Por Que Será Que os Antidepressivos Demoram Tanto para Fazer Efeito?

Este tipo de informação é importante não só para o paciente, mas também para o terapeuta que está tratando um paciente que encontra-se em uso de antidepressivos.

O post a seguir é resultado de uma tradução livre do seguinte texto:

http://www.psypost.org/2016/07/antidepressants-take-long-work-44061

Um episódio de depressão maior pode ser paralisante, prejudicando a capacidade para dormir, trabalhar ou comer. Em casos severos, o transtorno de humor pode levar ao suicídio. Mas as medicações disponíveis para tratar depressão,  que pode afetar um em cada seis americanos em sua vida, pode levar semanas ou até meses para começar a funcionar.

Pesquisadores da University of Illinois, em Chicago, descobriram uma razão para as medicações levarem muito tempo para funcionar e seus achados poderiam ajudar os cientistas a desenvolverem, no futuro, medicações com ações mais rápidas. A pesquisa foi publicada na revista científica Journal of Biological Chemistry.

O neurocientista Mark Rasenick, da UIC College of Medicine e seus colaboradores identificaram um mecanismo de ação previamente desconhecido para inibidores seletivos da recaptação de serotonina, ou ISRS, o tipo de antidepressivo mais comumente prescrito. Pensava-se que, para funcionar ao prevenir a reabsorção da serotonina de volta nas células nervosas, os ISRSs também acumulavam-se em áreas da membrana celular chamada lipid rafts (balsas lipídicas). Mas Rasenick observou, e o acúmulo estava associado com níveis diminuídos de uma importante molécula sinalizadora nos rafts.

“Isso tem sido um quebra-cabeça há bastante tempo, porque os antidepressivos ISRS podem levar até dois meses para começarem a reduzir sintomas e, especialmente porque nós sabemos que eles ligam-se aos seus alvos dentro de minutos”, disse Rasenick, prestigiado professor de fisiologia, biofísica e psiquiatria da UIC. “Nós pensamos que talvez estas medicações tenham um sítio de ligação alternativo que é importante na ação das medicações para reduzir sintomas depressivos”.

Acredita-se que a serotonina está em falta (escassa) em pessoas com depressão. Os ISRSs ligam-se aos transportadores de serotonina – estruturas contidas dentro das membranas de célula nervosas que permitem que a serotonina possa entrar e sair das células nervosas, uma vez que elas comunicam-se umas com as outras. Os ISRSs bloqueiam o transportador de serotonina que é liberada no espaço entre neurônios – a sinapse – de volta aos neurônios, mantendo mais dos neurotransmissores disponíveis na sinapse, amplificando seus efeitos e reduzindo sintomas de depressão.

Rasenick há muito tempo suspeitava que a resposta atrasada da droga envolvia certa transmissão de sinais moleculares em membranas de células nervosas chamadas proteínas G. Pesquisas anteriores realizadas por ele e seus colaboradores mostraram que, em pessoas com depressão, as proteínas G tendiam a reunir-se em lipid rafts, áreas das membranas rica em colesterol. Presas nos rafts, as proteínas G não dispõem de acesso a uma molécula chamada AMP cíclica, que elas necessitam para funcionar. O sinal enfraquecido poderia ser porque as pessoas com depressão estão “insensíveis” ao seu ambiente, Rasenick justificou.

No laboratório, Rasenick banhou células da glia (do rato), um tipo de célula cerebral, com diferentes ISRSs, e colocou as proteínas G dentro da membrana celular. Ele encontrou que eles acumularam-se nos lipid rafts ao longo do tempo — e como consequência, as proteínas G nos rafts reduziram.

“O processo mostrou um intervalo de tempo consistente com outras ações celulares de antidepressivos”, Rasenick afirmou. “É provável que este efeito no movimento das proteínas G para fora dos lipid rafts em direção a regiões da membrana celular onde eles são melhor capazes de funcionar é a razão do porquê estes antidepressivos demoram tanto para funcionar”.

O achado, ele disse, sugere como estas medicações poderiam ser melhoradas. “Determinar o exato sítio de ligação poderia contribuir para o desenho de novos antidepressivos que aceleraram a migração de proteínas G fora dos lipid rafts, de modo que os efeitos dos antidepressivos poderiam começar a ser sentidos mais cedo”.

Rasenick já sabe um pouco sobre o sítio de ligação do lipid raft. Quando ele encharcou os neurônios do rato com um ISRS chamado escitalopram e uma molécula que foi seu espelho (reflexo), apenas a parte do lado direito ligou-se ao lipid raft“Esta mudança mínima na molécula previne-a de ligar-se, de forma que pode ajudar a restringir algumas das características do sítio de ligação”, Rasenick afirmou.

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