Casamento é como uma loteria: pode ou não dar certo. Contudo, é preciso muito mais do que sorte para que a relação seja satisfatória. E, pelo que parece, quanto mais você espera do outro, mais você se decepciona 😦
O texto a seguir foi resultado de uma tradução livre do seguinte post:
Há uma tensão entre o que os cônjuges demandam de seus casamentos e o que eles são capazes de alcançar destes casamentos, de acordo com uma recente pesquisa psicológica. Os resultados foram publicados na edição de abril de 2016 da Personality and Social Psychology Bulletin.
Padrões elevados, quer seja em cuidado, apoio ou independência, melhoram a satisfação apenas em casamentos fortes. Para casamentos menos fortes, tal como aqueles envolvendo mais alto níveis de hostilidade indireta ou problemas mais severos, padrões elevados desgastam o relacionamento mais adiante.
“Algumas pessoas demandam muito de seus casamentos porque eles estão requerendo que seus casamentos cumpram as necessidades que eles não são capazes de alcançar, porque eles tem limitado tempo, energia, esforço ou habilidades para investir em seus casamentos”, diz Dr. James McNulty, Professor of Psicologia na Florida State University e autor do estudo.
“Mas outras pessoas demandam muito pouco de seus casamentos. O casamento deles é uma fonte potencial de realização pessoal que eles não estão explorando”, diz McNulty. “Por fim, cônjuges parecem estar muito melhores na medida em que eles pedem de seus casamentos tanto quanto, mas não mais do que, os casamentos deles são capazes de dá-los”.
Os pesquisadores utilizaram dados de 135 casais recém-casados vivendo no leste do Tennessee. Para começar, cada cônjuge separadamente completou os instrumentos para medir aspectos diversos de seus próprios padrões, assim como a severidade de problemas de relacionamento e satisfação marital.
Os recém-casados também participaram em discussões maritais que foram gravadas em vídeo, onde pesquisadores estudaram vários aspectos de comunicação verbal para avaliar a hostilidade indireta de casais com cada um. Os casais continuaram a reportar sua satisfação marital via um questionário a cada seis meses por 4 anos.
“Quando chega a resolução de problema de forma verbal, a hostilidade indireta é mais destrutiva do que a hostilidade direta”, diz McNulty. “Estudos anteriores realizados por nosso laboratório e outros indicam que hostilidade direta, tais como culpar o parceiro por um problema e demandar que o parceiro mude, pode ter benefícios importantes para alguns casais, especificamente aqueles que necessitam mudar. A chave é que a hostilidade direta comunica que há uma necessidade para mudança e até quanto cada parceiro quer coisas para mudar. Nossa pesquisa anterior indica que hostilidade indireta é danoso para todos os casais”.
Como recém-casados, maridos e esposas relataram estarem relativamente satisfeitos com seus casamentos e padrões relativamente elevados. Contudo, os relatos deles também indicaram que alguns casais eram menos felizes e demandavam menos do que os outros. Inicialmente, os cônjuges foram observados por estarem envolvidos em níveis relativamente baixos de hostilidade indireta na média; entretanto, também houve variabilidade substancial nestes quesitos.
A extensão para o qual padrões dos cônjuges estavam associados com mudanças em satisfação ao longo do tempo dependia das tendências de casais a engajarem-se em hostilidade indireta. Casais que funcionavam bem juntos, como indicados por níveis baixos de hostilidade indireta, foram mais capazes de satisfazer padrões mais elevados e, assim, apresentaram alta satisfação na medida em que eles mantiveram tais padrões, mas menor satisfação à medida em que eles mantiveram padrões mais baixos.
O oposto foi verdadeiro para casais que não funcionam bem juntos. Estes casais tiveram pontuações piores à medida em que eles mantiveram padrões elevados porque foram incapazes de satisfazê-los, mas apresentaram-se melhor na medida em que mantiveram padrões mais baixos que eles foram capazes de cumprir.
“Cada casamento é diferente; pessoas diferem em sua compatibilidade, suas habilidades e os estressores externos que eles encaram”, diz McNulty. “Todos estes fatores desempenham um papel importante na determinação do quanto um casamento será bem-sucedido e por conseguinte, quantas pessoas deveriam demandar dele”.
“Esta pesquisa sugere que pessoas necessitam ter alguma idéia do que eles poderiam conseguir do casamento antes deles conseguirem. Isso é obviamente difícil, o que pode explicar porque casais experienciam um desajustamento entre o que eles demandam e o que eles, na verdade, podem, alcançar”, diz McNulty.
Embora padrões elevados possam motivar parceiros a trabalharem para melhorar ou manter seus relacionamentos, esta pesquisa enfatiza o fato de que várias restrições previnem alguns cônjuges de cumprirem padrões mais elevados apesar de até terem as motivações mais altas; de fato, alguns relacionamentos enfrentam obstáculos maiores para o sucesso do que outros e alguns cônjuges possuem mais e melhor habilidades interpessoais do que outros.
“Casais precisam se darem conta de seus pontos fortes e fracos e equilibrar seus padrões de acordo com eles”, aconselha McNulty.
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