Um ambiente altamente estressante pode ser um trunfo ao invés de uma desgraça para alguns. De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Individual Differences, alguns indivíduos ansiosos podem usar essa experiência para motivar a si mesmo.
Pesquisas passadas encontraram que a ansiedade pode prejudicar a concentração e a memória. Mas o estudo sugere que a forma como as pessoas experienciam e respondem a ansiedade influencia seu desempenho acadêmico e profissional: “eu tenho a impressão de que muito da pesquisa em psicologia foca-se em regulação da emoção hedônica; em outras palavras, quando as pessoas esforçam-se para serem felizes”, afirma a autora do estudo, Juliane Strack de Strandklinik St. Peter-Ording. “Contudo, eu observei que há situações onde as pessoas parecem prosperar com o estresse — situações que tendem a evocar emoções negativas, tais como a ansiedade e a raiva. Isso levou-me a investigar o conceito de regulação emocional instrumental (quando nós mantemos ou buscamos emoções que ajudam-nos a atingir metas; estas emoções podem ser negativas, tal como a ansiedade em situações perigosas) assim como o eustress (estresse positivo).”
O estudo, de três partes, investigou a tendência para usar a ansiedade para auto-motivação, utilizando como sujeitos 194 adultos alemães, 159 estudantes universitários na Polônia e 270 jornalistas na Alemanha. Pessoas que pontuaram mais alto em medidas de ansiedade motivacional tendem a concordar com declarações, tais como “sentir-se ansioso sobre uma data limite me ajuda a terminar o trabalho a tempo” e “sentir-se ansioso sobre minhas metas me mantêm focado(a) nelas”.
Os pesquisadores encontraram que estudantes ansiosos com mais alta ansiedade motivacional tenderam a ter melhores notas do que estudantes ansiosos com ansiedade motivacional mais baixa. Do mesmo modo, jornalistas ansiosos com ansiedade motivacional mais alta tenderam a relatar mais alta satisfação com o trabalho do que jornalistas ansiosos com ansiedade motivacional mais baixa. Isto foi particularmente verdade entre indivíduos que estavam claro sobre seus sentimentos.
Em outras palavras, a associação típica entre ansiedade e resultados negativos pareceu estar prejudicada entre aqueles com níveis mais altos de ansiedade motivacional: “usar a ansiedade como uma fonte de motivação parece compensar os efeitos danosos de ansiedade”, Strack e seus colaboradores escreveram no estudo. “Eu espero que as pessoas possam entender o lado positivo de emoções negativas, em particular a ansiedade, que muitas pessoas tentam suprimir ou evitar”, Strack falou ao PsyPost. “Nós vemos nestes estudos que a ansiedade pode, na verdade, nos fornecer muita energia e foco. Ou seja, algumas pessoas usam a ansiedade para se motivarem, algo que nós rotulamos como ‘ansiedade motivacional’”.
O estudo teve algumas limitações: “como os estudos baseiam-se em auto-relato, pesquisas futuras podem beneficiar-se de explorar o conceito de ansiedade motivacional no contexto de índices de desempenho ou outros tipos de indicadores objetivos para motivação e/ou desempenho”, Strack explicou.
O estudo também usou uma metodologia transversal, prevenindo os pesquisadores de tirar conclusões sobre causa e efeito: “em outros estudos, nós investigamos mais o conceito de ansiedade motivacional e encontramos que pessoas diferem em como nós usamos a ansiedade para nos motivarmos: alguns usam a energia que a ansiedade pode oferecer, enquanto outros usam o valor informativo que a ansiedade pode oferecer (emoções servem como um sistema de feedback que ajuda-nos a monitorar o progresso das nossas metas; por exemplo, a ansiedade pode sinalizar que nossas metas estão ameaçadas)”, Strack adicionou.
“Além disso, ansiedade motivacional pode amortecer algumas das consequências negativas de situações estressantes: em settings experimentais assim como em estudos longitudinais, nós observamos que a ansiedade motivacional pode proteger contra a exaustão emocional, assim como ajudar as pessoas a avaliar estressores como desafios positivos, ao invés de problemas ameaçadores”.
O estudo: “Must We Suffer to Succeed? When Anxiety Boosts Motivation and Performance”, foi também co-autorado por Paulo Lopes, Francisco Esteves e Pablo Fernandez-Berrocal. Foi publicado online em maio de 2017.
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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:
http://www.psypost.org/2017/07/people-can-use-anxiety-motivate-study-finds-49274
