Estudo Examina Risco e Fatores de Risco para Depressão Após um Derrame

Durante os primeiros três meses após um derrame, o risco para depressão foi 8x maior do que em uma população de referência de pessoas sem derrame, de acordo com um artigo publicado em 2016 na JAMA Psychiatry. Mais de 10 milhões de pessoas tiveram um derrame em 2013 e mais de 30 milhões de pessoas no mundo vivem com um diagnóstico de derrame.

Merete Osler, M.D., D.M.Sc., Ph.D., da Copenhagen University, na Dinamarca, e co-autores usaram dados ligados a sete registros nacionais dinamarqueses para examinar como risco e fatores de risco para depressão diferem entre pacientes com derrame e uma população de referência sem derrame, assim como a depressão influencia a morte.

Entre 135.417 pacientes com derrame, 34.346 (25,4%) tinham um diagnóstico de depressão dentro de dois anos após o derrame e mais da metade dos casos de depressão (n=17.690) apareceram nos primeiros três meses após o derrame.

Em uma população de referência de 145.499 pessoas sem derrame, 11.330 (7,8%) tiveram um diagnóstico de depressão dentro de dois anos após entrarem no estudo e menos de um quarto dos casos (n=2.449) apareceram dentro dos primeiros três meses, de acordo com os resultados.

O risco de depressão em pacientes durante os primeiros três meses após derrame foi oito vezes maior do que na população de referência sem derrame, os autores reportaram.

Os principais fatores de risco para depressão em pacientes após derrame e na população de referência foram idade avançada, sexo feminino, viver sozinho(a), nível de escolaridade básico, diabetes, um nível alto de comorbidade somática, histórico de depressão e severidade do derrame (em pacientes com derrame), de acordo com os resultados.

Em ambos os grupos – pacientes com derrame e a população de referência sem derrame – indivíduos deprimidos, especialmente aqueles com novo início, tinham aumentado risco de morte de todas as causas.

As limitações do estudo incluem uma definição de depressão que estava baseada em diagnósticos psiquiátricos e preenchimento de prescrições de antidepressivos, e a maioria dos casos foram definidos por preechimentos de antidepressivos, que pode ser prescrito para várias doenças.

“Depressão é comum em pacientes com derrame durante o primeiro ano após o diagnóstico, e aqueles com depressão anterior ou derrame severo estão especialmente em risco. Como um grande número de mortes pode ser atribuível a depressão após derrame, os médicos deveriam estar cientes deste risco”, o estudo conclui.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Study examines risk, risk factors for depression after stroke

O Paciente Suicida e o Acesso a Armas de Fogo

Apenas aproximadamente metade dos pacientes suicidas pediram se poderiam ter acesso a armas de fogo. Atenção profissionais de saúde e familiares sobre as informações abaixo!

 

Apesar das recomendações nacionais estimularem os médicos que trabalham em serviços de emergência a perguntar a pacientes suicidas se eles tem acesso a armas de fogo ou outros implementos letais, apenas metade deles, na verdade, tiveram acesso, de acordo com um novo estudo de pesquisadores da University of Colorado Anschutz Medical Campus.

Os pesquisadores entrevistaram 1,358 pacientes de oito serviços de emergência em sete estados que tinham tentado suicídio ou estavam pensando sobre isso. “Nós perguntamos aos pacientes sobre o seu acesso a armas de fogo e então revisamos os seus prontuários”, disse a autora principal do estudo, Emmy Betz, MD, MPH, da University of Colorado School of Medicine. “Nós encontramos que, em aproximadamente 50% de casos, não há documentação por parte do médico se alguém perguntou aos pacientes sobre o acesso a armas de fogo. Isso significa que há um grande grupo de pacientes no qual nós estamos perdendo a chance de intervir”.

Uns 25% de pacientes potencialmente suicidas que disseram que tinham armas em casa mantinham pelo menos uma delas carregada de balas e destravada. Metade deles tinha fácil acesso a armas que colocavam-os em risco para futuros suicídios.

De acordo com o estudo, publicado na revista científica Depression and Anxiety, serviços de emergência (SE) são um local-chave para a prevenção de suicídio com 8% de pacientes admitidos por tentar o suicídio, por ter ‘ideação suicída’ ou pensamentos de acabar com a própria vida.

