Combinação de Medicações Oferece Melhores Resultados para Pacientes com TDAH

Três estudos que apareceram na edição de agosto de 2016 da revista científica Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (JAACAP) reportaram que combinar duas medicações-padrão poderia levar a maior melhoras clínicas para crianças com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) do que só a terapia sozinha para TDAH.

Atualmente, estudos mostram que o uso de várias medicações para TDAH resultam em significantes reduções em sintomas de TDAH. Contudo, até agora não há evidência conclusiva que estes tratamentos com droga-padrão também melhoram desfechos acadêmicos, sociais e clínico a longo prazo. A pesquisa sugere que ambos a severidade de sintomas de TDAH e o grau de disfunção cognitiva que permanece (apesar do tratamento), contribui para desfechos mais pobres. Como resultado, tratamentos mais efetivos precisam ser identificados. Um método para identificar tratamentos mais efetivos é incluindo medidas objetivas dos efeitos de tratamentos de TDAH em funcionamento cerebral, que a maioria dos estudos clínicos não fazem. Usar objetivos marcadores biológicos (ou biomarcadores) da resposta dos pacientes aos tratamentos de TDAH poderia substancialmente avançar o conhecimento de mecanismos neurais subjacendo os efeitos de tratamento, ajudando os pesquisadores a entender o por que há diferenças em respostas individuais.

Ao recrutar uma amostra de crianças e adolescentes de 7 a 14 anos de idade com e sem TDAH, um grupo de pesquisadores liderados pelos Drs. James McCracken, Sandra Loo e Robert Bilder, da UCLA Semel Institute, realizaram três estudos interligados, examinando os efeitos de combinação de medicações-padrão em medidas clínicas, cognitiva e de atividade cerebral. Tratamento combinado foi hipotetizado para ser superior às duas medicações-padrão, que são o d-metilfenidato e guanfacina, em ambos desfechos (clínico e cognitivo) e foi esperado mostrar um perfil distinto de efeitos nas atividades de onda cerebral (EEG). Participantes com TDAH foram randomizadamente alocados para oito semanas de tratamento duplo-cego com ou d-metilfenidato ou guanfacina ou uma combinação dos dois.

Resultados clínicos mostraram consistentes benefícios agregados a terapia combinada em relação aos dois tratamentos isolados, especialmente para sintomas de falta de atenção e índices de resposta mais globais. A taxa de boa resposta clínica foi de 62-63% no uso da terapia medicamentosa isolada a 75% na terapia combinada.

Os autores argumentam que os efeitos pequenos mas consistentemente melhores de tratamento do tratamento combinado, podem ter significância a longo-prazo, assim como sintomas menos severos podem levar a melhores desfechos. O funcionamento cognitivo mostrou um padrão ligeiramente diferente. A memória de trabalho melhorou com ambas combinações. Guanfacina, contudo, não mostrou mudança na função de memória de trabalho apesar de melhora na sintomatomalogia do TDAH. Por fim, o estudo de EEG mostrou que apenas a terapia combinada resultou em melhoria nos padrões  de atividade cerebral que estavam associados com sintomas reduzidos de TDAH e melhoria das funções cognitivas. Conjuntamente, os resultados dos três estudos sugerem que a terapia combinada resultou nos melhores desfechos através de vários diferentes domínios de função, incluindo mudança de sintoma de TDAH, desempenho de memória de trabalho e padrões  de atividade cerebral.

“O TDAH é o diagnóstico mais comumente encontrado (dos transtornos neuropsiquiátricos) em crianças, e nós sabemos muito bem os riscos que ele representa para o sucesso do futuro da criança em cada área de funcionamento. Nossos tratamentos atuais claramente beneficiam a maioria das crianças a curto-prazo, mas nós temos ainda que encontrar formas para proteger aquelas com TDAH de sofrerem muitos dos riscos à longo-prazo”, McCracken disse. “Embora nós estejamos encorajados por algumas das vantagens que nós observamos do tratamento combinado, nós temos um longo trajeto a seguir ainda em desenvolvimento para as intervenções para TDAH, como visto pelos efeitos cognitivos mais limitados”.

