Os Psicopatas Sentem Medo Mas não Conseguem Detectar o Perigo

(Fonte da foto: https://off-guardian.org/2015/06/15/who-are-the-psychopaths/)

 

Pesquisadores da Vrije Universiteit Amsterdam e Radboud University Nijmegen encontraram prova de que indivíduos psicopáticos podem sentir medo, mas tem problema na detectação automática e responsividade à ameaça. Por muitas décadas, o medo tem sido estabelecido como uma característica marcante de psicopatia, as deficiências no qual levariam a comportamento ousado e arriscado.

Sylco Hoppenbrouwers (VU Amsterdam), Erik Bulten e Inti Brazil (Radboud University) revisaram dados comportamentais e cerebrais de teorias e empirismo pertinentes ao medo e psicopatia e encontraram que indivíduos psicopáticos apresentam problema para detectar ameaças.

Contudo, há pouca evidência de que a experiência consciente de medo foi afetada, indicando que a experiência de medo pode não estar completamente comprometida em psicopatia. É o primeiro estudo que fornece evidência empírica de que os processos automáticos e conscientes podem estar independentemente afetados dentro de um transtorno psiquiátrico.

Os resultados foram publicados no Psychological Bulletin.

Em sua revisão sistemática e metanálise, Hoppenbrouwers, Bulten e Brazil revisaram a evidência disponível para a potencial existência de uma relação entre medo e psicopatia em indivíduos adultos. Essencialmente, a sua definição de medo foi baseada no conhecimento do estado de arte dos fundamentos cognitivos e neurobiológicos desta emoção. Eles usaram este conhecimento para gerar um modelo que separa os mecanismos cerebrais envolvidos na detectação automática e responder as ameaças daqueles envolvidos na experiência consciente de medo como uma emoção.

Usando este modelo como referência, eles primeiro realizaram uma análise conceitual do trabalho de teóricos anteriores, voltando para 1806. Eles encontraram que apenas um teórico incorporou o conceito de medo em um modelo etiológico de psicopatia.

A evidência para comprometimentos em áreas do cérebro envolvidas na experiência de medo foram menos consistentes do que frequentemente supuseram, indicando que a experiência de medo pode não estar completamente comprometida na psicopatia. Os pesquisadores, então, conclusivamente mostraram que indivíduos psicopáticos tinham problema na detectação automática e responsividade para ameaça mas poderiam, na verdade, sentir medo, fornecendo direto suporte empírico para a alegação de que a experiência consciente de medo pode não estar comprometida nestes indivíduos.

Uma metanálise adicional examinando as cinco outras emoções básicas encontrou que pode também haver comprometimentos na experiência de felicidade e raiva, mas a ausência de consistência na literatura atual impediu a geração de fortes alegações.

A pesquisa de Hoppenbrouwers, Bulten e Brazil é a primeira a fornecer evidência empírica de que os processos automáticos e conscientes podem estar separados. Além do mais, o modelo proposto não apenas aplica-se a psicopatia, mas pode também ser usado para adicional aumento da precisão conceptual e gerar novas hipóteses para pesquisas nos transtornos de humor e de ansiedade.

Inti Brazil: “embora indivíduos psicopáticos possam sofrer de um sistema de ameaça funcional, pessoas com transtorno de estresse pós-traumático podem ter um sistema de ameaça hiperativa, que mais tarde os leva a sentirem-se temerosos.” Sylco Hoppenbrouwers concorda: “Como uma consequência de nossa pesquisa, algumas  teorias bastante influentes que atribuem proeminentes papéis para destemor na etiologia da psicopatia necessitarão serem reconsideradas e tornadas coerentes com atual evidência neurocientifica. Tais re-avaliações de conceitos-chave levarão a aumentada precisão em pesquisa e prática clinica que deveria, em última instância, preparar o terreno para intervenções de tratamento mais dirigidas e mais efetivas”.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

https://www.psypost.org/2016/08/psychopaths-feel-fear-but-see-no-danger-study-finds-44704

Uso da Mídia Social Associada com Depressão entre Adultos Jovens Americanos

(Fonte da foto: jour3751spring17.newmedia.dash.umn.edu)

Quanto mais tempo os adultos jovens usam a mídia social, mais provavelmente eles serão/estarão deprimidos, de acordo com uma nova pesquisa da University of Pittsburgh School of Medicine.

