O Que Fazer Quando o Seu Cônjuge Tem Transtorno de Ansiedade

O texto a seguir foi uma tradução livre do post publicado em inglês na página da ADAA https://adaa.org/finding-help/helping-others/spouse-or-partner

Quase todos os casais tem a sua cota de desafios. Contudo, quando um dos cônjuges tem um transtorno de ansiedade, ambos os parceiros enfrentam um novo conjunto de desafios e outros desafios podem ser exacerbados.

Um estudo da ADAA encontrou que pessoas que tem o transtorno de ansiedade generalizada, ou TAG, foram significativamente menos propensas a considerarem-se “saudáveis e acolhedores” com o cônjuge do que aqueles sem TAG; foram duas vezes mais prováveis a experienciar pelo menos um problema de relacionamento (isto é, entrar em discussões regularmente, evitar participar de atividades sociais) e três vezes mais prováveis de evitar intimidade com o(a) cônjuge. Embora o estudo tenha olhado especificamente para o TAG, muitos destes achados poderiam provavelmente serem aplicados para os outros transtornos de ansiedade também.

Desafios

Ter um transtorno de ansiedade está geralmente associado com um grande sofrimento pessoal, mas pode ser igualmente difícil para as pessoas que são importantes na vida desse indivíduo. Os cônjuges daqueles sofrendo com problemas de ansiedade frequentemente assumem mais do que a normal a parte deles nas responsabilidades domésticas, econômicas, de parentalidade e outras responsabilidades tais como:

  • Atividades familiares — rotinas habituais da casa são frequentemente afetadas e planos específicos ou concessões são frequentemente feitos para quem sofre de ansiedade. Um cônjuge frequentemente deve cuidar das responsabilidades familiares, tais como as contas, compras e levar as crianças para atividades. Os parceiros sentem-se sobrecarregados e esgotados.
  • Finanças e emprego — Para alguns, os sintomas dos transtornos ansiosos faz com que seja mais difícil conseguir um trabalho ou mantê-lo, o que pode trazer sérias repercussões financeiras. O cônjuge ou parceiro pode tornar-se o único provedor em determinados momentos – frequentemente um papel estressante e um dos parceiros pode não querer estar nessa posição.
  • Vida Social — Pessoas com transtornos ansiosos frequentemente evitam atividades sociais rotineiras. Infelizmente, a vida social do parceiro pode também ser atingida, fazendo com que ambos sintam-se isolados.
  • Bem-estar emocional — Cônjuges e parceiros podem sentir-se tristes, deprimidos ou assustados (por si mesmos ou por seu cônjuge) ou mesmo com raiva, ressentidos e amargos/rudes na relação com amigos e família. Eles também podem sentir-se culpados por esse sentimento.

Estes desafios podem ser assustadores. É importante perceber que com o tratamento, as pessoas com transtorno de ansiedade podem continuar a levar vidas produtivas, que inclui carreiras bem-sucedidas, vidas sociais agitadas e agendas atribuladas. Tratamento apropriado pode frequentemente ajudar a aliviar muitas questões que contribuem para o estresse do parceiro.

Apoiando o seu cônjuge/parceiro

Você pode ajudar o seu parceiro com a melhoria e recuperação oferecendo apoio e encorajamento. Aqui há algumas dicas que podem ajudar:

  • Aprenda sobre o transtorno de ansiedade.
  • Encoraje o tratamento.
  • Mostre reforçamento positivo de comportamento saudável, ao invés de criticar medos irracionais, evitação ou rituais.
  • Tome como medida de progresso a melhora individual e não compare com um padrão absoluto.
  • Ajude a estabelecer metas específicas que sejam realistas e possam ser alcançadas com um passo de cada vez.
  • Não suponha que você sabe o que o seu parceiro precisa. Pergunte como você pode ajudar. Escute com atenção a resposta.
  • Reconheça/Admita que você não entende a experiencia de um ataque de pânico ou outra forma de ansiedade irracional.
  • Entenda que pode ser desafiador saber quando ser uma pessoa paciente e quando se deve “dar um empurrão”. Alcançar um equilíbrio apropriado frequentemente requer tentativa e erro.

Recuperação requer um trabalho árduo da parte da pessoa com transtorno de ansiedade e paciência por parte do parceiro e da família. Isso pode parecer um processo lento, mas as recompensas valem muito a pena.

Seu papel no tratamento

Embora a responsabilidade final esteja nas mãos do paciente, você pode desempenhar um papel ativo no tratamento do transtorno ansioso do seu parceiro.

Profissionais de saúde mental estão recomendando cada vez mais tratamento de casal e de família para estes casos. Um profissional de saúde mental pode engajar o parceiro como co-terapeuta. Com treinamento, o parceiro pode ajudar o paciente com o uso das técnicas terapêuticas fora da sessão que são designadas pelo terapeuta. Isto pode envolver acompanhar o paciente em situações que produzem ansiedade e oferecer encorajamento para que a pessoa com transtorno de ansiedade fique na situação usando técnicas de redução de ansiedade. Isto pode também incluir ajudar um parceiro a aderir a um contrato de comportamento desenvolvido com o terapeuta para controlar respostas de ansiedade em situações quando o terapeuta nao está presente. Para algumas pessoas com TOC, isso pode limitar o quão frequentemente o paciente fará o ritual. O parceiro pode ajudar a desencorajar o paciente a repetidamente realizar o ritual e positivamente reforça períodos de tempo sem rituais.

