Estudo Fornece um Novo Insight na Ligação entre Depressão Maternal e Obesidade na Infância

Uma nova pesquisa ajuda a elucidar como a depressão maternal pode contribuir para o peso infantil não-saudável.  O estudo, publicado na revista científica Appetite, indica que depressão em mães pode estar ligado tanto a mais quanto a menos em relação ao peso infantil, dependendo das circunstâncias: “meu trabalho anterior mostrou que há muitos efeitos negativos da depressão maternal em um desenvolvimento social e emocional da criança”, disse a autora do estudo, Karen McCurdy, professora de desenvolvimento humano e estudos de familia, da University of Rhode Island.

“À medida em que minha equipe e eu começamos a focar-nos em precursores para a obesidade infantil, notamos que muitos estudos não consideraram a depressão maternal como um fator potencial. Esta omissão levou o nosso interesse a explorar se a depressão maternal influenciou o ambiente familiar de forma que contribuiriam para crianças estarem acima do peso, com uma base de dados grande e longitudinal”.

Os pesquisadores examinaram dados de 1.130 mães e seus filhos que participaram no Infant Feeding Practices Study II. O estudo longitudinal entrevistou  mulheres em final de gravidez até o primeiro ano de vida da criança delas. Um estudo de seguimento conduzido seis anos mais tarde coletou informações sobre a dieta e história médica da criança: “nós encontramos que sintomas depressivos maternos precoces (dois meses de pós-parto) predisse o peso da criança na idade de seis, primariamente através de suas associações com aspectos específicos  do ambiente familiar. Por exemplo, mães com sintomas depressivos precoces eram mais propensas a terem sintomas depressivos seis anos mais tarde”, disse McCurdy.

“Por sua vez, sintomas depressivos estavam associados a percepções parentais que a criança comeria muito mais se fosse permitido e, com menos horas de sono durante a noite por parte da criança. Ambos estes comportamentos diretamente predisseram crianças mais pesadas na idade de seis anos”.

“Nós também identificamos que há dois fatores associados com peso infantil mais baixo na idade de seis. Primeiro,  pressionar uma criança a comer o suficiente, na verdade correlacionou-se com reduzido peso infantil, embora não estivesse associado com depressão maternal. Por fim, sintomas depressivos maternais precoces também tinham um direto caminho para o peso infantil. Embora um pequeno resultado, maiores sintomas depressivos precoces correlacionaram-se com menor peso quando a criança tinha seis”, McCurdy explicou.

O estudo — assim como todas as pesquisas — inclui algumas ressalvas: “embora estes achados sugiram que depressão maternal justifica maior atenção em esforços para entender e endereçar a obesidade infantil, algumas limitações para o estudo precisam ser mantidas em mente. Como as medidas de práticas parentais, comportamento alimentar infantil e peso infantil foram todos coletados quando a criança tinha seis e nós não podemos descartar que o peso da criança influenciou estes aspectos do ambiente familiar”, McCurdy disse.

“Além disso, houve um espaço de seis anos entre a mensuração de sintomas depressivos maternais precoces e tardios. Para melhor entender as complexas associações entre depressão maternal e peso infantil, estudos que incluem frequentes e repetidas avaliações   de depressão maternal e o ambiente familiar são necessários”.

“Depressão maternal é um condição ampla, mas tratável. Avaliação repetida e precoce de saúde mental maternal, com encaminhamento para opções de tratamento quando necessário, pode ser um passo necessário para aumentar a efetividade de programas de prevenção de obesidade infantil”, McCurdy adicionou.

O estudo, “Pathways between maternal depression, the family environment, and child BMI z scores“, foi autorado por Karen McCurdy, Alison Tovar, Jill L. Kaar e Maya Vadiveloo.

 

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

https://www.psypost.org/2019/02/study-provides-new-insight-into-the-link-between-maternal-depression-and-childhood-obesity-53112

Autocompaixão Para quem Sofre de Dor Crônica

Uma pesquisa sugere que o desenvolvimento de uma atitude gentil, preocupada e acolhedora frente a si mesmo pode ajudar aqueles sofrendo com dor crônica. O estudo, publicado na revista científica Journal of Clinical Psychology, encontrou que pessoas com níveis mais altos de autocompaixão tendiam a ser mais capazes de “continuar com a questão de viver apesar de experienciar dor, que estava ligada a níveis mais baixos de sintomas depressivos: “este estudo, em particular, é parte de um estudo maior, que busca melhor entender o papel da autocompaixão e sua interação com outros processos psicológicos em dor crônica”, explicou o autor do estudo, Sérgio A. Carvalho, da Universidade de Coimbra, em Portugal.

“O interesse em autocompaixão no contexto de dor crônica tem crescido recentemente na psicologia clínica e comportamental. Há diversas razões para isso. A mais óbvia e, na verdade, não especifica para dor crônica, é que há crescente evidência que autocompaixão (como traço, assim como a prática mais formal dela) está associada com menos sofrimento psicológico (ou seja, menos ansiedade, menos depressão) e mais qualidade de vida”.

