Filhos de Sobreviventes do Holocausto

Os filhos de pessoas traumatizadas têm sido conhecidos por ter um risco aumentado para desenvolver o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e Transtornos de humor e de Ansiedade. Contudo, de acordo com Rachel Yehuda, da James J. Peters Veterans Affairs Medical Center, que é da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, pesquisadora que liderou um estudo publicado na Biological Psychiatry, há muito poucas oportunidades para examinar alterações biológicas no contexto de um trauma em pessoas expostas e seus filhos adultos nascidos após o evento.

Um dos grupos mais intensivamente estudados neste quesito são os filhos de sobreviventes dos campos de concentração nazistas. Do trabalho de Yehuda e outros, tem havido crescente evidência de que grupos de sobreviventes de campo de concentração e seus filhos podem apresentar mudanças em sua regulação epigenética de genes.

A metilação de DNA é uma destas modificações epigenéticas, que regula o funcionamento do genoma através de processos que adicionam ou removem um grupo de metilação para um especifico lugar em DNA, potencialmente afetando transcrição de gene.

Estudos animais têm demonstrado que mudanças epigenéticas de exposição ao estresse podem ser passadas aos seus descendentes. Nesse estudo, Yehuda e colaboradores examinaram estas relações pela primeira vez em humanos, com metilação de FKBP5, um gene relacionado ao estresse que tem sido associado com TEPT e depressão. Os pesquisadores examinaram amostras de sangue de 32 sobreviventes do Holocausto e 22 de seus filhos adultos, e um grupo controle com pares de pais judeus e seus descendentes para metilação de intron 7, uma região especifica dentro do gene FKBP5.

As análises revelaram que tanto os sobreviventes do Holocausto quanto os seus descendentes apresentavam mudanças epigenéticas no mesmo lugar de FKBP5 intron 7, mas na direção oposta; sobreviventes do Holocausto tiveram 10% mais alta metilação do que os pais do grupo controle, enquanto descendentes do Holocausto tiveram 7,7% mais baixa metilação do que os descendentes do grupo controle: “estas observações sugerem que trauma parental é um relevante contribuinte para a descendência biológica”, disse Yehuda.

John Krystal, editor da Biological Psychiatry, notou que “a observação de que as mudanças em pais e filhos estão em direções opostas sugere que filhos de pais traumatizados não nascem simplesmente com uma biologia como o TEPT. Eles podem herdar traços que promovem resiliência assim como vulnerabilidade”. As análises não são capazes de separar a influência de gênero parental. Também foi incapaz de identificar se os efeitos em descendentes resultaram de efeitos de trauma aos gametas parentais ou mudanças ocorrendo ao filho durante a gestação ou pós-natal.

Adversidade na infância é comum em crianças com pais traumatizados e os pesquisadores examinaram se o próprio trauma infantil do descendente desempenharam um papel no efeito observado. “Curiosamente, uma relação entre metilação e relatada adversidade na infância foi observada no descendente, mas em um diferente lugar dentro da mesma região intrônica do gene”, afirmou Yehuda.

De acordo com os autores, seus achados indicam que pode ser possível distinguir mudanças associadas com experiências adversas na infância em descendentes daquelas associadas com trauma em gerações antecedentes, sugerindo a importância para os médicos perguntar sobre trauma parental além do trauma pessoal.

“Este estudo levanta questões importantes sobre a transmissão de traços intergeracionais de pais traumatizados para seus filhos”, disse Krystal. “A observação de que os mesmos genes poderiam ser afetados em pais e filhos sugere que algo especifico, talvez relacionado a resposta ao estresse, está sendo levado de pai para filho”.

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

Trauma’s epigenetic fingerprint observed in children of Holocaust survivors

Garotos Narcisistas e o Bullying na Escola

Estudos passados já apresentaram uma relação positiva entre o narcisismo em jovens e líderes em bullying. Contudo, a maioria das pesquisas passadas apresentam uma ausência de um componente longitudinal; ou seja, estes estudos não seguiram o mesmo grupo de participantes ao longo do tempo.

Em um estudo, publicado no Journal of Abnormal Child Psychology, pesquisadores buscaram encontrar se estudos longitudinais desta relação permitiriam-los distinguir entre os dois tipos de bullying: o direto (físico e verbal) e o indireto (fofoca). Pesquisadores também estavam interessados no papel que o gênero desempenha no narcisismo e bullying; assim, meninos parecem mais propensos a bully do tipo direto, enquanto meninas parecem ser mais propensas ao bully do tipo indireto.

