Crenças Extremas Frequentemente são Confundidas com Insanidade

É quase sempre assim: algo terrível acontece e muita gente justifica tais atos como sendo produto de um pessoa acometida por uma doença mental. O texto abaixo vem tratar exatamente disso: como classificar os casos onde o sujeito cometeu um ato tenebroso, mas não preenche os critérios para uma psicose, por exemplo.

O texto foi escrito primariamente em inglês e eu fiz a tradução livre dele. O link do texto em inglês é este: http://www.psypost.org/2016/05/extreme-beliefs-often-mistaken-insanity-new-study-finds-43007

Vamos ao post!

Após ações violentas, tal como massacres, muitas pessoas supõem que doença mental é a causa. Após estudar o caso do assassino Anders Breivik no massacre norueguês em 2011, os pesquisadores da University of Missouri School of Medicine estão sugerindo um novo termo forense para classificar comportamentos não-psicóticos que levam a atos criminosos de violência.

“Quando este tipo de tragédia ocorre, nós questionamos a razão por detrás dela”, disse Tahir Rahman, M.D., professor assistente de psiquiatria na MU School of Medicine e autor principal do estudo. “Algumas vezes, as pessoas pensam que ações violentas devem ser o subproduto de doença mental psicótica, mas isto não é sempre o caso. Nosso estudo do caso de Breivik foi idealizado para explicar o quanto as crenças extremas podem ser confundidas por psicose e para sugerir um novo termo legal que claramente define este comportamento”.

Breivik, um terrorista norueguês, matou 77 pessoas em 22 de julho de 2011, em um carro-bomba em Oslo e um massacre em um acampamento de jovens na ilha de Utøya, na Noruega. Alegando ser um “templário” e um “salvador do cristianismo”, Breivik afirmou que o propósito dos ataques era salvar a Europa do multiculturalismo.

Duas equipes de psiquiatras forenses apontados por um tribunal examinaram Breivik. A primeira equipe psiquiátrica diagnosticou-o com esquizofrenia paranóide. Contudo, após muitas críticas, uma segunda equipe concluiu que Breivik não era psicótico e o diagnosticou com transtorno de personalidade narcisista. Breivik foi sentenciado a 21 anos de prisão.

“Breivik acreditava que matar pessoas inocentes era justificável, isso que parece irracional e psicótico”, disse Rahman, que também conduz avaliações psiquiátricas forenses mas não estava envolvido com o caso de Breivik. “Contudo, algumas pessoas sem doença mental psicótica acreditam tanto em suas crenças que eles tomam medidas extremas. Guias clínicos atuais, tal como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, oferece vagas descrições de razões alternativas para o qual uma pessoa possa cometer tais crimes. Nosso termo sugerido para comportamento criminalmente violento quando a psicose pode ser excluída é ‘extrema crença sobrevalorada”.

Rahman define “extrema crença sobrevalorada” como uma crença que é compartilhada pelos outros e frequentemente apreciada, amplificada e defendida pelo acusado. O indivíduo tem um intenso comprometimento emocional para com a crença e pode agir violentamente como o resultado dessa crença. Embora o indivíduo possa sofrer de outras formas de doença mental, a crença e as ações associadas com ela não são o resultado de insanidade.

“Nos tribunais de justiça, não há claramente definido os métodos padrões de diagnóstico para insanidade para propósitos legais”, Rahman afirmou. “Este novo termo ajudará psiquiatras forenses a identificar apropriadamente o motivo para o comportamento criminal do réu quando sanidade é questionada”.

Rahman disse que mais pesquisas em extrema crença sobrevalorada são necessárias para entender como elas se desenvolvem. Identificar aqueles em risco dará a profissionais de saúde mental uma oportunidade para intervir antes que o comportamento violento ocorra.

“Certos fatores psicológicos podem deixar as pessoas mais vulneráveis para desenvolver crenças dominantes e amplificadas”, Rahman atestou. “Entretanto, a amplificação de crenças sobre questões tais como imigração, religião, aborto ou política também pode ocorrer através da internet, interações com pequenos grupos de pessoas ou obediência a  figuras  de autoridade que são carismáticas. Nós já alertamos nossos jovens sobre o perigo do álcool, drogas, gravidez na adolescência e o fumo. Nós precisamos acrescentar o risco de desenvolver extrema crença sobrevalorada nessa lista assim como trabalharmos para reduzir a violência frequentemente associada com elas”.

O estudo, “Anders Breivik: Extreme Beliefs Mistaken for Psychosis”, foi publicado recentemente no The Journal of the American Academy of Psychiatry and the Law.

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