“É hipotetizado que tanto mindfulness quanto autocompaixão resultam em aceitação, mas autocompaixão adiciona a ela uma motivação para ação, uma motivação para aliviar o sofrimento de uma pessoa em uma forma gentil e suavizante, que mindfulness não necessariamente faz. Isto é bastante discutível e definitivamente um diálogo permanente”.

“Embora haja acumuladas pesquisas sugerindo que aceitar a dor é um relevante aspecto no manejo de dor crônica, a aceitação da dor é um aspecto cognitivo (disposição para experienciá-la) assim como um aspecto comportamental (continuar a agir como eu pretendia, apesar de experienciar dor). E isto seria uma oportunidade bastante apropriada para testar a hipótese de que autocompaixão, mas não mindfulness, é orientada comportamentalmente”.

O estudo, com uma amostra de 231 mulheres portuguesas com dor crônica musculoesquelética encontrou que tanto a atenção consciente quanto a autocompaixão estavam negativamente associadas com sintomas depressivos. Em outras palavras, mulheres mais que usavam mais o mindfulness e a autocompaixão tenderam a reportar níveis mais baixos de sintomas depressivos.

“Os resultados sugerem que ser capaz de ser gentil e acolhedor(a) em direção a si mesmo(a) — ao invés de ser duro(a), crítico(a), envergonhado(a), etc — quando enfrentam dificuldades, está relacionado a ter menos sintomas depressivos em dor crônica. Isto sugere que uma pessoa sofrendo de dor crônica pode muito bem beneficiar-se da prática de exercícios que aumentem a capacidade para ser gentil e acolhedora para lidar com as dificuldades de sua doença crônica”, disse Carvalho.

Mulheres que pontuaram alto na medida de  mindfulness discordaram de afirmações, tais como “eu acho difícil ficar focada no que está acontecendo no presente” e “eu me vejo fazendo coisas sem prestar atenção”, enquanto que aquelas que pontuaram alto na medida de autocompaixão concordaram com afirmações tais como: “eu tento ser compreensiva e paciente frente a estes aspectos de minha personalidade que eu não gosto” e “eu tento ver minhas falhas como parte da condição humana”.

Os pesquisadores encontraram que autocompaixão — mas não mindfulness — estava associada com estar disposta a engajar-se em atividades agregadoras apesar da dor, que por sua vez, estava associada com menos sintomas depressivos.

“Também, parece que o aspecto positivo da autocompaixão que relaciona-se com a pessoa ter menos  depressão tem a ver com a inclinação dela para a ação. Em outras palavras, parece que ser gentil consigo mesma em períodos conturbados pode levar a uma melhor capacidade para continuar a seguir adiante e engajar-se em atividades agregadoras, apesar da dor, que por sua vez, está relacionado a ter menos sintomas depressivos. Estas relações não foram influenciadas pelos níveis de intensidade de dor dos participantes, uma vez que isto foi controlado estatisticamente”, Carvalho explicou.

Mas o estudo — como todas as pesquisas — inclui algumas limitações: “é bastante importante ter em mente que estes resultados não são definitivos devido a metodologia usada. Nós temos que entender que quando se conduz uma pesquisa psicológica através de auto-relato, nossa pesquisa é tão boa quanto nossos instrumentos. E ainda há  discussões em curso acerca da medida de mindfulness e autocompaixão, em parte (mas não apenas) por causa da conceitualização destes fenômenos que estão ainda em desenvolvimento”, Carvalho disse.

“Quanto ao nosso estudo em particular, nós usamos um instrumento para medir mindfulness que é, na verdade, medida de um aspecto bastante especifico de  mindfulness: atenção consciente. Contudo, mindfulness pode ser conceitualizado de uma forma muito maior, incluindo diferentes domínios que vão além de processos atencionais (por exemplo, não-reatividade, não-julgamento).”

“Também, este é um desenho transversal padrão, então é impróprio pegar estes resultados e extrair relações causais entre variáveis. Nós demos uma pequena contribuição para entender estas relações, mas há questões que ainda precisam ser respondidas. Nós precisamos melhor entender sobre os fundamentos fisiológicos da autocompaixão pois parece haver um crescente interesse na relação entre autocompaixão e atividade parassimpática”, Carvalho continuou.

“Além disso, há ainda uma ausência de pesquisa de alta qualidade em intervenções psicológicas baseadas na compaixão para manejo de dor cronica,  particularmente em ensaios clínicos randomizados. Assim, há ainda muito para aprender sobre autocompaixão na dor crônica. Mas as pesquisas já publicadas são encorajadoras”.

“Esta pesquisa é parte dos meus estudos do doutorado e nós começaremos nosso ensaio clínico do grupo de intervenção baseado em mindfulness e em compaixão para mulheres com dor crônica em janeiro de 2019. Se os leitores estiverem interessados nesta linha de pesquisa, por favor, visitem o nosso website: (https://cineicc.uc.pt), onde pode-se encontrar todas as pesquisas realizadas pela nossa equipe e por colegas”, Carvalho adicionou.

O estudo, “Mindfulness, selfcompassion, and depressive symptoms in chronic pain: The role of pain acceptance“, foi autoradio por Sérgio A. Carvalho, David Gillanders, Lara Palmeira, José Pinto‐Gouveia e Paula Castilho.

