Dica de Leitura: “Uma Mente Inquieta”

Hoje, 30 de março, é o dia mundial do Transtorno Bipolar e, por isso, decidi publicar uma dica de leitura sobre o tema: o livro UMA MENTE INQUIETA, de Kay Redfield Jamison.

Conheci esse livro quando eu ainda estava na universidade e uma amiga me emprestou. Nessa época, eu já estava em contato com pacientes diagnosticados com Transtorno Bipolar e o livro me ajudou (e muito) a compreender a experiência pela qual eles passam.

A autora do livro, que ainda é viva, já possui outros livros publicados na área e, que eu ainda não tive oportunidade de ler (mas já estão na fila para leitura). Apesar do livro ser antigo – foi publicado em inglês, em 1995 – ainda é um livro que eu indico para os meus pacientes e seus familiares.

A Dra. Jamison é psicóloga e trabalha atualmente como professora de psiquiatria no Johns Hopkins University School of Medicine.

Por que eu acho que esse livro deveria ser a PRIMEIRA indicação para um paciente com Transtorno Bipolar? Porque a autora também é portadora do transtorno e ela conta no livro as dificuldades em lidar com as crises de depressão e as de mania.

Uma das técnicas usadas em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é a biblioterapia que nada mais é do que sugerir livros, filmes, músicas para o paciente/familiares e que estejam relacionados com o problema dele. Acredito que esta técnica deveria ser usada não só por quem trabalha com TCC mas por todos os profissionais que trabalham na área de saúde mental.

Este tipo de leitura leva o paciente a se identificar com a autora (e sua história) e a perceber que ele não está sozinho, que há várias outras pessoas no mundo que sofrem da mesma doença que ele e que continuam produtivas.

Alguns conteúdos do livro referente ao tratamento estão um pouco desatualizados, MAS, como eu disse, a parte mais importante continua lá e é atemporal: o sofrimento pelo qual estes pacientes passam, principalmente em relação a forma como as OUTRAS pessoas lidam com eles.

À propósito: o livro é facilmente encontrado nas livrarias do Brasil e, encontra-se disponível para compra na AMAZON. Também é possível pegá-lo emprestado nas bibliotecas de NY.

Espero que tenham gostado (se gostou, não esqueça de curtir ❤ ) e vejo vocês no próximo post!

Exposição à Poluição no Pré-Natal Associada com Problemas Emocionais e de Impulsividade em Crianças

Tradução livre do texto publicado em inglês: http://www.psypost.org/2016/03/prenatal-exposure-air-pollution-linked-impulsivity-emotional-problems-children-41760

A exposição a poluentes comuns do ar durante a gravidez pode predispor crianças a problemas de controle dos pensamentos, emoções e comportamentos no futuro, de acordo com um novo estudo conduzido por pesquisadores da Columbia Center for Children’s Environmental Health da Columbia University’s Mailman School of Public Health e o New York State Psychiatric Institute.

O novo estudo é o primeiro deste tipo a examinar os efeitos de exposição nos primeiros anos de vida a um poluente atmosférico conhecido como PAH (polycyclic aromatic hydrocarbons, em português: hidrocarbonetos policíclicos aromáticos) em comportamentos de auto-regulação e competência social que incorpora avaliações diversas através da infância. Crianças com poucas habilidades de auto-regulação tem dificuldade de controlar pensamentos, emoções e impulsos disruptivos; pouca competência social limita a habilidade deles de se dar bem com os outros. O estudo foi publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry.

PAH estão onipresentes no ambiente de emissões de veículos motores, na queima de óleo e carvão para aquecedores de casas e geração de energia, na fumaça do cigarro e em outras fontes de combustão (mais informações sobre PAH e formas de limitar a exposição podem ser encontrados no website da CCCEH). Exposição pré-natal a PAH tem sido associada com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), sintomas de ansiedade, depressão e desatenção; e também transtornos comportamentais, que são entendidos como estando relacionados a déficits em auto-regulação.