Os pesquisadores recrutaram 393 crianças em escolas primárias nos Países Baixos para participarem do estudo. Destas crianças, 51% eram meninas e todas estavam no quarto ano no inicio do estudo. Todos os participantes permaneceram na mesma turma até o final do estudo. As crianças auto-reportaram seus escores de narcisismo, que foram avaliados pela Childhood Narcissism Scale (CNS). As crianças foram então pedidas para nominarem bullies de sua classe e elas poderiam não nominarem a elas mesmas. As professoras também classificaram os estudantes em seu controle de recursos, significando um nível do estudante de dominância social e habilidade para acessar materiais escassos.

Os resultados deste estudo revelaram diferenças dos estudantes por gênero. Estudantes do sexo feminino não tinham uma associação especifica com o narcisismo e bullying. indivíduos do sexo feminino altamente narcisistas não foram mais propensas a engajarem em nenhum tipo de bullying. Não houve também sobreposição entre alto narcisismo e alto controle de recurso.

Estudantes do sexo masculino foram não apenas mais propensos a causar bully mais do que as estudantes do sexo feminino, mas os estudantes do sexo masculino que pontuaram alto no CNS foram também mais propensos ao bully diretamente e indiretamente. Narcisistas bullies do sexo masculino também tenderam a ser bem-sucedidos em termos de dominância social. Uma razão para bullies narcisistas do sexo masculino mais frequentemente engajarem-se em bullying do tipo indireto pode ser porque eles percebem este tipo de bullying como mais efetivo. O bullying do tipo indireto requer apenas um participante, enquanto o bullying do tipo direto requer mais coordenação com os colegas. Os narcisistas do sexo masculino também pontuaram mais alto em termos de controle de recurso. Contudo, análise aprofundada sugere que o bullying, não o narcisismo, produz/rende-se mais alto do que a média de controle de recurso. Estudantes do sexo masculino que pontuaram alto em bullying mas baixo em narcisismo pontuaram mais alto do que estudantes do sexo masculino que pontuaram baixo em bullying mas mais alto em narcisismo.

Os pesquisadores sugeriram que este estudo pode ser usado como uma estratégia de intervenção para bullies que especificamente atinge o sistema de recompensa do bullying. Bullies podem apenas alcançar dominância e prestigio quando suas ações são reforçadas pelos colegas. Isto pode ser desafiado ao desenvolver estratégias para desencorajar comportamento observado na sala de aula.

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

In the classroom: Narcissistic boys more likely to bully than narcissistic girls

O Cérebro de Agressores Funciona Diferente dos Outros Criminosos

Um estudo pioneiro levou um grupo de pesquisadores da University of Granada, na Espanha, a comparar, pela primeira vez no mundo, o funcionamento cerebral de agressores (contra suas parceiras ou ex-parceiras) com o de outros criminosos quando eles foram expostos a imagens relacionadas a diferentes tipos de violência.

Esta pesquisa, cujos achados acabam de ser publicados na prestigiosa revista cientifica Social Cognitive and Affective Neuroscience, demonstra as diferenças em funcionamento cerebral de agressores em respostas a imagens relacionadas a violência por parte do parceiro (IPV). Este estudo é um dos únicos três estudos no mundo a analisarem o cérebro de agressores usando ressonância magnética funcional.

Especificamente, o estudo realizado pela UGR revelou que os agressores – em comparação a outros criminosos – mostrou uma maior ativação no córtex cingulado anterior e no córtex pré-frontal medial e uma reação menor no córtex pré-frontal superior em resposta a imagens de IPV quando comparado a imagens neutras.

Além disso, a comparação direta de imagens com diferentes conteúdos de violência também corroborou um perfil para especifico de funcionamento cerebral para agressores: houve envolvimento do córtex pré-frontal medial assim como uma forte participação do córtex cingulado posterior e o giro angular esquerdo em respostas a imagens de IPV.

Estes achados podem explicar algumas das alterações psicológicas que agressores descrevem quando encontram sua parceira romântica, tais como estratégias inadaptivas de coping, problemas com regulação de emoção como a manifestada por obsessões sobre sua parceira, humores tais como medo, raiva ou fúria, medo de abandono e súbita instabilidade afetiva na forma de ansiedade.

Miguel Pérez García, da University of Granada e principal coordenador desta pesquisa, tem estado pesquisando por anos o funcionamento cerebral e mental de agressores, assim como seus perfis de reincidência. Na sua opinião, “os resultados destes estudos poderiam ter importantes implicações para o melhor entendimento da violência contra as mulheres, assim como as variáveis que estão relacionadas a reincidência em agressores”.