 

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Texto originalmente publicado em inglês, no Psypost:

https://www.psypost.org/2018/12/self-compassion-in-chronic-pain-sufferers-linked-to-a-better-capacity-to-continue-engaging-in-valued-activities-52775

Imigrantes São Menos Propensos a Apresentar Transtornos Mentais em Comparação a Indivíduos Nascidos nos EUA

Uma nova pesquisa fornece evidência de que imigrantes que vivem nos EUA são muito menos propensos, quando comparados a indivíduos nascidos nos EUA, a experienciar uma série de transtornos psiquiátricos. O estudo apareceu na revista científica Psychiatry Research: “ao longo dos últimos anos, eu e meus colegas conduzimos mais de duas dezenas de estudos nacionais focados na saúde e bem-estar de imigrantes nos Estados Unidos”, disse o autor do estudo, Christopher P. Salas-Wright, da Boston University.

“Pesquisa com imigrantes é absolutamente importante à medida em que os Estados Unidos é lar para um número muito grande de imigrantes – atualmente, há aproximadamente 40 milhões de indivíduos nascidos no estrangeiro e que vivem nos EUA. Uma a cada quatro pessoas nos EUA é imigrante ou é filho(a) de um(a) imigrante.

“Imigração é esperada ser responsável pela maioria do crescimento populacional ao longo dos próximos 30 anos e tornou-se uma questão polêmica no nosso discurso nacional. Prestar atenção a saúde mental de imigrantes, em particular, é importante porque nós sabemos que ajustar a vida em um novo contexto e cultura pode ser bastante estressante”.

Para o estudo, os pesquisadores analisaram dados da National Epidemiologic Survey on Alcohol and Related Conditions (2012–2013), um estudo representativo a nível nacional de 36.309 adultos nos Estados Unidos.  Junto com entrevistas psiquiátricas estruturadas e presenciais, a pesquisa também perguntou aos seus participantes sobre seu status imigratório.

Os pesquisadores encontraram que imigrantes estavam significantemente menos propensos a preencher os critérios para uma ansiedade, depressão e transtornos relacionados a trauma. Os achados fornecem suporte para a hipótese de imigrantes saudáveis: “este estudo fornece clara evidência de que, apesar dos estresses de imigração e adaptação a vida em um novo país,  imigrantes são muito menos propensos a ter problemas de saúde mental comparados a pessoas nascidas nos Estados Unidos”, disse Salas-Wright. “Este foi o caso de  imigrantes da África, Ásia, Europa e América Latina, assim como de países campeões de enviar imigrantes tais como México, China, India e El Salvador. Nós também encontramos que imigrantes foram muito menos propensos a reportar que as mães e pais deles tiveram problemas com ansiedade ou depressão”.

“Nós defendemos que isto é mais provável porque imigração não é aleatória – pelo contrário, pessoas que são  motivadas e capazes de qualquer coisa para começar uma nova vida em um país estrangeiro são mais propensas a ser fisicamente e psicologicamente saudáveis comparadas a aquelas que não imigraram”.

“Há muito apoio a esta idéia e estudiosos até cunharam um termo para isso: o efeito do imigrante saudável. A noção básica aqui é a de que a auto-seleção é uma característica fundamental de imigração e que aqueles que optam pela imigração tendem a ser parte de um subgrupo exclusivamente  extenso e saudável”.

O estudo controlou para os efeitos confundidores principais de sociodemografia e história psiquiátrica  parental. Os pesquisadores também encontraram que o risco para os problemas psiquiátricos eram o mais baixo entre aqueles que imigraram para os Estados Unidos após a idade de 12 anos: “embora os nossos resultados fossem bastante nítidos, nós encontramos uma  importante exceção: indivíduos que imigraram durante a infância (11 anos ou mais novo) foram, em média, nem mais e nem menos propensos do que pessoas nascidas nos EUA a ter  problemas de saúde mental quando adultos”, explicou Salas-Wright.

“Isto é um padrão similar que nós temos visto com  outros desfechos – como uso de substância e obesidade – onde aqueles que imigraram quando crianças tendem a mais estreitamente assemelhar-se a pessoas nascidas nos EUA do que aqueles que imigram mais tarde”.

“Estudiosos ainda estão tentando apontar exatamente porque isto é o caso, mas há várias possibilidades. Uma é que pessoas que imigram quando crianças tendem a assumir muitos dos costumes e valores de seu novo país mais rápido do que aqueles que imigram quando adolescentes ou adultos”, disse Salas-Wright. “Pode ser que, ao ‘tornar-se mais americano’ em como eles pensam e agem, imigrantes também chegam a mais estreitamente assemelhar-se a indivíduos nascidos nos EUA em termos de risco de saúde mental”.

“É também bastante possível que aqueles que imigraram quando crianças são mais propensos a ser negativamente impactado por bullying, discriminação e outros estressores relacionados a imigração que podem  colocá-los em risco para problemas de saúde mental  como depressão e ansiedade”.

Os novos achados  encaixam-se com as pesquisas anteriores: “Nossos achados para saúde mental entre imigrantes são bastante similares ao que nós temos visto para outros problemas de saúde e comportamentais”. declarou Salas-Wright. “Ou seja, o que nós aprendemos sobre a saúde mental dos imigrantes corresponde a outros estudos mostrando que, comparado a pessoas nascidas nos EUA, imigrantes são substancialmente menos propensos a: abuso de álcool e outras drogas, cometer crimes e incitar violência, além de ter comportamentos arriscados ou perigosos em geral”.