Os achados poderiam guiar intervenções clínicas e de saúde pública para enfrentar depressão, com previsão para tornar-se a principal causa de incapacidade em países de renda elevada até 2030. A pesquisa, financiada pelo National Institutes of Health, está publicada online na revista científica Depression and Anxiety.

Este foi o primeiro grande estudo e nacionalmente representativo a examinar associações entre o uso de uma vasta gama de mídia social e a depressão. Estudos anteriores no assunto produziram resultados mesclados, sendo limitados por amostras pequenas ou localizadas, e focados primariamente em uma especifica plataforma de mídia social, ao invés da ampla variedade frequentemente usada por adultos jovens: “como a mídia social tornou-se um componente muito integrado da interação humana, é importante para os médicos interagindo com adultos jovens reconhecerem o equilíbrio a ser atingido ao encorajar potencial uso positivo, em termos de uso problemático”, disse o autor Brian A. Primack, M.D., Ph.D., diretor do Pitt’s Center for Research on Media, Technology and Health.

Em 2014, o Dr. Primack e os seus colaboradores recrutaram uma amostra de 1.787 adultos dos Estados Unidos, na faixa etária de 19 a 32 anos, usando questionários para determinar o uso de mídia social e uma consagrada ferramenta de avaliação de depressão.

Os questionários perguntaram sobre as 11 plataformas de mídia social mais populares na época: Facebook, YouTube, Twitter, Google Plus, Instagram, Snapchat, Reddit, Tumblr, Pinterest, Vine e LinkedIn.

Em média, os participantes usaram mídia social um total de 61 minutos por dia e visitaram várias contas em mídia social 30 vezes por semana. Mais de 1/4 dos participantes foram classificados como tendo “altos” indicadores de depressão.

Houve significativas e lineares associações entre o uso da mídia social e a depressão, se o uso da mídia social foi mensurado em termos de um tempo total gasto ou frequência de visitas. Por exemplo, comparado com aqueles que checaram menos frequentemente, participantes que reportaram checar mais frequentemente a mídia social durante toda a semana, tiveram 2.7 vezes a probabilidade de depressão. Similarmente, comparado a pessoas da mesma idade que passaram menos tempo na mídia social, os participantes que passaram a maioria do tempo total em mídia social durante todo o dia, tiveram 1.7 vezes o risco de depressão. Os pesquisadores controlaram outros fatores que poderiam contribuir para a depressão, incluindo idade, sexo, raça, etnia, estado civil, situação de vida, renda familiar e nível educacional.

A autora Lui yi Lin, B.A., que graduou-se pela University of Pittsburgh School of Medicine este ano, enfatizou que, como este foi um estudo transversal, ele não separa causa e efeito. Pode ser que pessoas que já estavam deprimidas estão recorrendo a mídia social para preencher uma lacuna”, ela disse.

Por outro lado, Ms. Lin explica que a exposição a mídia social pode também causar depressão, que poderia então, por sua vez, fomentar mais uso de mídia social. Por exemplo:

  • Exposição a representações altamente idealizadas de congêneres em mídia social elicia sentimentos de inveja e a crença distorcida de que os outros levam vidas mais felizes e mais bem-sucedidas.
  • Engajar-se em atividades de pouca significância em mídia social pode levar a um sentimento de “perda de tempo” que negativamente influencia o humor.
  • O uso de mídia social poderia estar fomentando a “dependência a internet”, uma condição proposta pela psiquiatria intimamente associada com depressão.
  • Passar mais tempo em mídia social poderia aumentar o risco de exposição a cyber-bullying ou outras interações negativas similares, que podem causar sentimentos de depressão.

