O Bem-Estar está Ligado com Quando e Como as Pessoas Manejam as Emoções

Reestruturar como nós pensamos sobre uma situação é uma estratégia comum para manejar nossas emoções, mas um novo estudo sugere que usar esta estratégia de reavaliação em situações sobre a qual nós, na verdade, temos controle, pode estar associada com menos bem-estar. Os achados estão publicados no Psychological Science, uma revista cientifica da Association for Psychological Science: “nossos resultados advertem contra a abordagem de ‘estratégia única’, que pode ser tentadora para recomendar baseada em muitos achados prévios acerca da reavaliação como uma estratégia para regular as emoções”, diz o cientista psicológico Peter Koval, da Australian Catholic University. “Simplesmente usar uma determinada estratégia de regulação da emoção mais (ou menos) em todas as situações pode não levar aos melhores desfechos – pelo contrário, regulação de emoção contextualmente apropriada pode ser mais saudável”.

Trabalho recente em regulação de emoção tem enfatizado o fato de que a flexibilidade em usar estratégias de regulação de emoção é chave para um funcionamento saudável. Koval e sua equipe de pesquisadores decidiram investigar como o contexto situacional pode desempenhar um papel na relação entre regulação emocional e bem-estar na vida diária das pessoas.

Os pesquisadores recrutaram 74 adultos para participar em um estudo de 7 dias que envolveu responder a questões de pesquisa periódica feita via smartphone. O aplicativo de pesquisa enviou lembretes (alertas) em intervalos randomizados de 40 a 102 minutos entre 10:00 am e 10:00 pm cada dia, perguntando aos participantes se eles tinham “olhado para as coisas de uma perspectiva diferente” e/ou “mudaram a forma que eles estavam pensando” em resposta aos seus sentimentos desde o último lembrete. Foi também pedido aos participantes para pontuar quanto controle eles tiveram sobre o que tinha acontecido desde o último lembrete. Para cada questão, os participantes poderiam escolher uma resposta variando de 0 (de jeito nenhum) a 100 (muito).

Antes de começar o sétimo dia do estudo, os participantes completaram medidas validadas  e avaliando sintomas de depressão, ansiedade, estresse e neuroticismo, assim como medidas de ansiedade social e auto-estima. Estas medidas forneceram aos pesquisadores uma indicação do bem-estar dos participantes.

Resultados mostraram que os participantes cumpriram, com sucesso, com as instruções da pesquisa, respondendo a aproximadamente 87% dos lembretes enviados, em média. Os pesquisadores não encontraram nenhuma associação confiável entre o bem-estar dos participantes e o uso global de reavaliação como uma forma de regular a emoção no cotidiano, em consonância com a noção de que reavaliação não é uma estratégia do tipo única.

Os pesquisadores encontraram, contudo, que os participantes que reportaram níveis mais altos de depressão, ansiedade, estresse, neuroticismo e ansiedade social foram mais propensos a usar reavaliação em resposta a situações que perceberam como controláveis, enquanto que os participantes que reportaram bem-estar mais alto tenderam a usar reavaliação mais em situações que sentiram que tinham pouco controle sobre elas: “nós encontramos que pessoas com bem-estar mais alto aumentaram o seu uso de reavaliação à medida em que os contextos se tornaram menos controláveis, enquanto que os indivíduos com menos bem-estar mostraram o padrão oposto”, Koval e colaboradores explicam em seu artigo.

Dado que o estudo mensurou o uso de reavaliação na vida diária ao invés de uma única semana e avaliou bem-estar em apenas uma única ocasião, os resultados não nos dizem se mais uso apropriado situacionalmente de reavaliação leva a maior bem-estar ou vice-versa. Apesar disto, os pesquisadores argumentam que os achados sugerem que o contexto – neste caso, quanto controle um indivíduo acredita que tem sobre situações – faz uma diferença nos desfechos de estratégias de regulação de emoção: “quando uma situação pode ser diretamente mudada, reavaliação pode abalar a função adaptativa de emoções em motivando a ação”, os pesquisadores escrevem.

Koval e seus colaboradores estão atualmente conduzindo um grande estudo de seguimento, no qual rastreiam regulação de emoção dos participantes na vida diária ao longo do curso de 3 semanas. Eles planejam extender seu trabalho, examinando estratégias de regulação emocional adicionais, fatores contextuais e medidas de bem-estar.

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

http://www.psypost.org/2016/11/well-linked-people-manage-emotions-45768

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