“Embora alguns imigrantes certamente tenham problemas de saúde mental e de comportamento, um grande e crescente número de estudos deixa claro que  imigrantes são muito menos propensos a ter tais problemas do que aqueles nascidos nos EUA”.

O estudo, “Immigrants and mental disorders in the united states: New evidence on the healthy migrant hypothesis“, foi autorado por Christopher P. Salas-Wright, Michael G. Vaughn, Trenette C. Goings, Daniel P. Miller e Seth J. Schwartz.

 

 

Originalmente publicado em inglês no Psypost:

https://www.psypost.org/2018/07/immigrants-are-less-likely-than-us-born-individuals-to-experience-mental-disorders-51734

Uma Noite Mal Dormida Pode Estar Ligada a Pensamentos Suicidas no Dia Seguinte em Pessoas com Depressão

Um novo estudo com pessoas com depressão e pensamentos suicidas indica que má qualidade de sono está relacionada a pensamentos suicidas. Os achados apareceram na revista científica Psychological Medicine: “pensamentos suicidas resultam de uma gama complexa de múltiplos fatores diferentes. Nesta pesquisa, nós escolhemos olhar especificamente para o papel da perturbação do sono, porque isso constitui um fator de risco ‘modificável’ para tentativas e pensamentos suicidas”, disse a autora do estudo, Donna Littlewood, da University of Manchester.

“Contudo, a maioria das pesquisas nesta área tem usado estudos transversais e medidas subjetivas e que não podem falar sobre a relação temporal entre distúrbio do sono e pensamentos suicidas. Além disso, tanto o sono quanto os pensamentos suicidas variam através de curtos períodos de tempo. Portanto, nós procuramos examinar as relações noite-para-dia e dia-para-noite entre distúrbio do sono e pensamentos suicidas”.

No estudo, 51 indivíduos usaram actigraph, que são relógios que monitoraram o tempo total de sono, eficiência do sono e latência do sono, por uma semana. Eles também mantiveram um “diário de sono” e avaliações de seus pensamentos suicidas. Os pesquisadores encontraram que sono de curta duração e má qualidade de sono, ambos predizeram mais alta severidade de ideação suicida no dia seguinte, mesmo após controlar por severidade de sintomas de ansiedade e depressão: “contudo, pensamentos suicidas não predizerem problemas de sono na noite seguinte”, Littlewood falou.

O estudo, assim como todas as pesquisas, é limitado: “este foi um estudo observacional de pessoas que estavam atualmente experienciando depressão e pensamentos suicidas. Portanto, estes achados não implicam uma relação causal entre distúrbio do sono e o desenvolvimento de pensamentos suicidas”, Littlewood explicou.

Os achados enfatizam o papel importante do sono, especialmente entre pessoas experienciando ideação suicida: “o sono é extremamente importante para nosso bem-estar físico e mental. Durante o sono, nossos corpos  recuperam-se do esforço físico e mental do dia”, disse Littlewood.

“Distúrbio do sono é comum entre pessoas com problemas de saúde mental. Contudo, o sono pode ser tratado efetivamente usando tratamentos farmacológicos e intervenções psicológicas, tais como Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para insônia. Este estudo destaca que os médicos deveriam oferecer tratamento para melhorar qualidade de sono e duração de sono ao trabalharem com pessoas que experienciam pensamentos suicidas”.

O estudo, “Short sleep duration and poor sleep quality predict next-day suicidal ideation: an ecological momentary assessment study“, foi autorado por Donna L. Littlewood, Simon D. Kyle, Lesley-Anne Carter, Sarah Peters, Daniel Pratt e Patricia Gooding.

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Originalmente publicado em inglês no Psypost:

https://www.psypost.org/2018/06/bad-nights-sleep-linked-suicidal-thoughts-following-day-people-depression-51389

Mudar os Padrões Do Seu Pensamento é a Chave Para Superar a Insônia

Terapia baseada em Mindfulness e Terapia Cognitiva são igualmente efetivas para combater insônia, de acordo com uma nova pesquisa australiana. O estudo, publicado na revista cientifica Behaviour Change, também enfatiza os mecanismos cognitivos latentes que levam a recuperar-se de noites insones: “insônia é comum e traz consigo uma alta carga da doença e entender como nossos tratamentos mais efetivos funcionam é uma importante prioridade para outros aprimoramentos e para melhorá-los”, explicou a autora do estudo, Melissa J. Ree, da Marian Centre and Sleep Matters.

“Uma a cada três pessoas tem dificuldade regularmente com o seu sono e aproximadamente 10% da população adulta sofre do transtorno clínico de insônia (American Psychiatric Association, 2013). É difícil viver com o problema de insônia e ele aumenta o risco de problemas de saúde física, transtornos de humor, acidentes, má qualidade de vida, além de apresentar redução de desempenho ocupacional.