A principal investigadora da pesquisa, Amy Margolis, Professora assistente de Psicologia Médica no departamento de Psiquiatria da Columbia University Medical Center e New York State Psychiatric Institute e colaboradores, analisaram amostras de sangue materno e resultados de testes das crianças de 462 pares de mãe-filho, um subgrupo de um estudo de coorte da CCEH na cidade de Nova York (NYC), da gestação até a primeira infância. Exposição maternal a PAH foi determinado pela presença de adutos de DNA-PAH na amostra de sangue das mães.

Crianças foram testadas com o Child Behavior Checklist (CBCL) para idades de 3 à 5, 7, 9 e 11. Os escores obtidos do CBCL foram usados para criar um escore composto para a Deficient Emotional Self-Regulation Scale (DESR) e escores mais altos no DESR indicaram capacidades reduzidas para auto-regulação. Os investigadores encontraram que crianças cujas mães tiveram maior exposição ao PAH na gestação tiveram escores significativamente piores no DESR  na faixa etária de 9 e 11 do que as crianças cujas mães tiveram menos exposição a PAH na gestação. Ao longo do tempo, crianças com baixa exposição seguiram um padrão de desenvolvimento normal e tiveram um melhor desenvolvimento na função auto-regulatória, mas as crianças com maior exposição não, enfatizando o efeito a longo-prazo de exposição nos primeiros anos de vida para PAH. Adicionalmente, pesquisadores encontraram que o escore do DESR teve um efeito mediador em testes de competência social, indicando que auto-regulação é um fator importante no desenvolvimento da competência social.

A evidência de que exposição pré-natal ao PAH conduz a efeitos a longo-prazo em capacidades auto-regulatórias durante segunda e terceira infância sugere que exposição ao PAH pode ser um fator importante de base e contribuinte  para a gênese de uma série de problemas de saúde mental na infância. Em termos de um mecanismo potencial, pesquisadores sugerem que exposição pré-natal a PAH pode causar danos em circuitos neuronais que controlam respostas motoras, atencionais e emocionais. Novos déficits em auto-regulação podem predispor crianças a se tornarem engajadas na adolescência em comportamentos de alto risco.

“Este estudo indica que exposição pré-natal a poluição do ar causa impacto no desenvolvimento da auto-regulação e como tal pode fundamentar o desenvolvimento de muitas psicopatologias infantis que derivam de déficits em auto-regulação, tais como Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Transtornos relacionados ao uso de substâncias e Transtornos Alimentares”, diz Margolis.

 

 

Abuso Emocional na Infância e Enxaqueca na Idade Adulta

Como falei no meu post de apresentação, tenho como meta fazer traduções livres de artigos relacionados a assuntos que eu considero interessantes e que, por estarem na língua inglesa, dificultam o acesso aos falantes da língua portuguesa que não falam inglês 😉

No final do post, consta o link em inglês para quem quiser!

“Crianças que foram abusadas emocionalmente podem ser mais suscetíveis a experienciar enxaqueca na idade adulta”.

Crianças que foram abusadas emocionalmente podem ser mais suscetíveis a experienciar enxaqueca na fase de adulto jovem, de acordo com um estudo preliminar que será apresentado no Encontro Anual da Academia de Neurologia que acontecerá em Vancouver, no Canadá, em abril deste ano. Os achados desse estudo mostram uma ligação entre enxaqueca e abuso e esta ligação foi mais forte para abuso emocional do que para abuso físico ou sexual.

De acordo com o autor da pesquisa (Gretchen Tietjen), da Universidade de Toledo (em Ohio), “o abuso emocional mostrou a relação mais forte para o risco de enxaqueca” e “abuso na infância pode ter efeitos a longo prazo na saúde e bem-estar”.

Neste estudo, abuso emocional foi avaliado da seguinte forma: o entrevistador perguntava ao entrevistado: “com que frequência um dos seus pais ou um outro cuidador (adulto) dizia coisas que realmente machucavam seus sentimentos ou faziam você sentir que não era querido ou amado?”.