“Múltiplas visitas ao SE parece ser um fator de risco para o suicídio e muitas vítimas de suicídio são vistas no SE logo antes de sua morte”, o estudo disse. “Baseado em modelos usando dados estatísticos de estudos nacionais, intervenções baseadas em SE podem ajudar anualmente a diminuir mortes por suicídio em 20%”. Entretanto, estudos anteriores sugerem que médicos de SE são céticos sobre a efetividade de tal intervenção e não perguntam ou aconselham pacientes sobre o seu acesso a meios letais de terminar suas vidas uma vez que eles deixam o hospital.

Este estudo parece confirmar isso. “Esta taxa de avaliação é falha apesar das diretrizes nacionais recomendarem que todos os pacientes suicidas recebam aconselhamento psicológico sobre reduzir o acesso a armas de fogo e outros meios letais”, Betz diz. “A avaliação de acesso a meios letais é importante tanto para avaliação geral de risco quanto para planejamento de segurança para pacientes que estão tendo alta”.

Embora seja difícil controlar o acesso a objetos cortantes, materiais para enforcamento e medicação dada a sua abrangente disponibilidade, pacientes com fácil acesso a armas de fogo estão particularmente em alto risco.

Aqueles que cometem suicídio frequentemente fazem isto minutos após tomarem essa decisão. E aproximadamente 90% de suicídios com armas de fogo são fatais comparados com 2% de overdoses por medicação.

Betz afirma que médicos poderiam traçar um plano com os familiares destes pacientes. Eles poderiam pedir a eles para trancar armas de fogo ou removê-las da casa por um período de tempo.

Alguns médicos mostram-se relutantes quanto a perguntar aos seus pacientes sobre isto porque eles não sabem se deveriam e se o fazem, o que fazer com a informação. “É lícito e apropriado perguntar sobre isto quando é relevante tanto quanto é no caso de tentativas de suicídio ou ideação suicida”, afirma Betz. “Fazendo isso de uma forma respeitosa e  não-julgadora, ela será geralmente bem recebida. Ainda assim, não há muito treino nisto. Como consequência, nós estamos perdendo a chance de salvar muitas vidas”.

 

O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Only about half of suicidal patients asked if they have access to firearms

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Por Que Será Que os Antidepressivos Demoram Tanto para Fazer Efeito?

Este tipo de informação é importante não só para o paciente, mas também para o terapeuta que está tratando um paciente que encontra-se em uso de antidepressivos.

O post a seguir é resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

http://www.psypost.org/2016/07/antidepressants-take-long-work-44061

Um episódio de depressão maior pode ser paralisante, prejudicando a capacidade para dormir, trabalhar ou comer. Em casos severos, o transtorno de humor pode levar ao suicídio. Mas as medicações disponíveis para tratar depressão,  que pode afetar um em cada seis americanos em sua vida, pode levar semanas ou até meses para começar a funcionar.

Pesquisadores da University of Illinois, em Chicago, descobriram uma razão para as medicações levarem muito tempo para funcionar e seus achados poderiam ajudar os cientistas a desenvolverem, no futuro, medicações com ações mais rápidas. A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Biological Chemistry.

O neurocientista Mark Rasenick, da UIC College of Medicine e seus colaboradores identificaram um mecanismo de ação previamente desconhecido para inibidores seletivos da recaptação de serotonina, ou ISRS, o tipo de antidepressivo mais comumente prescrito. Pensava-se que, para funcionar ao prevenir a reabsorção da serotonina de volta nas células nervosas, os ISRSs também acumulavam-se em áreas da membrana celular chamada lipid rafts (balsas lipídicas). Mas Rasenick observou, e o acúmulo estava associado com níveis diminuídos de uma importante molécula sinalizadora nos rafts.

“Isso tem sido um quebra-cabeça há bastante tempo, porque os antidepressivos ISRS podem levar até dois meses para começarem a reduzir sintomas e, especialmente porque nós sabemos que eles ligam-se aos seus alvos dentro de minutos”, disse Rasenick, prestigiado professor de fisiologia, biofísica e psiquiatria da UIC. “Nós pensamos que talvez estas medicações tenham um sítio de ligação alternativo que é importante na ação das medicações para reduzir sintomas depressivos”.

Acredita-se que a serotonina está em falta (escassa) em pessoas com depressão. Os ISRSs ligam-se aos transportadores de serotonina – estruturas contidas dentro das membranas de célula nervosas que permitem que a serotonina possa entrar e sair das células nervosas, uma vez que elas comunicam-se umas com as outras. Os ISRSs bloqueiam o transportador de serotonina que é liberada no espaço entre neurônios – a sinapse – de volta aos neurônios, mantendo mais dos neurotransmissores disponíveis na sinapse, amplificando seus efeitos e reduzindo sintomas de depressão.

