Medicação é uma parte importante do tratamento para muitos pacientes com transtorno de depressão maior, mas a transição para antidepressivos não é sempre tranquila. Pode levar seis semanas para uma pessoa responder a farmacoterapia. E com taxas de remissão de aproximadamente 1/3, a maioria dos pacientes com depressão poderiam também beneficiarem-se de melhor resposta global para a medicação.
Pesquisadores da University of Michigan que são especializados tanto em psiquiatria quanto em medicina do sono, encontraram uma potencial forma para ajudar. Um horário preciso para dormir (como uma rotina de sono) poderia afetar as taxas de remissão de antidepressivos e tempo de resposta, os pesquisadores encontraram. Mas não na forma que eles pensavam. Estudos anteriores, a maioria de settings com pacientes internados, encontrou que total ou parcial (quatro a cinco horas) privação do sono em uma única noite melhorou o humor no dia seguinte em aproximadamente 60% dos pacientes. Esta quantidade extrema de privação de sono não é, contudo, prática ou segura para pacientes em suas próprias casas.
Em um novo estudo da U-M e publicado na Journal of Clinical Psychiatry, 68 adultos foram alocados para passar seis ou oito horas na cama cada noite durante as primeiras duas semanas no uso do antidepressivo fluoxetina.
É o primeiro estudo a avaliar os efeitos do humor em um razoável tempo de restrição na cama em pacientes ambulatoriais. Sono e humor foram medidos diariamente pelas primeiras duas semanas e medida de humor continuou semanalmente por seis semanas mais após os pacientes retornarem de seus regimes de sono preferidos e continuarem com a fluoxetina: “é importante encontrar estratégias práticas e seguras que possam melhorar nossas tradicionais terapias de depressão, então nós decidimos avaliar uma quantidade mais modesta de privação do sono que poderia facilmente ser implementada em conjunto ao tratamento medicamentoso”, diz J. Todd Arnedt, Ph.D., principal investigador e professor da U-M. “Embora nós tenhamos previsto que o grupo com tempo restrito na cama teria uma melhor resposta, baseado em uma melhor resposta, baseado em anterior pesquisa de privação de sono em depressão, nós, na verdade, encontramos o oposto”.
Surpreendentemente, o grupo que passou as oito horas completas na cama cada noite mostrou maior melhora em todas as frentes. Os sujeitos tiveram quase 2x mais probabilidade de alcançar remissão de sintomas após as oito semanas completas de tratamento de antidepressivo – 63% comparado com 33% no grupo de seis horas. Eles também experienciaram uma resposta mais rápida ao tratamento: “este é o primeiro estudo para demonstrar que um sono adequado pode acelerar e aumentar a resposta de tratamento antidepressivo”, Arnedt disse, “mas mais pesquisa é necessária”.
Dos sujeitos que passaram seis horas na cama, foi dito para um grupo para ficar acordado por duas horas mais tarde e o outro para acordar duas horas mais cedo. Os pesquisadores queriam avaliar se mudanças em sono lento profundo ou sono REM em taxas de resposta afetam a remissão. Estudos anteriores tinham produzido achados contraditórios sobre se a resposta ao tratamento estava relacionada a mudanças em particulares estágios de sono.
Após duas semanas no esquema de seis horas, a polissonografia feita de um dia para o outro, verificou que os sujeitos que acordaram duas horas mais cedo experienciaram uma significativa redução no sono REM enquanto aqueles que ficaram acordados mais tarde experienciaram uma quantidade aumentada de sono lento. Mas nenhuma diferença na resposta de tratamento foi encontrada entre os grupos de seis horas: “esta pesquisa não apoia o papel específico de sono lento ou sono REM tão crucial para a resposta ao tratamento”, Arnedt says.
Tecnologia portátil permitiu que os pesquisadores soubessem como funciona bem seus sujeitos e estes foram seguindo as instruções de tempo para ficar na cama. O dispositivo ActiGraph, similar ao Fitbit mas capaz de detectar o sono mais acuradamente, usa sensores de movimento para determinar se os pacientes passaram suas horas definidas na cama.
O grupo encarregado com oito horas na cama em grande parte aderiu ao cronograma. Mas o grupo de seis horas teve grande dificuldade. O grupo do cronograma para acordar cedo passou cerca de uma hora a mais na cama do que o que foi instruído: “estes achados nos dizem que se a condição de seis horas tivesse produzido melhores resultados em termos de resposta ao tratamento, os pacientes seriam improváveis de seguir uma recomendação clínica para passarem apenas seis horas na cama durante as duas semanas iniciais de terapia antidepressiva. Então, esta é uma estratégia que não é possível para implementação em settings ambulatoriais”, Arnedt afirma.
Como o estudo foi desenhado para, primeiramente avaliar os efeitos de restrição de tempo na cama em resposta a tratamento antidepressivo, o próximo passo, Arnedt diz, é avaliar diretamente se otimizar ou ampliar o tempo de sono enquanto iniciando a terapia com antidepressivo melhora a resposta. Otimização da programação de sono envolveria considerar não apenas quantas pessoas estão dormindo mas também fatores individuais tais como a preferência de sono e horas para acordar de um sujeito, além da qualidade de sono.
A equipe está também interessada em técnicas de medida mais sofisticadas, tais como imagem do cérebro e EEG de alta densidade, para examinar mais a fundo o impacto de manipular diretamente o sono REM, de sono lento e outros aspectos do sono assim como fatores implicados na resposta ao tratamento.
Por enquanto, Arnedt recomenda prestar atenção mais de perto de como e quanto os pacientes estão dormindo quando começam a usar os antidepressivos. Os pacientes começando com um novo antidepressivo deveriam ser advertidos contra restringir seu tempo na cama porque poderia influenciar o quão rápido e efetivo eles respondem a medicação: “eventualmente, nós gostaríamos de identificar combinações de sono e tratamentos circadianos que são independentemente efetivos para depressão e que podem ser usados praticamente e seguramente em settings de pacientes internados e ambulatoriais”, ele diz.
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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:
