Por Que Algumas Pessoas são Mais Apegadas aos seus Telefones do que Outras?

Todo mundo conhece alguém que fica desnorteado quando o telefone deixa de funcionar por 1 minuto (por qualquer que seja o motivo). Eu conheço, pelo menos, umas cinco pessoas 🙂 Agora, a questão é: por que algumas pessoas são tão apegadas aos seus aparelhos e outras não estão nem aí para eles? Com certeza, isto pode estar relacionado ao tipo de personalidade do indivíduo e as pesquisas estão aí para descobrir mais sobre este tipo de comportamento.

O texto abaixo foi uma tradução livre de um post em inglês:

Why are some people more attached to their phones than others?

Vamos ao post!

Algumas pessoas frequentemente checam e re-checam seus telefones celulares; uma vez que o impulso é engatilhado, isso pode ser mais uma questão de não ser capaz de deixar o aparelho de lado do que de fato esperar ganhar algum tipo de recompensa dele. Estes insights são delineados de um estudo dos psicólogos Henry Wilmer e Jason Chein da Temple University nos EUA e foi publicado na Psychonomic Bulletin & Review. Estes achados esclarecem as razões do porque algumas pessoas são tão apegadas aos seus smartphones e tecnologia mobile, enquanto outras são menos.

Um melhor entendimento do impacto dos smartphones e uso da tecnologia móvel é necessário para avaliar os problemas potenciais associados com uso pesado. Embora estes aparelhos eletrônicos estejam desempenhando um papel cada vez mais difundido em nossas atividades diárias, pouca pesquisa tem sido feita sobre uma possível associação entre comportamento de uso e específicos traços e processos mentais. Então, Wilmer e Chein buscaram determinar se pessoas que reportam uso mais pesado de tecnologia móvel podem também ter tendências diferentes em atrasar gratificação do que outros ou podem exibir diferenças individuais no controle do impulso e na resposta à recompensas.

91 estudantes universitários completaram uma bateria de questionários e testes cognitivos. Eles indicaram quanto tempo passavam usando seus telefones para fins de mídia social, para postar updates de status público e/ou para simplesmente checar seus aparelhos. Cada tendência do estudante para atrasar gratificação em favor de recompensas tardias maiores (o tal chamado preferência intertemporal) foram também avaliadas. Foi dada a eles escolhas hipotéticas entre uma soma menor de dinheiro oferecido imediatamente ou uma soma maior a ser recebida tempo depois. Participantes também completaram tarefas que avaliaram a habilidade deles para controlar seus impulsos. Por fim, as tendências dos participantes a buscar estímulos para recompensa foram também avaliadas.

Os resultados fornecem evidência de que pessoas que constantemente checam e usam seus aparelhos portáteis o dia inteiro são menos aptas a atrasar gratificação.

“Hábitos de tecnologia móvel, tais como checar frequentemente, parecem ser guiados mais fortemente por impulsos descontrolados e não pelo desejo para buscar recompensas”, diz Wilmer, que adiciona que os achados fornecem evidência correlacional que aumentou o uso de  aparelhos eletrônicos portáteis está associado com controle de impulso fraco e uma tendência a atrasadas recompensas desvalorizadas.

“Os achados fornecem importantes insights acerca dos fatores de diferença individual que relaciona-se com o engajamento tecnológico”, acrescenta Chein. “Estes achados são consistentes com a percepção comum que uso frequente de smartphone anda de mãos dadas com impaciência e impulsividade”.

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Workaholismo e Suas Consequências na Saúde Mental do Indivíduo

Quem aqui não conhece alguém que é workaholic? O trabalho enobrece o homem, mas tudo o que é demais NÃO É BOM. E é isso o que os pesquisadores foram atrás de descobrir: quais os efeitos do workaholismo na vida de um indívíduo.

O texto a seguir é uma tradução livre deste texto em inglês:

http://www.psypost.org/2016/05/workaholism-frequently-co-occurs-adhd-ocd-anxiety-depression-43064

Vamos ao post!

Pesquisadores da University of Bergen na Noruega examinaram as associações entre workaholismo e transtornos psiquiátricos entre 16,426 trabalhadores adultos.

Workaholics pontuaram mais alto em todos os sintomas psiquiátricos do que os não-workaholics”, disse a pesquisadora e psicóloga clínica Cecilie Schou Andreassen, do departamento de Ciência Psicosocial, da University of Bergen (UiB).

O estudo mostrou que workaholics pontuaram mais alto em todos os sintomas psiquiátricos do que os não-workaholics. Entre workaholics, os principais achados foram esses:

  • 32,7% preencheram critérios para TDAH (12,7% entre não-workaholics).
  • 25,6% preencheram critérios para TOC (8,7% entre não-workaholics).
  • 33,8% preencheram critérios para ansiedade (11,9% entre não-workaholics).
  • 8,9% preencheram critérios para depressão (2,6% entre não-workaholics).