Rasenick há muito tempo suspeitava que a resposta atrasada da droga envolvia certa transmissão de sinais moleculares em membranas de células nervosas chamadas proteínas G. Pesquisas anteriores realizadas por ele e seus colaboradores mostraram que, em pessoas com depressão, as proteínas G tendiam a reunir-se em lipid rafts, áreas das membranas rica em colesterol. Presas nos rafts, as proteínas G não dispõem de acesso a uma molécula chamada AMP cíclica, que elas necessitam para funcionar. O sinal enfraquecido poderia ser porque as pessoas com depressão estão “insensíveis” ao seu ambiente, Rasenick justificou.

No laboratório, Rasenick banhou células da glia (do rato), um tipo de célula cerebral, com diferentes ISRSs, e colocou as proteínas G dentro da membrana celular. Ele encontrou que eles acumularam-se nos lipid rafts ao longo do tempo — e como consequência, as proteínas G nos rafts reduziram.

“O processo mostrou um intervalo de tempo consistente com outras ações celulares de antidepressivos”, Rasenick afirmou. “É provável que este efeito no movimento das proteínas G para fora dos lipid rafts em direção a regiões da membrana celular onde eles são melhor capazes de funcionar é a razão do porquê estes antidepressivos demoram tanto para funcionar”.

O achado, ele disse, sugere como estas medicações poderiam ser melhoradas. “Determinar o exato sítio de ligação poderia contribuir para o desenho de novos antidepressivos que aceleraram a migração de proteínas G fora dos lipid rafts, de modo que os efeitos dos antidepressivos poderiam começar a ser sentidos mais cedo”.

Rasenick já sabe um pouco sobre o sítio de ligação do lipid raft. Quando ele encharcou os neurônios do rato com um ISRS chamado escitalopram e uma molécula que foi seu espelho (reflexo), apenas a parte do lado direito ligou-se ao lipid raft“Esta mudança mínima na molécula previne-a de ligar-se, de forma que pode ajudar a restringir algumas das características do sítio de ligação”, Rasenick afirmou.

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Um Estudo Aponta que Apenas Metade das Prescrições de Antidepressivos são para Depressão

Os antidepressivos, em sua grande maioria, realmente ajudam os pacientes a melhorar da depressão; contudo, eu mesma já vi várias pessoas tomando antidepressivos sem indicação 😦

O post a seguir é resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Study: Only half of antidepressant prescriptions are for depression

Em um estudo publicado na edição de maio da revista científica JAMA, Jenna Wong, M.Sc., da McGill University, que fica em Montreal, no Canadá, e colaboradores, analisaram as indicações de antidepressivos para tratamentos e avaliaram tendências em prescrições de antidepressivos para depressão.

O uso de antidepressivo nos Estados Unidos tem crescido ao longo das últimas duas décadas. Uma razão alegada para esta tendência é que os clínicos gerais estão cada vez mais prescrevendo antidepressivos para indicações não-depressivas, incluindo indicações  não-aprovadas e que não tenham sido avaliadas por agências reguladoras. Para este estudo, os pesquisadores utilizaram dados de um registro médico eletrônico e o sistema de prescrição que tinha sido usado por clínicos gerais em comunidades, que recebem remuneração por serviço prestado nos arredores de dois grandes centros urbanos em Quebec, no Canadá.

O estudo incluiu prescrições para adultos entre janeiro de 2006 e setembro de 2015 e para todos os antidepressivos, exceto os inibidores da monoaminoxidase. Médicos que participaram no estudo tiveram que documentar, pelo menos, uma indicação de tratamento por prescrição usando uma caixa de seleção contendo uma lista de indicações ou digitar a(a) indicação(ções).

Durante o período do estudo, foram realizadas 101.759 prescrições de antidepressivos (6% de todas as prescrições) por 158 médicos para 19.734 pacientes. Apenas 55% das prescrições de antidepressivos foram indicadas para depressão. Médicos também prescreveram antidepressivos para transtornos ansiosos (18,5%), insônia (10%), dor (6%) e doenças do pânico (4%). Para 29% de todas as prescrições de antidepressivos (66% das prescrições não para depressão), os médicos prescreveram uma medicação para uma indicação não-aprovada/indicada, especialmente para insônia e dor.