Além de encorajar médicos a perguntarem sobre o uso de mídia social entre pessoas que estão deprimidas, os achados poderiam ser usados como base para intervenções de saúde pública alavancando a mídia social. Algumas plataformas de mídia social já fizeram incursões nessas medidas preventivas. Por exemplo, quando uma pessoa pesquisa o site Tumblr por tags indicativos de uma crise de saúde mental – tais como “deprimido”, “suicida” ou “desesperança” – eles são redirecionados para uma mensagem que começa com “está tudo bem?” e fornece links de recursos. Similarmente, um ano atrás, o Facebook testou um recurso que permite que amigos anonimamente façam denúncia de posts preocupantes. Os posts então receberiam mensagens de pop-ups exprimindo preocupação e encorajando-os a falar com um amigo ou com uma linha de ajuda (helpline): “nossa esperança é de que as pesquisas continuem e possam permitir que tais esforços sejam aperfeiçoados de tal forma que possam melhor alcançar aquelas pessoas em necessidade”, afirmou Dr. Primack. “Todas as exposições as mídias sociais não são as mesmas. Futuros estudos poderiam examinar se poderia haver diferentes riscos para depressão dependendo se as interações das pessoas com mídia social tendem a ser mais ativas vs. passivas ou se elas tendem a ser mais confrontacionais vs. suportivas. Isto poderia nos ajudar a desenvolver mais recomendações otimizadas em torno do uso da mídia social”.

 

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Social media use associated with depression among US young adults

Os Bebês Sabem Acalmar os Adultos?

Adultos frequentemente formam opiniões rápidas sobre a personalidade das outras pessoas, especialmente quando se fala sobre os traços negativos. Se nós vemos alguém discutindo com um outro motorista por causa de uma vaga em um estacionamento, por exemplo, podemos presumir que a pessoa tende a ser confrontativa.

Duas novas pesquisas com centenas de bebês de 15 meses de idade – demonstram que bebês formam generalizações similares sobre os outros e fazem tentativas para acalmar/apaziguar adultos que eles consideram propensos a raiva.

A pesquisa, realizada por cientistas da University of Washington’s Institute for Learning & Brain Sciences (I-LABS), revela pela primeira vez que bebês de 15 meses de idade generalizam um comportamento raivoso adulto mesmo se o contexto social mudou: “nossa pesquisa sugere que bebês farão tudo o puderem para evitar ser o alvo da raiva”, disse a autora principal do estudo, Betty Repacholi, uma cientista da I-LABS. “Com essa pouca idade, eles já desenvolveram uma forma de manterem-se seguros. É uma resposta inteligente e  adaptativa”.

Em um dos estudos, publicado na edição de março de 2016 da revista científica Developmental Psychology, Repacholi e co-autores queriam ver como expor os bebês a raiva de um adulto desconhecido em direção a um outro adulto afetaria o comportamento dos bebês em uma nova situação. Os bebês presumem que os iniciais encontros negativos aconteceriam novamente?: “nossa pesquisa mostra que bebês estão prestando cuidadosa atenção às reações emocionais dos adultos”, disse o co-autor Andrew Meltzoff, co-director do I-LABS.

“Bebês fazem julgamentos de se um adulto é propenso a raiva. Eles classificam os adultos mais rapidamente do que nós pensamos”, adicionou Meltzoff, da Job and Gertrud Tamaki Endowed Chair na UW.

O experimento ocorreu assim: 270 bebês com 15 meses de idade, meninos e meninas, sentaram na perna de seus pais do outro lado da mesa de um pesquisador chamado de  “experimentador”.