“Assim, levar o trabalho ao extremo pode ser um sinal de questões emocionais ou psicológicas mais profundas. Permanece incerto se isto reflete sobreposição a vulnerabilidades genéticas, transtornos levando ao workaholismo ou, de modo inverso, o workaholismo causando tais transtornos”, diz Schou Andreassen.

O pioneiro estudo, publicado na revista cientifica PLOS One, tem como co-autores, os pesquisadores da Nottingham Trent University e Yale University.

De acordo com Schou Andreassen, os achados claramente destacam a importância de promover investigações de variações neurobiológicas relacionadas a comportamento workaholic.

“Enquanto esperam por mais pesquisas, os médicos não deveriam tomar por certo que um workaholic aparentemente bem-sucedido não tem TDAH relacionado ou outros aspectos clínicos. Suas considerações afetam a identificação e o tratamento destes transtornos”, afirma Schou Andreassen.

Os pesquisadores usaram sete critérios válidos quando estavam estabelecendo limites entre comportamento de adição e não-adição.

Experiências ocorrendo através do último ano são pontuados de 1 (nunca) a 5 (sempre):

  • Você pensa em como pode disponibilizar mais tempo para trabalhar.
  • Você passa muito mais tempo trabalhando do que inicialmente pretendia.
  • Você trabalha para reduzir sentimentos de culpa, ansiedade, desamparo ou depressão.
  • As outras pessoas disseram a você para diminuir o rítmo de trabalho mas você não deu ouvidos.
  • Você fica estressado se é proibido de trabalhar.
  • Você não prioriza hobbies, atividades de lazer e/ou exercício por causa do trabalho.
  • Você trabalha tanto que isso tem influenciado negativamente a sua saúde.

É preciso pontuar 4 (frequentemente) ou 5 (sempre) em quatro ou mais critérios para identificar um workaholic.

Conformemente, a Bergen Work Addiction Scale operacionaliza workaholismo usando os mesmos sintomas como vícios costumeiros: saliência, modificação do humor, conflito, tolerância, retraimento, recaída e problemas.

Em conformidade com pesquisas anteriores, 7.8% da amostra em vigor classificada como workaholics está perto de uma estimativa (8,3%) encontrada em um estudo (e, até a data, único) nacionalmente representativo, que foi conduzido por Dr. Andreassen e colaboradores em 2014.

 

 

Crenças Extremas Frequentemente são Confundidas com Insanidade

É quase sempre assim: algo terrível acontece e muita gente justifica tais atos como sendo produto de um pessoa acometida por uma doença mental. O texto abaixo vem tratar exatamente disso: como classificar os casos onde o sujeito cometeu um ato tenebroso, mas não preenche os critérios para uma psicose, por exemplo.

O texto foi escrito primariamente em inglês e eu fiz a tradução livre dele. O link do texto em inglês é este: http://www.psypost.org/2016/05/extreme-beliefs-often-mistaken-insanity-new-study-finds-43007

Vamos ao post!

Após ações violentas, tal como massacres, muitas pessoas supõem que doença mental é a causa. Após estudar o caso do assassino Anders Breivik no massacre norueguês em 2011, os pesquisadores da University of Missouri School of Medicine estão sugerindo um novo termo forense para classificar comportamentos não-psicóticos que levam a atos criminosos de violência.

“Quando este tipo de tragédia ocorre, nós questionamos a razão por detrás dela”, disse Tahir Rahman, M.D., professor assistente de psiquiatria na MU School of Medicine e autor principal do estudo. “Algumas vezes, as pessoas pensam que ações violentas devem ser o subproduto de doença mental psicótica, mas isto não é sempre o caso. Nosso estudo do caso de Breivik foi idealizado para explicar o quanto as crenças extremas podem ser confundidas por psicose e para sugerir um novo termo legal que claramente define este comportamento”.

Breivik, um terrorista norueguês, matou 77 pessoas em 22 de julho de 2011, em um carro-bomba em Oslo e um massacre em um acampamento de jovens na ilha de Utøya, na Noruega. Alegando ser um “templário” e um “salvador do cristianismo”, Breivik afirmou que o propósito dos ataques era salvar a Europa do multiculturalismo.

Duas equipes de psiquiatras forenses apontados por um tribunal examinaram Breivik. A primeira equipe psiquiátrica diagnosticou-o com esquizofrenia paranóide. Contudo, após muitas críticas, uma segunda equipe concluiu que Breivik não era psicótico e o diagnosticou com transtorno de personalidade narcisista. Breivik foi sentenciado a 21 anos de prisão.

“Breivik acreditava que matar pessoas inocentes era justificável, isso que parece irracional e psicótico”, disse Rahman, que também conduz avaliações psiquiátricas forenses mas não estava envolvido com o caso de Breivik. “Contudo, algumas pessoas sem doença mental psicótica acreditam tanto em suas crenças que eles tomam medidas extremas. Guias clínicos atuais, tal como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, oferece vagas descrições de razões alternativas para o qual uma pessoa possa cometer tais crimes. Nosso termo sugerido para comportamento criminalmente violento quando a psicose pode ser excluída é ‘extrema crença sobrevalorada”.