“Infelizmente, a maioria das pessoas com insônia que buscam ajuda apenas recebem pílulas para dormir, que nós conhecemos não é a melhor solução a longo-prazo. Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é o tratamento recomendado. Melhor entendimento de como e porque estes tratamentos mais efetivos funcionam ajudarão a melhorá-los. Quais são os processos-chave que precisam mudar para tratar insônia?”, disse Ree.

“Por muitos anos, a TCC para insônia (TCC-I) tem sido recomendada como primeira linha de tratamento – aproximadamente 75% das pessoas com insônia respondem bem. Nós sabemos que, a longo-prazo, esta é uma abordagem mais efetiva do que medicação. Pesquisa mais recente tem sugerido que abordagens baseadas em mindfulness são também tratamentos efetivos para insônia.

“Neste estudo, nós comparamos terapia baseada em mindfulness (que envolve meditação, aceitação e não-submissão a pensamentos ansiosos ou frustração) e terapia cognitiva (que envolve aprender como mudar padrões de pensamento disfuncionais e crenças sobre dormir em pensamentos e crenças mais produtivas e úteis)”, disse Ree.

47 participantes receberam quatro sessões de TCC para insônia antes de serem randomicamente alocados para quatro sessões de TCC ou quatro sessões de terapia baseada em mindfulness.

Os pesquisadores encontraram que ambos os tratamentos foram igualmente efetivos. Embora a terapia baseada em mindfulness não tenha diretamente endereçado pensamentos disfuncionais, ainda apareceu mudar para melhor os padrões de pensamentos dos participantes.

“Curiosamente, para os tratamentos serem efetivos, o conteúdo de pensamentos e crenças das pessoas precisaram mudar – quanto mais mudança em como pessoas pensavam sobre o seu sono, melhor era a resposta delas ao tratamento”, Ree explicou.

“Por exemplo, uma pessoa que acredita que não pode “funcionar” sem as oito horas de sono toda noite será mais propensa a preocupar-se sobre seu sono, e esta preocupação pode fazer com que o sono piore – a crença sobre o sono é uma profecia auto-realizadora”.

“Além disso, elas podem mudar como manejam o dia após uma má noite de sono –  podem usar cafeína extra e cancelar reuniões, atividade física, etc. Estas escolhas podem também impactar pobremente em sono a noite seguinte”, Ree disse. “Em contrapartida, uma pessoa que acredita que ela lidará OK será menos propensa a preocuprar-se e mais provável ter um sono bom”.

“Em essência, parece que aprender a como preocupar-se menos sobre o sono é util em pessoas com insônia e isto pode ser alcançado através de TCC ou terapia baseada em mindfulness”.

Mas o estudo, assim como todas as pesquisas, inclui algumas limitações: “seria útil replicar este estudo com uma amostra maior e olhar para a mudança em pensamentos e crenças em um tratamento puramente comportamental”, disse Ree.

O estudo, “Effective Insomnia Treatments: Investigation of Processes in Mindfulness and Cognitive Therapy“, foi autorado por Christopher William Lee, Melissa J. Ree e Mei Yin Wong.

 

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Originalmente publicado em inglês no Psypost:

https://www.psypost.org/2018/07/changing-your-thought-patterns-is-key-to-overcoming-insomnia-according-to-new-psychology-research-51865

Terapia Cognitivo-Comportamental e SSRIs Para Depressão: Ambos Melhoram a Qualidade de Vida

Uma pesquisa publicada em 2018 encontrou que tratamentos para depressão não apenas reduzem os sintomas, mas também estão associados com moderadas melhorias em qualidade de vida.

O estudo, publicado na revista cientifica Cognitive Behaviour Therapy, examinou os dois tratamentos principais para depressão — a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (SSRIs): “tratamentos contemporâneos estão grandemente focados na redução de sintomas e redução do sofrimento”, explicou Stefan G. Hofmann, da Boston University, o autor do estudo. “Embora isto seja uma meta imediata, um tratamento também necessitaria melhorar a qualidade de vida do paciente para ser efetivo a longo prazo. A terapia não deveria também fazer você sentir-se menos miserável; ela deveria também fazer você sentir-se melhor”.

Usando uma técnica estatística conhecida como metanálise, os pesquisadores examinaram dados de 6.255 pacientes que participaram de estudos passados examinando TCC e tratamento com SSRI. Eles encontraram que a qualidade de vida melhorou significativamente após o uso de ambos os tratamentos (TCC e SSRIs) para depressão: “em geral, TCC e farmacoterapia (tratamento com SSRI), que são os dois mais comuns tratamentos para depressão, são ambos moderadamente efetivos para melhorar a qualidade de vida a curto prazo (de antes para imediatamente após o tratamento), mas provavelmente por causa de um mecanismo diferente”, Hofmann disse a PsyPost.

“O mecanismo pode ser diferente porque a melhoria na qualidade de vida estava associada com a melhoria do sintoma apenas em pacientes que receberam que receberam o tratamento com TCC, mas não naqueles que receberam SSRIs. As melhorias na qualidade de vida permaneceram relativamente estáveis para TCC, mas não há dados suficientes para dizer sobre o efeito a longo prazo do SSRIs. Estes resultados sugerem que nossos tratamentos existentes precisam ser melhorados para mudar para melhor a vida das pessoas”.

