A ‘drunkorexia’ é uma Transtorno Alimentar ou um Transtorno Mental Relacionado ao Uso de Substâncias Psicoativas?

Uma nova tendência de comportamento pode estar ligada aos transtornos alimentares e transtornos mentais relacionados ao uso de substâncias psicoativas, dizem os cientistas.

“Drunkorexia” é um padrão comportamental de repetidamente jejuar ou tomar laxativos/vomitar (purging) para compensar pelo montante de calorias consumidas durante o episódio de compulsão periódica para beber. Também conhecida como Comportamento Compensatório Inapropriado para evitar ganho de peso do consumo de álcool (ICB-WGA), o comportamento tem sido observado em vários campus universitários.

Um novo estudo publicado na Eating Disorder Behaviors examinou a ligação entre o ICB-WGA e outros padrões comportamentais desordenados. Os pesquisadores também estavam interessados em determinar se o gênero desempenha um papel nesta ligação. O estudo é primeiro deste tipo: “nenhum estudo prévio tinha testado se o ICB-WGA está mais fortemente relacionado ao uso de substância ou comer de forma desordenada, que pode ter futuras implicações para campos de pesquisa em transtorno alimentar e abuso de substância”, disse Tyler K. Hunt, pesquisador principal do projeto. A equipe avaliou 579 estudantes universitários em uma grande universidade do centro-oeste – 53% dos participantes eram mulheres e 47% eram homens. Os participantes realizaram uma série de avaliações listadas abaixo:

Eating Pathology Symptoms Inventory (EPSI): este questionário é usado para a extensão para o qual os participantes tem engajado-se em vários comportamentos relacionados ao comer dentro das duas últimas semanas. Ele contem declarações como: “eu pulo 2 refeições seguidas”.

Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT): este instrumento contem questões que avaliam comportamentos desordenados de ingestão de álcool. Alguns exemplos de questões são: “com que frequência durante o ultimo ano você descobriu que não era capaz de parar uma vez que você começou a beber?” e “você ou alguma outra pessoa foi ferida como resultado do seu hábito de beber?”.

ICG-WGA questionnaire: este questionário, desenvolvido por uma equipe de pesquisadores, inclui cinco declarações elaboradas para avaliar o quanto os participantes tinham engajado-se em comportamentos compensatórios e episódio de compulsão periódica para beber dentro das duas últimas semanas. As declarações incluem: “eu pulei uma refeição para compensar as calorias do álcool” e “eu engajei-me em intenso exercício para compensar pelas calorias consumidas durante  a ingestão de álcool”.

Os resultados determinaram que estudantes que engajaram-se em certos comportamentos alimentares desordenados foram propensos a também engajarem-se em ICB-WGA. Os mais comuns comportamentos ligados foram pular refeições, episódio de compulsão periódica, exercício excessivo e purgação. Os resultados também mostraram uma forte ligação entre o abuso de álcool e ICB-WGA, indicando que o padrão de comportamento compartilha propriedades de ambos os tipos de comportamentos desordenados.

Os cientistas encontraram resultados similares entre homens e mulheres – ambos os sexos foram propensos a engajarem-se em comportamentos alimentares desordenados e episódio de compulsão periódica para beber. Homens foram mais propensos a reportarem engajamento em episódio de compulsão periódica sob a influência de álcool, enquanto mulheres foram mais propensas a reportar pular refeições e exercício excessivo.

Os resultados podem ter importantes implicações para futuras pesquisas e tratamento.

“Estes indivíduos podem estar em risco para desenvolvimento futuro de ambos: problemas alimentares e transtornos de substância”, afirmou Hunt. “Nossos achados enfatizam a necessidade de pesquisas futuras para identificar o potencial curso a longo prazo e desfecho de ICB-WGA e desenvolver programas de prevenção secundária para reduzir a probabilidade do desenvolvimento de ICB-WGA em problemas alimentares e transtornos mentais relacionados ao uso de substâncias psicoativas”.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Is ‘drunkorexia’ an eating disorder or substance use disorder?