“Estes dados enfatizam a importância de considerar a cognição como um desfecho importante”, disse Bilder. “No futuro, nós poderemos ser capazes de utilizar múltiplos métodos objetivos, tais como testagem cognitiva e EEG para individualmente otimizar tratamentos, mas mais trabalhos são necessários, incluindo os estudos de tratamento a longo-prazo com comprovação clínica e benefícios cognitivos”, Dr. Loo adicionou. “O uso de medidas biológicas objetivas em diagnóstico e tratamento pode também ajudar a reduzir estigma, aumentar a aceitação do transtorno e, mais acuradamente monitorar a resposta de tratamento para produzir melhores desfechos”.

Baseados nestes achados, os autores concluem que combinar estimulantes com medicações como guanfacina garante melhor resultado mesmo em crianças com TDAH  que se beneficiam de monoterapias. Tratamento combinado, com apropriado monitoramento, foi igualmente bem tolerado e seguro nestes estudos anteriores. Uma maior análise dos efeitos cognitivos de tratamentos é necessária para melhorar desfechos clínicos. Além disso, outras estratégias de tratamento que podem produzir benefícios mais sólidos são necessárias. A medida que a tecnologia avança, os autores esperam que mais medidas objetivas de resposta possam abrir caminho para uma prática de rotina. Mesmo com tais melhorias, a origem de diferenças individuais na resposta ao tratamento de TDAH permanece amplamente desconhecida. Adicionais pesquisas a longo-prazo sobre os benefícios de tratamentos combinados em amostras maiores são necessárias para confirmar estes achados e para mais avanço no cuidado clínico. Se validados, os tratamentos combinados destes ou potencialmente outras combinações têm o potencial para melhorar dramaticamente as vidas de muitos indivíduos com TDAH.

 

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http://www.psypost.org/2016/08/combining-medications-offer-better-results-adhd-patients-44091

Cientistas Descobrem Resposta de Ansiedade Ligada a Áreas Cerebrais de Controle do Movimento

Pesquisadores descobriram que a resposta a ansiedade em adolescentes pode incluir não apenas as partes do cérebro que lidam com as emoções (o sistema límbico), como tem sido acreditado por muito tempo, mas também centros de controle do movimento no cérebro, que pode estar associado com inibição do movimento quando estressado (“congelamento”). Este é um pequeno estudo longitudinal, apresentado na conferência da ECNP, em Viena.

Um grupo de pesquisadores italianos e canadenses fizeram uma seleção de crianças ansiosas sociais e um grupo controle, da infância à adolescência. Os pesquisadores testaram 150 crianças de idades de 8/9 anos, para sinais de inibição social. Alguns destes mostraram ter sinais precoces de ansiedade social e uma tendência aumentada para abster-se de situações sociais. Elas também tiveram mais dificuldade para reconhecer emoções, em particular rostos expressando raiva.

As crianças ansiosas, mais as do grupo controle, foram então acompanhadas até a adolescência. Na faixa etária de 14-15 anos, foram testadas novamente para ver se sinais de ansiedade social tinham desenvolvido. Os pesquisadores também usaram MRI funcional para testar como os cérebros dos adolescentes responderam a expressões faciais de raiva.

A pesquisadora Laura Muzzarelli que faz parte do estudo, disse: “nós encontramos que quando foi apresentada uma cara de raiva, o cérebro de adolescentes socialmente ansiosos mostraram atividade aumentada da amígdala, que é a área do cérebro relativa as emoções, memória e como nós respondemos a ameaças. Curiosamente, nós também encontramos que isto produziu inibição de algumas áreas motoras do cérebro, o córtex pré-motor. Esta é uma área que ‘prepara o corpo para ação’ e para específicos movimentos. Esta é a primeira prova concreta de que emoções fortes produzem uma resposta em áreas do cérebro relativas ao movimento. Adolescentes que não apresentam ansiedade social tendem a não apresentar a inibição nos centros de movimento. Nós ainda não sabemos como esta inibição repercute no movimento – pode ser que isto tenha algo a ver do porquê algumas vezes nós ‘congelamos’ quando estamos assustados ou sob forte estresse emocional, mas isto ainda tem de ser testado. O que ela nos dá é uma possível explicação para algumas inibições motoras associadas com estresse emocional. Nós precisamos reconhecer que há algumas limitações para este trabalho. Nós começamos este estudo de 6 anos com 150 crianças, mas no momento em que chegamos na adolescência, reduzimos a área para apenas 5 crianças com ansiedade social e 5 com ansiedade social menos severa, então é uma amostra pequena”.