Rahman define “extrema crença sobrevalorada” como uma crença que é compartilhada pelos outros e frequentemente apreciada, amplificada e defendida pelo acusado. O indivíduo tem um intenso comprometimento emocional para com a crença e pode agir violentamente como o resultado dessa crença. Embora o indivíduo possa sofrer de outras formas de doença mental, a crença e as ações associadas com ela não são o resultado de insanidade.

“Nos tribunais de justiça, não há claramente definido os métodos padrões de diagnóstico para insanidade para propósitos legais”, Rahman afirmou. “Este novo termo ajudará psiquiatras forenses a identificar apropriadamente o motivo para o comportamento criminal do réu quando sanidade é questionada”.

Rahman disse que mais pesquisas em extrema crença sobrevalorada são necessárias para entender como elas se desenvolvem. Identificar aqueles em risco dará a profissionais de saúde mental uma oportunidade para intervir antes que o comportamento violento ocorra.

“Certos fatores psicológicos podem deixar as pessoas mais vulneráveis para desenvolver crenças dominantes e amplificadas”, Rahman atestou. “Entretanto, a amplificação de crenças sobre questões tais como imigração, religião, aborto ou política também pode ocorrer através da internet, interações com pequenos grupos de pessoas ou obediência a  figuras  de autoridade que são carismáticas. Nós já alertamos nossos jovens sobre o perigo do álcool, drogas, gravidez na adolescência e o fumo. Nós precisamos acrescentar o risco de desenvolver extrema crença sobrevalorada nessa lista assim como trabalharmos para reduzir a violência frequentemente associada com elas”.

O estudo, “Anders Breivik: Extreme Beliefs Mistaken for Psychosis”, foi publicado recentemente no The Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law.

Narcisista Tolera Mais Outro Narcisista?

Mais uma tradução livre de um texto trazendo informações de uma pesquisa.

Segue o texto:

Narcisistas podem ser menos repelidos por outros narcisistas, um estudo recente publicado na Personality and Social Psychology Bulletin sugere.

Dado o quão desafiante pode ser uma amizade com um narcisista (neste caso, narcisista grandioso, não aqueles descritos como narcisistas vulneráveis), pesquisadores estavam interessados em examinar: quem gosta de sair com um narcisista?  O autor principal do estudo, Ulrike MaaB, e seus colaboradores investigaram para responder se amigos de narcisistas compartilhavam traços narcisistas similares.

As características-chave de narcisismo incluem um senso de direito de posse, arrogância, auto importância inflada e ausência de empatia; relações interpessoais são imensamente impactadas por tais necessidades narcisisticas.

Enquanto na superfície pode parecer que os narcisistas são auto-confiantes e equilibrados, na realidade, um narcisista experiencia uma carga de auto-conceitos negativos, resultando em uma necessidade exagerada para auto-aceitação. Para alcançar esta auto-aceitação, um narcisista manipulará e se engajará em excessiva auto-promoção, geralmente alienando os outros.

Para medir traços de personalidade, o modelo dos cinco grande fatores (“Big Five“) – (extroversão, socialização, abertura para novas experiências, realização e neuroticismo) foi usado, enquanto vários instrumentos de avaliação foram usados para medir narcisismo e traços associados.

Três traços ameaçadores: narcisismo, maquiavelismo e psicopatologia, compreende a Tríade Negra (“Dark Triad”) de personalidade; cada um destes construtos foram medidos pelo Inventário de Personalidade Narcisistica (Narcissistic Personality Inventory),  a escala de maquiavelismo (Machiavellianism Scale) e a Self-Report Psychopathy Scale–III, respectivamente.

Um total de 290 pares de amigos participaram do estudo e cada participante respondeu as avaliações do Big Five e Dark Triad. Os resultados do Big Five (escore geral e escores de domínio) indicaram que amigos tinham graus comparáveis de narcisismo, demonstrando que similaridades em narcisismo segue similaridades no perfil do Big Five, implicando que “narcisistas de uma mesma plumagem andam juntos”.

Achados adicionais encontraram uma conexão com maquiavelismo, psicopatologia e resultados do Big Five (em escores gerais e escores dos domínios de neuroticismo, socialização e realização; não foi apresentado conexão para os domínios de  abertura para experiência e experiência).

Quais conclusões podem ser tiradas deste estudo? Essencialmente, traços narcisísticos em outros são confortáveis para um narcisista, com uma tolerância para traços baseada no compartilhamento de similaridades. Estas similaridades também desempenham um papel nas necessidades auto-regulatórias de narcisistas ou como narcisistas são motivados a mascarar um latente auto-conceito pobre. Enquanto aqueles sem traços narcisisticos, tais como auto-promoção ou desvalorizando os outros, encontram pouca atração nestes traços, “dois narcisistas que são melhores amigos provavelmente não ameaçarão um o ego do outro”.

 

Segue o link em inglês: http://www.psypost.org/2016/03/hangs-narcissist-narcissists-41524