O texto a seguir foi uma tradução livre do post publicado em inglês na página da ADAA https://adaa.org/finding-help/helping-others/spouse-or-partner
Quase todos os casais tem a sua cota de desafios. Contudo, quando um dos cônjuges tem um transtorno de ansiedade, ambos os parceiros enfrentam um novo conjunto de desafios e outros desafios podem ser exacerbados.
Um estudo da ADAA encontrou que pessoas que tem o transtorno de ansiedade generalizada, ou TAG, foram significativamente menos propensas a considerarem-se “saudáveis e acolhedores” com o cônjuge do que aqueles sem TAG; foram duas vezes mais prováveis a experienciar pelo menos um problema de relacionamento (isto é, entrar em discussões regularmente, evitar participar de atividades sociais) e três vezes mais prováveis de evitar intimidade com o(a) cônjuge. Embora o estudo tenha olhado especificamente para o TAG, muitos destes achados poderiam provavelmente serem aplicados para os outros transtornos de ansiedade também.
Desafios
Ter um transtorno de ansiedade está geralmente associado com um grande sofrimento pessoal, mas pode ser igualmente difícil para as pessoas que são importantes na vida desse indivíduo. Os cônjuges daqueles sofrendo com problemas de ansiedade frequentemente assumem mais do que a normal a parte deles nas responsabilidades domésticas, econômicas, de parentalidade e outras responsabilidades tais como:
- Atividades familiares — rotinas habituais da casa são frequentemente afetadas e planos específicos ou concessões são frequentemente feitos para quem sofre de ansiedade. Um cônjuge frequentemente deve cuidar das responsabilidades familiares, tais como as contas, compras e levar as crianças para atividades. Os parceiros sentem-se sobrecarregados e esgotados.
- Finanças e emprego — Para alguns, os sintomas dos transtornos ansiosos faz com que seja mais difícil conseguir um trabalho ou mantê-lo, o que pode trazer sérias repercussões financeiras. O cônjuge ou parceiro pode tornar-se o único provedor em determinados momentos – frequentemente um papel estressante e um dos parceiros pode não querer estar nessa posição.
- Vida Social — Pessoas com transtornos ansiosos frequentemente evitam atividades sociais rotineiras. Infelizmente, a vida social do parceiro pode também ser atingida, fazendo com que ambos sintam-se isolados.
- Bem-estar emocional — Cônjuges e parceiros podem sentir-se tristes, deprimidos ou assustados (por si mesmos ou por seu cônjuge) ou mesmo com raiva, ressentidos e amargos/rudes na relação com amigos e família. Eles também podem sentir-se culpados por esse sentimento.
Estes desafios podem ser assustadores. É importante perceber que com o tratamento, as pessoas com transtorno de ansiedade podem continuar a levar vidas produtivas, que inclui carreiras bem-sucedidas, vidas sociais agitadas e agendas atribuladas. Tratamento apropriado pode frequentemente ajudar a aliviar muitas questões que contribuem para o estresse do parceiro.
Apoiando o seu cônjuge/parceiro
Você pode ajudar o seu parceiro com a melhoria e recuperação oferecendo apoio e encorajamento. Aqui há algumas dicas que podem ajudar:
- Aprenda sobre o transtorno de ansiedade.
- Encoraje o tratamento.
- Mostre reforçamento positivo de comportamento saudável, ao invés de criticar medos irracionais, evitação ou rituais.
- Tome como medida de progresso a melhora individual e não compare com um padrão absoluto.
- Ajude a estabelecer metas específicas que sejam realistas e possam ser alcançadas com um passo de cada vez.
- Não suponha que você sabe o que o seu parceiro precisa. Pergunte como você pode ajudar. Escute com atenção a resposta.
- Reconheça/Admita que você não entende a experiencia de um ataque de pânico ou outra forma de ansiedade irracional.
- Entenda que pode ser desafiador saber quando ser uma pessoa paciente e quando se deve “dar um empurrão”. Alcançar um equilíbrio apropriado frequentemente requer tentativa e erro.
Recuperação requer um trabalho árduo da parte da pessoa com transtorno de ansiedade e paciência por parte do parceiro e da família. Isso pode parecer um processo lento, mas as recompensas valem muito a pena.
Seu papel no tratamento
Embora a responsabilidade final esteja nas mãos do paciente, você pode desempenhar um papel ativo no tratamento do transtorno ansioso do seu parceiro.
Profissionais de saúde mental estão recomendando cada vez mais tratamento de casal e de família para estes casos. Um profissional de saúde mental pode engajar o parceiro como co-terapeuta. Com treinamento, o parceiro pode ajudar o paciente com o uso das técnicas terapêuticas fora da sessão que são designadas pelo terapeuta. Isto pode envolver acompanhar o paciente em situações que produzem ansiedade e oferecer encorajamento para que a pessoa com transtorno de ansiedade fique na situação usando técnicas de redução de ansiedade. Isto pode também incluir ajudar um parceiro a aderir a um contrato de comportamento desenvolvido com o terapeuta para controlar respostas de ansiedade em situações quando o terapeuta nao está presente. Para algumas pessoas com TOC, isso pode limitar o quão frequentemente o paciente fará o ritual. O parceiro pode ajudar a desencorajar o paciente a repetidamente realizar o ritual e positivamente reforça períodos de tempo sem rituais.
Ajudando a si mesmo
É extremamente importante (e não um ato egoista) para parceiros daqueles que sofrem com um transtorno de ansiedade cuidarem de si mesmos. Algumas ficas podem ajudar a enfrentar o problema:
- Não abra mão de sua própria vida e de seus interesses: envolva-se em seus interesses e hobbies para dar um tempo dos estresses de sua vida diária. Você irá sentir-se mais energizado, feliz, saudável e melhor preparado para enfrentar desafios. Não se consuma pelo transtorno do parceiro.
- Mantenha o sistema de apoio: ter amigos e família com o qual você pode desabafar – assim como podem apoiá-lo emocionante, financeiramente e de outras formas quando o seu cônjuge/parceiro não pode – é vital.
- Estabeleça limites: decida onde estão os seus limites e informe o seu parceiro. Este limite pode ser emocional, financeiro ou físico. Por exemplo, se o seu parceiro não está trabalhando e não está buscando tratamento, participando de grupos de apoio ou fazendo nada para ficar melhor, você pode necessitar discutir suas expectativas e como melhorar a situação. Terapia de casal pode frequentemente ajudar.
- Busque ajuda profissional para si mesmo, se necessário: o processo de recuperação pode ser estressante para pessoas com um parceiro sofrendo de transtorno ansioso. O seu bem-estar é tão importante quanto o do seu parceiro. Se você precisa de alguém para conversar ou se você acha que pode estar sofrendo de sintomas de ansiedade ou depressão, entre em contato com o seu médico ou considere uma consulta com um profissional de saúde mental.