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Scientists discover response to anxiety linked to movement control areas in brain

Pesquisa sobre Tratamento de Depressão em Adolescentes

Um estudo publicado na edição de março de 2016 da Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (JAACAP) reporta que adolescentes com depressão maior que desempenharam uma atividade baseada no computador, criada para mudar a atenção de associações de palavras tristes para associações de palavras neutras e para positivas mostrou reduções nos viéses de atenção negativa e sintomas depressivos pontuados pelo médico.

11% dos adolescentes americanos sofrem de Transtorno de Depressão Maior (TDM). Além de enfrentar uma vasta gama de problemas de saúde e psicossociais, estes jovens estão cinco vezes mais em risco para cometerem suicídio do que outros adolescentes sem transtorno psiquiátrico. Uma nova tarefa baseada em computador, chamada de Modificação do Viés Atencional (MVA), criado para deslocar a atenção de estímulos negativos, foi descoberta como sendo útil para reduzir sintomas depressivos.

Um grupo de pesquisadores liderados pela Dra. Wenhui Yang, da Hunan Normal University, examinou os efeitos de curto e longo-prazo das tarefas do MVA em 45 adolescentes com TDM, selecionados de uma população escolar (n= 2731). Os autores hipotetizaram que adolescentes que engajaram-se em treino ativo de MVA reportariam maiores reduções em sintomas depressivos comparados com adolescentes no grupo controle, que fizeram um treinamento placebo.

Adolescentes no grupo MVA ativo completaram oito sessões (22 minutos cada) por um período de duas semanas para mudar sua atenção de palavras tristes para neutras. Nove semanas mais tarde, completaram mais 4 sessões (30 minutos cada) para mudar a sua atenção de palavras neutras para positivas, novamente repartidas por duas semanas. O treinamento com placebo teve as mesmas tarefas, mas mudou a atenção voltada para palavras neutras e tristes também.

Os pesquisadores encontraram maiores reduções em escores de viés de atenção e sintomas depressivos pontuados pelo médico para o grupo MVA ativo comparado com o placebo após o treino inicial de duas semanas. Além disso, um número mais alto de participantes no grupo MVA ativo não mais preencheu critérios diagnósticos para TDM comparado aos participantes no grupo placebo. Após 12 meses, os participantes no grupo MVA ativo reportaram reduções até maiores nos sentimentos auto-reportados de depressão e ansiedade.

Baseado nestes achados, os autores concluíram que MVA pode ser um instrumento potencial de tratamento para depressão maior leve a moderada em adolescentes. Como a maioria da depressão adulta começa durante a adolescência, o treinamento para adolescentes com depressão pode ter efeitos abrangentes através de sua vida inteira.

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Attention bias modification treatment can help depressed teens

Ferramentas para Rastrear Depressão em Crianças e Adolescentes Podem Não Ser Tão Acuradas

Isso é algo importante e deveria ser mais discutido entre os especialistas. É difícil diagnosticar depressão na infância e adolescência e todos os instrumentos disponíveis deveriam trazer um certo “conforto” para o terapeuta e, por conseguinte, para o paciente e sua família. Contudo, parece que não é o que anda acontecendo 😦

O texto a seguir foi resultado de uma tradução livre do seguinte post:

http://www.psypost.org/2016/08/depression-screening-tools-not-accurate-children-adolescents-44109

