Status Ocupacional Alto está Ligado a Má Resposta a Tratamento de Depressão

Nova pesquisa fornece evidência adicional que seu tipo de emprego está associado com o resultado de tratamentos de depressão. De acordo com o estudo, que foi publicado no European Neuropsychopharmacology, pessoas deprimidas com posições mais altas no trabalho tendem a responder menos bem ao tratamento: “na prática clínica cotidiana é comum observar o fardo de empregos mentalmente exigentes em sujeitos que são tratados para depressão. Na verdade, para eles, é mais difícil retornar ao trabalho quando sintomas residuais menores estão presentes, que pode levar a uma recuperação mais lenta”, disse o autor do estudo, Alessandro Serretti, um professor de biomedical and neuromotor sciences, da University of Bologna.

“Vamos imaginar um gerente de uma empresa que tem que rapidamente decidir os prós e contras de muitas decisões para tomar, se sua concentração não está completamente de volta, isto torna-se uma situação dolorosa”.

O estudo realizado com 647 adultos trabalhadores diagnosticados com transtorno de depressão maior encontrou que aqueles com um trabalho de status alto tenderam a ser menos propensos ao tratamento. O estudo incluiu 46 gerentes, 476 trabalhadores de colarinho branco (empregados de escritório), 74 operários e 51 indivíduos autônomos.

Gerentes tiveram a pior resposta aos tratamentos para Depressão, enquanto operários tiveram a melhor resposta — mesmo após controlar as variáveis para gênero, faixa etária, nível educacional e o tipo de tratamento recebido. Setenta porcento de gerentes reportaram ter não resposta a dois ou mais tratamentos para depressão, comparado a 45% de operários e 58% de trabalhadores de escritório.

Os achados replicaram os resultados de um estudo anterior, que foi publicado em 2016 na revista científica European Neuropsychopharmacology: “parece que pessoas em níveis ocupacionais altos respondem com maior dificuldade ao tratamento para depressão maior”, os pesquisadores escreveram em um comentário para a Psychological Medicine. “As razões para este efeito não são claramente estabelecida, mas nós podemos especular que os fatores de estresse no trabalho desempenham um papel significante”.

Serretti disse que os achados indicam que “quando sofrendo de depressão, você deveria levar o tempo deles para voltar as atividades do seu trabalho, especialmente se as pessoas eram mentalmente exigentes”.

É pouco claro porque ter um alto nível ocupacional está associado com má resposta aos tratamentos para depressão. Mas alta carga de trabalho, pressão, competição, isolamento social no trabalho e pobre equilíbrio trabalho-vida poderia tudo isso desempenhar um papel. Pesquisas futuras poderiam também examinar o papel da personalidade, apoio familiar e auto-culpa.

Surpreendentemente, “este conceito tem sido largamente pouco estudada”, Serretti disse. “É contraintuitivo. Muitos pensam que posições de status mais altas estão normalmente relacionadas a melhores resultados — mas que não é sempre o caso”.

O estudo, “High occupational level is associated with poor response to the treatment of depression: A replication study“, foi autorado por Laura Mandelli, Alessandro Serretti, Daniel Souery, Julien Mendlewicz, Siegfried Kasper, Stuart Montgomery e Joseph Zohar.

 

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

 

https://www.psypost.org/2019/02/high-occupational-status-linked-to-poor-response-to-depression-treatment-53117

Muitas Crianças Que Ainda Estão Aprendendo Auto-Controle Não Estão Prontas Para a Pré-Escola

Muitas crianças estão ainda aprendendo a controlar seu comportamento quando estão entrando na pré-escola e pode necessitar de apoio educacional para desenvolver essa habilidade critica, indica um dos estudos mais conclusivos até agora de auto-regulação na primeira infância. 

O estudo, que contou com fundos federais e que foi co-autorado por profissionais da Michigan State University, mostra grandes diferenças em como a auto-regulação se desenvolve em crianças de idades de 3 a 7 anos. Enquanto alguns que entram na pré-escola são mais capazes de controlar seu comportamento e estão prontos para aprender, outros não desenvolvem tal auto-controle até que eles entrem para a pré-escola – ou até mais tarde.

Os achados são advindos de como os pré-escolares e salas de aula de pré-escolas nos Estados Unidos tem deslocado o foco nas últimas décadas das habilidades sociais e emocionais, tal como auto-regulação, para habilidades mais acadêmicas. Os pesquisadores sugerem que pode ser a hora de colocar um pouco do foco de volta em auto-regulação, amplamente aceita como um marcador para sucesso futuro: “se você pode ajudar as crianças a desenvolver esta habilidade fundamental de auto-regulação comportamental, permitirá estes estudantes a conseguir muitos mais da educação”, disse Ryan Bowles, professor no departamento de desenvolvimento humano e estudos de família na MSU: “auto-regulação é bastante preditiva de sucesso acadêmico”.