Ajudando a si mesmo

É extremamente importante (e não um ato egoista) para parceiros daqueles que sofrem com um transtorno de ansiedade cuidarem de si mesmos. Algumas ficas podem ajudar a enfrentar o problema:

  • Não abra mão de sua própria vida e de seus interesses: envolva-se em seus interesses e hobbies para dar um tempo dos estresses de sua vida diária. Você irá sentir-se mais energizado, feliz, saudável e melhor preparado para enfrentar desafios. Não se consuma pelo transtorno do parceiro.
  • Mantenha o sistema de apoio: ter amigos e família com o qual você pode desabafar – assim como podem apoiá-lo emocionante, financeiramente e de outras formas quando o seu cônjuge/parceiro não pode – é vital.
  • Estabeleça limites: decida onde estão os seus limites e informe o seu parceiro. Este limite pode ser emocional, financeiro ou físico. Por exemplo, se o seu parceiro não está trabalhando e não está buscando tratamento, participando de grupos de apoio ou fazendo nada para ficar melhor, você pode necessitar discutir suas expectativas e como melhorar a situação. Terapia de casal pode frequentemente ajudar.
  • Busque ajuda profissional para si mesmo, se necessário: o processo de recuperação pode ser estressante para pessoas com um parceiro sofrendo de transtorno ansioso. O seu bem-estar é tão importante quanto o do seu parceiro. Se você precisa de alguém para conversar ou se você acha que pode estar sofrendo de sintomas de ansiedade ou depressão, entre em contato com o seu médico ou considere uma consulta com um profissional de saúde mental.

Exposição a Mídia Social Durante a Pandemia do Coronavírus Está Ligada ao Aumento da Ansiedade

Exposição a informação sobre o COVID-19 através da mídia social está associada com o aumento dos sintomas de ansiedade, de acordo com um recente estudo chinês. O relatório foi publicado no PLOS One.

A rápida proliferação do novo vírus COVID-19 através da China, e sua rápida transmissão para muitos outros países foi sem precedente e inacreditável. Numerosos estudos reportaram que implicações da pandemia na saúde mental são reais e, por vezes severas, tanto entre trabalhadores da área médica quanto com o público.

Como os autores do estudo apontaram, pesquisas passadas fornecem forte evidência que a exposição à midia durante uma crise pública é parcialmente responsável pelo aumento de problemas de saúde mental. Devido a incerteza acerca do COVID-19 e o rápido desenvolvimento de notícias ao redor do globo, usuários de mídia social são bombardeados com informações em uma base quase constante. A Organização Mundial de Saúde chama isto uma ‘infodemia’ e enfatiza a importante tarefa de dissipar rumores e desinformação.

Este novo estudo queria examinar a relação entre exposição a mídia social durante a pandemia e questões de saúde mental. Pesquisadores focaram-se nos dois transtornos comuns: a ansiedade e a depressão.

Um total de 4.872 adultos de 31 diferente regiões da China completaram questionários entre 31 de janeiro a 2 de fevereiro de 2020. Os questionários avaliaram exposição a mídia social, perguntando aos participantes com que frequência eles tinham sido expostos a notícias relacionadas ao COVID-19 através da mídia social na última semana. O WHO-Five Well-Being Index foi usado para medir sentimento positivo em participantes, com um escore abaixo de 13 indicando depressão. Ansiedade também foi medida usando uma escala de transtorno de ansiedade generalizada.

Resultados mostraram que 82% dos entrevistados reportaram estar frequentemente  expostos a informação sobre a pandemia através da mídia social. Cerca da metade dos entrevistados (48%) preencheram critérios para depressão e quase 1/4 deles (23%) preencheram critérios para ansiedade. Aproximadamente 19% dos entrevistados preencheram critérios para ambos os transtornos. Os autores apontaram que estas taxas são muito maiores do que a da última amostra naconal, que mostra taxas de prevalência para depressão em torno de 7% e ansiedade em torno de 8%.

Exposição a mídia social estava associada com uma maior probabilidade para ansiedade assim como uma maior probabilidade para uma combinação de ansiedade e depressão. Não foi encontrada nenhuma relação entre exposição a mídia social e probabilidade para depressão por si só.

Diferenças regionais foram também nítidas. Apesar de mostrar taxas de exposição a mídia social similares a outras regiões, aquelas na provincia de Hubei tinham aumentadas taxas de ansiedade. Pesquisadores explicam que isto não é surpreendente, dado que a provincia de Hubei foi o epicentro do surto do coronavírus e a área com as medidas mais severas de lockdown existente. 

Os pesquisadores concluiram que seus achados oferecem  uma visão significativa para as sérias consequências de saúde mental em decorrência do COVID-19, demonstrando que a exposição a mídia social durante a pandemia está intensificando a ansiedade na  população chinesa. Eles sugeriram que um importante passo é endereçar a infodemia “monitorando e filtrando informações falsas e promovendo informação acurada”.

O estudo, “Mental health problems and social media exposure during COVID-19 outbreak”, foi de autoria de Junling Gao, Pinpin Zheng, Yingnan Jia, Hao Chen, Yimeng Mao, Suhong Chen, Yi Wang, Hua Fu, and Junming Dai.