Médicos também prescreveram antidepressivos para várias indicações que não eram aprovadas/indicadas para todos os antidepressivos, incluindo enxaqueca, sintomas vasomotores de menopausa, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e transtornos do sistema digestivo.

“Os achados indicam que a mera presença de uma prescrição de um antidepressivo é um baixo indicador para o tratamento de depressão e eles enfatizaram a necessidade de avaliar a evidência apoiando o uso de antidepressivos sem aprovação/indicação”, os autores escreveram.

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Será que as Mídias Sociais estão Deixando as Pessoas Deprimidas?

Uma nova pesquisa mostra a associação entre mídia social e depressão. Provavelmente, você pode confirmar (baseada em sua experiência do dia-a-dia com as mídias sociais) se a resposta é sim ou não 😉

O texto abaixo foi originalmente escrito em inglês (http://www.psypost.org/2016/05/social-media-making-people-depressed-42482) e eu fiz a tradução livre dele.

Vamos ao texto 😉

Qualquer pessoa que usa regularmente as mídias sociais já terá tido a experiência de sentir inveja da diversão que os seus amigos todos parecem estar tendo. Isto pode especialmente ser o caso se você está sentando em casa em uma noite fria e úmida, sentindo-se entediado enquanto todo mundo está se divertindo ou desfrutando de glamurosas férias ao sol.

Mas é possível que estes sentimentos poderiam ser o começo de algo pior? Poderia o uso da mídia social na verdade torná-lo deprimido? Um recente estudo nos Estados Unidos, patrocinado pelo National Institute for Mental Health, identificou uma “forte e significante associação entre o uso de mídia e depressão em uma amostra de adultos jovens nos Estados Unidos”. O estudo encontrou que níveis de depressão aumentaram com a soma total de tempo gasto usando mídia social e número de visitas a sites de mídia social por semana.

Estudos anteriores haviam pintado um retrato mais confuso. Parece que o relacionamento entre mídia social, depressão  e bem-estar é complexo e provavelmente possa ser influenciado por uma série de fatores.

No seu melhor, a mídia social nos permite conectarmos e mantermos contato com amigos e pessoa que nós não vemos com muita frequência. Ela nos permite termos interações curtas com elas e isso mantêm os relacionamentos fluindo quando nós não temos muito tempo livre. No seu pior, a mídia social pode, pelo que parece, nos alimentar com sentimentos de inadequação.

Há provavelmente muitas razões complexas do porque o uso da mídia social pode estar associado com depressão. Por exemplo, é possível que pessoas que já estão deprimidas possam estar mais inclinadas a contar com a mídia social ao invés de interações frente-a-frente, assim, um maior uso de mídia social pode ser um sintoma ao invés de uma causa de depressão.

Nós todos temos uma necessidade básica de ser gostado e aceito pelos outros e a mídia social pode desempenhar um papel nesta vulnerabilidade. “Curtidas” são a moeda corrente da mídia social e pessoas que tem baixa auto-estima podem depositar um valor maior em buscar validação de seu uso de mídia social ao tentar atrair curtidas para os seus comentários como uma forma de aumentar a sua auto-estima. Desta maneira, mídia social pode ser vista como parte de um concurso de popularidade. Claro, “ganhando” o concurso de popularidade através da obtenção de mais curtidas é apenas um estímulo a curto-prazo para a disposição de ânimo. É uma maneira precária para estimular a auto-estima.

É da natureza humana nos compararmos com os outros. Algumas vezes, a comparação pode ser uma forma para nos inspirarmos para melhorar de alguma maneira, mas, mais frequente do que nunca – especialmente quando alguém está sentindo-se para baixo ou está propenso a depressão – as comparações se tornam negativas e desgastam a auto-estima. Um problema com a mídia social é que a imagem que as pessoas retratam de si mesmas tende a ser positiva, interessante e excitante. Vamos combinar que a maioria de nós preferiria muito mais postar uma foto de nós mesmos bonitos em uma noitada do que de pijama e/ou lavando louça. Se a pessoa está sentindo-se para baixo ou insatisfeita com a sua vida, então, ao invés de estar sendo um pouco de distração, o uso de mídia social pode dar a impressão de que todas as outras pessoas estão divertindo-se muito mais do que a gente.

Muitos pais tem dúvidas sobre o uso de mídia social por parte de seus filhos e mais de um dos pais já tiveram que consolar um adolescente choroso, perturbado por uma discussão online. Independente de nós gostarmos ou não, a mídia social está aqui para ficar e, para muitos jovens, deixar de usar a mídia social significaria perder acesso a sua rede de amigos. Para eles, não é uma opção viável.

