Nível de Ocitocina Prediz Severidade de Depressão Pós-Parto

O texto: “Nível de ocitocina na gravidez prediz severidade da depressão pós-parto” foi traduzido (tradução livre) de um link de um texto em inglês.

Níveis mais altos de ocitocina no terceiro semestre da gravidez prediz a severidade de sintomas de depressão pós-parto em mulheres que previamente sofreram de depressão, segundo um novo estudo da Northwestern Medicine.

O estudo de 66 mulheres indicou o potencial para encontrar biomarcadores para prever sintomas depressivos no pós-parto.

“Ainda não está pronto para se tornar um novo exame de sangue”, enfatizou a principal investigadora do estudo, Dra. Suena Massey, que é psiquiatra e professora assistente de psiquiatria e ciências comportamentais da Northwestern University Feinberg School of Medicine. “Mas esse resultado nos diz que nós estamos no caminho certo para identificar biomarcadores para ajudar a prever a depressão pós-parto”.

O link entre sintomas depressivos e níveis mais altos de ocitocina surpreenderam a Dra. Massey, pois ela esperava que a doença estivesse associada com níveis MAIS BAIXOS de ocitocina.

“Há uma pesquisa que diz que uma história pregressa de depressão pode mudar o receptor da ocitocina de tal maneira que ele se torna menos eficiente”, disse a Dra. Massey. “Talvez, quando as mulheres estão começando a experienciar os primeiros sinais de depressão, seus corpos liberam mais ocitocina para combatê-la”.

O estudo foi publicado em 8 de março de 2016, na Archives of Women’s Mental Health.

Cientistas recrutaram 66 mulheres grávidas e saudáveis que não estavam deprimidas. Eles mensuraram níveis de ocitocina no terceiro semestre da gravidez e sintomas de depressão nas seis semanas de pós-parto. Desse grupo de 66, 13 das mulheres tinham uma história pregressa de depressão antes da gravidez. Entre estas mulheres, quanto maior os níveis de ocitocina, mais sintomas depressivos elas experienciaram em seis semanas.

Sintomas incluíam acordar muito cedo pela manhã e não serem capazes de voltar a dormir, mais preocupação ou ansiedade, mais dores e sofrimentos, dores de cabeça, mudanças no padrão intestinal, sensação de cansaço ou uma sensação de peso, mudanças no apetite e sentimento de tristeza.

A ocitocina é um hormônio que apresenta muitas funções no corpo, incluindo parto e amamentação, laço social, laço mãe-filho e manejo do estresse.

Muitas mães com depressão pós-parto sentem que elas estão fracassando/falhando, disse a Dra. Massey, porque elas acreditam que deveriam estar felizes. “Isto diminui a probabilidade delas buscarem ou aceitarem ajuda”, Dra. Massey disse. “Se nós pudessemos identificar as mulheres durante a gravidez que estão destinadas a desenvolver depressão pós-parto, nós poderíamos iniciar um tratamento preventivo”.

Os obstetras em sua rotina fazem o screen para complicações não-psiquiátricas relacionadas à gravidez tal como diabetes gestacional, usando biomarcadores disponíveis. O mesmo deveria acontecer para a depressão relacionada à gravidez, disse a Dra. Massey. De acordo com ela, “à luz das amplas consequências de depressão pós-parto não tratada para mulheres e seus filhos, a capacidade para predizer quais indivíduos apresentam maior risco para o desenvolvimento dela produz uma empolgante possibilidade para a prevenção”.

O link do texto em inglês: http://www.psypost.org/2016/03/oxytocin-level-pregnancy-predicts-postpartum-depression-severity-41844

 

MEU COMENTÁRIO: o que mais chama a atenção para este estudo é que estudos publicados em 2011 e 2012 mostravam que a ocitocina estava relacionada a REDUÇÃO dela e não a ELEVAÇÃO quando se falava de depressão. E foi exatamente isso que deixou a pesquisadora deste estudo tão surpresa. Antes de tomar uma decisão sobre o que é verdade e o que não é advindo de uma pesquisa, precisamos olhar quantos sujeitos fizeram parte do estudo (esta amostra de 66 foi pequena), quantas perdas houveram, quais foram os instrumentos para avaliar depressão, entre outras coisas. O mais importante é saber que, aquelas mães que JÁ tiveram depressão e/ou possuem algum familiar com histórico de doenças do humor (depressão, transtorno bipolar, etc) estão mais PROPENSAS a apresentar depressão pós-parto quando comparadas àquelas mulheres sem histórico. Pedir ao médico para avaliar depressão ou mesmo passar num psiquiatra para pedir uma avaliação é a melhor coisa a se fazer. Muitas mães costumam confundir depressão com consequências de se ter um bebê em casa e, por isso acabam não buscando ajuda. Lembre-se: quanto mais cedo a depressão for tratada, MELHOR!