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

https://www.psypost.org/2020/04/social-media-exposure-during-the-coronavirus-pandemic-is-linked-to-increased-anxiety-56633?

Estudo Encontra Que Transtornos Ansioso, TEPT e TOC Podem Estar Ligados a Desregulação Inflamatória

Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Transtornos Ansiosos estão todos certamente associados com níveis altos de marcadores inflamatórios no sangue, de acordo com uma pesquisa publicada na revista científica Depression & Anxiety

“Predominantemente, minha pesquisa examina as formas na qual as emoções e a fisiologia  influenciam e se relacionam entre si, ou seja, quando alguém experiencia emoções negativas (por exemplo, tristeza, ansiedade, raiva) frequentemente e/ou intensamente, o que isso causa a sua saúde física?”, disse a autora do estudo, Megan E. Renna, da  Columbia University.

“Tem havido uma ligação bem-estabelecida entre doença crônica e ansiedade na literatura ao longo dos anos. Mas, ainda tem estado pouco claro como os processos, ambos psicologicamente e fisicamente, contribuem para esta associação, de forma que eu quis examinar se a inflamação pode ser um destes processos entre pessoas com ansiedade, estresse traumático e transtornos relacionados ao TOC”.

“Inflamação está associada com uma série de doenças crônicas (HIV, câncer, doença cardiovascular, Alzheimer, etc.), então eu sentia especialmente importante investigar se  a ansiedade crônica e pervasiva aumenta inflamação. Espero que nós possamos  construir intervenções para melhor endereçar o impacto físico da ansiedade e aumentar a qualidade de vida e melhorar a saúde física de pessoas com ansiedade e transtornos relacionados, e então esta metanálise foi um passo nessa direção”.

No estudo, Renna e seus colegas examinaram 41 estudos de indivíduos diagnosticados com TEPT, TOC ou um transtorno ansioso. Todos os estudos incluíram grupos-controles e tiveram, pelo menos, uma medida de  inflamação no sangue.

Os pesquisadores encontraram que pessoas diagnosticadas com estes transtornos tenderam a ter nível significativamente mais alto de marcadores inflamatórios comparados a sujeitos saudáveis do grupo-controle. Mas não houve diferenças significativas entre pessoas com TEPT, TOC ou um transtorno ansioso: “ansiedade, independente do tipo específico (por exemplo: medo, preocupação, hipervigilância) pode não apenas afetar alguém psicologicamente, mas fisicamente também. Em termos das implicações físicas, inflamação sistêmica é algo que é relativamente invisível – significando que as coisas que nós sentimos podem impactar nossos corpos em formas que nós não podemos estar plenamente conscientes”, disse Renna.

“Embora nós ainda necessariamente não saibamos se isto leva a questões de saúde a longo-prazo, pode ser importante fazer tratamento para sua ansiedade para melhorar não apenas a saúde mental, mas também a saúde física”.

O estudo, como todas as pesquisas, inclui algumas limitações: “duas grandes questões ainda permanecem. Primeiro, TEPT parece estar guiando a diferença em inflamação entre pessoas com ansiedade e controles saudáveis. Mas, também parece ter muito menos  pesquisar em outros transtornos comparados a TEPT. Eu acho que é importante para o campo continuar a tentar entender como outros tipos de ansiedade aumentam inflamação. Também, será importante entender o que torna o TEPT diferente de outros transtornos em termos de seu impacto em  inflamação”.

“Segundo, esta metanálise não olhou para os processos contribuindo para maiores desregulações inflamatórias em pessoas com estes transtornos — muitos dos estudos incluídos não mediram o que conecta a ansiedade a inflamação. É importante em termos de próximos passos ser mais mecanicista em nosso entendimento de como a ansiedade está associada com inflamação para melhor aprender como interfere nesta relação e promover melhor saúde a longo-prazo para pessoas sofrendo destes transtornos”.

O estudo, “The association between anxiety, traumatic stress, and obsessive–compulsive disorders and chronic inflammation: A systematic review and meta‐analysis“, foi autorado por Megan E. Renna, Mia S. O’Toole, Phillip E. Spaeth, Mats Lekander e Douglas S. Mennin.

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Link do post original em inglês (tradução livre):

 

https://www.psypost.org/2018/12/anxiety-disorders-ptsd-and-ocd-linked-to-inflammatory-dysregulation-study-finds-52766

Pessoas Podem Usar a Ansiedade Para Motivá-las?

Um ambiente altamente estressante pode ser um trunfo ao invés de uma desgraça para alguns. De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Individual Differences, alguns indivíduos ansiosos podem usar essa experiência para motivar a si mesmo.

Pesquisas passadas encontraram que a ansiedade pode prejudicar a concentração e a memória. Mas o estudo sugere que a forma como as pessoas experienciam e respondem a ansiedade influencia seu desempenho acadêmico e profissional: “eu tenho a impressão de que muito da pesquisa em psicologia foca-se em regulação da emoção hedônica; em outras palavras, quando as pessoas esforçam-se para serem felizes”, afirma a autora do estudo, Juliane Strack de Strandklinik St. Peter-Ording. “Contudo, eu observei que há situações onde as pessoas parecem prosperar com o estresse — situações que tendem a evocar emoções negativas, tais como a ansiedade e a raiva. Isso levou-me a investigar o conceito de regulação emocional instrumental (quando nós mantemos ou buscamos emoções que ajudam-nos a atingir metas; estas emoções podem ser negativas, tal como a ansiedade em situações perigosas) assim como o eustress (estresse positivo).”