Os estudos referidos constituem parte de uma ampla área de pesquisa neuropsicológica em IPV. Dentro desta área, a pesquisadora da UGR, Natalia Hidalgo Ruzzante, lidera um projeto em sequelas neuropsicológicas apresentadas em vitimas de IPV do sexo feminino.

“As mulheres que sofreram violência por parte de seu parceiro (ou ex-parceiro) sustentam uma multiplicidade de problemas físicos, psicológicos, neurológicos e cognitivos como consequência do abuso. Estes efeitos negativos podem ser causados pelo dano direto como uma consequência de pancadas na cabeça; mas também como dano indireto ao cérebro através de alterações cerebrais produzidas por sequelas psicológicas (mais notável estresse pós-traumático) e do efeito do cortisol em situações de estresse crônico”, Hidalgo explica.

A maioria das pesquisas existente foca-se nos transtornos físicos e psicológicos, e há muito poucos estudos que tem avaliado como o abuso pode afetar o cérebro de mulheres que sofreram violência por parte do parceiro. Contudo, o pesquisador da UGR indica que parece claro que estas alterações cognitivas ocasionam outras associadas dificuldades em funcionamento social e trabalho nas mulheres afetadas: “uma avaliação neuropsicológica adequate poderia delinear as possíveis alterações cognitivas, emocionais e comportamentais causadas por este dano cerebral. Atualmente, mulheres vítimas de violência não são rotineiramente avaliadas para o diagnostico de potencial deterioração neuropsicológica, e muito menos quando o único precursor está sendo uma vitima de abuso psicológico (e não físico)”, ela explica.

Atualmente, os esforços deste grupo de pesquisa da UGR está focado no desenvolvimento de baterias para avaliação cognitiva e programas específicos de reabilitação para sequelas neuropsicológicas em vitimas de violência do sexo feminino.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

The brain of male batterers functions differently than that of other criminals

Pais que Usam Carinho ao Invés de Bater Fomentam Maior Competência Social nos Filhos

Pais deveriam continuar a evitar bater e usar técnicas parentais positivas, tal como o carinho, para criar comportamentos positivos em seus filhos, de acordo com um estudo recente publicado online em abril de 2016 , na Journal of Marriage and Family.

Décadas de pesquisa encontraram ligações entre o uso do bater por parte dos pais e uma aumentada probabilidade de desfechos negativos para crianças, tal como comportamento antisocial. Acredita-se que bater aumenta o comportamento antisocial porque ele modela agressão e não ensina as crianças o porquê o comportamento delas foi errado ou quais comportamentos alternativos são apropriados.

Apesar dos desfechos infantis negativos associados com o bater, muitos acadêmicos tem defendido o bater como uma forma efetiva de disciplina e uma significativa proporção de pais americanos regularmente usam o bater para disciplinar as crianças. Além disso, pouca atenção tem sido dada para buscar se o bater promove comportamentos infantis desejáveis.

Em contraste com o bater, o carinho maternal inclui comportamentos tais como afeição, reforço positivo e responsividade verbal para a criança. Estes comportamentos têm sido mostrados como promovedores de uma criação de confiança e reciprocidade entre pais e filhos e o desenvolvimento da competência social da criança. Ainda, o carinho maternal tem sido associado com menos comportamentos oposicionais na criança, melhor auto-regulação da criança e menos problemas de comportamentos infantis.

O estudo,  realizado por Inna Altschul (University of Denver), Shawna Lee (University of Michigan) e Elizabeth Gershoff (University of Texas), investigou se bater ou fazer carinho predisse a mudança em comportamentos agressivos e socialmente competente em crianças pequenas ao longo do tempo.

O estudo usou informação de 3.279 famílias com crianças pequenas que participaram em um estudo longitudinal de famílias urbanas. Ele avaliou o uso de bater e o carinho maternal das mães, e subsequentemente o comportamento agressivo e competência social do filho. Fatores de risco psicossociais, sócio-econômicos e características demográficas, assim como características da criança, foram também controlados.

Os resultados revelaram que bater predisse agressão na criança, mas não estava sendo associado com competência social das crianças. Em contraste, o carinho maternal predisse uma maior competência social da criança mas não estava associado com agressão. O carinho foi um preditor significativamente mais forte de competência social das crianças do que o bater.

Os pesquisadores concluíram que: “estes achados indicam que os pais deveriam continuar a evitar bater e, ao invés, usar técnicas parentais positivas tal como carinho, para fomentar os comportamentos positivos em seus filhos”. Eles também sugerem que “mesmo se os pais usam ambos (o bater e o carinho), os benefícios do carinho com relação a competência social das crianças pode ser abalada pela aumentada agressão da criança associada com o bater”.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Parents who use warmth instead of spanking foster greater social competence in their children