Insegurança na Infância Pode Levar o Adulto a Ter Problemas para Lidar Com Estresse

Imagine dois candidatos em uma entrevista de emprego bem competitiva. Um deles lida com a pressão com facilidade e vai bem na entrevista. O outro candidato, contudo, sente-se bastante nervoso e tem um desempenho inferior. Por que algumas pessoas realizam as coisas melhor do que outras sob condições emocionalmente estressantes? Um indício pode encontrar-se em experiências da primeira infância, encontrou um estudo recente que foi publicado em 2016 na revista científica Frontiers in Human Neuroscience.

Vínculos emocionais com o nosso primeiro cuidador ou pai/mãe na primeira infância são pensados ser a base de nossa habilidade para regular nossas emoções quando adultos: “nós sabemos de outros estudos que a nossa estória de apego influencia diretamente como nós reagimos em situações sociais”, explicou a Dra. Christine Heinisch, uma das autoras do estudo, “mas e a reação a um estímulo neutro sob condições emocionais?”.

Um bom exemplo disto em nosso cotidiano, diz a Dra. Heinisch, é quando um carro está chegando em um semáforo. Sob condições neutras, é fácil para o motorista seguir o semáforo. Mas o que acontece sob condições emocionais? “Normalmente, as pessoas tendem a cometer mais erros, como parar em cima do sinal vermelho ou até passá-lo. Algumas vezes, elas param apesar do sinal ainda estar verde”, ela explica.

Mas nem todas as ações das pessoas são impactadas pelas emoções nas mesmas proporções. Alguns de nós tiveram cuidadores ou pais emocionalmente responsivos na infância, enquanto outros não tiveram. São estas experiências precoces, de acordo com a teoria de “apego” em psicologia, que influenciam a capacidade para regular emoções na idade adulta: “nós esperávamos que aqueles tendo problemas com regulação emocional cometeriam mais erros ao realizar uma tarefa – e uma variável significativa influenciando isto é a nossa experiência de apego”, disse a Dra. Heinisch. Para testar esta teoria, o grupo dela conduziu um estudo em sujeitos adultos com diferentes experiências de cuidador na infância. Os sujeitos no estudo realizaram uma atividade de identificar uma letra-alvo dentre uma série de cartões didáticos com letras. Esta tarefa foi administrada sob condições que evocaram um estado emocional positivo, neutro ou negativo. Os pesquisadores então avaliaram o desempenho na tarefa e analisaram registros de EEG de função cerebral em seus sujeitos.

Os resultados foram reveladores: os sujeitos que não tinham tido cuidadores emocionalmente responsivos na infância (apego inseguro) tiveram mais problema para realizar a tarefa sob condições emocionalmente negativas do que os outros (apego seguro). Eles também tiveram atividade cerebral mais baixa em resposta a letra-alvo sob condições negativas do que sujeitos que tiveram apego seguro.

O desempenho mais baixo na tarefa estava correlacionado com estratégias ineficientes para regulação emocional vistas em adultos com apego inseguro na infância. Isto poderia significar que uma maior parte de recursos cognitivos foi alocada para regular emoções e, consequentemente, menos estava disponível para realizar a tarefa.

Uma potencial limitação deste estudo é que as letras-alvo não estavam relacionadas as pistas fornecidas de contexto emocional, e portanto, tinham pouca relevância na vida real. Em estudos futuros, os autores planejam usar uma pessoa ou um objeto com significância emocional como alvo e situações socialmente relevantes como o contexto da tarefa.

Entretanto, uma coisa parece clara: as experiências emocionais na infância tem consequências duradouras para a capacidade do indivíduo para realizar uma dada tarefa.

 

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O post acima foi resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

Insecure childhood can make dealing with stress harder in adulthood