O Impacto da Ausência de Vínculo Parental na Saúde

Crescer em um lar rico em atenção pode beneficiar a saúde física da criança mesmo décadas mais tarde — mas ausência de carinho entre pais e filhos ou a presença de abuso, pode eliminar a vantagem da saúde de um background privilegiado, de acordo com um estudo da Baylor University: “pesquisas anteriores têm associado alto status sócio-econômico com melhor nutrição, sono, qualidade da vizinhança onde a criança vive, oportunidades para se exercitar e desenvolvimento de habilidades sociais na infância. Mas bons vínculos entre pais e filhos podem ser necessários para fazer cumprir as atividades como comer, dormir e atividades rotineiras”, disse o pesquisador Matthew A. Andersson, Ph.D. professor assistente de sociologia na Baylor’s College of Arts & Sciences.

Por exemplo, se relacionamentos de pais-filhos são tensos ou abusivos, as refeições podem ser menos organizadas entre a família e as crianças podem ser mais propensas a comer doce ou alimentos ricos em gorduras como guloseimas  ou mesmo no lugar das refeições. Sono e atividades rotineiras podem também se tornarem irregulares, impedindo as crianças de desenvolverem estilos saudáveis e habilidades emocionais e sociais úteis para o envelhecimento bem-sucedido, Andersson disse.

Do outro lado, bons vínculos entre pais e filhos em lares economicamente desfavorecidos, embora eles promovam saúde, não parecem reduzir o impacto negativo de baixo status sócio-econômico à medida em que a criança cresce, Andersson afirmou. Pesquisas anteriores têm mostrado que os pais com menos educação formal e menos vantagens financeiras são mais aptos a ameaçarem ou forçarem obediência ao invés de terem um diálogo construtivo e que podem diminuir relacionamentos afetuosos. Além disso, taxas de doenças ou inflamações entre aquelas crianças quando se tornam adultas têm sido ligadas fortemente ao abuso, maus-tratos ou níveis mais baixos de afeto parental.

O estudo em saúde na meia-idade e relações entre pais e filhos está publicado na revista cientifica Journal of Health and Social Behavior.

Para o estudo, saúde na meia-idade foi definida como sendo livre das 28 possíveis condições, entre elas câncer, doença circulatória ou respiratória, doenças endócrinas, doenças do sistema nervoso, doenças infecciosas e parasitárias, doença da pele ou digestiva e condições musculoesqueléticas: “muitas pesquisas continuam a ver o status sócio-econômico e os vínculos entre pais e filhos como altamente relacionadas ou até intercambiáveis. Mas de fato, elas podem influenciar bastante, independentemente do bem-estar de uma criança”, Andersson afirmou.

“A melhor lição disso é que, sem adequada qualidade de relação entre pai e filho, a vantagem sócio-econômica durante a infância pode não oferecer muita proteção de modo algum contra doenças crônicas graves à medida em que as crianças se tornam adultas e chegam a meia-idade”.

Para o estudo, Andersson analisou dados de doença ou saúde precária de adultos de meia-idade elaborados pela National Survey of Midlife Development in the United States (MIDUS). Eles entrevistaram 2.746 indivíduos de 25 a 75 anos de idade em 1995, sobre o tratamento na infância dado pelos pais. Eles conduziram entrevistas novamente 10 anos mais tarde, com 1.692 dos indivíduos participantes do primeiro estudo. A análise de seguimento, ajustada por background pessoal em 1995 e por probabilidade de abandono do estudo MIDUS, revelou que o abuso na infância continuou a comprometer toda a proteção de doença ligada a vantagem socioeconômica na infância.

 

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Texto originalmente publicado em inglês no Psypost:

Lack of parental warmth can cancel the health benefits of a privileged background