No momento, nós não sabemos o bastante sobre como a forma que a mídia social é usada e seu impacto no humor e saúde mental a um prazo mais longo. Até que nós saibamos, talvez a melhor opção é reconhecer que a mídia social pode ser um instrumento valioso para manter contato com amigos e que nossas interações em mídia social não deveriam influenciar excessivamente nossa auto-estima. Também pode ser válido lembrar que, embora todas as outras pessoas possam parecer estar divertindo-se, as postagens são mais enviesadas para mostrar toda a diversão e coisas interessantes que as pessoas estão fazendo. Dessa maneira, elas estão apenas conservando os melhores momentos de suas vidas – não necessariamente estão se divertindo mais do que você.The Conversation

Mark Widdowson, Lecturer in Counselling and Psychotherapy, University of Salford

Este artigo foi originalmente publicado na The Conversation

Mães Deprimidas Não Estão em Sincronia com Seus Filhos

Acredito que essa idéia de que mães deprimidas não estão em sincronia com seus filhos já faça parte do imaginário materno e, também, do conhecimento de profissionais da área. Contudo, é preciso sempre que pesquisas comprovem estes fenômenos que vemos em nosso dia-a-dia para que possamos afirmar que É SIM UM FATO e não apenas uma suposição ou uma experiência singular de alguém.

Este texto abaixo foi publicado em inglês (http://www.psypost.org/2016/05/depressed-moms-not-sync-children-42621) e eu fiz uma tradução livre dele.

Vamos ao texto 😉

Mães com uma história de depressão não estão fisiologicamente “em sincronia” com seus filhos, de acordo com um novo estudo da Binghamton University. Embora os pesquisadores  já tenham sabido por um tempo que a depressão está associada com problemas interpessoais com as outras pessoas, este é o primeiro estudo a examinar se isto é também evidente fisiologicamente.

“Quando as pessoas estão interagindo, algumas vezes você realmente sente que está em sincronia com alguém, que a interação está indo muito bem e que você está desfrutando da conversa. Nós estamos tentando descobrir, em nível corporal, em termos de sua fisiologia, como você vê esta sincronicidade em mães e seus filhos, e então como é que ela é impactada pela depressão?”, disse Brandon Gibb, professor de psicologia da Binghamton University e diretor do Mood Disorders Institute and Center for Affective Science.

Os pesquisadores da Binghamton mensuraram variabilidade da frequência cardíaca, uma medida fisiológica de engajamento social, em crianças na faixa etária de 7 a 11 anos e suas mães (44 com uma história de depressão, 50 sem história de depressão) enquanto elas se engajavam em discussões positivas e negativas. Na primeira discussão, pares de mãe-filho(a) planejaram juntos suas férias dos sonhos; na segunda discussão, os pares endereçaram um tópico recente de conflito entre eles (por exemplo, lição de casa, usar a TV ou o computador, ser pontual, problemas na escola, mentir, etc.). Enquanto mães sem histórico de depressão exibiram sincronia fisiológica (similar aumento ou diminuição na variabilidade da frequência cardíaca) assim como seus filhos durante a discussão negativa, mães deprimidas não estavam sincronizadas com seus filhos. Além disso, crianças e mães que estavam mais tristes durante a interação, estavam mais suscetíveis a estar fora de sincronia um com o outro. De acordo com os pesquisadores, estes resultados fornecem evidência preliminar de que interações de sincronicidade estão perturbadas (quebradas) em um nível fisiológico em famílias com uma história de depressão maternal e pode ser um potencial fator de risco para a transmissão intergeracional de depressão.

“Nós encontramos que mães que não tinham histórico de depressão estavam realmente correspondendo a fisiologia dos seus filhos no momento”, disse a estudante de pós-graduação e autora principal do estudo, Mary Woody. “Nós vimos mais correspondência momento a momento na discussão em que eles estavam falando sobre alguma coisa negativa acontecendo em sua vida. Nesta difícil discussão, nós estamos vendo este mecanismo fisiológico protetivo desabrochando. Ao passo que, com mães com um histórico de depressão e seus filhos, nós estamos vendo o oposto — eles, na verdade, não correspondendo. À medida que uma pessoa está engajando-se mais, a outra pessoa está afastando-se. Assim, eles estavam realmente perdendo um ao outro naquele momento e indo embora da discussão sentindo-se triste”.

