Uma nova pesquisa fornece evidência de que imigrantes que vivem nos EUA são muito menos propensos, quando comparados a indivíduos nascidos nos EUA, a experienciar uma série de transtornos psiquiátricos. O estudo apareceu na revista científica Psychiatry Research: “ao longo dos últimos anos, eu e meus colegas conduzimos mais de duas dezenas de estudos nacionais focados na saúde e bem-estar de imigrantes nos Estados Unidos”, disse o autor do estudo, Christopher P. Salas-Wright, da Boston University.
“Pesquisa com imigrantes é absolutamente importante à medida em que os Estados Unidos é lar para um número muito grande de imigrantes – atualmente, há aproximadamente 40 milhões de indivíduos nascidos no estrangeiro e que vivem nos EUA. Uma a cada quatro pessoas nos EUA é imigrante ou é filho(a) de um(a) imigrante.
“Imigração é esperada ser responsável pela maioria do crescimento populacional ao longo dos próximos 30 anos e tornou-se uma questão polêmica no nosso discurso nacional. Prestar atenção a saúde mental de imigrantes, em particular, é importante porque nós sabemos que ajustar a vida em um novo contexto e cultura pode ser bastante estressante”.
Para o estudo, os pesquisadores analisaram dados da National Epidemiologic Survey on Alcohol and Related Conditions (2012–2013), um estudo representativo a nível nacional de 36.309 adultos nos Estados Unidos. Junto com entrevistas psiquiátricas estruturadas e presenciais, a pesquisa também perguntou aos seus participantes sobre seu status imigratório.
Os pesquisadores encontraram que imigrantes estavam significantemente menos propensos a preencher os critérios para uma ansiedade, depressão e transtornos relacionados a trauma. Os achados fornecem suporte para a hipótese de imigrantes saudáveis: “este estudo fornece clara evidência de que, apesar dos estresses de imigração e adaptação a vida em um novo país, imigrantes são muito menos propensos a ter problemas de saúde mental comparados a pessoas nascidas nos Estados Unidos”, disse Salas-Wright. “Este foi o caso de imigrantes da África, Ásia, Europa e América Latina, assim como de países campeões de enviar imigrantes tais como México, China, India e El Salvador. Nós também encontramos que imigrantes foram muito menos propensos a reportar que as mães e pais deles tiveram problemas com ansiedade ou depressão”.
“Nós defendemos que isto é mais provável porque imigração não é aleatória – pelo contrário, pessoas que são motivadas e capazes de qualquer coisa para começar uma nova vida em um país estrangeiro são mais propensas a ser fisicamente e psicologicamente saudáveis comparadas a aquelas que não imigraram”.
“Há muito apoio a esta idéia e estudiosos até cunharam um termo para isso: o efeito do imigrante saudável. A noção básica aqui é a de que a auto-seleção é uma característica fundamental de imigração e que aqueles que optam pela imigração tendem a ser parte de um subgrupo exclusivamente extenso e saudável”.
O estudo controlou para os efeitos confundidores principais de sociodemografia e história psiquiátrica parental. Os pesquisadores também encontraram que o risco para os problemas psiquiátricos eram o mais baixo entre aqueles que imigraram para os Estados Unidos após a idade de 12 anos: “embora os nossos resultados fossem bastante nítidos, nós encontramos uma importante exceção: indivíduos que imigraram durante a infância (11 anos ou mais novo) foram, em média, nem mais e nem menos propensos do que pessoas nascidas nos EUA a ter problemas de saúde mental quando adultos”, explicou Salas-Wright.
“Isto é um padrão similar que nós temos visto com outros desfechos – como uso de substância e obesidade – onde aqueles que imigraram quando crianças tendem a mais estreitamente assemelhar-se a pessoas nascidas nos EUA do que aqueles que imigram mais tarde”.
“Estudiosos ainda estão tentando apontar exatamente porque isto é o caso, mas há várias possibilidades. Uma é que pessoas que imigram quando crianças tendem a assumir muitos dos costumes e valores de seu novo país mais rápido do que aqueles que imigram quando adolescentes ou adultos”, disse Salas-Wright. “Pode ser que, ao ‘tornar-se mais americano’ em como eles pensam e agem, imigrantes também chegam a mais estreitamente assemelhar-se a indivíduos nascidos nos EUA em termos de risco de saúde mental”.
“É também bastante possível que aqueles que imigraram quando crianças são mais propensos a ser negativamente impactado por bullying, discriminação e outros estressores relacionados a imigração que podem colocá-los em risco para problemas de saúde mental como depressão e ansiedade”.
Os novos achados encaixam-se com as pesquisas anteriores: “Nossos achados para saúde mental entre imigrantes são bastante similares ao que nós temos visto para outros problemas de saúde e comportamentais”. declarou Salas-Wright. “Ou seja, o que nós aprendemos sobre a saúde mental dos imigrantes corresponde a outros estudos mostrando que, comparado a pessoas nascidas nos EUA, imigrantes são substancialmente menos propensos a: abuso de álcool e outras drogas, cometer crimes e incitar violência, além de ter comportamentos arriscados ou perigosos em geral”.
“Embora alguns imigrantes certamente tenham problemas de saúde mental e de comportamento, um grande e crescente número de estudos deixa claro que imigrantes são muito menos propensos a ter tais problemas do que aqueles nascidos nos EUA”.
O estudo, “Immigrants and mental disorders in the united states: New evidence on the healthy migrant hypothesis“, foi autorado por Christopher P. Salas-Wright, Michael G. Vaughn, Trenette C. Goings, Daniel P. Miller e Seth J. Schwartz.
Originalmente publicado em inglês no Psypost:
https://www.psypost.org/2018/07/immigrants-are-less-likely-than-us-born-individuals-to-experience-mental-disorders-51734