O bebê via o experimentador demonstrando como brincar com uma série de brinquedos. Em cada ensaio, um segundo pesquisador, o “Emoter”, reagiu de uma forma neutra (“isso é lúdico”) ou de uma forma negativa, dizendo “isso é negativo!” em uma voz  sisuda quando o experimentador fez algo usando o brinquedo. A reação do Emoter foi a mesma para cada brinquedo. Então o bebê tinha a chance de brincar com o mesmo brinquedo.

Os pesquisadores mensuraram com que rapidez os bebês imitavam as ações do experimentador. Bebês que testemunharam a explosão de raiva foram menos propensos a brincar com o brinquedo ou para duplicar as ações dos adultos do que os bebês que viram uma reação neutra do Emoter.

A seguir, o experimentador apresentou ao bebê como brincar com um novo brinquedo. Desta vez, contudo, o anteriormente raivoso Emoter agora parecia estar neutro: “nós queríamos ver se os bebês tratariam a raiva que tinham visto antes como um evento único ou se a viam como sendo parte do caráter da pessoa”, Repacholi disse.

Quando dada a chance de brincar com um novo brinquedo, os bebês que conheciam a história de raiva do Emoter, evitaram brincar com o brinquedo, comparado com os bebês que estavam no grupo neutro: “é como se o bebê não acreditasse que o Emoter agora está calmo”, Repacholi afirmou. “Uma vez que os bebês tinham detectado que havia a propensão da pessoa para raiva, foi difícil desprezar essa informação. Eles estão escolhendo uma abordagem “mais vale prevenir do que remediar”, onde não arriscariam apesar da situação ter aparentemente mudado”.

Um segundo novo estudo de Repacholi, Meltzoff e equipe sugere que bebês são capazes de encontrar gestos de apaziguamento em situações envolvendo propensão a raiva em adultos. Os achados estão publicados na revista científica Infancy.

Usando uma similar situação experimental, um outro grupo de bebês — 72 bebês de 15 meses de idade, com um número uniforme de meninos e meninas — primeiro observou a reação de “raiva” ou “neutra” do Emoter para os brinquedos usados pelo experimentador. Então, a reviravolta: o experimentador trouxe novos brinquedos projetados para serem altamente desejáveis para os bebês, tal como um brinquedo com uma pequena bola que iluminava-se quando rodada.

Sentados no colo dos pais, os bebês brincavam brevemente com o brinquedo atraente antes do Emoter — que tinha uma expressão facial neutra e não estava apresentando nenhuma raiva até aquele momento — pedir para ser a vez dele.

O que os bebês fizeram? Aqueles que tinham previamente visto o Emoter ficar bravo prontamente abandonaram os brinquedos. Ou seja, 69% dos bebês no grupo “raiva” desistiram dos brinquedos comparados a 46% de bebês no grupo “neutro”: “eu fiquei tão surpreso de ver os bebês entregarem os brinquedos — era como se estivessem acalmando ou comprometendo-se com o adulto”, Repacholi afirmou. “Eles não quiseram arriscar de deixar o adulto, que tinha ficado zangado anteriormente, ficar bravo novamente. Eles não agiram desta forma com o outro adulto que não tinha mostrado raiva”.

Juntos, os estudos ilustram como os bebês:

    • – fazem julgamentos rápidos sobre as qualidades emocionais das pessoas
    • – podem ter emoções negativas dominando suas percepções do caráter de uma pessoa e,
    • – tendem a presumir que uma pessoa com um histórico de raiva ficará com raiva novamente mesmo se a situação tiver mudado.

“Nossos estudos mostram que os bebês estão bastante atentos a raiva das outras pessoas”, Repacholi afirmou. “Para os pais, é importante estarem cientes do quanto essa emoção é poderosa para os bebês”. Acrescentou Meltzoff: “os bebês são ‘detetives das emoções’. Eles observam e escutam nossas emoções, lembram como nós agimos no passado e usam isto para predizer como nós agiremos no futuro. Por quanto tempo estas primeiras impressões durarão é uma questão importante”.

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Better safe than sorry: Babies make quick judgments about adults’ anger