A Forma Como Pessoas Mais Felizes Processam Informações Negativas

O texto à seguir é um tradução livre de um texto em inglês do seguinte link: http://www.psypost.org/2016/07/happier-people-show-greater-brain-connectivity-processing-negative-self-related-information-43650

Pessoas mais felizes apresentam maior conectividade cerebral quando processam informação negativa sobre eles mesmos, de acordo com um estudo recente publicado em fevereiro de 2016 na PLOS ONE. O estudo aponta para um processo ativo no cérebro, envolvendo o córtex pré-frontal dorsomedial, que está relacionado a regulação efetiva de informação emocional negativa.

Satisfação com a vida, frequentemente usada como uma medida de felicidade, tem sido associada a um grande número de fatores significantes, incluindo melhor ajustamento a feedback pessoal negativo e mais pensamentos positivos relacionados ao eu. Portanto, é importante entender como a satisfação com a vida influencia a atividade dentro do cérebro.

Pesquisas têm mostrado que informação relacionada ao eu causa uma atividade cerebral única, por exemplo, ver sua própria face produz atividade que difere daquela produzida por outras faces. Além disso, tem sido recentemente sugerido que atividade no córtex pré-frontal dorsomedial, que está na frente (e no topo) do cérebro, pode refletir esforços para diminuir emoção negativa relacionada ao eu.

O estudo, liderado por Eun Joo Kim, da Yonsei University, em Seoul, incluiu 40 participantes que completaram um questionário para medir satisfação com a vida (19 tinham alta satisfação com a vida; 21 tinham baixa satisfação com a vida). Os cérebros deles foram escaneados usando a Ressonância Magnética Funcional (fMRI) enquanto eles desempenharam uma tarefa para classificar a relevância de faces a palavras. A tarefa consistia de 3 tipos de faces – sua própria face, faces famosas e faces desconhecidas; e 3 tipos de palavras – positiva, negativa e neutra.

Os pesquisaram encontraram que indivíduos com baixa satisfação com a vida tinham atividade mais alta no córtex pré-frontal dorsomedial quando respondiam a palavras positivas. Estas pessoas também tinham taxas mais baixas para a relevância entre sua própria face e palavras positivas. Foi argumentado que esta atividade cerebral reflete um conflito entre uma opinião negativa deles mesmos e a emoção positiva da palavra. Em contrapartida, indivíduos que apresentaram alta satisfação com a vida apresentaram atividade mais alta quando respondiam a palavras negativas, que foi atribuída a eles efetivamente regulando informação emocional negativa.

A atividade cerebral em pessoas que pontuaram alto em satisfação com a vida foi também encontrada estar altamente conectada a outras regiões do cérebro associadas com regulação da emoção (a amígdala e ínsula). Os pesquisadores contestaram que isto é evidência para menor sensibilidade a informação negativa sendo um processo ativo  dentro do cérebro.

O estudo demonstra que regular efetivamente a informação emocional relacionada ao eu é uma base para mais alta satisfação com a vida e assim maior felicidade. Isto poderia ser de relevância em um contexto educacional, pois sugere-se que feedback negativo para indivíduos com satisfação com a vida mais baixa deveria ser abordado com sensibilidade e precaução.