Como Funciona a Obtenção de Licença para Psicólogo no Brasil

O que é preciso para um psicólogo conseguir a licença dele no Brasil? Essa foi uma pergunta feita por uma pessoa lá na nossa página do facebook (www.facebook.com/cristianepassarela) e eu venho responder agora.

De acordo com o site do CRP de SP, a pessoa deve ir pessoalmente à sede deles com original e cópia de alguns documentos: identidade, Título de eleitor (e alguns documentos relativos a ele, como comprovante de eleição), CPF, o diploma de psicólogo (ou quando não tiver, pode apresentar o Certificado de colação de grau), certidão de casamento (se for o caso), 2 fotos e certidão de reservista (para homens). Por fim, o psicólogo, além de pagar a anuidade, ainda paga a taxa de inscrição (se fosse fazer esse mês, o valor total seria de R$310.21). Vale lembrar que CADA ESTADO possui o seu Conselho de Psicologia e, caso o profissional se mude, é preciso transferir a sua licença.

E pronto! E é aí que começa o perigo. E eu explico os meus motivos para considerar isso 😉

Segundo as leis que regem a profissão, o psicólogo no Brasil:

  • NÃO é obrigado a submeter-se a um processo terapêutico. Ou seja, pode exercer a sua profissão até o fim da vida sem ter nunca estado em processo psicoterápico como cliente.
  • NÃO é obrigado a fazer nenhum tipo de atividade supervisionada após a sua graduação em psicologia. Em outras palavras, para alguns profissionais, a única experiência que tiveram com o campo foi na época dos estágios na faculdade. E isso, a meu ver, é muito falho, principalmente quando o profissional escolhe a área clínica.
  • NÃO faz nenhuma prova para testar a aptidão/habilidade dele enquanto profissional.
  • NÃO é preciso mostrar nenhum curso de RECICLAGEM durante a vida de psicólogo licenciado.

O que eu quero dizer é que o indivíduo pode simplesmente se formar, mandar os documentos e receber a licença, MESMO SEM ESTAR TOTALMENTE APTO A EXERCER AQUELE PAPEL.

Infelizmente, a carreira de psicólogo, ou melhor, de um BOM psicólogo é cara: pagar cursos, supervisão e o próprio processo psicoterápico é um investimento monetário muito grande. Por isso, quando alguém reclama do preço da consulta, eu tenho vontade de mostrar todo o meu currículo e até o quanto eu já gastei financeiramente e até emocionalmente para chegar onde cheguei e JUSTIFICAR o preço da consulta.

Durante a minha formação, uma saída que encontrei para adquirir mais experiência foi através de estágios voluntários (o estudante trabalha de graça e, em troca, recebe a supervisão de um profissional – no caso o supervisor). Fui também voluntária do Instituto do Câncer por 4 anos e, apesar desse estágio não estar diretamente relacionado a psicologia, aprendi MUITO com a experiência de escutar as queixas das pessoas que lá estavam, aprendi a “controlar as minhas emoções” ao me deparar com certos assuntos trazidos por esses pacientes (que eram pacientes do Instituto e não meus).

Por fim, um conselho que eu dou a todas as pessoas que vão buscar atendimento com um psicólogo: pergunte sobre a formação dele, verifique se ele está realmente inscrito no CRP e, mais importante, NÃO TENHA vergonha de fazer perguntas sobre a vida profissional dele. Afinal, esta pessoa vai estar ouvindo suas intimidades e você precisa ter certeza de que ela é a pessoa certa para isso 😉

Vejo vocês no próximo post! 😉