Ferramentas para Rastrear Depressão em Crianças e Adolescentes Podem Não Ser Tão Acuradas

Isso é algo importante e deveria ser mais discutido entre os especialistas. É difícil diagnosticar depressão na infância e adolescência e todos os instrumentos disponíveis deveriam trazer um certo “conforto” para o terapeuta e, por conseguinte, para o paciente e sua família. Contudo, parece que não é o que anda acontecendo 😦

O texto a seguir foi resultado de uma tradução livre do seguinte post:

http://www.psypost.org/2016/08/depression-screening-tools-not-accurate-children-adolescents-44109

No Canadá e nos Estados Unidos, os médicos tem cada vez mais sido encorajados a tentar identificar depressão em crianças e adolescentes – mesmo que eles não tenham indicações óbvias da doença. Para poder fazer isso, os médicos frequentemente usam questionários curtos que perguntam sobre sintomas de depressão. Mas, de acordo com uma nova pesquisa, há evidência insuficiente para mostrar que qualquer um destes questionários acuradamente rastreia pessoas de 6 a 18 anos de idade para esta doença. Os pesquisadores acreditam que isto põe em questão o uso destes instrumentos de avaliação para este grupo e levanta preocupações sobre possíveis erros diagnósticos da doença nesta faixa etária.

“Nosso estudo mostra que se o rastreamento de depressão for realizado usando as ferramentas de rastreamento existentes, muitas crianças e adolescentes não-deprimidas seriam erroneamente identificadas como deprimidas”, diz Brett Thombs, que é afiliado do Lady Davis Institute for Medical Research do Jewish General Hospital e faculdade de medicina da McGill University. Ele é o autor sênior de um estudo que foi recentemente publicado no assunto, na revista científica Canadian Journal of Psychiatry.

Para avaliar a qualidade dos instrumentos de rastreamento que estão atualmente sendo usados para identificar depressão em crianças ou adolescentes, os pesquisadores realizaram uma exaustiva pesquisa de evidência médica procurando por estudos que  colocaram as ferramentas de rastreamento em teste. No fim, eles foram capazes de identificar apenas 17 estudos onde os resultados dos testes das ferramentas de rastreamento foram comparadas com os resultados de uma entrevista diagnóstica para determinar se as crianças ou adolescentes no estudo, de fato, tinham depressão.

Thombs e colaboradores, incluindo a autora principal Dra. Michelle Roseman, então avaliaram a metodologia e os resultados destes 17 estudos. Eles encontraram que a maioria dos estudos eram muito pequenos para fazer uma válida conclusão sobre a acurácia das ferramentas de rastreamento e que os métodos da maioria dos estudos estavam longe de padrões esperados. Eles também encontraram que houve inadequada evidência para recomendar qualquer única nota de corte para qualquer um dos questionários (pacientes pontuando acima de notas de corte pré-definidas são considerados propensos a serem deprimidos, enquanto pacientes abaixo da nota de corte não são).

Roseman diz: “Não houve uma única ferramenta com até moderada evidência de suficiente acurácia para efetivamente identificar crianças e adolescentes deprimidos sem também incorretamente pegar muitas crianças e adolescentes não-deprimidos”.

Depressão em crianças é uma condição incapacitante associada com problemas de comportamento e desempenho escolar fraco. Mas rastreamento de rotina para a doença neste grupo etário é controversial. No Reino Unido e Canadá não é recomendado. Por outro lado, o U.S. Preventative Services Task Force recentemente recomendou triagem de rotina em adolescentes entre 13 e 18 anos, mas não de crianças mais novas, como parte de cuidado médico regular.

Thombs acredita que dada a inacurácia de ferramentas atualmente sendo usadas, algumas crianças poderiam terminar sendo rotuladas erroneamente como deprimidas. Isto poderia levar a uma desnecessária prescrição de medicações psiquiátricas potencialmente danosas e mensagens negativas sobre a saúde mental de algumas crianças que não tem transtornos de saúde mental”. Além disso, um montante potencialmente enorme de instrumentos seria necessário para classificar quais crianças podem realmente estar deprimidas. Pesquisas sugerem que relativamente poucos preencheriam os critérios. “Estes recursos, então, não estariam disponíveis para fornecer tratamento para grandes quantidades de crianças e adolescentes que são reconhecidos como tendo severos problemas de saúde mental, mas que não recebem o cuidado adequado”.

Os pesquisadores dizem que para avaliar apropriadamente a acurácia de instrumentos de rastreamento de depressão em crianças,  são necessários estudos grandes e bem desenhados que apresentem resultados através de uma gama de notas de corte.

http://www.facebook.com/cristianepassarela

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