O estudo, de três partes, investigou a tendência para usar a ansiedade para auto-motivação, utilizando como sujeitos 194 adultos alemães, 159 estudantes universitários na Polônia e 270 jornalistas na Alemanha. Pessoas que pontuaram mais alto em medidas de ansiedade motivacional tendem a concordar com declarações, tais como “sentir-se ansioso sobre uma data limite me ajuda a terminar o trabalho a tempo” e “sentir-se ansioso sobre minhas metas me mantêm focado(a) nelas”.

Os pesquisadores encontraram que estudantes ansiosos com mais alta ansiedade motivacional tenderam a ter melhores notas do que estudantes ansiosos com ansiedade motivacional mais baixa. Do mesmo modo, jornalistas ansiosos com ansiedade motivacional mais alta tenderam a relatar mais alta satisfação com o trabalho do que jornalistas ansiosos com ansiedade motivacional mais baixa. Isto foi particularmente verdade entre indivíduos que estavam claro sobre seus sentimentos.

Em outras palavras, a associação típica entre ansiedade e resultados negativos pareceu estar prejudicada entre aqueles com níveis mais altos de ansiedade motivacional: “usar a ansiedade como uma fonte de motivação parece compensar os efeitos danosos de ansiedade”, Strack e seus colaboradores escreveram no estudo. “Eu espero que as pessoas possam entender o lado positivo de emoções negativas, em particular a ansiedade, que muitas pessoas tentam suprimir ou evitar”, Strack falou ao PsyPost. “Nós vemos nestes estudos que a ansiedade pode, na verdade, nos fornecer muita energia e foco. Ou seja, algumas pessoas usam a ansiedade para se motivarem, algo que nós rotulamos como ‘ansiedade motivacional’”.

O estudo teve algumas limitações: “como os estudos baseiam-se em auto-relato, pesquisas futuras podem beneficiar-se de explorar o conceito de ansiedade motivacional no contexto de índices de desempenho ou outros tipos de indicadores objetivos para motivação e/ou desempenho”, Strack explicou.

O estudo também usou uma metodologia transversal, prevenindo os pesquisadores de tirar conclusões sobre causa e efeito: “em outros estudos, nós investigamos mais o conceito de ansiedade motivacional e encontramos que pessoas diferem em como nós usamos a ansiedade para nos motivarmos: alguns usam a energia que a ansiedade pode oferecer, enquanto outros usam o valor informativo que a ansiedade pode oferecer (emoções servem como um sistema de feedback que ajuda-nos a monitorar o progresso das nossas metas; por exemplo, a ansiedade pode sinalizar que nossas metas estão ameaçadas)”, Strack adicionou.

“Além disso, ansiedade motivacional pode amortecer algumas das consequências negativas de situações estressantes: em settings experimentais assim como em estudos longitudinais, nós observamos que a ansiedade motivacional pode proteger contra a exaustão emocional, assim como ajudar as pessoas a avaliar estressores como desafios positivos, ao invés de problemas ameaçadores”.

O estudo: “Must We Suffer to Succeed? When Anxiety Boosts Motivation and Performance”, foi também co-autorado por Paulo Lopes, Francisco Esteves e Pablo Fernandez-Berrocal. Foi publicado online em maio de 2017.

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

http://www.psypost.org/2017/07/people-can-use-anxiety-motivate-study-finds-49274

Cientistas Descobrem Resposta de Ansiedade Ligada a Áreas Cerebrais de Controle do Movimento

Pesquisadores descobriram que a resposta a ansiedade em adolescentes pode incluir não apenas as partes do cérebro que lidam com as emoções (o sistema límbico), como tem sido acreditado por muito tempo, mas também centros de controle do movimento no cérebro, que pode estar associado com inibição do movimento quando estressado (“congelamento”). Este é um pequeno estudo longitudinal, apresentado na conferência da ECNP, em Viena.

Um grupo de pesquisadores italianos e canadenses fizeram uma seleção de crianças ansiosas sociais e um grupo controle, da infância à adolescência. Os pesquisadores testaram 150 crianças de idades de 8/9 anos, para sinais de inibição social. Alguns destes mostraram ter sinais precoces de ansiedade social e uma tendência aumentada para abster-se de situações sociais. Elas também tiveram mais dificuldade para reconhecer emoções, em particular rostos expressando raiva.

As crianças ansiosas, mais as do grupo controle, foram então acompanhadas até a adolescência. Na faixa etária de 14-15 anos, foram testadas novamente para ver se sinais de ansiedade social tinham desenvolvido. Os pesquisadores também usaram MRI funcional para testar como os cérebros dos adolescentes responderam a expressões faciais de raiva.

