inferior (LPI). Estas áreas formam parte das redes negativa e positiva, mas também agiram quando os participantes sentiram que a cena do filme simbolizava um conflito emocional. O STS foi encontrado como estando associado com a interpretação de situações positivas, enquanto que o LPI está associado com a interpretação de situações negativas.

A Dra. Okon-Singer explica que estas duas áreas efetivamente funcionam como “controles remotos” que entram em ação quando o cérebro reconhece que há um conflito emocional. As duas áreas parecem “falar” uma com a outra e interpretam a situação para decidir se uma estará ligada e a outra desligada, assim determinando qual rede estará ativa: “o estudo sugere que estas áreas podem influenciar o valor – positivo ou negativo – que será dominante em um conflito emocional através do controle de outras áreas do cérebro”, ela adicionou.

A Dra. Okon-Singer antecipa que a descoberta das áreas do cérebro que nos permite identificar situações e conflitos emocionais agora facilitará pesquisas futuras para examinar porque este mecanismo não funciona apropriadamente em algumas pessoas: “nós esperamos que, ao entender a base neural da interpretação de situações como positiva ou negativa, isso nos ajudará no futuro a compreender os sistemas neurais das populações que tem dificuldades emocionais. Isto nos permitirá desenvolver técnicas terapêuticas para fazer as interpretações entre estas populações mais positivas”, os pesquisadores concluíram.

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How the brain decides if a situation is emotionally negative or positive

O que a Busca de Bem-Estar Significa para o Nosso Cérebro

Em uma das edições de 2016 da Psychotherapy and Psychosomatics, Gregor Hasler, da University of Bern, analisa as implicações neuro-cientificas da busca de bem-estar.

A neurociência psiquiátrica e a psicologia acadêmica são dirigidas por um forte ‘viés de doença’. Sendo assim, para quase todos os tratamentos para prevalentes condições psiquiátricas e psicossomáticas, a maior parte da atenção é dedicada ao estresse e suas consequências. Isto leva a um reforçamento involuntário (mas inevitável) de aspectos negativos da vida. Contudo, pacientes não podem esperar os benefícios de terapias de bem-estar fundamentadas na neurociência chegarem no futuro.

Achados promissores mostram efeitos fortes e duradouros de terapia de bem-estar atualmente disponível para condições psiquiátricas severas tal como o transtorno depressivo maior. Este trabalho encoraja os médicos a implementarem promoção de saúde positiva neste momento em trabalho clínico.

Além disso, ensaios clínicos tem o potencial para comparar vários tipos de métodos de tratamento, incluindo terapias interpessoais, treino de mindfulness, abordagens cognitiva e metacognitiva, modificação de viés cognitivo e psicoterapias orientadas para o afeto, e para identificar marcadores que predizem a resposta individual a intervenções especificas.

Não há dúvidas de que os atuais insights clínicos e experiências agindo em consonância com um entendimento neurobiológico de saúde positiva fornecerá a nós opções de terapia de bem-estar novas e mais efetivas.

O autor conclui: “eu estou confiante de que nosso sistema de sentido, recompensa e prazer é mais poderoso e plástico do que nossos livros acadêmicos jamais  ousaram imaginar”.

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What the pursuit of well-being means for our brain