TCC individual, em grupo e pela internet para depressão tiveram efeitos similares em qualidade de vida.

Contudo, os pesquisadores foram incapazes de comparar diretamente o TCC com SSRIs por causa das questões metodológicas com os estudos anteriores. Embora ambos os tratamentos pareceram ter efeitos similares em qualidade de vida, os pesquisadores foram forçados a não concluir que eles foram igualmente efetivos.

Qualidade de vida refere-se ao bem-estar geral de um indivíduo, mas Hofmann disse que o conceito pode ser difícil para se avaliar cientificamente: “a principal ressalva é a forma como a qualidade de vida é avaliada. Nós usamos amplamente medidas padrão de auto-avaliação. Contudo, o próprio construto (QoL) é bastante difícil para definir e até mais difícil para mensurar”, ele explicou.

“Afeto positivo e felicidade está relacionado a este construto”, Hofmann adicionou. “Estudos futuros são necessários para se desenvolver especificamente tratamentos que melhorem estes aspectos. Minha equipe de pesquisa tem feito isso, através do uso de estratégias de mindfulness e bondade amorosa e meditação da compaixão no tratamento para aumentar o efeito positivo. Os resultados têm sido bastante promissores. Ver: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26136807.”

O estudo: “Effect of treatments for depression on quality of life: a meta-analysis“, foi também co-autorado por Joshua Curtiss, Joseph K. Carpenter e Shelley Kind. Foi publicado online em abril de 2017.

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

http://www.psypost.org/2017/06/study-cognitive-behavioral-therapy-ssris-depression-improve-quality-life-49126

Infecções estão Associadas Com Risco Aumentado de Subsequente Transtornos Mentais em Crianças e Adolescentes

Infecções durante a infância estão ligadas a riscos elevados para o desenvolvimento de transtornos mentais, de acordo com uma pesquisa publicada na JAMA Psychiatry“a etiologia de transtornos mentais é bastante desconhecida e vários estudos têm indicado que o sistema imune pode desempenhar um papel em, pelo menos, um subgrupo de indivíduos com transtornos mentais”, disse o autor do estudo, Ole Köhler-Forsberg, da Aarhus University.

Os pesquisadores usaram registros nacionais dinamarqueses para investigar a relação  entre infecções tratadas desde o nascimento e subsequente risco de transtornos mentais na infância e adolescência (mas não idade adulta). O estudo incluiu 1.098,930 indivíduos nascidos na Dinamarca entre os anos de 1995 e 2012.

O estudo mostrou que crianças que tinham sido hospitalizadas com uma infecção tiveram um risco aumentado de 84% de sofrer um transtorno mental. Crianças que não foram hospitalizadas — mas cujas infecções tinham sido tratadas com medicação — tiveram um risco aumentado de 40%.

Transtornos do espectro da esquizofrenia, transtorno obsessivo- compulsivo (TOC), transtornos de personalidade e comportamento, retardo mental, transtorno do espectro do autismo, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), transtorno oposicional desafiante e transtorno de conduta, assim como os transtornos de tique, estavam associados com os riscos mais altos após infecções: “as correlações temporais entre a infecção e os diagnósticos mentais foram particularmente importantes, à medida em que nós observamos que o risco de um transtorno mental recentemente ocorrido estava aumentado em 5.66 vezes nos primeiros três meses após contato com um hospital devido a uma infecção e também estavam aumentados mais do que dobro no primeiro ano”, disse o diretor da pesquisa, Dr. Michael Eriksen Benrós, da Psychiatric Centre Copenhagen, na Copenhagen University Hospital.

“Esta é uma outra prova mostrando que o cérebro e o corpo estão firmemente conectados. Além disso, nossos achados indicam que as infecções e o sistema imune podem desempenhar um papel no desenvolvimento de transtornos mentais entre alguns indivíduos. Se e como as infecções especificas pode levar a um transtorno mental precisa ser investigado em estudos clínicos e pré-clínicos”, disse Köhler-Forsberg.

“Nós esperamos que os nossos achados contribuam para um melhor entendimento da complexa interação entre o sistema imune periférico e o sistema nervoso central (SNC). Claramente, o SNC está ligado ao resto do corpo em uma conexão íntima. Além disso, nós esperamos que nossos achados encorajem um foco maior em uma ampla e detalhada avaliação somática de crianças e adolescentes com transtornos mentais. Alguns problemas de saúde mental podem ser causados por agentes infecciosos, mas  também, é importante tratar doenças somáticas entre pacientes com transtorno mental, à medida em que um adequado tratamento somático pode ter um impacto positivo no transtorno mental também”, adicionou Köhler-Forsberg.

Mas os pesquisadores notaram que vários fatores confundidores precisam ser considerados ao interpretar o estudo. Embora infecções possam diretamente ou indiretamente contribuir para transtornos mentais, é também possível que infecções estejam relacionadas a particulares fatores genéticos ou sócio-econômico, que por sua vez, estão associados com transtornos mentais.

O estudo, “A Nationwide Study in Denmark of the Association Between Treated Infections and the Subsequent Risk of Treated Mental Disorders in Children and Adolescents“, foi autorado por Ole Köhler-Forsberg, Liselotte Petersen,Christiane Gasse, Preben B. Mortensen, Soren Dalsgaard, Robert H. Yolken, Ole Mors e Michael E. Benros.