A pesquisadora Laura Muzzarelli que faz parte do estudo, disse: “nós encontramos que quando foi apresentada uma cara de raiva, o cérebro de adolescentes socialmente ansiosos mostraram atividade aumentada da amígdala, que é a área do cérebro relativa as emoções, memória e como nós respondemos a ameaças. Curiosamente, nós também encontramos que isto produziu inibição de algumas áreas motoras do cérebro, o córtex pré-motor. Esta é uma área que ‘prepara o corpo para ação’ e para específicos movimentos. Esta é a primeira prova concreta de que emoções fortes produzem uma resposta em áreas do cérebro relativas ao movimento. Adolescentes que não apresentam ansiedade social tendem a não apresentar a inibição nos centros de movimento. Nós ainda não sabemos como esta inibição repercute no movimento – pode ser que isto tenha algo a ver do porquê algumas vezes nós ‘congelamos’ quando estamos assustados ou sob forte estresse emocional, mas isto ainda tem de ser testado. O que ela nos dá é uma possível explicação para algumas inibições motoras associadas com estresse emocional. Nós precisamos reconhecer que há algumas limitações para este trabalho. Nós começamos este estudo de 6 anos com 150 crianças, mas no momento em que chegamos na adolescência, reduzimos a área para apenas 5 crianças com ansiedade social e 5 com ansiedade social menos severa, então é uma amostra pequena”.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Scientists discover response to anxiety linked to movement control areas in brain

Estudo Revela Papel do Baço em Ansiedade Prolongada Após Estresse

Cientistas estão descobrindo pistas para o que pode ser um desdobramento na relação entre o cérebro e o sistema imune naqueles que sofrem de repercussões de estresse a longo prazo .

Nova pesquisa detalha estas conexões, especificamente que uma abundância de glóbulos brancos no baço poderiam estar enviando mensagem para o cérebro que resulta em mudanças comportamentais prolongadas após as experiências de ratos de repetido estresse: “nós encontramos que células imunes no baço poderiam contribuir para ansiedade crônica seguida de estresse psicológico”, disse Daniel McKim, um estudante de pós-graduação da Ohio State University e autor do estudo. “Nossos achados enfatizam a possibilidade de que o sistema imune representa um novo alvo terapêutico para o tratamento de condições de saúde mental”.

A pesquisa foi parte de uma série de estudos relacionados apresentados na Neuroscience 2016, o encontro anual da Society for Neuroscience.

Os colaboradores de McKim, John Sheridan e Jonathan Godbout, estão trabalhando para explicar a complicada interação entre imunidade e estresse em animais que experienciaram “fracasso social repetido” em um esforço para eventualmente melhorar o bem-estar de pessoas que experienciam estresse psicológico crônico.

Neste estudo, o trio de cientistas determinou que as mudanças da célula imune persistiram por quase 1 mês após os ratos experienciarem o estresse: “o estresse parece estimular a liberação de células-tronco da medula óssea para o baço, quando eles desenvolvem em glóbulos brancos ou monócitos e expandem ao longo do tempo”, Godbout disse.

“Assim, o baço se torna um reservatório de células inflamatórias”.

Sheridan afirmou que o baço é agora entendido como sendo integral para a sensibilização que ocorre após estresse prolongado em ratos, levando a ansiedade e outros problemas cognitivos  mais adiante: “é como uma memória de estresse”, Godbout disse.

No trabalho anterior deles, os pesquisadores da Ohio State documentaram um aumento na prevalência de ansiedade a longo prazo e depressão em ratos expostos a estresse crônico, um modelo que tem sido comparado a Transtorno de Estresse Pós-Traumático em pessoas: “talvez, a ansiedade seja uma coisa boa para a sobrevivência — é evolucionariamente benéfica — mas a questão se torna o que acontece quando esse sistema é colocado para trabalhar demais. É daí é que se torna problemático”, Godbout disse.

Sheridan acrescentou: “nós estamos começando a integrar mais detalhes sobre a comunicação bi-direcional entre o cérebro e o corpo e o corpo e o cérebro”.

A pesquisa foi patrocinada pelo National Institutes of Health.

Outra pesquisa relacionada, da Ohio State, compartilhada em novembro de 2016, encontrou que:

  • Interleucina-1 — uma das várias substâncias chamadas citocinas que são fundamentais para a regulação de respostas imunes e inflamatórias — desempenha um papel crucial na resposta de estresse em ratos. Em particular, a manifestação da interleucina-1 ativa a resposta imune por parte da micróglia no cérebro e aquelas células requerendo o sistema imune, levando a uma subsequente surgimento de glóbulos brancos para o cérebro. O estudante de pós-graduação Damon DiSabato liderou a pesquisa.
  • Durante o estresse crônico, a ativação da resposta imune do cérebro em células, chamado de micróglia, leva o sistema vascular do cérebro a recrutar glóbulos brancos. Aquelas células sanguíneas ou monócitos, produzem um forte sinal que causa comportamento como o de ansiedade, em ratos. A estudante de pós-graduação Anzela Niraula liderou o estudo.
  • Tipos específicos de receptores de interleucina-1 têm um papel-chave na resposta celular para a citocina, e um tipo em particular, parece provocar uma inflamação cerebral vinculada a ansiedade, em ratos. O estudo foi liderado por Xiaoyu Liu, que é estudante de pós-graduação.
  • Drogas que imitam a cannabis pode diminuir a ansiedade e inflamação em ratos que tem estresse, um achado que poderia, eventualmente, ter implicações no tratamento de transtorno de estresse pós-traumático. Sabrina Lisboa, da Universidade de São Paulo, liderou o estudo.