As Drogas Psicodélicas Podem Ser Usadas Para Tratar Transtorno Mental?

Uma revisão de literatura foi realizada para responder a esta pergunta. Quer saber a resposta? Leia o texto abaixo 😉

O texto a seguir foi resultado de uma tradução livre do seguinte post:

http://www.psypost.org/2016/06/can-psychedelic-drugs-used-treatment-mental-illness-43509

Drogas psicodélicas tais como LSD (dietilamida do ácido lisérgico), psilocibina e ketamina tem sido redescobertas por pesquisadores em neurociência e psiquiatria. Uma recente revisão na revista científica Journal of Psychopharmacology destaca os distintos efeitos terapêuticos dos psicodélicos, assim como a reavaliação atual de seu uso no tratamento de dependência, ansiedade, em pacientes terminais, depressão, cefaléias em salvas e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

Uma droga psicodélica é uma droga psicoativa cuja ação primárria é alterar cognição e percepção. Desde a descoberta do LSD em 1943, drogas psicodélicas tem sido de grande interesse cientifico. Apesar da pesquisa clínica em psicodélicos ter sido suspensa na metade da década de 70 (devido a restrições regulatórias), um aumento nos padrões de qualidade metodológica, métodos neurobiológicos e de neuroimagem, assim como um interesse no interesse dos neurocientistas em experiência subjectiva, tem significado um ressurgimento de interesse.

A revisão por Tomislav Majić (Charité University Medicine, Berlin), Timo Schmidt (Free University Berlin) e Jürgen Gallinat  (University Medical Center Hamburg-Eppendorf), olharam para pesquisas clínicas atuais e re-avaliaram conceitos antigos e recentes de onde e como as substâncias psicodélicas exercem seus efeitos terapêuticos.

As principais conclusões incluíram que a ketamina é efetiva no tratamento de adição de substância, ambos através das experiências psicodélicas e é realçado de significado pessoal e significância espiritual. A Ketamina também tem sido usada para produzir efeitos anti-depressivos a curto-prazo em depressão maior e transtorno bipolar, através de sua alteração de percepção (tem sido proposto também como opção de tratamento para transtornos afetivos baseados em seus efeitos farmacológicos).

O LSD tem sido mostrado ser benéfico no tratamento de abuso de álcool quando usado em combinação com terapia.

A Psilocibina, o principal componente do assim chamado cogumelos mágicos, tem sido recentemente mostrada ser efetiva no tratamento de ansiedade em pacientes com câncer (não para reduzir dor, mas para induzir sensações de rapport e relacionamentos fortalecidos com familiares próximos e amigos). Recente pesquisa tem também enfatizado o uso terapêutico do LSD e da psilocibina para tratar cefaléias em salvas. Curiosamente, foi reportado que os efeitos terapêuticos parecem ser completamente independentes da experiência psicodélica.

A revisão reportou evidência convergente sugerindo que a neurotransmissão serotonérgica desempenha um papel-chave no mecanismos destas drogas psicodélicas – o neurotransmissor serotonina é visto como um desempenhador de um importante papel no cérebro relativo ao humor, ansiedade e felicidade.

Os achados da revisão concluíram que as drogas psicodélicas são únicas, no sentido de que elas: tem efeitos neuroquímicos e farmacodinâmicos (por exemplo: no tratamento de depressão e possivelmente TOC); dão suporte a vários tipos de psicoterapia (por exemplo: no tratamento de doença terminal); podem ser usadas para tratar dores de cabeça e outras síndromes de dor; e elas frequentemente resultam em experiências espirituais através dos quais elas podem ajudar em terapia (por exemplo: no tratamento de dependência de substância). Além disso, em contraste a medicações psiquiátricas tradicionais, elas são apenas para serem tomadas uma vez ou algumas vezes.

A revisão destaca o potencial das drogas psicodélicas para ser usada em settings clínicos, embora mais pesquisas sejam requeridas para desenvolver um entendimento mais profundo de seus efeitos terapêuticos e como elas funcionam.

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