Estudo Mostra que o Poder da Expectativa Pode Restringir no Cérebro as Memórias Hiper-Emocionais

O rangido de um portão abrindo seguido pelo ataque de um cachorro pode perturbar de alguma forma as caminhadas em uma noite agradável. O som desse portão abrindo-se em caminhadas subsequentes eliciará uma resposta emocional e o poder desta resposta será diferente se o cachorro for um pastor alemão ou um poodle.

Através de repetidas experiências, a vizinhança, o portão e o cachorro, todos se tornarão parte do sistema de memória emocional do cérebro. O núcleo deste sistema – a amígdala – forja indeléveis ligações de experiência quando nós somos atacados ou ameaçados; mas graças ao poder da expectativa, a força destas memórias emocionais é proporcional ao dissabor da experiência: “formar uma memória emocional é apenas o aprender e calibrar nossas expectativas internas com repetidos estímulos externos do ambiente”, diz Joshua Johansen, que é líder da equipe do RIKEN Brain Science Institute. Um sinal elucidativo como um ataque de um cachorro deveria alarmar você – e sua amígdala – a primeira vez que ela acontece, mas ao longo do tempo, tanto a sua atividade cerebral quanto o seu comportamento moderará a reação ao ataque do cachorro uma vez que você aprendeu a prever quando e como ela acontece, por exemplo, em uma determinada rua, fora de uma determinada casa. Em um estudo publicado na Nature Neuroscience, Johansen e colaboradores descobriram um circuito neural que pode atenuar a força de memórias emocionais, limitando a hiperresponsividade da amígdala para estímulos esperados, porém desconfortáveis.

No experimento-chave, ratos foram treinados a aprender a associação entre um choque leve e um som precedente. Os choques inicialmente inesperados, fortemente ativaram a amígdala lateral que, por sua vez, levou a um comportamento assustador de congelamento em resposta ao som. Este comportamento de congelamento aumentou com intensidades mais altas de choque, mas uma vez que esta associação foi aprendida, a atividade relacionada ao choque nos neurônios da amígdala diminuiu. “A primeira experiência desconfortante dispara um sinal ‘instrutivo’, que é gradualmente desligado à medida que a amígdala aprende a usar o som para prever o choque”, explica Johansen.

É desconhecido como os circuitos neurais na amígdala geram tais ‘previsões’ para calibrar a formação de memória. Os autores traçaram a origem desta modulação para um agrupamento de axônios que deixa a amígdala e flui para a substância cinzenta periaquedutal (PAG), uma área chamada mesencéfalo, que processa a dor. Lá, os axônios são bem-posicionados para reduzir os sinais neurais relacionados a dor como choques antes deles alcançarem áreas mais altas do cérebro. Os autores hipotetizaram que este circuito gera sinais de ‘erro de previsão’ que indicam quanto uma expectativa difere do que na verdade acontece, que são então usadas pela amígdala e outras partes do cérebro para estabelecer a força da memória emocional e níveis de expectativa.

Se a sua idéia estava correta, então a inibição artificial da amígdala – o circuito PAG deveria interferir com normais erros de previsões e expectativas. De fato, quando eles desativam um circuito bem-treinado, os neurônios na amígdala lateral respondem como se os choques estivessem sendo experienciados pela primeira vez. Johansen adicionou: “ao interromper o circuito, nós privamos a amígdala de feedback, reconfiguramos seu nível de aprendizagem e a memória de choque se torna hiper-emocional, causando aos ratos que eles congelassem mais”.

Os autores concluíram que este circuito neural calibra a força da memória e ajuda o cérebro a formar memórias emocionais apropriadas: “nós acreditamos que a sinalização de erro de previsão em tais circuitos neurais do tipo feedback representam um principio geral para sistemas de aprendizagem do cérebro”, diz Johansen. “Como o feedback origina-se muito precocemente na rota da dor, o sistema nervoso pode transmitir a previsão de erro para muitas áreas do cérebro como a amígdala, onde é usada para ajustar as memórias.”

Entender este circuito pode também ajudar a esclarecer o que pode dar errado quando o feedback está ausente: “o TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) é um medo aprendido que é formado sob numerosas exposições a experiências ruins, como idas múltiplas a combates”, diz Johansen. Tal intensa ativação repetida de circuitos de aprendizagem poderiam desorganizar os sinais normais de erros de previsão em alguns indivíduos e fazer com que experiências levemente aversivas se pareçam muitos mais pior do que elas na verdade são. Estudos de imagem cerebral humana em prever experiências desconfortantes indica que há um papel relacionado ao PAG e amígdala. Johansen especula que circuitos similares que estabelecem a intensidade da memória baseada em erros de previsão poderiam perturbar as expectativas em pessoas ansiosas, uma hipótese merecedora de estudos adicionais.

 

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

http://www.psypost.org/2016/11/study-finds-power-expectation-can-restrain-hyper-emotional-memories-brain-45931