O estudo, intitulado “Synchrony of physiological activity during mother-child interaction: moderation by maternal history of major depressive disorder”, foi publicado na revista científica Journal of Child Psychology and Psychiatry.

Depressão e Ansiedade Podem Reduzir Chances de Engravidar Por Inseminação Artificial

Este é mais um texto traduzido livremente do inglês para o português falando sobre uma pesquisa sobre IVF e a sua relação com depressão/ansiedade para o seu desfecho.

Vamos ao artigo:

Depressão e ansiedade – e não necessariamente o uso de medicação antidepressiva – estão associadas com taxas mais baixas de gravidez e bebês nascidos com vida seguindo a fertilização in vitro, de acordo com um grande estudo de Karolinska Institutet na Suécia. Os achados estão publicados na revista científica Fertility & Sterility e pode ser de interesse para profissionais tratando infertilidade e para mulheres com depressão ou ansiedade planejando submeterem-se a tratamento de fertilidade.

Tratamento com antidepressivos tem aumentado em geral e entre mulheres de idade reprodutiva nas últimas décadas. Especialmente, o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) tem aumentado. Contudo, pouco é conhecido sobre o efeito dos antidepressivos em fertilidade e habilidade para conceber.

O novo estudo, incluindo mais de 23.000 mulheres, é o maior até agora avaliando a associação entre depressão, ansiedade, antidepressivos e o desfecho de fertilização in vitro (FIV). Os investigadores usaram dados de forma anônima em todos os procedimentos FIV realizados na Suécia de 2007 e em diante, extraídos do Registro de Qualidade de Produção Assistida Sueco. Eles vincularam-na a informações de depressão, ansiedade e prescrição de antidepressivos dos Registros de Drogas Prescritas e Pacientes Suecos de âmbito Nacional.

De todas as mulheres no estudo, 4.4% tinham um diagnóstico de depressão ou ansiedade nos dois anos antes de começarem o ciclo de FIV e/ou a dispensação do antidepressivo nos 6 meses antes do ciclo começar. Os pesquisadores compararam as taxas de gravidez, bebês nascidos com vida e aborto espontâneo nestas mulheres para taxas em mulheres sem um diagnóstico ou  dispensação do antidepressivo.

“Nós encontramos que mulheres passando por seu primeiro tratamento FIV que tinham sido diagnosticadas com depressão ou ansiedade ou tinham dispensado um antidepressivo tinham taxas mais baixas de gravidez e de bebês nascidos com vida comparado a mulheres que não tinham sofrido destas condições ou tomado antidepressivos antes de começar o tratamento de FIV”, disse a primeira autora do estudo, Carolyn Cesta, estudante de doutorado do Departamento de Epidemiologia Médica e Bioestatistica. “É importante salientar que nós encontramos que mulheres com um diagnóstico de depressão e ansiedade sem uma prescrição de antidepressivos tinham uma chance até menor de ficarem grávidas ou ter um bebê nascido com vida”.

ISRSs são o tipo mais comum de antidepressivos prescritos na Suécia. No grupo grande de mulheres no presente estudo tomando ISRSs, não houve diferença nas taxas de gravidez ou bebês nascidos com vida seguindo o tratamento FIV. Entretanto, o pequeno grupo de mulheres tomando antidepressivos que não eram da família do ISRS, que tinham casos mais complexos de depressão e ansiedade, tinham reduzido a probabilidade de gravidez e bebês nascidos com vida assim como um aumentado risco para aborto espontâneo seguindo o tratamento de FIV.

“Conjuntamente, estes resultados indicam que diagnóstico de depressão e ansiedade podem ser o fator subjacente levando a taxas mais baixas de gravidez e bebês nascidos com vida nestas mulheres”, diz a principal investigadora do estudo, Anastasia Nyman Iliadou, professora associada do Departamento de Epidemiológica e Bioestatística.

Contudo, ela adverte que como o estudo não foi randomizado, os resultados podem também ser explicados por estilo de vida desregrado e/ou fatores genéticos associados com depressão e ansiedade.

A pesquisa foi apoiada financeiramente pelo programa de saúde EU-FP7, o Conselho de Pesquisa Sueca, o Programa de Pesquisa Estratégica em Epidemiologia Young Scholar Awards, Karolinska Institutet e a Sociedade Européia de Saúde Reprodutiva e Contraceptiva.

Este é o link do texto em inglês:

Depression and anxiety may reduce chances of IVF pregnancy