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http://www.psypost.org/2016/11/study-reveals-role-spleen-prolonged-anxiety-stress-45905

Probióticos Podem Reduzir Níveis de Estresse e Reduzir a Ansiedade

Probióticos ou bactérias vivas benéficas que são introduzidas no corpo, tem se tornado cada vez mais populares como uma forma de melhorar a saúde e o bem-estar. Estudos anteriores têm mostrado uma correlação direta entre micróbios do intestino e o sistema nervoso central. Agora, os pesquisadores da University of Missouri, usando um modelo de peixe-zebra, determinou que um probiótico comum, vendido em suplementos e iogurtes, pode diminuir comportamento  e ansiedade relacionado a estresse. Eles estudararam como as bactérias do intestino afetam o comportamento em peixe-zebra e se isso poderia levar a um melhor entendimento de como os probióticos podem afetar o sistema nervoso central em humanos. Seus resultados recentemente foram publicados no Scientific Reports: “Peixes-zebra são um novo modelo de espécies para estudos neuro-comportamentais e seu uso é bem-estabelecido em exame de drogas”, disse Aaron Ericsson, diretor do MU Metagenomics Center e professor no departamento de Patobiologia Veterinária. “Nosso estudo mostrou que probióticos simples que nós normalmente usamos para manter nosso trato digestivo em sincronização, poderia ser benéfico para reduzir nossos níveis de estresse também”.

Em uma série de estudos, pesquisadores testaram como peixes-zebra comportou-se após doses de Lactobacillus plantarum, uma bactéria comum encontrada em iogurte e suplementos probióticos. No primeiro estudo, cientistas adicionaram a bactéria a certos tanques abrigando peixe-zebra; outros tanques de peixe-zebra não receberam probióticos. Então, os pesquisadores introduziram estressores ambientais em ambos os grupos, tal como drenar pequenos montantes de água do tanque e superlotá-lo: “Cada dia nós introduzimos um estressor diferente — testes que estão validados por outros pesquisadores e causam maior ansiedade entre peixes-zebra”, disse Elizabeth Bryda, professora de patobiologia veterinária na MU College of Veterinary Medicine: “Estes são padrões de estresse ambiental comuns, tais como estresse e mudança de temperatura, assim fazem os testes relevantes para os humanos também”.

Ao analisar as vias genéticas de ambos os grupos de peixes, a equipe de pesquisadores encontrou que os peixes-zebras que receberam os suplementos mostraram uma redução nas vias metabólicas associadas com estresse: “ao mensurar os genes associados com estresse e ansiedade, nossos testes foram capazes de prever como este probiótico comum é capaz de beneficiar respostas comportamentais nestes peixes”, disse Daniel Davis, diretor assistente da MU Animal Modeling Core. “Essencialmente, a bactéria no intestino alterou a expressão do gene associada com vias relacionadas a estresse e ansiedade nos peixes, permitindo aumentada sinalização de particulares neurotransmissores”.

Para testar mais a sua teoria, os pesquisadores mensuraram os movimentos dos peixes nos tanques usando sofisticada medição por computador e ferramentas de imagem. Estudos anteriores de comportamento de peixes encontrou que peixes que estão estressados tendem a passar mais tempo no fundo de seus tanques. Uma vez que foi administrado probiótico para os peixes, eles tenderam a passar mais tempo na parte superior dos tanques — a mudança no comportamento indicando que estavam menos estressados ou menos ansiosos: “usando peixes-zebra, nós desenvolvemos uma plataforma relativamente barata para testar outras espécies de bactéria e probióticos e seu potencial beneficio em sistemas diferentes do corpo” Ericsson afirmou.

O estudo: “Lactobacillus plantarum attenuates anxiety-related behavior and protects against stress-induced dysbiosis in adult zebrafish”, foi publicado no Scientific Reports. O trabalho foi financiado pelo College of Veterinary Medicine. O conteúdo é exclusivamente de responsabilidade dos autores e não necessariamente representa a visão oficial das agências financiadoras.

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

http://www.psypost.org/2016/11/common-probiotics-can-reduce-stress-levels-lessen-anxiety-46075

Como Funciona o Cérebro de Pessoas com Transtorno Explosivo Intermitente (TEI)?

Pessoas com transtorno explosivo intermitente (TEI), ou agressão impulsiva, tem uma conexão enfraquecida entre regiões do cérebro associadas com o input sensório, processamento da linguagem e interação social.

Em um novo estudo publicado na revista científica Neuropsychopharmacology, os neurocientistas da University of Chicago mostraram que a substância branca em uma região do cérebro chamada de fascículo longitudinal superior (FLS) tem menos integridade e densidade em pessoas com TEI do que em indivíduos saudáveis e aqueles com outros transtornos psiquiátricos. O FLS conecta o lobo frontal do cérebro – responsável para tomada de decisão, emoção e entendimento das consequências de ações – com o lobo parietal, que processa a linguagem e input sensório: “é como uma informação supervia conectando o córtex frontal aos lobos parietal”, disse Royce Lee, MD, professor associado de psiquiatria e neurociência comportamental da University of Chicago e autor principal do estudo.