O texto foi originalmente publicado em inglês na psypost: https://www.psypost.org/2019/01/infections-are-associated-with-increased-risk-of-subsequent-mental-disorders-in-children-and-adolescents-52897

Estudo de Neuroimagem Revela Anormalidades Cerebrais Ligadas a Tentativas de Suicídio

Uma pesquisa da área de neurosciência, publicada no The American Journal of Psychiatry, encontrou algumas anormalidades no cérebro que estão associadas com tentativas de suicidio naqueles indivíduos com transtorno bipolar: “suicidio é a principal causa de morte em adolescentes e adultos jovens. Nós estudamos adolescentes e adultos jovens com transtorno bipolar e como o risco para suicidio é especialmente alto”, explicou a autora do estudo, Hilary Blumberg, médical e professora de Psiquiatria da Yale School of Medicine.

O estudo usou ressonância magnética e MRS de tensor de difusão para comparar as estruturas do cérebro de 26 participantes com transtorno bipolar que tinham uma prévia tentativa de suicidio com as de 42 participantes com transtorno bipolar sem uma tentativa de suicidio.

Os pesquisadores encontraram diferenças entre os dois grupos no sistema neural fronto límbico.

Os pesquisadores encontraram que pessoas que tentaram o suicidio tinham volumes reduzidos de substância cinzenta em certas áreas do cérebro, particularmente no córtex órbito frontal direito e hipocampo e cerebelo bilateral. Pessoas que tentaram o suicídio também tinham diminuida integridade de substância branca no fascículo uncinado, ventral frontal e regiões do cerebelo direito e diminuida conectividade funcional entre a amigdala e as regiões pré-frontal ventral esquerda e rostral direita.

Os achados sugerem que regiões do cérebro associadas com o processamento e regulação de informação emocional estavam afetadas entre os participantes que tinham tentado o suicidio: “o estudo é importante já que identificou diferenças no circuito cerebral em adolescentes e adultos jovens com transtorno bipolar que tinham histórico de tentativas”, Blumberg disse ao PsyPost. “Esta nova informação é fundamental para entender as diferenças cerebrais que subjazem tentativas de suicidio e nosso próximo passo na pesquisa é para desenvolver novas estratégias para identificar individuos em alto risco para prevenir suicídio”.

A pesquisa ajuda a identificar anormalidades cerebrais associadas com tentativas de suicídio, mas futuros estudos beneficiariam-se de amostras maiores e metodologias longitudinais: “as causas de suicidio são complexas”, Blumberg remarked. “Estudos como este fornece importantes peças do quebra-cabeça e as peças do quebra-cabeça estão começando a juntar-se. Pesquisadores no campo vêem um grande avanço, mas há ainda muito trabalho a ser feito. Eu estou bastante esperançoso de que nós brevemente teremos novas formas para prevenir suicidio”.

O estudo: “Multimodal Neuroimaging of Frontolimbic Structure and Function Associated With Suicide Attempts in Adolescents and Young Adults With Bipolar Disorder“, foi também co-autorado por Jennifer A.Y. Johnston, Fei Wang,Jie Liu, Benjamin N. Blond, Amanda Wallace, Jiacheng Liu, Linda Spencer, Elizabeth T. Cox Lippard, Kirstin L. Purves, Angeli Landeros-Weisenberger, Eric Hermes, Brian Pittman, Sheng Zhang, Robert King, Andrés Martin e Maria A. Oquendo.

 

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http://www.psypost.org/2017/09/neuroimaging-study-uncovers-brain-abnormalities-linked-suicide-attempts-49688

O Que Causa a Sonolência Quando Ficamos Doentes?

É bastante conhecido que humanos e outros animais ficam fatigados e sonolentos quando doentes. E é uma lombriga microscópica que está fornecendo uma explicação de como isso ocorre, de acordo com um estudo de pesquisadores da Perelman School of Medicine, da University of Pennsylvania. Um estudo publicado na eLife revela o mecanismo para esta sonolência.

Trabalhando com o sistema nervoso simples da minhoca, mostrou-se como uma única célula nervosa chamada ALA coordena a resposta ampla do organismo a uma enfermidade. Durante a enfermidade, as células estão sob estresse e os organismos experienciam sonolência para promover o sono e recuperar-se do estresse celular. Na minhoca, esta sonolência é causada pela liberação do neurônio ALA do FLP-13 e outros neuropeptídeos, um grupo de substâncias químicas que enviam sinais entre os neurônios cerebrais: “dormir é vitalmente importante para ajudar tanto pessoas quanto animais a se recuperarem durante uma enfermidade”, disse o autor David M. Raizen, MD, PhD, professor de Neurologia e membro do Center for Sleep and Circadian Neurobiology. “Similar sinalização pode funcionar em humanos e outros animais para regular o sono durante uma enfermidade. Estes achados criam uma plataforma de lançamento em direção a pesquisas futuras para os mecanismos de sonolência induzida em enfermidades em humanos e outros organismos”.