No Canadá e nos Estados Unidos, os médicos tem cada vez mais sido encorajados a tentar identificar depressão em crianças e adolescentes – mesmo que eles não tenham indicações óbvias da doença. Para poder fazer isso, os médicos frequentemente usam questionários curtos que perguntam sobre sintomas de depressão. Mas, de acordo com uma nova pesquisa, há evidência insuficiente para mostrar que qualquer um destes questionários acuradamente rastreia pessoas de 6 a 18 anos de idade para esta doença. Os pesquisadores acreditam que isto põe em questão o uso destes instrumentos de avaliação para este grupo e levanta preocupações sobre possíveis erros diagnósticos da doença nesta faixa etária.

“Nosso estudo mostra que se o rastreamento de depressão for realizado usando as ferramentas de rastreamento existentes, muitas crianças e adolescentes não-deprimidas seriam erroneamente identificadas como deprimidas”, diz Brett Thombs, que é afiliado do Lady Davis Institute for Medical Research do Jewish General Hospital e faculdade de medicina da McGill University. Ele é o autor sênior de um estudo que foi recentemente publicado no assunto, na revista científica Canadian Journal of Psychiatry.

Para avaliar a qualidade dos instrumentos de rastreamento que estão atualmente sendo usados para identificar depressão em crianças ou adolescentes, os pesquisadores realizaram uma exaustiva pesquisa de evidência médica procurando por estudos que  colocaram as ferramentas de rastreamento em teste. No fim, eles foram capazes de identificar apenas 17 estudos onde os resultados dos testes das ferramentas de rastreamento foram comparadas com os resultados de uma entrevista diagnóstica para determinar se as crianças ou adolescentes no estudo, de fato, tinham depressão.

Thombs e colaboradores, incluindo a autora principal Dra. Michelle Roseman, então avaliaram a metodologia e os resultados destes 17 estudos. Eles encontraram que a maioria dos estudos eram muito pequenos para fazer uma válida conclusão sobre a acurácia das ferramentas de rastreamento e que os métodos da maioria dos estudos estavam longe de padrões esperados. Eles também encontraram que houve inadequada evidência para recomendar qualquer única nota de corte para qualquer um dos questionários (pacientes pontuando acima de notas de corte pré-definidas são considerados propensos a serem deprimidos, enquanto pacientes abaixo da nota de corte não são).

Roseman diz: “Não houve uma única ferramenta com até moderada evidência de suficiente acurácia para efetivamente identificar crianças e adolescentes deprimidos sem também incorretamente pegar muitas crianças e adolescentes não-deprimidos”.

Depressão em crianças é uma condição incapacitante associada com problemas de comportamento e desempenho escolar fraco. Mas rastreamento de rotina para a doença neste grupo etário é controversial. No Reino Unido e Canadá não é recomendado. Por outro lado, o U.S. Preventative Services Task Force recentemente recomendou triagem de rotina em adolescentes entre 13 e 18 anos, mas não de crianças mais novas, como parte de cuidado médico regular.

Thombs acredita que dada a inacurácia de ferramentas atualmente sendo usadas, algumas crianças poderiam terminar sendo rotuladas erroneamente como deprimidas. Isto poderia levar a uma desnecessária prescrição de medicações psiquiátricas potencialmente danosas e mensagens negativas sobre a saúde mental de algumas crianças que não tem transtornos de saúde mental”. Além disso, um montante potencialmente enorme de instrumentos seria necessário para classificar quais crianças podem realmente estar deprimidas. Pesquisas sugerem que relativamente poucos preencheriam os critérios. “Estes recursos, então, não estariam disponíveis para fornecer tratamento para grandes quantidades de crianças e adolescentes que são reconhecidos como tendo severos problemas de saúde mental, mas que não recebem o cuidado adequado”.

Os pesquisadores dizem que para avaliar apropriadamente a acurácia de instrumentos de rastreamento de depressão em crianças,  são necessários estudos grandes e bem desenhados que apresentem resultados através de uma gama de notas de corte.

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