O Que Ganhamos Fazendo Voluntariado?

Segundo uma pesquisa, os benefícios que ganhamos são mentais e físicos.

Todo mundo sabe que voluntariar faz bem, mas é preciso fazer pesquisa para COMPROVAR essa nossa teoria 🙂 E ela está aí, relatada no texto abaixo; texto este que foi uma tradução livre que fiz de um texto em inglês:

Why doing good can do you good: The mental benefits of volunteering

Vamos ao texto!

Se nós nos sentimos bem quando fazemos uma boa ação, então deve haver um benefício psicológico ao ajudar os outros? Mas como nós podemos ter certeza disso? A melhor forma para estudar os benefícios na saúde ao se fazer boas ações é olhar para os estudos de voluntariado.

Em 2011, Daniel George conduziu um ensaio clínico randomizado com 30 adultos em Ohio, com demência de leve a moderada. Metade dos adultos passaram uma hora, de duas em duas semanas, ajudando crianças em idade escolar com leitura, com a escrita e com história. A outra metade (o grupo controle) foi especificado para não fazer nenhum trabalho voluntário. No final dos cinco meses do estudo, o estresse estava mais reduzido nos adultos que ajudaram do que nos adultos que não ajudaram.

Contudo, o estudo foi pequeno; então, em 2012, os pesquisadores conduziram uma metanálise onde dados de vários estudos são combinados e reanalisados para fornecer mais estatística confiável.

A metanálise continha cinco ensaios clínicos randomizados com um total de 477 pessoas. Eles produziram uma gama de resultados diferentes. Os tipos de voluntariado envolveram algumas formas de ensino – ou tutoriando crianças ou ajudando pessoas a aprenderem inglês como uma segunda língua. O trabalho voluntário pareceu melhorar coisas tais como função mental, atividade física,  resistência e estresse.

Entretanto, não pareceu ter um efeito positivo na saúde em geral, já que houve um número de quedas (entre voluntários idosos) e solidão. Para tornar as coisas mais complicadas, fazer o tipo errado de voluntariado – onde o voluntário coloca-se em risco de abuso verbal ou físico – pode ser prejudicial para o bem-estar da pessoa. Igualmente, alguns trabalhos voluntários podem ser prejudiciais para as pessoas que o voluntário está tentando ajudar.

Um estudo recente e bem conduzido, no Canadá, olhou para os efeitos físicos de fazer trabalho voluntário que beneficia tanto quem ajuda quanto quem é ajudado. Parece confirmar que ajudar pessoas (da forma correta) melhora a saúde do voluntário, podendo isso ser objetivado com formas medidas em laboratório.

Pesquisadores pediram para 52 estudantes de escola secundária no Canadá para fazerem trabalho voluntário uma vez por semana, ajudando jovens estudantes com suas lições de casa, esportes e outras atividades após o horário escolar. Para comparação, um grupo controle de 54 estudantes não fizeram trabalho voluntário pelo mesmo período de tempo.

Os pesquisadores então tiraram amostras de sangue de ambos os grupos – e mensuraram seu índice de massa corpórea – antes e após o estudo. As amostras de sangue foram usadas para mensurar biomarcadores que predizem se alguém é propenso a desenvolver doença cardiovascular. Ao final do estudo, os adolescentes que fizeram o trabalho voluntário tiveram maiores reduções em todos os biomarcadores associados com doença cardiovascular do que aqueles no grupo controle. Eles também perderam mais peso.

Alguns trabalhos voluntários, tal como levar para caminhar o cachorro de uma pessoa incapacitada de sair de casa por motivo de saúde , é físico e pode ajudar a melhorar sua forma física. Mas meramente conectando-se com pessoas também tem benefícios para a saúde. Voluntariado pode também afastar a sua mente de problemas e ajudar você a relaxar.

Poderia ser também um mecanismo evolucionário. Partes do cérebro ligadas a produção de dopamina e serotonina parecem ser ativados em pesssoas que doam dinheiro. Nossos ancestrais que se ajudavam eram mais propensos a sobreviver, então recebiam uma “alta” da dopamina em troca por seu comportamento altruísta. A dopamina não faz apenas a pessoa sentir-se bem: é também usada como remédio para tratar de pressão arterial baixa, doença cardíaca, Parkinson’s, TDAH e dependência química.

As boas novas é que você não tem que demitir-se para juntar-se ao Greenpeace ou trabalhar em um abrigo de refugiados para ganhar os benefícios para a saúde advindos de ajudar os outros. Você poderia, em vez disso, ajudar o próximo mendigo que você ver na rua. Por que não oferecê-lo um copo de café ou algumas roupas limpas? Fazendo estas pequenas coisas, você melhorará a vida do mendigo de uma forma dimensível e, poderá até tornar-se mais saudável também.

The Conversation

Jeremy Howick, pesquisador sênior: efeitos do placebo, epidemiologia, medicina baseada em evidência, University of Oxford

Este artigo foi originalmente publicado na The Conversation.

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