Junto com Janelle Montroy, Bowles e colaboradores analisaram os dados de três estudos separados que mensuraram a tarefa de “cabeça, ombro, joelho e pé”, em que crianças pequenas são instruídas para fazer o oposto do que foi dito a elas. Se foi dito a elas para tocarem a sua cabeça, por exemplo, elas vão supostamente tocar seus dedos do pé. Esta capacidade para fazer o oposto do que eles querem fazer naturalmente e para ficar focado na tarefa inteira envolve auto-regulação.

Um padrão claro emergiu em cada um dos estudos, com participantes geralmente enquadrando-se em uma das três trajetórias: crianças com desenvolvimento precoce, crianças com desenvolvimento intermediário e crianças com desenvolvimento mais tardio. Em média, as crianças com desenvolvimento tardio estavam de 6-12 meses atrás das crianças com desenvolvimento intermediário e, em pelo menos, 18 meses atrás das crianças com desenvolvimento precoce. Em geral, aproximadamente 1/5 dos 1.386 participantes pareceram obter poucos ganhos em auto-regulação comportamental em pré-escola: “eu fiquei surpreso pela consistência dos achados”, disse Bowles. “Para replicar o mesmo achado, múltiplas vezes em um único estudo é extraordinário”.

Assim como aconteceu com pesquisas anteriores, o estudo também encontrou que o desenvolvimento de auto-controle estava ligado a vários fatores-chave: gênero (meninos foram mais propensos a terem desenvolvimentos tardios), habilidades de linguagem e nível de educação da mãe: “é bem conhecido que a auto-regulação é crucial para ajudar crianças a dar um salto desde cedo em educação, de matemática a literatura – realmente todas as habilidades que eles aprendem na escola”, Bowles disse. “Assim, as crianças que desenvolvem mais tarde estão, na verdade, perdendo estas boas oportunidades. Elas já estão para trás”.

O estudo apareceu online em 2016 na revista cientifica Developmental Psychology.

 

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

http://www.psypost.org/2016/10/many-kids-still-learning-self-control-not-ready-kindergarten-45601

Severidade de Sintomas Depressivos Ligado a Menor Volume de Amígdala em Adultos Jovens

Uma estrutura-chave do cérebro que regula emoções tende a ser menor em adultos jovens com sintomas depressivos, de acordo com um novo estudo publicado no Psychiatry Research: Neuroimaging. A pesquisa examinou a relação entre a  amígdala, um par de estruturas cerebrais em forma de amêndoa e severidade de sintoma depressivo.

“Diferenças volumétricas em diversas regiões do cérebro tem sido reportada em pessoas com depressão. A amígdala é interessante porque estudos têm reportado menor, maior e o mesmo volume médio de amígdala em pessoas deprimidas conforme comparado com controles”, explicou o autor do estudo, E. Sherwood Brown, professor de psiquiatria e director da Psychoneuroendocrine Research Program, da University of Texas Southwestern Medical Center.

“Como a amígdala está envolvida no processamento de emoções, tais como medo e ansiedade, é possível que pessoas deprimidas possam processar emoções mais fortes que muitos fariam, de certo modo, a amígdala trabalha mais duro e aumenta em tamanho. Por outro lado, aumenta no hormônio do estresse, cortisol, na depressão, pode ser danoso para a amígdala e faz com que ela fique menor. Por fim, é possível que alguém possa apenas ter uma amígdala menor ou maior, que altera o processamento de emoções e torna uma pessoa mais vulnerável para a depressão”.

“Todas estas possibilidades tornam a amígdala uma região cerebral particularmente intrigante para  examinar em depressão. Nosso objetivo com este estudo foi usar um tamanho de amostra bastante grande do Dallas Heart Study para examinar a relação entre atual severidade do sintoma depressivo e volume da amígdala na amostra total e em subgrupos de participantes”, Brown disse.

Para o estudo deles, os pesquisadores analisaram exames de ressonância magnética do cérebro (MRI) de 1.797 indivíduos. Eles não encontraram evidência que severidade de sintoma depressivo estava associado com volume total da amígdala. Mas houve uma exceção: em adultos jovens, maior severidade de sintoma depressivo estava associado com menor volume de amígdala.

“A relação entre depressão e volume de amígdala pode diferir entre subgrupos de pessoas. Talvez diferentes características demográficas de participantes de pesquisa podem, pelo menos em parte, explicar os achados discrepantes em estudos de pesquisa anteriores”, Brown disse ao PsyPost.

“Nós encontramos uma relação negativa significante entre severidade de sintoma depressivo e volume de amígdala em adultos jovens, mas não em outros grupos etários. Assim, pode ser que a depressão seja um transtorno heterogêneo”.

Brown e seus colaboradores também examinaram as possíveis influências de gênero, etnia, escolaridade, IMC e uso de medicação psicotrópica. Mas nenhum destes fatores pareceu moderar a relação entre severidade de sintoma depressivo e volume de amígdala.

O estudo — como todas as pesquisas — inclui  algumas limitações: “O estudo tem várias limitações que são um pouco inerentes em pesquisa usando extensa base de dados. Nós usamos uma escala validada de severidade de sintoma depressivo. Contudo, nós não tínhamos informação sobre o período de tempo que os participantes poderiam estar deprimidos ou mesmo um diagnóstico de depressão. Teria sido útil ter tido mais  informações sobre os sintomas dele”, Brown explicou.