Este estudo incluiu dados de 14.484 pessoas entre a faixa etária de 24 a 32 anos. Aproximadamente 14% dos entrevistados reportaram que foram diagnosticados com enxaqueca. Foi perguntado aos participantes do estudo se eles haviam experienciado na infância algum tipo de abuso emocional, físico ou sexual.  Abuso físico foi definido como sendo esmurrar, chutar ou empurrar a pessoa no chão, na parede ou mesmo escada abaixo. Abuso sexual incluía toque sexual forçado ou relações sexuais. Aproximadamente 47% dos participantes responderam “sim” para a pergunta se eles já haviam sido abusados emocionalmente, 18% para a pergunta se haviam sido abusados fisicamente e 5% para a pergunta se haviam sido abusados sexualmente.

Para aqueles participantes que tinham o diagnóstico de enxaqueca, 61% disse que eles haviam sido abusados na infância. Daqueles que nunca tiveram enxaqueca, 49% disseram que foram abusados. Daqueles que foram abusados, 55% foram mais suscetiveis a experienciar enxaqueca do que aqueles que nunca foram abusados após levar em conta faixa etária, renda, raça e gênero.

Para aqueles que foram abusados emocionalmente, 52% eram mais suscetíveis a ter enxaqueca do que aqueles que não foram abusados, após levar em conta outros tipos de abuso assim como faixa etária, renda, raça e gênero. Em contraste, aqueles que foram abusados fisicamente ou sexualmente não foram significativamente mais suscetíveis a ter enxaqueca do que pessoas que não foram abusadas.

O relacionamento entre abuso emocional e enxaqueca permaneceu quando pesquisadores adaptaram os resultados levando em conta depressão e ansiedade. Nessa análise, das pessoas que haviam sido abusadas emocionalmente, 32% eram mais suscetíveis para ter enxaqueca do que aquelas pessoas que não foram abusadas.

Tietjen notou que o estudo apresenta uma associação entre abuso emocional na infância e a ocorrência bastante comum de enxaqueca. Isso não mostra causa e efeito, embora os achados que a probabilidade de ter enxaqueca aumenta com o número aumentado de tipos de abuso é sugestivo.  

“Mais pesquisas são necessárias para melhor entender a relação entre abuso na infância e enxaqueca”, disse Tietjen. “Isto é também algo que os médicos podem querer considerar quando tratam pessoas com enxaqueca”.

Esse é o link da reportagem em inglês:

Children who are emotionally abused may be more likely to experience migraine as adults

E você, concorda ou não? Se gostou, pode curtir o post e deixar o seu comentário ❤

“Isso É Frescura!”

ISSO É FRESCURA!”. Eu não sei de vocês, mas TODAS as vezes que eu vejo alguém falando isso para alguém que está deprimido ou ansioso, eu tenho vontade de dar um chacoalhão nessa pessoa!!!

E sabe o motivo? Te conto agora 😉

Depressão e Ansiedade Generalizada (por exemplo) são consideradas DOENÇAS ou mais tecnicamente falando, TRANSTORNOS MENTAIS. E isso não é a minha opinião ou de qualquer outra pessoa: isso está lá na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e no DSM-V (da Associação Americana de Psiquiatria), os dois manuais utilizados por profissionais de saúde mental para diagnosticar pacientes.

Por mais que as pessoas não queiram aceitar, Depressão e quadros ansiosos são DOENÇAS. E ponto. Não há o que se discutir quanto a isso. Contudo, além de ouvir pessoas falando que Depressão/quadros ansiosos não são doenças, ainda temos que ouvir mais alguns absurdos que eu juro…sempre torço para estar lendo/ouvindo errado. Eu vou listar para vocês alguns dos comentários que eu já ouvi/li sobre esses assuntos:

  • “Isso é frescura”;
  • “Isso é falta de Deus”;
  • “Isso é preguiça”;
  • “Isso é porque você é uma pessoa fraca”;
  • “É só pensar positivo que isso passa”;
  • “Isso é falta de uma pia e um tanque”, etc.