Lee e seus colaboradores, incluindo o autor Emil Coccaro, MD, da U Chicago, usaram MRI de difusão, uma forma de ressonância magnética (MRI) que mede o volume e a densidade de tecido conjuntivo da substância branca no cérebro. Conectividade é uma questão crítica porque os cérebros das pessoas com transtornos psiquiátricos geralmente apresentam muito poucas diferenças físicas de indivíduos saudáveis: “não é muito como o cérebro está estruturado,  mas a forma como estas regiões estão conectadas umas as outras”, Lee afirmou. “Isso pode ser onde nós iremos ver muitos dos problemas em transtornos psiquiátricos; então a substância branca é um lugar natural para começar, uma vez que essa é a ligação natural do cérebro de uma região para outra”.

Pessoas com questões de raiva tendem a interpretar mal as intenções das outras pessoas em situações sociais. Elas pensam que os outros estão sendo hostis quando não estão e tiram conclusões erradas sobre suas intenções. Também não levam em conta todos os dados de uma interação social, tais como linguagem corporal ou certas palavras, e notam apenas aquelas coisas que reforçam a sua crença de que a outra pessoa os está desafiando.

Conectividade diminuída entre as regiões do cérebro que processam uma situação social poderiam levar ao julgamento comprometido que escala para um surto explosivo de raiva. A descoberta dos déficits de conectividade em uma região especifica do cérebro como o FLS fornece um importante ponto de partida para mais pesquisas com pessoas com TEI, assim como aquelas com transtorno de personalidade borderline, que compartilham similares problemas emocionais e sociais e parecem ter a mesma anormalidade no FLS: “este é um outro exemplo de déficits tangíveis nos cérebros daqueles com TEI, que indica que o comportamento impulsivo-agressivo não é simplesmente um ‘mau comportamento’ mas um comportamento com uma real base biológica que pode ser estudada e tratada”, Coccaro afirmou.

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http://www.psypost.org/2016/07/people-anger-disorder-decreased-connectivity-regions-brain-43707

Estudo Encontra que a Terapia Cognitiva é Mais Efetiva do que Medicação para Tratar Transtornos de Ansiedade Social

Nós estabelecemos um novo recorde mundial em tratar efetivamente transtornos de ansiedade social”, diz Hans M. Nordahl, um professor de medicina comportamental da Norwegian University of Science and Technology (NTNU).

Uma equipe de médicos e psicólogos da NTNU e da University of Manchester, na Inglaterra, liderados por Nordahl, examinaram os efeitos da terapia da conversa estruturada e os efeitos da terapia da conversa estruturada e medicação em pacientes com transtornos de ansiedade social.

Até agora, uma combinação de terapia cognitiva e medicação era pensada ser o tratamento mais efetivo para estes pacientes. Os resultados dos pesquisadores, que foram publicados na revista cientifica Psychotherapy and Psychosomatics, mostrou que a terapia cognitiva por si própria tem um efeito muito melhor ao longo do tempo do que apenas a medicação ou a combinação dos dois.

Cerca de 85% dos participantes do estudo melhoraram significativamente ou se tornaram completamente saudáveis usando apenas a terapia cognitiva: “este foi um dos melhores estudos em transtornos de ansiedade social já realizados”, diz Nordahl. “Levou 10 anos para realizar e tem sido desafiante tanto academicamente quanto em termos de logística, mas o resultado é realmente encorajador”, ele diz.

Para esclarecer alguns termos: ansiedade social não é um diagnóstico, mas um sintoma no qual muitas pessoas lutam contra ele. Por exemplo, conversar ou sendo engraçado em frente de uma  grande platéia pode engatilhar este sintoma. Por outro lado, transtorno de ansiedade social – ou fobia social – é um diagnóstico para indivíduos que acham difícil funcionar socialmente e qualquer pessoa com este diagnóstico tem alta ansiedade social.

Medicações, terapia da conversa ou uma combinação delas são as formas mais comuns de tratar pacientes com este diagnóstico. Pesquisadores da NTNU organizaram-se para examinar quais destas abordagens é a mais efetiva: “muitos médicos e hospitais combinam medicações – como a famosa “pílula da felicidade” – com terapia da conversa quando tratam este grupo de paciente. Isso funciona bem em pacientes com transtornos depressivos, mas ele, na verdade, tem o efeito oposto em indivíduos com transtornos de fobia social. Não há muitos profissionais da área da saúde que estão cientes disto”, disse Nordahl.

“Pílulas da felicidade” como inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), podem ter fortes efeitos colaterais físicos. Quando pacientes tem estado em medicações por algum tempo e querem reduzi-las, os sentimentos corporais associados com fobia social, como tremor, ruborização e tontura em situações sociais tendem a retornar. Pacientes frequentemente acabam em um estado de ansiedade social aguda novamente: “pacientes frequentemente confiam mais na medicação e não colocam tanta importância na terapia. Eles acham que são as medicações que os farão mais saudáveis e se tornam dependentes de algo externo ao invés de aprenderem a regularem-se por si mesmos. Assim, a medicação camufla uma descoberta do paciente bastante importante: que ao aprenderem técnicas efetivas, eles tem a capacidade para lidar com suas ansiedade por eles mesmos”, diz Nordahl.