“Uma questão ainda a ser respondida é porque adultos jovens podem mostrar uma relação entre severidade de sintoma depressivo e volume da amígdala. O achado poderia refletir diferenças na natureza da depressão ao longo do ciclo de vida. Contudo, o atual estudo não foi capaz de responder a esta questão”.

Brown adicionou que depressão está associada com diversas mudanças físicas no cérebro.

“Eu sinto que é importante pensar sobre a depressão não apenas como um estado de humor, mas sim como uma doença que pode estar associada com mudanças no cérebro e outros órgãos. Mudanças na amígdala são apenas um exemplo”, o pesquisador disse.

“Numerosos estudos e metanálises de seus dados têm  sugerido uma redução no volume do hipocampo na depressão. Mudanças no volume cerebral pode ser biomarcadores de vulnerabilidade para depressão ou possíveis consequências de depressão. Responder a estas questões pode fornecer insights sobre os mecanismos subjacentes da depressão”.

O estudo, “Relationship between depressive symptom severity and amygdala volume in a large community-based sample“, foi autorado por Shivani Daftary, Erin Van Enkevort, Alexandra Kulikova, Michael Legacy e E. Sherwood Brown.

 

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

 

https://www.psypost.org/2019/01/greater-depressive-symptom-severity-linked-to-smaller-amygdala-volume-in-young-adults-52926

Sinal Cerebral Relacionado aos Batimentos Cardíacos Está Amplificado em Pacientes com Transtorno de Pesadelo Durante o Sono REM

Nova pesquisa fornece evidência que pessoas que sofrem de transtorno de pesadelo tem aumentada responsividade aos sinais sensoriais internos durante o o estágio de sono de “sonhar”. Os achados foram publicados na revista científica NeuroImage: Clinical.

“Nós somos fascinados pela natureza dos sonhos desde o nascimento da humanidade. Apenas recentemente, nós começamos a desvendar como eles estão sendo produzidos no cérebro e, ainda, mais pesquisas são necessárias para caracterizar os correlatos neurais de específicos conteúdos oníricos, ou mesmo uma potencial função de sonhar”, disse o autor do estudo, Lampros Perogamvros, psiquiatra e pesquisador da University Hospitals of Geneva e University of Geneva.

“A patofisiologia e correlatos neurais de transtorno de pesadelo, que é caracterizado por  frequentes sonhos com fortes emoções negativas, permanece amplamente desconhecido e sua investigação foi o principal objetivo deste estudo”.

O estudo usou eletroencefalografia (EEG) para examinar a atividade cerebral de 11 pacientes com transtorno de pesadelo e 11 controles pareados durante vigília e sono. Os pesquisadores estavam particularmente interessados em um sinal cerebral conhecido como potencial de evocação do batimento cardíaco (HEP).

Os pesquisadores encontraram que pacientes com nightmare disorder tinham uma resposta HEP mais forte durante o sono REM comparado ao grupo controle. Durante este estágio de sono, os olhos movimentam-se rapidamente e há aumentada atividade cerebral. O sono REM é também o estagio onde os sonhos ocorrem.

“Nós encontramos que, comparado aos participantes  saudáveis, pacientes com transtorno de pesadelo tinham aumentada amplitude do HEP, que representa a resposta do cérebro para nosso batimento cardíaco. Esta diferença foi encontrada apenas em sono REM e não em sono não-REM ou vigília, indicando que pesadelos são essencialmente uma patologia REM”, Pregoamos disse ao PsyPost.

Curiosamente, a aumentada amplitude de HEP em pacientes com pesadelo foi observado mesmo após  excluir pacientes que tinham reportado tendo um pesadelo quando o  estudo foi conduzido.

“Em geral, o HEP reflete o processamento sensorial interno (interocepção) e sua  amplitude está aumentada durante estados de alto estimulação emocional. Aumentada amplitude deste  potencial em transtorno de pesadelo durante sono REM indica que elevado processamento emocional e sensório participa na patofisiologia deste transtorno de sono”, Perogamvros explicou.

“De fato, este aumento foi encontrado em uma região  frontal, encontrando que é consistente com uma ativação mais forte de estruturas cerebrais frontais (ou seja, córtex cingulado anterior) implicou em processamento emocional e emoções negativas durante o período de sono associado com pesadelos (sono REM)”.

Pesquisas futuras poderiam beneficiar-se de tamanhos de amostras maiores e EEG com melhor resolução espacial: “estudos usando eletroencefalograma de alta densidade (>64 eletrodos) aumentaria a acurácia de localização do principal achado”, Perogamvros disse.

O estudo, “Increased heartbeat-evoked potential during REM sleep in nightmare disorder“, foi autorado por Lampros Perogamvros, Hyeong-Dong Park, Laurence Bayer, Aurore A. Perrault, Olaf Blanke e Sophie Schwartz.

 

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

 

https://www.psypost.org/2019/02/heartbeat-related-brain-signal-is-amplified-in-nightmare-patients-during-rem-sleep-53189