Infelizmente, este tipo de comentário é algo que poderia e DEVERIA ser evitado. E por que será que eu bato sempre nessa tecla?

Porque É MUITO NOCIVO este tipo de comentário para quem está passando por um quadro depressivo ou ansioso. Será que alguém GOSTA de ficar doente? Será que na cabeça do paciente já não passa culpa pelo quadro apresentado? Possivelmente sim! Precisa alguém vir de fora e REFORÇAR este tipo de sentimento/pensamento na vida desses pacientes? Eu acredito que NÃO! (e espero que esta também seja a sua resposta 😉 ).

Por isso, sempre que você ouvir alguém falando este tipo de blábláblá, POR FAVOR, não xingue, mas EDUQUE esta pessoa. Se preciso, traga informações com porcentagens, por exemplo. Acredito que esse é um dos caminhos para que este tipo de pensamento possa ser mudado.

Se você tem alguém na sua vida (família, amigo, colega de trabalho, etc.) que está passando por algum problema dessa natureza (aqui expando para os demais problemas mentais), não JULGUE! Esteja aberto para escutar o que a pessoa tem para dizer e ofereça seu apoio e carinho. Diga que entende o que ela está passando e compartilhem informações sobre aquilo no qual a pessoa está passando. Você não está na pele dela para saber o que ela está sofrendo. Ofereça um ombro amigo e mostre-se disponível para conversar. E, em muitos casos, o que para você parece pouco, para quem está recebendo é MUITO.

O objetivo deste post de hoje não foi ficar falando sobre depressão e ansiedade pois estes serão temas de outros posts. Meu objetivo maior foi trazer à tona um assunto que traz sofrimento à todas aquelas pessoas acometidas por um transtorno mental: o preconceito através da desinformação sobre o assunto. E, olha, se depois desse nosso papo você AINDA acha que transtornos mentais são FRESCURAS, só peço uma coisa: mantenha essa idéia para si! 🙂 Quando você ler algo sobre o assunto no facebook, por exemplo, pule o post e vá para outro. Ou ainda, se o seu amigo estiver falando algo sobre o tema, apenas sorria e escute. Porque… as palavras machucam SIM, principalmente se já estamos mais sensíveis.

Se pelo menos UMA pessoa mudar de opinião sobre esse assunto hoje, meu objetivo foi atingido 😉

Adoraria poder ouvir o comentário de vocês sobre esse assunto! ❤

Criando o blog em 3, 2, 1…

saude_mental_maior

(Fonte: http://www.google.com.br)

 

Esse projeto do blog é algo antigo, mas que foi sempre deixado de lado porque sempre tinha algo que precisava ser feito com mais urgência. Contudo, a “urgência” de se criar um blog no qual eu pudesse passar um pouquinho do meu conhecimento de psicóloga, conhecimento este que vem sendo criado desde 1994, fez-se presente e cá estou!

A minha ideia é a de escrever posts sobre temas em saúde mental e todos voltados para o público em geral.

Quero poder trazer para o blog um pouco de informação advinda dos artigos científicos (publicações sérias) e da minha vivência como psicóloga. Todas as informações presentes aqui estarão em português (mesmo o texto que usei como referência para escrever o post esteja em outro idioma).

Hoje em dia, temos muita coisa sendo publicada na net e é preciso separar o que vale e o que não vale a pena.

Por fim, o meu maior objectivo é trazer informações relevantes sobre o tema e ajudar as pessoas que necessitam delas 😉

Para os assuntos que são pertinentes e no qual eu não tenho muito conhecimento, trarei algum colega de profissão para falar sobre o tema.

Espero que gostem do blog e ficarei muito feliz em poder responder à todas as perguntas.

E lembre-se: NADA substitui a avaliação de um profissional qualificado. Se você achar que está sofrendo de algum transtorno mental, não deixe de buscar atendimento com um psicólogo e/ou psiquiatra.