Estes achados revelam que o FLP-13 causa sono ao diminuir a atividade nas células do sistema nervoso que ajuda a manter um organismo acordado. Pesquisadores examinaram mutações genéticas para determinar quais genes causam as minhocas caírem no sono quando o FLP-13 é liberado. Isto revelou que minhocas com mutações que causam a elas uma ausência de um proteína receptora chamado DMSR-1 nas superfícies da célula não se tornam sonolentas em resposta ao FLP-13. Isto indica que o DMSR-1 é essencial para o FLP-13 desencadear sonolência.

Os próximos experimentos visarão se a sonolência induzida por uma enfermidade em humanos e outros mamíferos é desencadeada via um mecanismo similar. Se isso ocorrer, esta pesquisa pode ser um passo crucial para o desenvolvimento de medicações para tratar fadiga humana associada com sonolência e outras condições.

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Esquizofrenia Poderia Aumentar Diretamente o Risco de Diabetes

Pessoas com esquizofrenia de inicio precoce estão em um risco aumentado de desenvolver diabetes, mesmo quando os efeitos de medicações anti-psicóticas, dieta e exercício são deixadas fora da equação, de acordo com uma análise feita por pesquisadores da King’s College London.

A esquizofrenia é conhecida por estar associada com uma reduzida expectativa de vida de até 30 anos. Isto é amplamente devido a transtornos de saúde física tais como ataque cardíaco ou derrame, para a qual a diabetes tipo 2 é um grande fator de risco.

Pessoas com esquizofrenia são 3x mais propensas a ter diabetes do que a população em geral, algo que tinha sido previamente atribuído a alimentação e hábitos de exercício pobres neste grupo, assim como o uso de medicação anti-psicótica.

Publicado no JAMA Psychiatry, este novo estudo examinou se o risco a diabetes já está presente em pessoas no surgimento da esquizofrenia, antes que os antipsicóticos tenham sido prescritos e antes de um período prolongado de doença que pode estar associado com hábitos pobres de estilo de vida (tais como dieta pobre e comportamento sedentário).

Os pesquisadores agruparam dados de 16 estudos incluindo 731 pacientes com um primeiro episódio de esquizofrenia e 614 pessoas da população em geral. Eles analisaram exames de sangue destes estudos e encontraram que pacientes com esquizofrenia mostraram risco maior de desenvolver diabetes tipo 2 comparada com controles saudáveis.

Especificamente, os pacientes tinham níveis mais altos de açúcar no sangue em jejum, que é um indicador clínico de risco de diabetes. Quanto mais alta a glicose no seu sangue, maior probabilidade você tem de ter diabetes, já que o corpo não pode eficientemente eliminar glicose em células onde ela possa ser usada como combustível.

Eles também descobriram que comparados com controles saudáveis, os pacientes com primeiro surto de esquizofrenia tinham níveis mais altos de insulina e níveis aumentados de resistência a insulina, novamente apoiando a noção de que este grupo está em um risco maior de desenvolver diabetes.

Estes resultados permaneceram significativos mesmo quando as análises foram restritas a estudos onde pacientes e controles foram equiparados pela ingestão alimentar, o montante de exercício regular no qual estavam engajados e, em origem étnica. Isto sugere que os resultados não foram inteiramente conduzidos por diferenças em fatores de estilo de vida ou etnia entre os dois grupos e pode, portanto, apontar na direção de um papel direto da esquizofrenia em aumentar o risco de diabetes.

Os pesquisadores enfatizaram vários fatores que poderiam aumentar a probabilidade de desenvolver ambas as condições, incluindo compartilhados riscos genéticos e evidência de compartilhados fatores de risco de desenvolvimento, tal como nascimento prematuro e baixo peso ao nascer. É também pensado que o estresse está associado com desenvolver esquizofrenia, que vê níveis do cortisol, o hormônio do estresse aumentar e, pode também contribuir para um risco mais alto de diabetes.

O Dr. Toby Pillinger, autor do estudo, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia & Neurociência do King’s College London, disse: ‘a disparidade de mortalidade entre pessoas com esquizofrenia e a população em geral está crescendo e há uma necessidade por novas abordagens para parar esta tendência, Nosso estudo enfatiza a importância de considerar a saúde física para o surgimento de esquizofrenia e pedir por uma abordagem mais holística para seu manejo, combinando cuidados de saúde física e mental”.

‘Nossos achados nos dizem que pessoas com esquizofrenia de inicio precoce já tinham começado o caminho para desenvolver diabetes, mesmo se elas não tinham sido ainda diagnosticadas com diabetes’.

O Dr. Pillinger adicionou: ‘dado que algumas medicações anti-psicóticas podem aumentar o risco de diabetes depois, os médicos tem a responsabilidade de selecionar um antipsicótico apropriado para uma dose apropriada. Nossos resultados também sugerem que deveria ser dada melhor educação aos pacientes acerca de alimentação e exercício físico, monitorando e, onde apropriado, mudanças iniciais de estilo de vida e tratamentos para combater o risco de diabetes’.

O professor Oliver Howes, também autor do estudo, do King’s College London, disse: ‘estes achados são um alerta de que nós precisamos repensar a relação entre diabetes e esquizofrenia e começar a prevenção logo no surgimento da esquizofrenia. É um caso de pensar mente e corpo desde o início’.

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