Pesquisadores da NTNU elaboraram o projeto para comparar os métodos mais reconhecidos para tratar transtornos de ansiedade social. Mais de 100 pacientes participaram no estudo e foram divididos em quatro grupos.

O primeiro grupo recebeu apenas medicação, o segundo grupo recebeu apenas terapia, o terceiro grupo recebeu uma combinação dos dois, e o quarto recebeu uma pílula de placebo. Os quatro grupos foram comparados ao longo do percurso e pesquisadores conduziram uma avaliação de seguimento com eles um ano após o término do tratamento.

Durante o tratamento e logo após o término, os pacientes dos grupos dois e três estavam manejando igualmente bem. Mas após um ano, foi claro que os participantes do grupo dois – aqueles que tinham recebido apenas terapia cognitiva – estavam muito melhor.

Apenas com a ajuda da terapia cognitiva os pesquisadores manejaram aumentar a taxa de recuperação em pacientes com transtornos de ansiedade social de 20 a 25%, como comparado com o padrão para este grupo: “este é o tratamento mais efetivo de todos para este grupo de pacientes. Tratamento de doença mental frequentemente não é tão efetivo quanto tratar uma fratura no osso, mas aqui nós mostramos que o tratamento de transtornos psiquiátricos pode ser igualmente efetivo”, diz Nordahl.

Torkil Berge é um psicólogo do Diakonhjemmet Hospital, em Oslo e chefe da Norwegian Association for Cognitive Therapy. Ele diz que transtorno de ansiedade social é um problema de saúde pública com importantes consequências negativas para o indivíduo e para a sociedade. Quase 12% da população será afetada por esta doença durante sua vida. “Este é um transtorno velado e muitos pacientes acham difícil comunicar sua luta aos profissionais de saúde que cuidam de sua saúde. Milhares e milhares de indivíduos acabam não recebendo tratamento adequado. Daqueles que conseguem tratamento, para a maioria é provavelmente oferecido terapia medicamentosa”, Berge afirma. “Eu posso bem imaginar que a combinação de terapia medicamentosa e terapia cognitiva não é a melhor abordagem, como pesquisadores da NTNU determinaram neste estudo”, ele disse.

Nordahl e o resto da equipe de pesquisa também tem trabalhado para melhorar a terapia cognitiva padrão. Eles adicionaram novos elementos concretos, que tem mostrado maior efetividade: “nós estamos usando o que é chamado terapia meta-cognitiva, significando que nós trabalhamos com os pensamentos dos pacientes e suas reações e crenças sobre estes pensamentos. Nós endereçamos a ruminação e preocupação deles sobre como elas funcionam em situações sociais. Aprender a regular os processos de atenção deles e treinar com tarefas mentais são novos elementos terapêuticos com enorme potencial para este grupo de pacientes”, diz Nordahl.

Os pesquisadores agora esperam desenvolver mais terapia cognitiva estandardizada para pacientes que sofrem de transtornos de ansiedade social.

 

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Novos Estudos Encontram Conexão Entre Dor Crônica e Transtornos Ansiosos

Uma nova pesquisa fornece insight para uma conexão observada por muito tempo, mas pouco compreendida, que é aquela entre a dor crônica e a ansiedade e oferece um potencial alvo para tratamento. Os achados do estudo, publicado na Biological Psychiatry, mostram que a expressão aumentada de PACAP – um peptídio neurotransmissor que o corpo libera em resposta ao estresse – está também aumentado em resposta a dor neuropática e contribui para estes sintomas.

Os pesquisadores examinaram a expressão de PACAP (pituitária adenilato ciclase ativando-polipeptídeo) juntamente com um dos caminhos do sistema nervoso para o cérebro – o trato espinoparabraquial amigdalóide – que viaja da medula espinhal para a amígdala, a base de operação do cérebro para comportamento emocional.

Usando modelos para dor crônica e ansiedade, assim como modelos que podem traçar neuro-circuitos de PACAP, a equipe de pesquisadores foi capaz de observar onde os caminhos do estresse e da dor crônica intersectada: “dor crônica e transtornos relacionados a ansiedade frequentemente ocorrem paralelamente”, diz Victor May, Ph.D., professor de ciências neurológicas da University of Vermont (UVM). Em um estudo de 2011, ele e os membros da equipe de pesquisadores encontraram que o PACAP estava altamente manifestado em mulheres exibindo sintomas de TEPT.

Embora May e seus colaboradores tenham visto um aumento nos comportamentos relacionados a ansiedade em modelos de dor crônica, o comportamento ansioso e a hipersensibilidade a dor estavam significativamente reduzidos quando um receptor antagonista de PACAP – destinado para bloquear a resposta – foi aplicado: “ao mirar este regulador e caminho, nós temos oportunidades para bloquear tanta a dor crônica quanto transtornos ansiosos”, diz May, cujo próximo passo é trabalhar com colegas da área de química da University of Vermont para desenvolver pequenos compostos moleculares que possam antagonizar ações da PACAP. “Isto poderia ser uma abordagem completamente diferente para usar benzodiazepínicos e opióides – é uma outra ferramenta no arsenal para lutar contra a dor crônica e transtornos comportamentais relacionados ao estresse”.

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New study finds connection between chronic pain and anxiety disorders