Um novo estudo enfatiza algumas razões pela qual experiências traumáticas podem levar a depressão. A pesquisa publicada na Psychiatry Research encontrou evidência que o prejuízo relacionado ao estresse traumático em funcionamento diário e auto-medicação com álcool prediz o surgimento de depressão: “quando trabalhando com sobreviventes de trauma em um setting de saúde mental, rapidamente se aprende que não é incomum para pessoas com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) também preencherem critérios para Transtorno Depressivo Maior (TDM) em algum momento da vida deles. Há numerosas teorias sobre os motivos que estas duas condições frequentemente co-ocorrem e eu estava interessada em entender a natureza desta relação em uma amostra grande e nacionalmente representativa”, disse a autora do estudo, Shannon M. Blakey, da University of North Carolina at Chapel Hill.
Para melhor entender a ligação entre exposição ao trauma e sintomas depressivos, os pesquisadores examinaram dados da National Epidemiologic Survey on Alcohol and Related Conditions. O estudo representativo nacionalmente foi inicialmente conduzido em 2001-2002. O estudo entrevistou novamente os participantes originais do estudo três anos mais tarde.
Blakey e seus colaboradores analisaram respostas de 8.301 adultos sem depressão anterior que tinham experienciado um evento traumático, conjuntamente com um subgrupo de 1.055 indivíduos que preencheram a todos os critérios diagnósticos para TEPT.
Os pesquisadores encontraram que pessoas que disseram que estresse traumático tinha interferido em suas atividades diárias e que reportaram auto-medicar-se com álcool foram mais propensos a desenvolver depressão. Aqueles que eram mais novos, mulheres, e os reportaram um maior número de diferentes tipos de trauma foram também mais propensos a desenvolver depressão: “é importante manter em mente que as formas na qual as pessoas respondem ao trauma (e/ou lidam com seus sintomas de TEPT), podem fazer uma grande diferença em seu bem-estar no futuro”, Blakey afirmou.
“É bastante comum os sintomas de TEPT interferirem em importantes domínios da vida (tais como relacionamentos interpessoais e/ou atividades diárias), e é também completamente aceitável para sobreviventes de trauma recorrer a esforços de enfrentamento (coping) que são efetivos a curto-prazo mas que, entretanto, exacerbam problemas a longo-prazo (tais como a evitação e/ou usar álcool/drogas para auto-medicar seus sintomas).”
“Felizmente, psicólogos clínicos tem desenvolvido tratamentos breves e efetivos para uma grande variedade de condições de saúde mental (ver o link a seguir para maiores informações: https://www.div12.org/psychological-treatments/).”
O estudo controlou para uma série de fatores de risco para depressão, tal como estressantes eventos de vida. Mas como todas as pesquisas, ela inclui algumas limitações: “embora estes achados ajudem a esclarecer um tópico importante, há várias limitações que deveriam ser mantidas em mente. Por exemplo, é possível que pessoas não lembrem exatamente de aspectos importantes sobre o seu trauma, sintomas de TEPT, uso de álcool/drogas e outros eventos de vida durante as entrevistas do estudo”, Blakey explicou.
“Nós também só tivemos uma janela de três anos entre as entrevistas, de forma que é possível que os participantes poderiam ter endossado diferentes resultados se nós tivéssemos usados uma janela menor ou maior entre as entrevistas. Seria mais útil se nós tivemos mais informações sobre as pessoas antes do trauma delas, imediatamente após o trauma e então em múltiplos pontos no tempo, após o trauma, para melhor caracterizar fatores de risco de TDM em sobreviventes de trauma”.
“Embora sobreviventes de trauma tenham um risco aumentado para TDM e outros resultados negativos, muitas pessoas experienciam eventos realmente horríveis e recuperam-se naturalmente, com algum tempo, por conta própria. Pesquisadores de TEPT tendem a estudar os efeitos negativos de eventos traumáticos em saúde mental das pessoas para desenvolver estratégias úteis de prevenção e/ou intervenção”, Blakey adicionou. “Contudo, é importante lembrar que humanos são notavelmente resilientes e muitas pessoas olham para trás e dizem que suas experiências de vida estressantes, no final das contas, ajudaram-nas a se tornarem pessoas mais fortes e melhores”.
O estudo, “Why do trauma survivors become depressed? Testing the behavioral model of depression in a nationally representative sample“, foi autorado por Shannon M. Blakey, Jennifer Y. Yi, Patrick S. Calhoun, Jean C. Beckham e Eric B. Elbogen.
